Um verão extemporâneo – o Vento Norte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 05 Agosto 2014

 

2014 – 08 – 05 Agosto – Um verão extemporâneo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Um verão extemporâneo – o Vento Norte

 

Muitos acreditavam ser o vento Norte um portador de moléstias, desastres e um mensageiro das desgraças. As pessoas desciam pela rua Dois de Novembro com flores nas mãos, um amargo de boca e sentimentos dolorosos realçados pela memória ou por esse hálito  quente como vindo das bocarras do Inferno mirando os sólidos portões de ferro do Cemitério central. Outros gastavam os joelhos e calejavam as pontas dos dedos serrilhando as contas do rosário. Preces e lágrimas. Antes e depois. Os cães não acompanhavam seus donos e amigos e abandonavam-se numa sombra qualquer numa letargia de dar dó. A vida era diferente. As pessoas eram diferentes. Amava-se diferentemente. Amava-se por toda a vida. Muitos se amavam eternamente.

 

Cr & Ag

 

Hoje, domingo, amanheceu com um sol ardido. Ardido e dolorido, parcialmente pelo buraco na camada de ozônio, mas principalmente pelo vento Norte. A brisa das primeiras horas matutinas ganhou uma força especial, talvez açulada pelos demônios da dor e dos sofrimentos de alma e corpo, e um vento em rajadas. Zumbia em menosprezo por todos nós nas cumeeiras do prédio. Vento zombeteiro como só ele. Alguns escutam as vozes de entes amigos que partiram dessa para outra qualquer na sua sibilância. Outros se entreolham como se suas consciências falassem e seus pecados borbulhassem na alma que ousam sempre desdenhar.

 

Cr & Ag

 

Há quem sinta o odor de enxofre e assim espalham sal grosso no exterior de suas portas e janelas e trancam-se na casa, agora refúgio. Uma vela acesa para Nossa Senhora ou para algum santo ou santa venerados. A humanidade aproxima-se do Criador sempre que o temor é maior que seu domínio ou suas forças para enfrentar a adversidade. Sem telefones ou internet, sem a fragilidade fugaz das redes ditas sociais, a criatura sabe que depende de si e dos seus num curto perímetro.

 

Cr & Ag

 

Não era dia de lavar as roupas guardadas ou colocar a roupa de cama no alambrado ou na janela como é a rotina da dona de casa rural e de antanho. Visitas? Somente em extrema e derradeira necessidade, como enfermidade ou velório. Havia quem postergasse o sexo, no entanto, outros executavam a talvez derradeira. A última será… a última! Credo em cruz ou cruz credo. Agosto, nome do mês dado pelo imperador romano César Augusto em sua homenagem, também é o mês do “cachorro louco”. A natureza prega suas peças até nos cães aumentando incidência do cio nas cadelas e tornando os machos desvairados pelos feromônios (“odor de estrógeno”), como a maioria dos machos e nas lobas da Globo, por exemplo.

 Amor perdido

Cr & Ag

 

Melhor ou pior se comparado com nossos dias? Tudo ao seu tempo, necessidade e evolução. O vento Norte está aí antes de nós e certamente ficará varrendo as cinzas da humanidade e espetacularmente a soberba, a ganância, a fome de poder, a necessidade de séquito e de adoradores, a cobiça material e moral e tantas irrelevâncias ardorosamente defendidas com a vida dos outros.

 

 

 

A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Julho 2014

 

2014 – 07 – 22 Julho – A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A pátria de ferraduras

 

“O

 que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. – Nelson Rodrigues. Quando o presidente Lula usou ofensivamente o termo “complexo de vira-lata”, lembrei-me do “anjo pornográfico”, um dos epítetos do mestre Nelson Rodrigues. Em outra ocasião a presidente Dilma usou o mesmo termo rebatendo acusações e queixas de Ronaldo Fenômeno. A derrota no chamado Maracanazo em 1950 repetiu-se em progressão geométrica com o Mineirazo. A derrota contra a Holanda fazendo a soma chegar aos dez golos em dois jogos é a rubrica final de um desastre sem precedentes na história do futebol brasileiro e mundial nas circunstâncias em que aconteceu. Algo assim deve sair das quatro linhas do campo de futebol, dos alambrados, dos estádios superfaturados, das estruturas temporárias ou complementares e das infraestruturas sempre prometidas e raramente concretizadas.

