Viamão – Uma História Não Revelada!

Viamão: Uma História Não Revelada!

Véspera de Natal. A tarde buscava o seu repouso diário em alguma coxilha desses campos sem fim do Rio Grande. O clima estava como o coração de muitos gaúchos – triste, melancólico. Há vários dias que um vento minuano, destemperado para essa época do ano, trazia rajadas de um frio cortante. As árvores perdiam o sorriso de suas flores primaveris. O Rio Grande sofria as mortes de uma guerra medonha em que irmão lutava contra irmão. Sangue derramando sangue fraterno. Novamente, não haveria risos de alegria e muito menos a paz em muitas das casas espalhadas em torno da monumental igreja.

A igreja construída por escravos e portugueses com paredes de tijolos e barro fundidos com as conchas trazidas do oceano há cerca de 100 km ao leste era o testemunho religioso de uma fé cristã. Sua face voltada para o norte como a pedir clemência ao império estabelecido no Rio de Janeiro. No entanto, suas costas viradas para o sul acompanhavam os animais que são fustigados pelo clima inclemente. Campos Açorianos era um dos nomes dessa região.

Trincheiras abertas no perímetro externo do povoado ainda colecionavam defuntos por sepultar. Mas as maiores e piores trincheiras estavam nos corações. Logo o minuano, um vento seco, abre passagem para seu irmão o vento sul e, sem alívio, uma garoa açoitava os que ainda ousassem permanecer na rua ou teimassem em estar com as portas de seus comércios abertas. Logo a senhora noite desceu seu véu negro sobre o povoado. Com dificuldade, lampejavam chamas bruxuleantes pelas frestas das pesadas portas e janelas. Algum fogo de chão denunciava o labor de galpões.

Uma figura trôpega e um cão. Um homem? Sim! Um homem e um cão. Seria mais um andarilho? Mendigos com a mente transtornada pelas batalhas vagavam pela região. Algum espião disfarçado? A criatura andrajosa bateu na primeira porta. Quando o dono atendeu, o candeeiro em sua mão iluminou uma face muito envelhecida e disforme. Deu um passo para trás e segurou o cabo da adaga em sua cintura. O mendigo queria um pouso e com certeza uma comida quente. Mas o homem o escorraçou. Ao que o cão em defesa do amigo, cerrou os dentes e crispou o lombo. O medo, a feiúra, a mutilação ou preconceitos obscenos teria isso causado?

O miserável andarilho tentou a casa seguinte. A recepção foi pior, pois um dos filhos do proprietário jogou-lhe os dejetos contidos num penico. Assim continuou, sempre com a mesma acolhida – enxotado. Restava-lhe a igreja. Arrastou seu corpo depauperado escadas acima. Encontrou a porta cerrada. Nem a casa que os homens haviam erguido em homenagem a Deus, o aceitava.

Voltando à rua enlameada, cinco cavaleiros irromperam. Estacando a montaria, o que parecia ser o chefe, ordenou-lhe que desaparecesse ou seria morto. Açoitando o cavalo mergulhou na escuridão chuvosa. Ao erguer os olhos, o andarilho vislumbrou que um dos cavaleiros havia ficado para trás. Era um lanceiro negro. O negro enfiou a mão na mala de garupa e retirou um pão e deu-lhe. Naquele instante em que as mãos do negro e do andarilho seguravam o pão, o lanceiro falou-lhe:

Cristo esteja contigo! – e voltou a acompanhar grupo.

O andarilho e o cão saíram do povoado e não muito longe dali encontraram uma enorme figueira. Buscou abrigo entre as suas raízes. A árvore centenária espalhava longos braços que envolviam uma rocha. Ali ele buscou refúgio da chuva, do vento frio e… de certas pessoas. Dividindo o pão com o fiel amigo, olhava para o céu.

As palavras do lanceiro negro ribombavam em sua cabeça. Eis que o vento cessa num relance. O céu para de chorar. As nuvens correm para outras paragens. E a lua surge como uma deusa ancestral que arrasta em seu manto uma miríade de estrelas. E o céu se ilumina. As poças d’água reluzem o pulsar do universo. O andarilho sente a luz penetrar por seus olhos. Sente a luz varar seus trapos e vibrar sua pele. Como a circular em seu corpo doente.

