Amigos e Amigas! – Leitores – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 26 Maio 2010

5 Mai 26 – Amigas e Amigos – Leitores – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Amigos e Amigas – Leitores!

 

– Assunto é o que não falta! – dizia-me um leitor dessa formidável página semanal. Pelo menos essa ainda é a opinião da Doralina e de mais um monte de leitores. Quase uma dúzia no último censo. Pois, esse ávido leitor, queixava-se da repetição de temas que são abordados nos jornais. – Tem muita encheção de linguiça por aí Edinho! – seu humor e o desabafo não eram para muita discordância. E nem há como discordar radicalmente dos leitores. Pois assim como cliente sempre tem razão, o mesmo parece valer para o leitor. Encontrar alguém que se interesse por ler já é uma raridade na sociedade. Encontrar alguém que procura entender e discutir os textos é uma raridade ainda maior. Sabe-se que cerca de 1/3 dos alfabetizados são incapazes de entender um texto simples de mais de dez linhas.

 

Assuntos e repetições! Esse mote sempre me assombra. Escrever para consumo próprio é como o cão que brinca com a própria cauda. Escrever evitando a redundância é outro desafio. Escrever para um público heterogêneo como é de um jornal é uma situação como agradar gregos e troianos. – Quem são os gregos? Tem-se uma interação entre as manifestações dos leitores ou a falta delas. – Faça umas colunas de humor, chega de política e sofrimento! – dizem uns. – Conta umas lendas e histórias de Viamão! – querem outros. – Gostei muito e até lemos a tua coluna para as colegas de trabalho! – refere uma cara amiga. Aqui entramos nesse universo formidável dos Amigos e Amigas. Gente especial que nos aceita até quando a inspiração é menor que a transpiração. Perdoam nossas bobagens e incentivam ainda quando sentimos que tropeçamos no teclado.

 

Descobrimos pessoas que mesmo discordando de certas opiniões, riem das cores do humor que tentamos pintar a dura vida da maioria de nós. Encontramo-nos pela casualidade e dizem: – Sou seu leitor! Amei e guardei aquela coluna que escreveste sobre os cães! Eu também tive um cão como o Peludo e como ele enriqueceu as nossas vidas! – abraçava-me uma leitora. Isso mais que gratifica, cria uma corrente ou uma egrégora de sentimentos compartilhados. Se instigamos a raciocinar, se cutucamos com a guilhada das palavras e das frases, tentamos gerar luz e fazer da vida um caminho mais belo a ser compartilhado. A busca por temas para serem abordados transita por esses caminhos – aquilo que possa palpitar em nossos corações. Ousadia ou esperança? Talvez Fé!

 

O jornal pode ser um ente vivo ou já sair às ruas como letras mortas. De quem depende? Assim como a sociedade pode ser um ente amorfo, sem vontade social, até mesquinha e egoísta nas suas escolhas ou massa disforme dos maus líderes, nossas responsabilidades devem ser maiores do que nós. Cada texto ou cada coluna não deve ser um mero turista descompromissado a vagar entre os leitores, deveria ser um ente que deva tocar e ser tocado. Árdua tarefa, jamais impossível.

Grossura! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 23 Maio 2010

5 Mai 23 – Grossura – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Grossura!

– Série Humor ainda é um bom remédio! –

– É mais grosso que dedo destroncado! Ou ainda: – Não é mais grosso por falta de espaço! A sabedoria popular gauchesca é repleta desses termos que retratam a falta de uma postura mais educada, mais refinada, mais condizente com o ambiente ou com a posição social da criatura. – Estamos na época em que tudo pode pra quem se sacode! – Outro ditado querendo liberar o que deveria ser privado.

Os novos ricos ou os emergentes que estão galgando a pirâmide social são exemplares nessas gafes ou despropósitos. Alguém consegue imaginar uma guerra de miolo de pão numa janta do Lions com médicos jogando as bolas de massa socadas na cabeça dos outros? Há testemunhas vivas. Ou a criatura limpando as unhas com o pálido? Às vezes fica difícil saber onde termina a grossura e começa o relaxamento.