 

Cr & Ag

 

E foi com Nelson Rodrigues, o reacionário emérito, que recordei outra de suas pérolas literárias e também complementares – “a pátria de chuteiras”. A derrota humilhante no campo esportivo deve ser levada para análise e comparações de dois povos. O povo dos “vira-latas” e o outro, os germânicos. Entre a estadista Angela Merkel e a “presidenta” Dilma Rousseff. Entre o “jeitinho brasileiro” e a eterna síndrome do malandro e o trabalho duro e persistente. Os quase quarenta ministérios e o famigerado pacto pela governabilidade que tanto mal e asco nos causa por sua sórdida realidade de compadrio perverso ao “vira-lata” que trabalha, estuda, viaja precariamente, vampirizado por impostos malditos, de tantos políticos corruptos e incompetentes, de eleitores vassalos e outras anomalias nacionais estende-se a federação brasileira de futebol em simetria odiosa noticiada pela imprensa livre.

 

Cr & Ag

 

Assim gestou-se “a pátria de ferraduras”, que como cantava sabiamente Zé Ramalho em O meu país – “este não é o meu país”. Somos da legião que não é “vira-lata lulista” e não vive nessa “pátria de ferraduras” em que o mérito de estudar e trabalhar e de ser honesto é somente para utilidade desses aproveitadores que todos identificamos e muitos ainda aceitam. Assim como tentamos sucessivamente identificar as exceções. A educação deficiente em número e qualidade solda as correntes que amarra nosso povo. As vantagens populistas criam o caldo de cultura para que aboletados em entidades ditas de classe vivam do trabalho alheio e se intitulem trabalhadores. Fermento para “passar de ano” mentirosamente nas escolas e “rodar” nos concursos da vida real que exigem preparo e conhecimentos básicos. Acabaram com os professores e com os mestres substituindo-os por “trabalhadores em educação”, para que nada ensinem e ninguém aprenda?

 

Cr & Ag

 

Bandidos e criminosos estão em qualquer sociedade e país, diferem pelo temor de infringir as leis e a certeza de sua punibilidade. “Até a Argentina tem prêmio Nobel! A Alemanha tem uma centena de Nobel!” – dizia uma professora livre e independente. E completava: – E o Brasil quantos? Nenhum! Serve como parâmetro para alguma comparação de civilização? A Coreia do Sul segue comparando seu povo com os outros melhor sucedidos e seu povo e sua indústria espelham no progresso crescente seus resultados. Acreditamos que “Deus é brasileiro” e “somos o melhor povo da terra”, no entanto, o Criador exige merecimento de seus filhos para que colham os frutos do seu trabalho e a terra seja próspera e feliz. Uma parábola! A pessoa sentada sobre a chapa fervente de um fogão sentia-se queimar, cheirando carne queimada, quando se chegou um menino e perguntou-lhe: – por que não sai daí? Por que não troca…? Ao que o queimado respondeu: – mas será que aí está melhor ou vai ser igual? E o menino: – Aí sabe que vai queimar e torrar e aqui…

Nelson Rodrigues - A pátria de chuteiras

 

Grafite por Eduardo KobraNelson Rodrigues por Kobra

Rui Barbosa 3

Nelson Rodrigues

Sabrina Dalbelo e Paulo Abrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Julho 2014

 

2014 – 07 – 15 Julho – Sabrina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Sabrina Dalbelo – uma nova Luz na literatura

 

Orgulhosamente apresento essa querida amiga ou uma filha que faria a felicidade de qualquer pai ou mãe, agora estreando no mundo das letras e da magia das palavras vertidas com amor. Esposa do querido Marcelo, gaúcho de São Leopoldo e Major do Exército brasileiro. Mãe da Samanta e do Igor. Advogada e funcionária da Justiça Federal. Assina como co-autora da coletânea "Vozes de Uma Alma – Poesias Escolhidas (Vol I)". E no Facebook – “Se tem nome existe”.

                     

“O bom rei nos ensinou tudo

 

No meu mundo, temos ofícios, responsabilidades e afazeres.