O cão lambe amorosamente suas mãos. As chagas e os dedos mutilados ganham luminosidade. Ele olha em direção ao povoado e agradece a um Deus que há muito havia renegado. Um Deus que lhe permitiu estar ali agora e não dormindo em sacos ou pelegos imundos em algum galpão. Seus olhos derramam grossas lágrimas e num choro arrancado do fundo de uma alma que julgava não ter mais, grita por um perdão já concedido pelo Criador. Seus pulmões vibram perdoando a quem mal lhe fez. Então, cai de joelhos. Convulsivamente chora e balbucia nomes e lugares. Súbito, olhando para o espelho d’água, distingue uma forma perfeita. Um homem jovem e sadio. Ali está refletida a imagem daquele que um dia foi ele. E ali ele sente como se uma energia divina saísse de seu coração, irradiando ao seu amigo cão e se espalhando pelo local, pelo povoado e como numa explosão de uma estrela de luz atingisse a todos.

Dia seguinte. Um lanceiro negro vasculha a periferia do povoado. À noite passada, houve uma explosão e, como por um encanto místico, todas as lamparinas, candeeiros e velas apagaram-se e acenderam-se sem que nenhuma mão humana os tocasse. Eis que escuta um uivo. Cavalga em direção aos uivos. Vê o cão do andarilho. O animal está como a lhe chamar. Freia o cavalo. O cão desaparece entre as poderosas raízes da figueira. Os segundos parecem eternidades. O andarilho está ali morto. O cão repousa a cabeça no colo do companheiro e num último suspiro, entrega à guarda do corpo a outro amigo. Um homem escaldado nas piores adversidades da vida, com o coração a tamborilar insanamente em seu peito, sente os olhos marejarem e as pernas a tremerem. A mão esquerda do andarilho está colada à rocha e ali deixa uma marca. Como se uma mão em brasa fundisse o granito, marcando, tomando sua posse. Ali o andarilho foi sepultado. E também o seu cão. Logo a guerra terminou. As pessoas souberam do acontecido. E, por várias gerações, ali brotava um lírio selvagem e uma vertente de água cristalina, como um friso de lágrimas entre as raízes. E aos olhos e sentimentos do mundo, a mão gravada, esculpida, na rocha. Assim foi realmente forjado o nome desse povoado de Viamão, mas que por uma vergonha e culpa que rasgava o espírito dos habitantes, justificou o nome da região por outras maneiras.

Nota do Autor: Viamão – Rio Grande do Sul, minha cidade natal, considerada a primeira (ou segunda – outra controvérsia) capital do Estado tem na origem do seu nome uma fonte de mistérios. Atribuem uns que deriva da visão de rios visíveis do alto da torre da igreja que confluem formando "uma mão". Outra versão seria de uma família rica que residiu no local – os Viamont. Enfim, estórias e histórias são contadas. A verdadeira?

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Retornando do Carnaval – Série Humor ainda é um Bom Remédio!

Retornando do Carnaval!

Cansado? Descansado? Aproveitou para cair no samba? Incendiou no axé? Ou deitou e dormiu todo o feriadão carnavalesco? O que importa é que você está voltando. E voltando para a realidade alegre ou dolorida do dia a dia. Se você passou esses dias fora de casa em qualquer lugar de Deus e ao adentrar sua residência, primeiro agradeça aos seus anjos de guarda por ter sobrevivido aos percalços da estrada. Conseguiu manter a sua carteira de motorista após cruzar por dezenas de pardais sorrateiros e vampiros? Livrou-se das imprudências ao volante de alcoolizados e motoristas citadinos e de finais de semana? Se as respostas forem positivas já está levando vantagem.

