As cores da alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 02 Setembro 2014

2014 – 09 – 02 Setembro – As cores da alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

As cores da alma

 

M

uitos anseiam em acreditar, usar e mobilizar-se pelo pensamento positivo, pela irradiação de boas ideias e de energias que trarão mais luz, alívio, cura e harmonia. Em todas as terapias ensinam-se ou motivam-se aos pacientes e principalmente aos impacientes. No entanto, muitos se negam a aceitar que forças contrárias de tamanho e intensidade semelhante ou até maiores são mobilizadas de forma hostil consciente ou inconscientemente. Aqui nesse teatro da vida expõe-se o chamado olho grande ou olho gordo. Muda-se o nome, persiste o mal. Não precisamos acreditar ou ter fé para que energias invisíveis aos nossos sentidos imediatos estejam ocorrendo. Você está usando seu telefone ou smartphone e recebendo mensagens ou observando uma infinidade de coisas e fatos que parecem magia, feitiçaria ou milagre. Não muito tempo atrás era impensável para muitos que agora se deleitam nas redes sociais. Mas você não vê nenhuma alteração no ar ou no espaço a sua volta para que tal aconteça e esteja disponível.

 

Cr & Ag

 

Há pessoas que carregam algum tipo de energia positiva que outros se sentem bem estando com elas. O contrário é verdadeiro. Há pessoas que visitam tua casa e o cão adoece, as plantas murcham, aparelhos elétricos queimam e segue o cortejo. Há pessoas que conversam contigo ou estão juntos e te sentes sonolento, cansado, deprimido ou nauseado. Ou dores de cabeça. Muitas vezes custa-se a perceber-se a origem dos males e pode-se custar mais ainda para aceitar a sua origem. E nem é preciso a criatura estar presente para sua energia canalizar-se em algum malefício. Há pessoas que tem tais aptidões ou propriedades e que gostam de as possuir, mas outros afastam-se para não causar mal.

 

Cr & Ag

 

Faz pouco tempo e de forma muito moderada tenho usado ou visitados as redes sociais especialmente para publicar meus textos ou colunas e algumas imagens. Observo pessoas que fazem enorme exposição de suas vidas cotidianas para um universo de luz e sombra. Expõe sua pessoalidade e sua intimidade num grau crescente e compulsivo, tanto de banalidades como de fatos e situações que mereceriam resguardo. Há quem fique permanentemente conectado numa vida virtual sua e dos outros, muitos num voyeurismo sem limites ou fronteiras com o guru de bolso dando sinal a toda hora. Algumas pessoas não fazem as refeições sem estarem livres do guruphone, outras até na hora (minutos) do sexo estão com os sentidos divididos.

 

Cr & Ag

 

É muito comum nas salas de espera dos consultórios, as criaturas que necessitam da audiência para contar suas dores, enfermidades, sofrimentos ou suas alegrias e o resumo da família e da vida. Há plateia sedenta disso. Como num acidente de trânsito ou num incêndio, por exemplo, reúnem-se pessoas, até atrapalhando o atendimento aos feridos, para observar, curtir de alguma forma o ocorrido. Colhe-se aquilo que se semeia, mas com a influência ou interferência até do sobrenatural de almeida. Cuidado!

Vai faltar defunto – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 26 Agosto 2014

2014 – 08 – 26 Agosto – Vai faltar defunto – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Vai faltar defunto

 

Todos são amigos. Todos conviveram com o pernambucano Eduardo Campos tragicamente falecido. Todos compartilham de suas ideias e de seus ideais. E por aí segue o cortejo da falsidade e da entronização da canalhice. O tricolor porto-alegrense venderá sucatas de seu finado gramado e estádio de futebol – uma suposta relíquia que renderá milhares de reais ao clube. Imaginem, com essa onda de lotear, rifar e leiloar pela internet qualquer coisa se fizesse o mesmo com os despojos de importantes e significativas pessoas? É do contexto que morto é pessoa dotada das qualidades luminosas e até da ausência dos piores defeitos nesse BraZil de criminosos idolatrados, daí vem o uso de seus nomes em estradas, aeroportos e assemelhados.

