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Antologia Casa do Poeta Rio-grandense – 2017. Livro recomendado. Participação de Edson Olimpio Oliveira.

 

Antologia Casa do Poeta Rio-grandense - 2017

Churrasco de Tonel! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 16 Janeiro 2018.

 

Churrasco de Tonel!

Há quem nos acuse de “desprovidos de imaginação”! Talvez outra ciumeira com a alma gaúcha. O gaúcho encosta uma carne, aproxima umas brasas e lá vai feliz e contente olhando o cavalo e o cão a sua volta enquanto fileteia com a prateada uma costela. Cena antológica da nossa realidade gaudéria e do imaginário. O gaúcho ainda lamenta que o cavalo (pingo) não coma a costela junto com ele e o cusco. Um grande amigo, o doutor Arthur, neurologista da melhor e inigualável estirpe, está treinando seu melhor cavalo para comer… churrasco. Outro grande amigo, o China, vai atestar o feito do doutor. Mas depois desse redemoinho de sentimentos, voltamos ao tonel. Sem desprezo aos assadores de churrasqueira, da tradicional às futuristas com raio laser, aos parrilladores, aos tijolos em cutelo, aos assadores no fogo de chão ou aos espetos encostados no valo ou estribados na taipa de lavoura, enfim, de todos os pelegos e arregos, o tonel ganhou o seu espaço.

Crônicas & Agudas

A ecologia e o reuso traz o velho tonel para ser fatiado ao meio. Ao comprido cabem mais espetos e mais carne. Soldam-se os pés de ferro e monta-se uma arapuca fixa ou de encaixe da ferragem que vai sustentar a alegria carnuda que pingará a graxa no braseiro e o aroma será sentido a léguas de distância. Nosso enviado especial e praiano, o “empoderado” Peru da Festa escalou-se para a reportagem no costado do Quintão. Vai Peru! “Da Kombi e da van escolar do Pereba saltaram os dois times. O time da Polar com oito ex-atletas do fogoso Tamoio viamonense e o time da Skol (vulgo Ferro na Boneca) adernava com as barrigas dos atletas. Da picape do Unha Encravada baixaram as térmicas de cerveja e cachaça e algum refri para os mais desacorçoados da vida. Duas caixas de uva da “colonha” e uns abacaxis de Terra de Areia. Peru no apito! Meia hora de pelada e 8 a 6 pros sem camisa. O pau tava comendo solto, fia da p* virou jura de amor e teve até ameaça de dedo no fiofó do centroavante da Polar, o Rogerinho da Abigail, ali da Tarumã. Cada cinco minutos parada para a ceva e o trago que a gurizada não é de ferro. Não permitiram pro alemão Rexona assar a carne, pois já tava espumando no sovaco. Escalaram um compadre velho do CTG Bagual Descornado para os trâmites legais com o carvão, o sal e a carne. O osso da costela uruguaia já relampeava no sol. O véio Boludo, alcunha da criatura, armou a mesa debaixo do toldo de lona e tirou pra dançar o salsichão, o vazio e o cheio, uns quartos de cordeiro e muita costela. Gorda como a mulher do Magrão do Ó.

Cr & Ag

O jogo terminou por falta de atletas em condições físicas. Uns lesionados até na tramela do joelho, outro no sobrecu, a maioria achou uma perda de tempo com tanta cerveja nas térmicas. Não adiantou a turma do “quem te pede sou eu” e a do “não vamo se mixá pra esses pernas-de-pau”. Anedotas corriam soltas, com uma cláusula pétrea, sem galinhagem com a mulher de amigo presente. Os que não tavam ali, arderam de tanta guampa! E as rodelas de salsichão com farinha de mandioca na gamela passavam rapidamente das mãos às bocas. O véio Boludo corta com as duas mãos e não bebe quando trabalha, depois fica quarando uma semana de ressaca. A lona tava escassa e o lombo queimado, tostado do sol, já cobrava pedágio. Alguém berrou: “Me chama o doutor Edinho do Cabeleira”. O Gardel, meio castelhano de Livramento, deitou-se debaixo da picape até que jogassem uns baldes de água do mar depois do Rogerinho botar os guisados pra fora. Um horror!

O causo vai longe e pra encurtar eu conto que rolou churra e cerveja. A turma já se agendou pra mais uma expedição praiana sem as mulheres de contrapeso e nem de xerife. Nem risco de processo por assédio ou ameaça de cantada. Abraço do Peru! ”

2018 – 01 – 16 Janeiro – Churrasco de Tonel – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – www.edsonolimpio.com.br

P12 - Sua escolha, seu voto 2 - 2017

História da Medicina – Cambridge – Roy Porter – Livro 📙 recomendado

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Explique! Edson Olimpio Oliveira. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 16.