Todos somos treinados para cumprir as ordens reais.

O Rei é bom e o obedecemos com alegria e esperança.

Ele nos ensina tudo!

Quando realizamos nosso trabalho de forma satisfatória, nosso supremo nos concede o luxo da comida, da moradia, da confraternização e da própria luz.

Moramos em lugares organizados e arejados e nosso Rei nos deu as flores, os ventos, as colheitas e nos ensinou tudo sobre o peso e a ordem das coisas.

Por isso, entendemos os limites das coisas e, assim, não ultrapassamos barreiras.

Pertencemos ao nosso lugar, onde a possibilidade é proporcional ao merecimento.

Nos unimos, mas confiamos na nossa individualidade, pois dependemos dela para servir ao Rei.

Conhecemos todas as palavras; o Bom Rei nos ensinou-as.

Ele nos mostrou os animais, as coisas, os elementos naturais, os artificiais, os extraordinários; também nos falou sobre sentimentos, sobre todos eles, ele nos disse.

Ele é muito bom e não nos esconde nada!

Conhecemos e já vimos todas as coisas que existem em nosso mundo.

Nosso mundo é sabidamente invejado por outros mundos.

O querido Rei nos provou também que aquela moça que deixou de receber moedas de cobre, comida e nossas visitas merecia ficar isolada e a mercê da sorte porque foi desobediente e não cumpriu as ordens reais como devia.

Ele nos mostrou, devido a sua real bondade, que qualquer ajuda que déssemos à moça, não autorizada por ele, nada mais seria do que um retrocesso no aprendizado dela.

Todos entendemos e ficamos felizes com a decisão do Bom Rei, pois temos conhecimento de todas as palavras que ele usou para nos explicar seus motivos, inquestionáveis, portanto.

Aquela moça acabou definhando, já que, de certo, mereceu definhar.

Entendi como tudo ocorreu, porque conheço o nome de todas as coisas – o Bom Rei nos explicou – só não sei como se chama aquele olhar opaco e distante que vejo estampado no rosto do filho da moça desobediente, depois que ela se foi.

Mas não me atrevo a perguntar…

Se tivesse nome, nosso Bom Rei nos diria.”

                       

Sabrina Dalbelo

 

 

            Paulo Abrão – uma nova Luz no Paraíso Celestial

 

Alegrias de uns, tristezas de outros, entendi essa face da vida quando minha mãe faleceu no Hospital Conceição. O querido Abrão, um dos melhores e mais antigos protéticos odontológicos de Viamão, destacado membro da Santa Izabel e pai amado da Lilian e da Cláudia, cirurgiãs-dentistas, está agora embelezando os sorrisos do Paraíso celestial e com alegria e enorme boa vontade encontrando-se com sua querida esposa e iluminando todas as pessoas que o conheceram e que com ele tiveram a felicidade de conviver. Nosso Amor à família e ao querido amigo.

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O Arigó e as Guampas – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 08 Julho 2014

 

2014 – 07 – 08 Julho– O Arigó e as Guampas – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

O Arigó e as Guampas – a batalha da Faxina.

 

Eis que o mui famoso Arigó da Faxina gritava e esperneava agarrado pela bombacha pelo Milton, seguro pela trança pelo Daniel e gravateado pelo Molina: – Só conto pro Edinho do Cabeleira e pra nenhum outro jornalista… -  e contou-me essa epopeia ou causo viamonense.

 