 

Cr & Ag

 

E vai piorar, pois essa enfermidade ética, essas distorções morais estão expressas naquele mesmo manual de que “tudo vale na política e no amor”. Amor ao poder, certamente. É o manual da governabilidade e do toma lá e dá cá, recheado de ministérios e secretarias na pérfida orquestração do poder a qualquer preço e condição. E vai piorar a medida que os dias encurtam o prazo do voto na urna suspeita. Suspeita? Imagine, temos o mais perfeito sistema de votação do planeta. E quem discordar é “impatriota e contra o BraZil”. Na democracia americana o pessoal mete bala às claras nos candidatos e presidentes, mas no BraZil as criaturas morrem de desastres de carro, avião, helicóptero, pela via curta do suicídio ou do coração. Ou natural ou pelas leis da vida. Somos mais civilizados que eles!

 

Cr & Ag

 

Acreditamos demais no sobrenatural de almeida, temos fé excessiva no astral da silva e o pensamento mágico, como a eleição do Collor, tende a repetir-se. Aposta-se em quem não fez e sabe-se que não fará. Acredita-se que do nada sairá o futuro grandioso de um povo rico, num país rico, de pouco trabalho e de muito futebol sem os 7×1 e os estupros e estelionatos eleitorais. Acredita-se num país em que estudar e trabalhar é coisa de mané e que patrão é o demônio com chifres disfarçados. Acredita-se que os criminosos jamais devam ser presos e se algum dia forem condenados, aparecerá algum jornalista oligofrênico nota dez, para abrir a bocarra aos sete ventos anunciando a sua prisão de trocentos anos, numa terra com S ou Z de pena máxima de trinta anos que somente os abandonados pelo capeta e pelos partidos, pelas ideologias ou pelos direitos (des)humanos farão cumprir-se. “Ooops! 1/6 da pena Edinho!” – alfineta o amigo leitor.

 

Cr & Ag

 

É a pátria do futebol e dos herdeiros políticos. E como tem herdeiros! Isso é próprio do populismo de havaianas e charuto Havana entre os dedos. Conhece o pessoal que trabalha mais de cinco meses por ano somente para bancar esse desgoverno e as falcatruas escancaradas e mascaradas de lapsos de competência ou que “era excelente negócio naquele momento”? E o exemplo de Pasadena é a ponta do grafite nesse mega lápis de pau-brasil. Onde não sei e não vi ou nunca escutei nada é a defesa suprema e aceita. Caindo de Maduro tem as Chaves certas e incertas da ditadura e do populismo que é apoiado pelo desgoverno do BraZil. Imitamos ao pior, como crianças que apesar dos conselhos paternos e dos evidentes descaminhos, escolhem andar e acolher e copiar o ruim.

 

Cr & Ag

 

 

Muitos leitores não gostam, alguns odeiam, outros se sentem nauseados e tem ojeriza pela política nacional e pedem que o cronista faça seus textos fora disso. Mas como evitar?

Conflitos na educação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Agosto 2014

 

2014 – 08 – 19 Agosto – Conflitos na educação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Conflitos na educação

 

Eis que a Comissão estadual de educação quase impingiu às escolas particulares regras anômalas, descabidas e possivelmente absurdas que impediriam dos alunos comprovadamente delinquentes serem afastados, punidos ou terem suas matrículas não renovadas. Somente não conseguiu pelo clamor popular iniciado no programa Guaíba Hoje do jornalista Rogerio Mendelski. Ainda desejavam serem esses delinquentes “tratados” pela escola. A ideologia marca certas posições e denuncia o atraso ou a malversação da vida dos outros pela intromissão absurda e descabida. A escola já está privada de terem mestres e professores, pois passaram a ter tios e tias ou “trabalhadores em educação”. Esse é o caminho da desconstrução e da destruição dos valores básicos que faz a humanidade conviver em civilidade dentro de normas para todos.

 

Cr & Ag

 

A escola deve informar a partir da alfabetização agregando conhecimentos e capacidade de buscá-los e complementar a educação familiar, que infelizmente está carecendo e regredindo a olhos arregalados de muitos de nós. Pais ausentes do lar pessoalmente ou fisicamente, casais em conflitos não resolvidos, a droga e o desamor de todas as cores são parte dessa pujante formação de menores com sérios e graves problemas de conduta e personalidade. Desde o Éden tudo se ancora e sustenta por três pilares universais: Disciplina, Amor e Humildade. Absolutamente e somente nessa ordem: disciplina à amor à humildade. Aqui vai um grande reconhecimento ao trabalho de uma vida ao Professor e Psicólogo Antônio Veiga e sua perene pregação dos melhores valores da humanidade.