– Tá com uns pilas no bolso e já acha que é gente! – diz outra sabedoria popular gaudéria. Verdade. Os novos ricos são desvairados (alguns mermão!) e falar alto e gargalhar em recinto público parece normal em suas cabeças adornadas. No reino da cabeçolândia as pessoas não conseguem fazer uma refeição e conversar sem berrar e saírem com os tímpanos doloridos. Tem um restaurante praiano que a comida é boa em qualidade e variedade. Um ambiente amplo e sem ostentação, mas a grossura começa pelo garçom que atende com um palito entre os dentes. E se quiseres fazer uma refeição mais civilizada, pois em praia as opções são escassas, chegue antes das 11,30h, pois depois é “um pega pra capar”. Como um enxame de gafanhotos, atiram-se no bufê livre. Criaturas enchem os pratos como se fosse a última ceia. Morros imensos, caindo rodelas de tomate e alface pelo caminho. Ainda pegam um pratinho auxiliar e colocam pilhas de pastéis e outros etecéteras. Tal qual uma briga de foice no escuro, é garfo e faca brandidos de fazer inveja às guerras farroupilhas. E ainda escutas, gordas imensas (perdão pela redundância) explicarem para outras no mesmo descaminho que começaram “um regime”. Filho de emergente corre desatinado entre as mesas, chora e ri e atira-se no chão sob a complacência dos pais engalfinhados na bóia. Só chamando assim mesmo. Uma selva! Muitos jamais comem frutas e são raros os demais vegetais em suas casas, mas no restaurante misturam tudo no mesmo prato: – É muito bom pra saúde! – escutas.

A batalha final trava-se nos doces. – Credo, olha só ela se serve de doce no prato de comida! – diz ferozmente cuspindo sementes de melancia que ricocheteiam no prato e caem na mesa ao lado. – Que coisa feia, pra isso tem os pratinhos! – completa. Enquanto o casal acaba com a Pepsi 2L, empurram os pratos e a tolha para o centro da mesa. Tapam a boca para arrotar. Escondem a boca, jamais o cheiro e o barulho. Vem a sessão de palitamento de dentes enquanto o café preto geralmente frio e doce escorrega goela abaixo. Completando ele pergunta sinistramente: – Deu pra comer! – ao que ela responde com sorriso maroto do implante dentário: – Hehehehe, agora comi sem dar! De noite quem sabe…

O Povo da Rua! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião de Viamão – 05 Maio 2010

5 Mai 05 – O Povo da Rua – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

O Povo da Rua!

Ou seria um título melhor – Os Povos das Ruas? Apenas para efeito e consideração prática temos dois: o povo de rua que tem pátria, isto é, tem casa ou toca-lar para onde retornar. E o povo da rua que não tem pátria, sem moradia, zumbis ou párias da sociedade que em desabalada carreira passa a sua volta, fechando as narinas para seu odor de morte anunciada ou para nossos monumentais ungidos pelo poder das urnas que o usa como asfalto na estrada pedagiada e com sobrepreço de suas carreiras.

No povo da rua com pátria encontram-se os fileiros. Esse bando de criaturas que ou ama ou odeia filas, mas elas sempre fazem parte das suas vidas. Filas ou bichas no gauchês. Fila no caixa do mercado – gigantescas no Big e no Nacional, filas nos caixas de bancos, se tem caixa tem fila, fila no cinema, fila no trânsito, fila no banheiro, fila no motel… Centenas! E a fulminante e mortal fila para atendimento na saúde. Emergências superlotadas, congestionamento de ambulâncias e macas nos corredores. Fila para conseguir um leito ou para receber remédio e transplante. E as filas de festas – ingressos para carnaval, jogos de futebol e outras relíquias. Esse pessoal cria know-how especializando-se para cada situação. Cadeiras de praia, garrafas térmicas, mijador (recipientes para urinar na fila), chimarrão, comida variada, som, celular carregado e muito papo para rolar com os vizinhos. Acrescentam-se os vendedores de filas, como a posição na fila, fazer alguma propaganda e aplicar algum golpe nos espertos de plantão.

E o povo sem pátria, sem lenço e sem documento, como a música famosa que nasce, resiste, sobrevive e morre nas ruas. Seres encardidos, sombrios. Olhar feroz, olhar de cão pidão ou olhar de peixe morto – opaco, perdido, terminal, sem qualquer horizonte, afogado na dor ou no vício. Existe vício sem dor? Claro que não, perdoem a redundância. Uma escada, um canto de parede, uma marquise, um viaduto, um banco qualquer, árvores quando existiam, portaria de igreja, um jornal ou caixas de papelão. Qualquer fantasmagórico teto ou a mortal cobertura do álcool e do crack. A fuga dos albergues ou de qualquer instituição que crie disciplina e cerceie a liberdade de quem não tem liberdade alguma. Prisioneiros da mente doente, em grades permanentes das vidas do futuro pelo minuto seguinte. A vida nos bueiros, literalmente. Essa legião é alargada e engrossada nas suas fileiras pela droga que traz o inferno para corpos degradados e almas sugadas, flageladas no poço da maldição. Muitos já tiveram uma pátria, uma família, pessoas que os amavam e um trabalho. E agora? Um destino inexorável onde jamais a morte liberta. Ao contrário, serão maiores as dores e o sofrimento. Raciocinemos sem romantismo!

Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 05 Maio 2010

5 Mai 05 – Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida! Crônicas e Agudas – Jornal Opinião

Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida!

– Eu é que não sei o que tem depois, pois ninguém que morreu voltou para contar! – Essa é uma das várias formas de serem expressas as angústias ou temores de diversas pessoas. Piora quando quem assim se expressa conclui: – Temos que aproveitar tudo que dá agora, pois depois ninguém sabe!

 

Quase que invariavelmente quem assim se manifesta professa alguma religião. Nunca vi algum ateu dizer isso. E maciçamente são cristãos. Ou assim se dizem e rotulam. De um modo geral somos primitivos em nossos raciocínios e sentimentos. E um dos sentimentos e necessidades primitivas do ser humano é ser tribal. Pelo bem e pelo mal. É como se o lobo que habita o nosso íntimo buscasse a sua alcatéia e assim sentir-se protegido e poderoso.

As três maiores religiões ocidentais tem em seus alicerces os ensinamentos dos grandes profetas do Antigo Testamento que nós cristãos aceitamos. Todos eles pregavam o Deus Superior e uma vida depois desta vida. Com Cristo aconteceu a sublimação e o aperfeiçoamento de todos os ensinamentos e para nós – Deus Filho torna-se um ser humano. E como ser humano vive, sofre e sente todas as qualidades e dores dos seres humanos. E sempre ensinou-nos que há uma vida depois dessa vida. Esse é um dos pilares basais em qualquer religião ocidental ou oriental. Observem os magníficos ensinamentos de Buda e de Maomé. Observem que até entre as mais diversas civilizações em épocas e regiões distantes entre si acreditam e vivem a vida do agora sabendo de uma vida depois dessa.

Alguns pregam que isso faz parte da necessidade do ego humano e nesse caminho dezenas de versões se acumulam. Muitos psiquiatras enveredam por essa sombria vereda, no entanto, centenas de outros tratam seus enfermos em “hospitais espíritas”. Os ensinamentos espíritas vertidos por Kardec trouxeram o renascimento do amor pleno e incondicional – o amor de Cristo – com a denominada “fé raciocinada”, significando que tudo que ofender a razão, pode ser ruim para o ser humano. Eu acrescento que toda a ideologia ou toda a fé que busca a aniquilação das outras e o sectarismo ou o radicalismo vassalo está sendo odiosamente manipulada ou muito mal entendida. A unidade de um Deus de Amor jamais terá a face sangrenta da morte ou a posse do irmão para aumentar seu poder.

O grande debate deveria estar centrado pelo título desse ensaio em como é ou pode ser a vida depois da morte. Ou o que nos espera depois dessa passagem aqui na terra? O que acontece com o espírito imortal que vive e usa esse habitáculo que denominamos de corpo? Para muitos o livre arbítrio ou o uso da razão que permite à ovelha permanecer com seu pastor ou rebelar-se contra o falso pastor é uma “maldição” da humanidade.

Nos idos da metade da década de 1980, buscava explicações para “fenômenos” comuns à vida do médico. Isso me permitiu acrescentar a uma base cristã e católica de meus pais e principalmente de minha mãe Dora o estudo de novas filosofias e tentar extrair da fé de outros, novos ensinamentos. Pelo motociclismo fiz centenas de amigos e desbravei terras que jamais sonhei existir e conhecer, pois foi o motociclismo que me aproximou de um grupo que estudava a “vida depois da morte” e até as “vidas passadas”. Tinha a liderança nacional pela médica paulista neuro-psiquiatra Maria Júlia Prietto Peres e do emérito professor e mestre psicólogo Antônio Veiga. Pelas intricadas teias das existências, o Veiga é um viamonense e professor de diversas universidades e Maria Júlia com uma cunhada viamonense – a querida Mara Peres Ramos. O intuito era de um grupo de estudos e pesquisas, sem qualquer vínculo religioso, como outros que se formaram pelo mundo afora que buscava a vertente da vida depois da vida e a reencarnação. Depois de vários anos, seguimos caminhos diversos os membros da época. Mantenho ainda contato com o Veiga e seu estudo e trabalho contínuo da pesquisa e da iluminação do ser humano. Inúmeros são os médicos e psicólogos que foram e são seus alunos e eternamente gratos pelos horizontes de amor que ousa e persiste ensinar e difundir. O amor se constrói e sedimenta com disciplina e dor e mesmo os mais empedernidos, refratários e primitivos em suas essências vitais serão compelidos a evoluir.