“Se tem coisa igual ou muito semelhante entre o rico e o pobre é a hora da partilha. O defunto pode ter só a roupa do corpo e uma escova de dentes que logo aparecerão herdeiros e as cerdas da velha escova serão disputadas no pau. Se a criatura que juntou os pés e que saiu desta para uma melhor tiver algo mais e nem precisa ser um abonado, depois dos impostos e taxas malditas do governo e do Brasil cartorial, aquilo que sobrar será motivo para feroz batalha nos campos de lares que deixaram de prantear. Sempre alguns são mais merecedores do que outros. Alguns lembram da hierarquia familiar onde velhice é grau para mais ou para menos. Te conto o causo do conterrâneo que deixou uma chaleira de ferro, uma cuia com porongo trincado, uma bomba meio entupida e sem as relíquias das pedrinhas e duas guampas, uma para a cachaça e a outra para guardar a erva. Após vários bate-bocas depois do bate botas, o finado ainda nem esfriara sob os sete palmos arenosos da Faxina, chegaram as vias do fato. Não confundir com as veias do feto. De nada adiantou a turma do sossega leão, larga nas mãos de Deus, o que é dele tá guardado e o ferro branco zunia e assoviava mais que discurso de gago bitata. Com os tiros de tresoitão e berros de garrucha a brigada a pegou o rumo do mato, pois de valente e burro o cemitério está cheio. Para encurtar a lembrança da peleia que começou pela manhã e varou à tarde quase abocanhando uma fatia da noite, cinco mortos, oito carneados vivos, morreu o burro do delegado com um balaço nas orelhas, uma chinoca perdeu a cria na correria e o resto se juntou para comer um charque com aipim, tirar uma soneca nos pelegos e se preparar para a próxima. Coisa feia. – A coisa fedeu! – dizia a velha Lautéria. Completando: – só vi coisa feia assim na revolução, carnificina de irmão contra irmão. Mataram até os cachorros que acuavam. Teve valente que encheu a bombacha de bosta. E mole! Um caldinho descendo perna abaixo e encheu as botas.

 

Se é verdade verdadeira eu nunca tive certeza, mas mentira mentirosa certamente não é. Contam que está nos livros do Fórum. Pois falando nisso, os sobrevivente se reuniram com o doutor juiz de Direito para controlar esse monte de tortos. Até as mulheres tiverem que ser contidas e colocadas buchas de carpim nas bocas para pararem de tanto falar. – E a herança? – impacientou-se o doutor devogado. E o doutor juiz trepado naquele tablado desenrolou um pala rasgado na sua mesa e mostrou as guampas e disse: – Só sobraram as guampas! E agora vamos ver quem fica com as guampas ou quem vai levar as guampas. Um silêncio de incomodar defunto caiu na sala, foi quando o doutor delegado que é contra-parente do tal Zé Boludo, parentesco emprestado pois tinha assinado de testemunha no seu casório com uma guria, sua filha de criação, berrou indignado: – Se o doutor juiz entende de guampas pois que fique com elas para seu prazer e deleite. Vai ficar de bom tamanho… e começou a peleia novamente, agora com o juiz e o delegado puxando dos talheres.”

 

Lembramos esse passado heroico da região ao associar a qual o fator que nos torna iguais como seres humanos. Certamente não são nossos sentimentos tão peculiares, digamos assim, com os momentos. Nem ser o animal que chora por sofrimento ou alegria. Nem pela ideologia que aparta e escraviza ou pelo arco-íris das nossas peles com ou sem decoração ou cotas. Seria pela espiritualidade sem uma “fórmula de Bhaskara” que a confronte ou pelas sombras do ateísmo? Seria então pelo nosso genoma bem ou mal mapeado? Adão e Eva ou o darwinismo? Outra batalha? A Fecundação – cerca de 100 milhões de machos (mais de duas Argentinas ou meio Brasil) disputam uma única fêmea. E dois gametas (masculino e feminino) começam essa tão maravilhosa quanto fantástica obra ímpar na natureza que em nove meses apenas geram uma Gisele, um Pelé ou… Sem empreiteiras, sem atravessadores, sem licitações ou caixa dois. Nem mensalão. E ainda brigamos e nos matamos pelo poder e pelo materialismo de quantas guampas!

 

O por do sol de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 01 Julho 2014

 

2014 – 07 – 01 Julho – O por do sol de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – WWW.EDSONOLIMPIO.COM.BR

O por do sol de Viamão

 

O

lhamos e não enxergamos. Escutamos e não ouvimos. Quantas coisas e fatos e evidências estão ao nosso lado ou à espreita numa curva do tempo? Como o esposo que tem as roupas arrumadas, os botões em seus devidos lugares, o xampu que nunca falta no banheiro, a comida à mesa a espera de sua degustação e a mulher ou eterna namorada que se perfuma e coloca aquela roupinha para esperá-lo. Ou ainda, sem brigas ou desgostos para deixá-lo ver os jogos da Copa do Mundo com seu conforto e prazer e o simples reconhecimento passa ao largo. Como se tudo fossem obrigações solenes antes de serem atos de amor. Ao contrário, nas mesmas medidas, aquele homem e namorado eterno que acompanha, estimula, incentiva e cerca-a dos maiores atos de amor e ela sente-se magoada por não receber bombons na Páscoa. É da vida e de nossa humanidade tantas e mais vezes desligada, simplória, desatenta ou descompromissada com a gratidão e o reconhecimento real do amor que jamais se escora ou ampara nas datas simbólicas do consumismo ou da generalização com a perda das individualidades.