 

Cr & Ag

 

Nas quatro paredes indevassáveis do consultório médico, nesse santuário em que o paciente é a criatura mais importante naquele tempo, escutamos o clamor dos verdadeiros mestres ofendidos em seu nobre ofício e tantas vezes em sua honra por alunos sem limites e por pais permissivos em suas culpas de maus pais. Vergonhosamente importantes aplicadores das leis e mantenedores da ordem, que deveriam zelar pela maioria da sociedade e dos cidadãos decentes, buscam os meandros, os labirintos e os descaminhos das palavras, pontos e vírgulas da lei para beneficiarem os delinquentes e toda sorte de malfeitores. Aqui também contribui uma imprensa que nem sempre livre de cabrestos ideológicos ou pecuniários ou por insuficiência intelectual em seu ofício informa mal repetidamente.

 

Cr & Ag

 

O prejuízo vai muito além daquelas crianças e de suas famílias que em colossal esforço levam seus filhos aos bancos escolares e que serão vitimados pela exceção favorecida e com a cumplicidade criminosa dos apoiadores. Ou quem apoia delinquente não é cúmplice? Qual a tua opinião se teu filho ou filha for impedido de estudar, ameaçado, espancado, sofrer ameaça ou violência sexual? Ou se espanca um professor ou destrói seu patrimônio? Pensa como pai do infrator ou como das suas vítimas? Todos serão e continuarão prejudicados pelos “coitadinhos e mal compreendidos”? Seria a mesma gente que prefere o criminoso solto nas ruas e invadindo lares estuprando, roubando, assassinando e traficando em vez de preso em “cadeias ruins ou desumanas”? O dever do Estado está em zelar e proteger o cidadão até dele mesmo, mas jamais prejudicar a maioria favorecendo a minoria.

 

Cr & Ag

 

Quantas escolas públicas não formam nem informam mais pela proibição da verificar e comprovar os méritos dos seus estudantes. Quantos fazem de conta que educam e quantos fazem de conta que aprendem? Vergonha e realidade. Uma pichação: “Todo político é ladrão, mas nem todo ladrão é político”. Onde está o erro essencial? Há políticos ladrões, como há médicos ou leiteiros, no entanto, há muito mais ladrões que se elegem pelo voto de criaturas que tiveram escolas e famílias ruins, relapsas, absurdamente permissivas ou deficientes.

Profissões em extinção – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Agosto 2014

 

2014 – 08 – 12 Agosto – Profissões em extinção – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Profissões em extinção

 

Na minha infância e juventude Viamão dispunha de várias e eficientes costureiras ou modistas como também eram designadas. E minha saudosa mãe Dora foi a melhor e mais conceituada delas para roupas femininas. Sim, esse detalhe era real – costureiras para homens e mulheres ou somente para um sexo. Algumas especializadas em certas roupas, como as gauchescas, as de casamento e até as de enterro. Os alfaiates sempre foram em menor número. Poucas lojas dispunham de roupas, destacavam-se A Quitandinha do Jacob Dubin, a Casa Veiga dos irmãos Carlos e Djalma e algumas roupas menores e armarinhos no querido Seu Etel Nunes.

 

Cr & Ag

 

Logo os viamonenses desbravaram e apreciaram a variedade, preço e qualidade das lojas de Porto Alegre, como Renner e Guaspari ou as ModasTabajara (e a dona Zilda). Em todo roupeiro havia roupas de trabalho e de festa. Fazia-se enorme esforço para no casamento usar um terno feito por alfaiate qualificado. E as mulheres casavam com vestidos belíssimos feitos exclusivamente para elas e que guardariam para os demais anos da sua vida e nos melhores sonhos ser usado pela filha dileta ou pela neta. Os clientes identificavam-se com os lojistas (donos) e seus vendedores.

 

Cr & Ag

 

Mascates! Havia um árabe numa camionete antiga e depois numa Vemaguete – lembra-se da DKW? – que trazia roupas femininas, algumas masculinas, como as camisas Volta ao Mundo e gravatas, roupas de cama e até “ouro”, como algumas joias e relógios. Na época certa do mês lá estava ele na nossa rua e as mulheres e crianças em torno do veículo numa curiosidade e encantamento similar ao que o cego sentiu ao ver a luz. Anotava na caderneta e pagava-se em prestações quase eternas, pois as compras se repetiriam. Menos ao caloteiro.