Ao tentar entrar no centro de Viamão você encontrará os mesmos acessos esburacados. Com os velhos buracos a lhe cumprimentar, pois até já há uma sincronia entre o buraco e o motorista que sempre cai dentro dele, pois não há alternativa. Isso é assim carnaval após carnaval. Mas um dia alguma autoridade responsável se tomará de um surto de respeito ao público, ao cidadão extorquido em taxas e impostos, e pavimentará decentemente as estradas e os acessos ao centro das cidades.

Lave e guarde a fantasia, pois uma reforma com algumas lantejoulas e umas penas estrategicamente colocadas significarão uma nova fantasia no carná seguinte. Tenho um amigo que cada ano ele faz “a prova dos 5”, “a prova dos 6”, e assim por diante. Explica-se: o 5 ou 6 representa o número de anos que a fantasia é transformada. Esse ano ele teve uma idéia fantástica: trocou de fantasia com o cunhadão.

Afinal cunhado não é só para tomar a cerveja da gente, ocupar a rede na hora da soneca, comer a melhor parte da costela e ainda dormir com a tua irmã. Ainda descubro alguma finalidade para essa criatura que se enfiou na nossa família. – dizia ele, entre lamúrias.

Gaúcho no carnaval vai para a praia. Certo? Quase. Muitos carnavalescos fazem o maior empenho em mandar a mulher, os filhos, os cachorros, a sogra e o resto da patota para a orla e eles ficarão “sofrendo em trabalho extra até no domingo”. Então, no domingo próximo do almoço, a criatura cansada, extenuada de tanto trabalhar, vai chegando com muita saudade da “patroa e dos filhotes”. E põe teatro nisso!

A “patroa” que já está mais escaldada e andou conferindo os bailes na televisão e gastou uns dez cartões de celular checando onde o “trabalhador” estava, logo após o almoço leva o “gatão para o berço” e vai conferir o apetite e o desempenho sexual após vários dias de “saudade”. Para sorte do “trabalhador” e para sua esperteza já deve ter tomado um desses ‘viagras’ que andam por aí. E como a casa já deve estar entulhada de parentes, amigos de parentes e amigos dos amigos de algum parente, o embate deve ser silencioso e rápido. Tipo assim: atividade de ninja dos lençóis.

Se a criatura até consegue enrolar a “patroa”, jamais conseguirá enganar a sogra. Pois sogra é o efeito colateral do casamento. Exceções à parte. Muitas exceções!

A situação pode ficar dramática quando a sogra descobre um átomo de purpurina no “trabalhador”. Após o espasmo anal inicial e aquela onda de suor gelado, o suor da morte, o cara vem com a resposta decorada:

Vai ver que foi aquela criançada fazendo fuleria – inicia a desculpa – no posto de gasolina quando parei para abastecer ali no Texacão. Os pais não botam freio nessas crias que ficam atirando coisas em todo mundo. – completa com os olhos pra lá de arregalados.

O assunto não dá para esticar muito, pois já estão se dividindo para jogar uma pelada na beira-mar. O “trabalhador” não consegue jogar mais de cinco minutos e alega uma “lesão no joelho desde o tempo do quartel” para deitar na areia e “serrar um toco”. Afinal está com as pernas bambas de tantas noites insones “trabalhando em prol da família”. Ainda canta de galo:

– Se político trabalhasse tanto que nem eu, o Brasil não estava nessa garapa! – arremata.

E agora o Brasil deve começar a andar. Deve, pois a carnaval ficou nas belas ou sofridas lembranças. Feliz retorno.

Motociclismo

1ª.

CAPITAL EQUIPE

SAGA

"SAIBAM TODOS QUE LEREM ESTAS CRÔNICAS QUE EXISTIU UMA ESPÉCIE FANTÁSTICA DE HOMENS QUE PILOTAVAM MÁQUINAS MARAVILHOSAS CHAMADAS MOTOCICLETAS QUE RASGAVAM ESTE PLANETA COMO COMETAS RASGANDO O MANTO NEGRO DO CÉU”!

A Negra Paciência – Lendas de Viamão

 

Especial de Final de Ano 2006 –  Negra Paciência – Uma Saga de Amor

 

Especial de Final de Ano.

Série Lendas de Viamão.