 

Cr & Ag

 

O por do sol de Viamão! Não alucinei. Zero álcool, talvez uns 90 % amor. Semana passada, carimbei o passaporte em 6.3 (com corpinho de 6.2) e neste último ano, após 43 anos de Medicina, ousei enveredar por caminhos para mim inexplorados. Como um Livingston na África do meu ser. A maior parte da minha vida, da juventude até aqui, estive entre quatro paredes – consultório, bloco cirúrgico, plantões 3 a 5 vezes por semana. Assim aproveitei a minha vida profissional que é a minha pessoa com o amparo absolutamente abrangente da minha família. Eis que outro dia estava escrevendo, digitando algo quando me deparei com a sala complemente vermelha. Como se tomada pela cor do meu amado Colorado. Ou “pela cor do sangue de Cristo”, como diria sempre o querido padre Raphael Ignácio Valle. Lancei o olhar pelas largas janelas de vidro e o céu estava rubro, tons de vermelho incandescente refletiam-se como nunca tinha visto antes aqui na terra que me viu nascer. Um manto divino e rubro cobriu-me com uma sensação e um sentimento de profunda gratidão.

 

Cr & Ag

 

Depois de mais de seis décadas de vida descobri (em tempo) que Viamão City tem um maravilhoso por do sol. E por um tempo não medido fique à janela recebendo as luzes escarlates dessa benção real banhando meu ser. Há momentos na nossa existência em que ficamos em comunhão com o universo e com a divindade. Quantas vezes fui sentar à beira rio em Ipanema, com um saquinho de pipocas e… sim. Também! E apreciar o sol beijando o Guaíba ir tingir o pampa. Ou em outras regiões do planeta que tive a felicidade de visitar. Agora estava ali o Sol iluminando-nos enquanto surfava no horizonte com a torre do Seminário Maior e o Morro Santana por cenário. Alguém me falou “das coisas que perdemos durante a existência”. Realmente alguns perdem e perdem até a vida na ânsia desenfreada pelo poder, pela matéria que se recicla, pelo consumo com pouco sumo, enfim, por essa estrada que todos devemos trilhar em busca da evolução pela Luz do entendimento e pelo Amor. Nada perdi! Tudo ganhei com a Medicina e se agora posso desfrutar e absorver um por do sol na minha casa, na cidade que escolhi para viver, há uma felicidade incomensurável. E minha gratidão. Absoluta gratidão! (Imagens em http://www.edsonolimpio.com.br)

 

Cr & Ag

 

Um pensamento inquietante! Quando um “pacto pela governabilidade” se transforma em “formação de quadrilha”?

Viamonês – um dialeto especial – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 24 Junho 2014

 

2014 – 06 – 24 – Viamonês – um dialeto especial? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Viamonês – um dialeto especial?

 

S

abemos que cada região de um mesmo país ou de países diferentes, professando a mesma língua apresentam características e palavras com usos e significados diferentes ou especiais. Um gaúcho de periferia da graaande Viamão, como Uruguaiana ou Bagé, por exemplo, carrega termos pouco usuais para nós. Assim como um cearense ou um catarina. Imaginemos uma reunião de viamonenses da gema (ou da clara?) lá pelos idos de 1960 com a Legalidade agitando as bandeiras e ensarilhando armas. Poderiam estar na Sociedade Viamonense de Caça, Pesca e Tiro ali defronte a casa do primo Haroldo Franco, junto ao armazém do Itamar Carvalho. Ou na saleta-corredor da Farmácia Brasil onde se “reúnem caçadores, pescadores e outros mentirosos”, como dizia a placa. Ou ainda, nas sombras frescas da Borracheira na praça Júlio de Castilhos, numa barraca nos banhados dos Abreus, ou entre os cinamomos da praça de autos da caixa d´água. O assunto de homem é sexo-futebol-política-sexo.