 

Cr & Ag

 

Caloteiros! Havia uma classe especial de cobradores de alguma empresa de Porto Alegre – os Homens de Vermelho! Não que fossem todos colorados, mas usavam roupa completa toda vermelha. Imaginem a situação de uma criatura toda de vermelho batendo à tua porta, numa época em que todos se conheciam e cuidavam das vidas dos outros. Muita bala e faca correram nessas cobranças. Os caloteiros profissionais é um desses “ofícios” que prospera no brasilzão padrão FIFA.

 

Cr & Ag

 

O saudoso Delfino Vieira de Aguiar, grande caçador de marrecão era guarda-fios do telégrafo. Muitos nem sabem o que é telégrafo. Outro amigo do seu Aldo, meu pai, trabalhava com couro cru (Reni Correeiro) fazendo peças que encantavam por sua qualidade, beleza e funcionalidade. Na capital ainda havia alguns Cubeiros. Não que fossem de Cuba, certamente nem a conheciam, mas encarregavam-se de retirar das residências, carregando às costas somente protegidos por uma capa de couro, cubos de madeira com os dejetos das pessoas. Não havia esgotos nas casas e aquelas que não dispunham de pátio para o poço negro ou algum lugar para jogar os penicos lotados… Os pais mostravam aos filhos aqueles homens e orientavam-nos a valorizar o estudo e buscar um trabalho menos penoso.

Um verão extemporâneo – o Vento Norte – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 05 Agosto 2014

 

2014 – 08 – 05 Agosto – Um verão extemporâneo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Um verão extemporâneo – o Vento Norte

 

Muitos acreditavam ser o vento Norte um portador de moléstias, desastres e um mensageiro das desgraças. As pessoas desciam pela rua Dois de Novembro com flores nas mãos, um amargo de boca e sentimentos dolorosos realçados pela memória ou por esse hálito  quente como vindo das bocarras do Inferno mirando os sólidos portões de ferro do Cemitério central. Outros gastavam os joelhos e calejavam as pontas dos dedos serrilhando as contas do rosário. Preces e lágrimas. Antes e depois. Os cães não acompanhavam seus donos e amigos e abandonavam-se numa sombra qualquer numa letargia de dar dó. A vida era diferente. As pessoas eram diferentes. Amava-se diferentemente. Amava-se por toda a vida. Muitos se amavam eternamente.

 

Cr & Ag

 

Hoje, domingo, amanheceu com um sol ardido. Ardido e dolorido, parcialmente pelo buraco na camada de ozônio, mas principalmente pelo vento Norte. A brisa das primeiras horas matutinas ganhou uma força especial, talvez açulada pelos demônios da dor e dos sofrimentos de alma e corpo, e um vento em rajadas. Zumbia em menosprezo por todos nós nas cumeeiras do prédio. Vento zombeteiro como só ele. Alguns escutam as vozes de entes amigos que partiram dessa para outra qualquer na sua sibilância. Outros se entreolham como se suas consciências falassem e seus pecados borbulhassem na alma que ousam sempre desdenhar.

 

Cr & Ag

 

Há quem sinta o odor de enxofre e assim espalham sal grosso no exterior de suas portas e janelas e trancam-se na casa, agora refúgio. Uma vela acesa para Nossa Senhora ou para algum santo ou santa venerados. A humanidade aproxima-se do Criador sempre que o temor é maior que seu domínio ou suas forças para enfrentar a adversidade. Sem telefones ou internet, sem a fragilidade fugaz das redes ditas sociais, a criatura sabe que depende de si e dos seus num curto perímetro.

 

Cr & Ag

 

Não era dia de lavar as roupas guardadas ou colocar a roupa de cama no alambrado ou na janela como é a rotina da dona de casa rural e de antanho. Visitas? Somente em extrema e derradeira necessidade, como enfermidade ou velório. Havia quem postergasse o sexo, no entanto, outros executavam a talvez derradeira. A última será… a última! Credo em cruz ou cruz credo. Agosto, nome do mês dado pelo imperador romano César Augusto em sua homenagem, também é o mês do “cachorro louco”. A natureza prega suas peças até nos cães aumentando incidência do cio nas cadelas e tornando os machos desvairados pelos feromônios (“odor de estrógeno”), como a maioria dos machos e nas lobas da Globo, por exemplo.