 

A Negra Paciência!

Uma Saga de Amor.

 

Os dias se arrastavam no tranco das carretas pesadas dos mascates que faziam a festa daquela vila em torno da sua capela. Campos de Viamão era um de seus nomes. Um povoado como tantos outros perdidos na imensidão de terras em que as únicas cercas eram aquelas marcadas pelas patas dos cavalos e pelo aço das lâminas sedentas de sangue. O gado criava-se solto e as marcas de seus donos refletiam o seu poder e a sua riqueza. O Brazil português terminava em Laguna numa fronteira invisível aos conquistadores da terra. O inverno precoce já se anunciava naquele abril dum ano esquecido. O hálito gélido do minuano estava se alternando com dias sonolentos de um mormaço que afogueava os cães, fazia a peonada buscar uma sombra de figueira e deixava os escravos com o compromisso de abanar os mais abastados.

 

 

                               Paciência! Somente Paciência era o seu nome. Os negros e escravos não tinham sobrenome. Muitos nem conheciam seus pais. Mas todos conheciam seus donos. A negra Paciência acompanhava esta família a duas gerações. Não mais existiam escravos nesta casa ou nesta família, ao contrário de muitos outros estancieiros. Os seios fartos mostravam sua aptidão de ama de leite. E foi assim que amamentou seu atual patrão. No lugar do seu filho devorado por uma febre maldita e fatal, o leite continuou jorrando para alimentar aquela criança prematura que perdera a mãe em seu nascimento. Uma mãe sem filho. Um filho sem mãe. – Uma curiosa armadilha de deuses preocupados com as guerras e alheios à dor e ao sofrimento das criaturas. – dizia em tom solene aquele homem que um dia envergou a farda do império como cirurgião e agora devotava sua vida cuidando de gente e de gado nessas paragens tempestuosas..

 

A casa grande guardava dentro de suas grossas paredes a alegria e muito da dor de seus moradores. O fardo inexorável do tempo já lhe arqueava as costas. Na grande cozinha um fogão faminto por mais e mais lenha permanecia sempre aceso. Dias e noites. A qualquer hora aquela mulher estava ali em seu posto. – Parece que tu nunca dormes Paciência! – dizia-lhe o patrão. Somente um sorriso afetuoso trazia a resposta. A grande chaleira de ferro sempre com água quente. Vezes que tropeiros e viajantes buscavam pouso ou quando o patrão retornava das longas viagens, a negra Paciência parecia saber a hora da chegada, pois ali esperava com sua deliciosa comida quente. O seu coração sentia como se fosse avó daquelas duas crianças filhos do patrão. A ternura e o amor devotado era resultado de um espírito grandioso manifestado numa vida de amor e perdão.

 

A Páscoa se anunciava. A negra Paciência já fazia os doces, muitos doces para a festa que fazia do povoado um lugar mais alegre com os risos das crianças. – Cristo daí paz e amor a esta família e liberdade a todos os meus irmãos. Faça com que todos os patrões libertem seus escravos como fez meu antigo patrão. – orava ajoelhada fitando a cruz dourada colocada em oratório na cabeceira da mesa grande.

 

Tiros de mosquetão. Berros de garrucha. – Cristo nos ajude! – gritou instintivamente Paciência. Bandoleiros portugueses e espanhóis infestavam essa terra numa sina de roubar e matar. Como se isso não bastasse, violavam as mulheres e queimavam as casas. Gritos de dor e morte. O patrão e a peonada estavam nas lides de tropeada. Logo os empregados estavam mortos ou dominados. Correu para o quarto da patroa encontrando-a com armas à mão e as duas crianças acotoveladas num canto. Essa parte da casa tinha portas e janelas de madeira reforçada. A algazarra e os relinchos de cavalo cruzavam pelo pátio iluminado por tochas de fogo como num ritual macabro. Escutava-se que já estavam dentro da casa. A patroa ordena-lhe que abra o alçapão escondido sob um grande tapete no assoalho. Por ali desceria ao porão e por uma abertura dissimulada poderiam buscar auxílio e proteção na vila. Manda-a descer com as crianças. – Vem patroa! Vem patroa! Por Cristo e seus filhos vem… – não pode concluir a frase. Da janela arrombada um tiro de escopeta tingiu de rubro a longa camisola branca que a luz do candeeiro fazia a vida tornar-se espectro.