 

Cr & Ag

 

- Onde tens andado ou anda escondido como pulga em pelego? Tá desmerecido (1) ou a gripa (2) te pegou? Ou anda engalicado (3) de novo com aquela china (4) do Meu Cantinho (5)? Tu te cuida porque mulher ligeira e cavalo lerdo quebra qualquer homem.

 

- Tive ameaça de pontada(6) e to tomando umas penicilinas e xaropes do seu Nelson. Coisa braba, me encheu o calções de água (7) na caçada no Nena Santana. Encaranguei e quase morri na geada. Agora to com defluxo(8) que até pelo imba (9) eu tuxo (10). Fiz uma xapoerada (11) com mel, guaco, agrião e banana do mato. To melhorando devagarzinho.

 

- Vocês tão ficando velhos! Outro dia o Manoel Galego quase morreu com uma farofa de ratão do banhado na beira da sanga do doutor Velho. Se salvou com chá de vassoura vermelha. Vomitou até o diabo e botou duas cuecas fora. Ficaram perdidas. Ainda fez duas atiradas e derrubou 52 marrecões e umas piadeiras. Vocês vão ficar por aqui ou vão também pros matos do Marcolino ou pro Pinhal… o Brizola tá chamando na radia (12) dia e noite.

 

Cr & Ag

 

Sem ficar tafoneando ou embromando (13) vou pedindo arrego (14) pro primo Sílvio Negrinho Luiz, outro viamonense contador de estórias, enquanto a nega veia (15) prepara a boia (16). Lembro que tive que dar um retoque na melena (17) com o Panca, depois de consertar o cebolão com o Messilva, pois não posso perder a hora pro arrasta-pé no Valdeci no Passo da Areia. Claro que vou no Passo das Éguas lotado (18). To de aconchego (19) com uma guria bonita que nem um bibelô (20) da festa do Padre Bernardo, até comprei uma camisa volta ao mundo (21) no Zé das Calças, mas tenho que levar uns brincos pro pai dela que tá sempre reinando (22), de rabo azedo (23) e venta arregalada (24), mais brabo que corno em delegacia. Carrega um tresoitão Schmidt-Wesson (25) na cintura e uma Solingen (26) na meia. Qué o que com cara que veio do porto (27) e cumpriu tempo no Gasômetro (28). Mas a rapariga tem umas ancas (29)… E não posso contar com o primo Malta que está no Madrugada CCC (30) e só quer batucada e segurar as mesas do bar do Manoel.

 

Cr & Ag

 

E (ufa!) traduzindo: (1) pálido, fraco; (2) gripe; (3) com doença venérea; (4) meretriz; (5) tradicional lupanar viamonense; (6) pneumonia; (7) macacão de borracha para caçadas em banhados; (8) corrimento nasal e catarro; (9) ânus; (10) “tosse” – flatos; (11) xarope caseiro; (12) rádio; (13) enrolando, dando voltas; (14) ajuda, facilidades; (15) patroa, companheira; (16)

Chepa, comida; (17) cabelo farto; (18) tradicional linha de ônibus; (19) namoro; (20) decoração de porcelana; (21) antiga camisa de nylon famosa pela “asa” que deixava; (22) mau humor, como rei; (23) bunda suja; (24) nariz bufando como bagual; (25) revólver de valente; (26) navalha alemã, identidade de malandro e bons barbeiros; (27) Porto do Rio Guaíba; (28) “cadeião”; (29) quadris largos; (30) mítico Madrugada Clube Carnavalesco do Complô. Orgulhosamente citamos pessoas queridas e tradicionais dessa cidade e povo.

 

EXTRA.

Em plena Copa do Mundo FIFA vão as cores do Brasil e a nossa torcida.