 Amor perdido

Cr & Ag

 

Melhor ou pior se comparado com nossos dias? Tudo ao seu tempo, necessidade e evolução. O vento Norte está aí antes de nós e certamente ficará varrendo as cinzas da humanidade e espetacularmente a soberba, a ganância, a fome de poder, a necessidade de séquito e de adoradores, a cobiça material e moral e tantas irrelevâncias ardorosamente defendidas com a vida dos outros.

 

 

 

A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Julho 2014

 

2014 – 07 – 22 Julho – A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A pátria de ferraduras

 

“O

 que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. – Nelson Rodrigues. Quando o presidente Lula usou ofensivamente o termo “complexo de vira-lata”, lembrei-me do “anjo pornográfico”, um dos epítetos do mestre Nelson Rodrigues. Em outra ocasião a presidente Dilma usou o mesmo termo rebatendo acusações e queixas de Ronaldo Fenômeno. A derrota no chamado Maracanazo em 1950 repetiu-se em progressão geométrica com o Mineirazo. A derrota contra a Holanda fazendo a soma chegar aos dez golos em dois jogos é a rubrica final de um desastre sem precedentes na história do futebol brasileiro e mundial nas circunstâncias em que aconteceu. Algo assim deve sair das quatro linhas do campo de futebol, dos alambrados, dos estádios superfaturados, das estruturas temporárias ou complementares e das infraestruturas sempre prometidas e raramente concretizadas.

 

Cr & Ag

 

E foi com Nelson Rodrigues, o reacionário emérito, que recordei outra de suas pérolas literárias e também complementares – “a pátria de chuteiras”. A derrota humilhante no campo esportivo deve ser levada para análise e comparações de dois povos. O povo dos “vira-latas” e o outro, os germânicos. Entre a estadista Angela Merkel e a “presidenta” Dilma Rousseff. Entre o “jeitinho brasileiro” e a eterna síndrome do malandro e o trabalho duro e persistente. Os quase quarenta ministérios e o famigerado pacto pela governabilidade que tanto mal e asco nos causa por sua sórdida realidade de compadrio perverso ao “vira-lata” que trabalha, estuda, viaja precariamente, vampirizado por impostos malditos, de tantos políticos corruptos e incompetentes, de eleitores vassalos e outras anomalias nacionais estende-se a federação brasileira de futebol em simetria odiosa noticiada pela imprensa livre.

 

Cr & Ag

 

Assim gestou-se “a pátria de ferraduras”, que como cantava sabiamente Zé Ramalho em O meu país – “este não é o meu país”. Somos da legião que não é “vira-lata lulista” e não vive nessa “pátria de ferraduras” em que o mérito de estudar e trabalhar e de ser honesto é somente para utilidade desses aproveitadores que todos identificamos e muitos ainda aceitam. Assim como tentamos sucessivamente identificar as exceções. A educação deficiente em número e qualidade solda as correntes que amarra nosso povo. As vantagens populistas criam o caldo de cultura para que aboletados em entidades ditas de classe vivam do trabalho alheio e se intitulem trabalhadores. Fermento para “passar de ano” mentirosamente nas escolas e “rodar” nos concursos da vida real que exigem preparo e conhecimentos básicos. Acabaram com os professores e com os mestres substituindo-os por “trabalhadores em educação”, para que nada ensinem e ninguém aprenda?

 

Cr & Ag

 

Bandidos e criminosos estão em qualquer sociedade e país, diferem pelo temor de infringir as leis e a certeza de sua punibilidade. “Até a Argentina tem prêmio Nobel! A Alemanha tem uma centena de Nobel!” – dizia uma professora livre e independente. E completava: – E o Brasil quantos? Nenhum! Serve como parâmetro para alguma comparação de civilização? A Coreia do Sul segue comparando seu povo com os outros melhor sucedidos e seu povo e sua indústria espelham no progresso crescente seus resultados. Acreditamos que “Deus é brasileiro” e “somos o melhor povo da terra”, no entanto, o Criador exige merecimento de seus filhos para que colham os frutos do seu trabalho e a terra seja próspera e feliz. Uma parábola! A pessoa sentada sobre a chapa fervente de um fogão sentia-se queimar, cheirando carne queimada, quando se chegou um menino e perguntou-lhe: – por que não sai daí? Por que não troca…? Ao que o queimado respondeu: – mas será que aí está melhor ou vai ser igual? E o menino: – Aí sabe que vai queimar e torrar e aqui…