 

Paciência caiu escada abaixo. Com a agilidade de uma pantera negra acuada protegendo sua ninhada ergueu-se com as crianças nos braços. O peso da idade dera lugar ao fardo da responsabilidade e do amor. Esgueirou-se pela fresta de pedras e ganhou a companhia da lua correndo pelo mato. O fogo voraz que se alastrava pela casa lançava fagulhas que como estrelas da morte singravam o manto negro do firmamento.

 

Alguém está fugindo! – gritou uma voz assassina.

Traga-lo! – berrou um demônio castelhano que comandava a horda.

 

Um homem esporeou seu cavalo. Não deixavam testemunhas vivas. Paciência conhecia aqueles matos como a sua cozinha. Trilhas que levavam à vila e à igreja eram como as veias do dorso de suas mãos. A cavalo seria mais difícil segui-la. Sabia disso. A vila já saíra de seu torpor, pois alguém tocara o sino da capela e vislumbrava-se o fogo lambendo o céu. – Ele está perto! – pensava com o coração em desabalada carreira. Escutava o mato se quebrando e o fôlego das ventas demoníacas em seu encalço. Sabe que será alcançada logo. Então, num derradeiro esforço esconde os dois irmãos no oco da velha figueira. Cobre-os com a sua sobre-saia negra.

 

Ali está o predador maligno frente a frente com sua presa. E sem esperanças um raio de aço e morte desce sobre Paciência. E mais outro. A negra ajoelha-se e vislumbra seu algoz com a lua ancestral por testemunha. O maldito pouco pode saborear sua vitória. Estampidos e o cheiro da pólvora preta se acompanham de densa fumaça. Ele tomba mortalmente atingido pelo povo da vila que acudiu. A montaria dispara alucinada.

 

A fenda fatídica jorrando a rubra vida que se esvaía descia do pescoço ao meio dos seios. O sangue afogava-lhe a respiração e com os olhos arregalados e a mão apontava para o esconderijo da figueira. A mão! Enrolada na mão direita estendida em flecha estava o símbolo de sua fé – um crucifixo. As crianças foram salvas. Ninguém mais sobreviveu ao cruel assalto. Logo o pai encontrou os filhos.

 

A negra Paciência foi sepultada com honras de heroína ao lado da patroa. E ali naquele local onde seu sangue foi derramado, ali naquele local que se chamaria de Várzea de Dom Diogo – hoje Campo do Tamoio, verteu na manhã de Páscoa uma fonte de águas cristalinas. Logo foi chamada e conhecida – a Fonte da Paciência! Durante muito tempo as mães iam ali buscar a água que aliviava ou curava seus filhos orando pela proteção da Mãe-negra. Ali seus irmãos libertos construíram um arco de pedras em gruta como o oco da figueira protetora. Um útero de pedras para crianças renascidas, libertadas do abraço da Morte pelo Amor.

 

 

O tempo pode toldar o fluxo da memória de um povo. O amor e a gratidão, mesmo com o esquecimento dos fatos, ainda marcam o local da Fonte da Paciência – a fonte do amor da negra Paciência! Alguns corações desejam ver ali a negra protetora na lua de Páscoa esquecendo que seu amado Cristo transformou seu sangue numa fonte de vida e esperança, sem espectros!

 

 

Nota do Autor:    Viamão, uma cidade histórica, lembrada por ter sido Capital do Rio Grande do Sul, cantada em verso e prosa como a Setembrina dos Farrapos, tem a segunda grande Igreja construída neste Estado. Aqui no Centro da cidade, à rua Luiz Rossetti ainda se vê a Fonte da Paciência. Abandonada. Destruída. Reconstruída várias vezes pelo humor dos que preservam o patrimônio e a memória de um povo. Felizmente ainda está ali!