 

 

 

EXPLIQUE!

 

 

O tempo de semblante franzido enrugava o céu com nuvens plúmbeas já deitando pesadas gotas de chuva. Há cerca de meia-hora havíamos colocado os abrigos de chuva. A chuva começou a aumentar e as gotas transformaram-se em martelos d’ água ferindo a viseira dos capacetes e o pára-brisa da Morgana, nossa motocicleta. O bom senso, as regras de segurança e a pilotagem defensiva nos orientam a buscar um abrigo ou pilotar em ritmo seguro até sair da chuva ou das tormentas. Como não havia nenhum tipo de abrigo humano, os eucaliptos isolados a margem da rodovia são armadilhas perigosas tanto por raios como por quedas de seus galhos ou até o tombamento por completo desses gigantes de origem australiana.

 

 

A Morgana mantia seu ritmo constante, empurrada por seu poderoso coração de 1500 cc. Íamos ultrapassando os caminhões e fugindo de seu spray de barro-água-óleo. Logo o asfalto estava lavado do óleo desses monstros de metal e pneus. Alguns automóveis parados no acostamento com lanternas ligadas criavam uma moldura luminosa nesse quadro que é aterrador para muitos, despertando fobias enclausuradas. O dedo enluvado serve como limpador de pára-brisa na superfície da viseira plástica do capacete. Como uma cobra gigantesca, a estrada vai se contorcendo e carregando em seu lombo as nossas alegrias e apreensões. Em alguns trechos a chuva diminuía de intensidade, talvez parando para abastecer-se na Lagoa dos Patos, nas Lagoas Mirim e Mangueira e logo vir novamente a despejar nos renitentes viajantes a sua violência.

 

 

Então, chegamos num local em que havia vários carros e caminhões estacionados no leito da rodovia com as rodas sob alguns centímetros de água. Um véu líquido cobria o corpo da estrada. Ao lado direito, um enorme açude levantava ondas. Uma maresia de estimular surfista. O céu transformava o dia em anoitecer. Abrimos e, pela pista contígua, fomos vagarosamente até estacionar junto à traseira de uma imensa carreta. A uns cem metros a sua frente o tráfego era permitido somente num dos sentidos, pois o lençol de água cobria parcialmente a cabeceira de uma ponte de concreto.

 

O caminhoneiro, segurando os demais veículos atrás de si, permitia a passagem dos outros no sentido contrário e media, creio eu, avaliava as condições. Senti quando ele engrenou a marcha, a fumaça negra regurgitou acima da cabine laranja.

 

 Engatei a marcha na Morgana e ela desfaleceu. Apagou. Morreu o motor. Mas como?! Isso não é de seu hábito. Tentei várias vezes o botão de arranque e nada. Desengrenei, ponto morto, bati arranque – nada. O arranque dava voltas como a massagear o tórax de um coração parado. Nada. Os veículos atrás de nós lampejavam seus faróis e alguns buzinavam. Lentamente, empurrei a moto para o acostamento submerso e coloquei-a em seu apoio lateral. Como contas de um rosário todos acompanharam a carreta. Tristemente eu examinava a Morgana.

 

Uma raiva despontava dentro de mim. Súbito, buzinas e buzinas. Luzes piscantes iluminando a negritude da tormenta. O aterro da cabeceira da ponte cedeu engolindo parte dos rodados da carreta. O veículo, logo atrás, uma camionete, ficou atravessada na goela maldita. Desespero geral. Outros carros manobrando para retornar e escapar. Eis que a chuva amainou e pode-se avaliar o risco e o desastre. Ninguém ferido. A carreta ficou ali trancada, semi-tragada pela água. A camionete saiu rebocada. Depois da convulsão, voltei a Morgana. Teríamos que retornar. Estranhamente, o motor funcionou perfeito, redondo. Como se nunca houvesse qualquer tipo de defeito. Embarcamos e retornamos e o resto da viagem aconteceu sem maiores dificuldades.

 

 

No silêncio do capacete, revisei os fatos. Os motores de motocicletas são planejados para suportar a ação da água desde que não mergulhe e os escapamentos não fiquem submersos. Nada disso tinha acontecido e muitas outras chuvas e tormentas já havíamos enfrentado, sem problemas. Então, lembrei-me que na tradição do Rio Grande do Sul há inúmeros relatos de que o cavalo refuga um caminho ou uma estrada se pressente o perigo. Seria isso com a Morgana? Ou talvez, o anjo de guarda de plantão? Sorte? Casualidade?

Moto - Paixão Eterna - 16 - 2017 - Apocalipse

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