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Viamão e suas faces – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 17 Junho 2014

 

2014 – 06 – 17 Junho – Faces de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Viamão e suas faces

 

O

 prefeito Bonatto e seus colaboradores estão mostrando os frutos de seu trabalho. Nunca será o necessário e nem aquilo que a todos satisfaça, mas será algo que esperamos frutifique e evolua. Mexeram nesse vespeiro ou feudo multicolorido dos carros de praça ou táxis. A ancestral praça de táxis situava-se onde hoje está o Largo Adônis dos Santos ou da Caixa D´Água. Ali também estava a estação rodoviária no prédio do agora Gullas. Incrivelmente Viamão já teve uma estação rodoviária! Entre frondosos cinamomos ou paraísos estacionavam os carros de praça de lendas de um passado não tão remoto: meus tio Eninho (pai do Danilo), Álvaro (pai do Sílvio Boca) e Carlinhos, do Osvaldo Mulato, do Darci Sandália (pai do Elmo), do Nenê, do Waldeliro (meu sogro), do Zé Russo entre outros. Eram veículos grandes e sólidos, importados na época. Com o surgimento do fusca, esse se tornou a seguir o veículo dos taxistas brasileiros. E por longo tempo imperou o táxi de duas portas. Absurdo? Não para aquele contexto e ideias. O táxi é uma concessão pública, mas sempre simbolizou uma capitania hereditária, como aquelas depois do descobrimento do Brasil. E ninguém tinha coragem para mexer nesse ninho de ofídios (de algum tempo).

 

Cr & Ag

 

Agora os taxis são quatro portas para mais acesso e mobilização dos passageiros, muitos com ar condicionado escrito nos vidros e quase ou nunca ligados, e com as cores e logomarcas da cidade de Viamão. Um avanço necessário e significativo. Há muito que rodar nessa estrada, como cursos permanentes de reciclagem em direção e etiqueta funcional para segurança e bom trato com o passageiro. Controle das revisões veiculares. Indumentária adequada e limpa. Proibir-se o fumo no interior dos veículos, mesmo sem passageiros – muitas queixas do mau odor principalmente em dias de chuva. Organizar e disciplinar a venda da concessão onde fortunas se carreiam para os bolsos de alguns e nada para a municipalidade que poderia destinar para a saúde, por exemplo, gravado em lei complementar. Conta-se que o Barbaroti somente se ajoelha para o Pai do Céu e traz boa vontade e qualidade auditiva para escutar os anseios e necessidades da sociedade. Assim foi a troca de fluxo e reorganização das ruas centrais que ninguém conseguiu entender o porquê do ex-prefeito Alex Boscaini ser irredutível ou teimoso, ou ainda, não exercer o seu poder lhe dado pelo voto popular e persistir no erro.

 

Cr & Ag

 

A cobrança pelo estacionamento temporário nas ruas centrais é outra medida moderna e indispensável para romper o lacre de posse do estacionamento de alguns que se acham proprietários das vagas. Em 1981, quando então fiz parte do Lions Club de Viamão, mostrei que tal modelo de estacionamento já funcionava em Uberaba, terra do Chico Xavier, com jovens retirados da pobreza e da marginalidade para ofício honesto e complementar da escola, sempre com monitores por áreas. Os guardas municipais não precisam andar em tribo, no máximo seriam em duplas, muito menos acamparem em certas esquinas ou outros lugares durante o trabalho. Jamais generalizo e quem me acompanha aqui ou no site sabe que a generalização é a filha bastarda da burrice. Assim aqueles que se sentirem dodói certamente são os que não querem o bem da cidade, do seu povo e do seu ofício ou profissão.

 

Cr & Ag

 

E no consultório, a paciente diz ao seu médico:

- Meu marido é um pouco tímido, mas é muito mais fechado. Parece um cofre! Não se abre nunca. Quase nunca. E olha que eu tento.

- O ser humano precisa ser decifrado, entendido e ser amado. É da nossa essência. São os cofres mais fechados que trazem os maiores tesouros. Podes abrir como a assaltante – explodindo-o. Ou como o perito que busca entender o seu modelo, os menores sinais e tem a sutiliza e a delicadeza necessária para abri-lo. A chave está contigo e com ele, chama-se Amor.  (Nota do Cronista: voltaremos ao tema. Visite nosso site e veja crônicas, lendas, contos e imagens e desejando receber textos anteriores, peça pelo e-mail.)

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