Nelson Rodrigues - A pátria de chuteiras

 

Grafite por Eduardo KobraNelson Rodrigues por Kobra

Rui Barbosa 3

Nelson Rodrigues

Sabrina Dalbelo e Paulo Abrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Julho 2014

 

2014 – 07 – 15 Julho – Sabrina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Sabrina Dalbelo – uma nova Luz na literatura

 

Orgulhosamente apresento essa querida amiga ou uma filha que faria a felicidade de qualquer pai ou mãe, agora estreando no mundo das letras e da magia das palavras vertidas com amor. Esposa do querido Marcelo, gaúcho de São Leopoldo e Major do Exército brasileiro. Mãe da Samanta e do Igor. Advogada e funcionária da Justiça Federal. Assina como co-autora da coletânea "Vozes de Uma Alma – Poesias Escolhidas (Vol I)". E no Facebook – “Se tem nome existe”.

                     

“O bom rei nos ensinou tudo

 

No meu mundo, temos ofícios, responsabilidades e afazeres.

Todos somos treinados para cumprir as ordens reais.

O Rei é bom e o obedecemos com alegria e esperança.

Ele nos ensina tudo!

Quando realizamos nosso trabalho de forma satisfatória, nosso supremo nos concede o luxo da comida, da moradia, da confraternização e da própria luz.

Moramos em lugares organizados e arejados e nosso Rei nos deu as flores, os ventos, as colheitas e nos ensinou tudo sobre o peso e a ordem das coisas.

Por isso, entendemos os limites das coisas e, assim, não ultrapassamos barreiras.

Pertencemos ao nosso lugar, onde a possibilidade é proporcional ao merecimento.

Nos unimos, mas confiamos na nossa individualidade, pois dependemos dela para servir ao Rei.

Conhecemos todas as palavras; o Bom Rei nos ensinou-as.

Ele nos mostrou os animais, as coisas, os elementos naturais, os artificiais, os extraordinários; também nos falou sobre sentimentos, sobre todos eles, ele nos disse.

Ele é muito bom e não nos esconde nada!

Conhecemos e já vimos todas as coisas que existem em nosso mundo.

Nosso mundo é sabidamente invejado por outros mundos.

O querido Rei nos provou também que aquela moça que deixou de receber moedas de cobre, comida e nossas visitas merecia ficar isolada e a mercê da sorte porque foi desobediente e não cumpriu as ordens reais como devia.

Ele nos mostrou, devido a sua real bondade, que qualquer ajuda que déssemos à moça, não autorizada por ele, nada mais seria do que um retrocesso no aprendizado dela.

Todos entendemos e ficamos felizes com a decisão do Bom Rei, pois temos conhecimento de todas as palavras que ele usou para nos explicar seus motivos, inquestionáveis, portanto.

Aquela moça acabou definhando, já que, de certo, mereceu definhar.

Entendi como tudo ocorreu, porque conheço o nome de todas as coisas – o Bom Rei nos explicou – só não sei como se chama aquele olhar opaco e distante que vejo estampado no rosto do filho da moça desobediente, depois que ela se foi.

Mas não me atrevo a perguntar…

Se tivesse nome, nosso Bom Rei nos diria.”

                       

Sabrina Dalbelo

 

 

            Paulo Abrão – uma nova Luz no Paraíso Celestial

 

Alegrias de uns, tristezas de outros, entendi essa face da vida quando minha mãe faleceu no Hospital Conceição. O querido Abrão, um dos melhores e mais antigos protéticos odontológicos de Viamão, destacado membro da Santa Izabel e pai amado da Lilian e da Cláudia, cirurgiãs-dentistas, está agora embelezando os sorrisos do Paraíso celestial e com alegria e enorme boa vontade encontrando-se com sua querida esposa e iluminando todas as pessoas que o conheceram e que com ele tiveram a felicidade de conviver. Nosso Amor à família e ao querido amigo.

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