Chico Xavier! – ) Homem Escolhido. – por Edson OLimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 21 Abril 2010

4 Abr 21 – Chico Xavier – O Homem Escolhido – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Chico Xavier – Um Homem Escolhido.

Respeitosamente às opiniões divergentes, entendo o Espiritismo como uma filosofia que transcende à vida. A humanidade renasce após cataclismos e assim foi no pós-revolução francesa em que os ideais de liberdade, fraternidade e humanidade ocuparam e mente e o vazio de muitos corações empedernidos. Ali o francês que conhecemos como Kardec compilou amorosamente as bases de uma religião e de uma filosofia gerada em Cristo. Como quando os apóstolos iniciaram a jornada de pregação, os espíritas assim chamados foram perseguidos e muitas vezes brutalizados pela insanidade e ferocidade de quem dizia ter “a palavra de Deus” em seus lábios. E pela primeira vez, o mundo ocidental teve uma nova visão e um maior entendimento da vida e da morte.

A reencarnação aceita ancestralmente por povos de todo o planeta encontrou na doutrina Espírita o seu véu dissipado com os textos kardecistas sendo lidos, ouvidos e raciocinados com amor incondicional, o real e verdadeiro amor cristão por pessoas de todas as cores, credos e ideologias. Essa fundamental diferença a filosofia espírita carrega desde suas origens – aceitar e amparar a todos no amor de Cristo.

Cristo nunca torceu para Grêmio ou Internacional, PT ou PSDB, exemplificando e pensando em conjunto com o amigo e irmão que me acompanha. Cristo sempre carregou a bandeira do amor e do perdão. O nosso parco e, por vezes, tacanho entendimento subverte as verdades divinas. Isso faz parte da nossa humanidade que está aqui para evoluir e iluminar-se pelo entendimento. Sintam como a humanidade do homem Cristo nas extremas agonias do sofrimento disse: – Pai, por que me abandonaste? Para logo a divindade do homem manifestar-se com o maior amor jamais sentido e demonstrado: – Pai! Perdoa-os porque eles não sabem o que fazem!

Brasil! A pátria de todas as pátrias tornou-se refúgio e lar do Espiritismo. Aqui se iluminou e rompeu dogmas unindo ciência e fé. A mediunidade expressa por incontáveis pessoas que sequer tinham esse novo entendimento floresceu e perfumou-se. Há poucos dias estreou nos cinemas o filme sobre Chico Xavier. Num formato diferente dos tradicionais documentários, como outro dia assisti do iluminado Divaldo Pereira Franco, o filme mostra e relata as vertentes do Chico criança, jovem, funcionário público, gente como nós, médium mundialmente reconhecido e do Chico que deixou a imagem mental que todos que o conheceram carregam. Estriba-se com memorável e antológico caso do Judiciário brasileiro que pela primeira vez aceita um texto psicografado para absolver e libertar um jovem quase condenado pelo assassinato de seu melhor amigo.

Em 1983, eu e a Cledi colocamos a Cynthia e o Duda no carro e fomos à distante Uberaba para conhecer Chico Xavier. Infelizmente Chico havia viajado e somente podemos conhecer um pouco da realidade de luz de uma de suas obras de amor ao próximo. Aprendi com meu amigo querido e de quem tive a honra e o privilégio de ser seu médico e privar da sua casa e amizade, o jesuíta Padre Raphael Ignácio Valle, simplesmente Padre Valle ou Padre Inácio – discípulo do Padre Reus e um dos criadores da Romaria da Medianeira – que precisamos conhecer e entender para amar e somente assim escolher os nossos caminhos com o livre arbítrio que o Criador nos deu.

Heróis Anônimos! – A Saga dos Esquecidos – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 14 Abril 2010

 

Heróis Anônimos! A Saga dos Esquecidos – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião 14 Abril 2010

Heróis Anônimos! – A Saga dos Esquecidos.

 

Numa era de idolatrias nacionais e estrangeiras, numa era em que os holofotes são direcionados aos ungidos do poder e da glória, numa era em que alguns são semideuses ou quase imortais e disputam o trono como as divindades do Olimpo, numa era em que riqueza e poder e glória são sinônimos de sucesso, ali por trás dos panos e na obscuridade dos bastidores está uma legião de pessoas quase iguais a nós – os Heróis Anônimos. Assemelham-se por sua configuração humana, mas diferenciam-se por fazerem a diferença na evolução da humanidade. Não são sumidades científicas e jamais fascinarão o mundo ou escreverão seus nomes entre os gênios, mas eles criaram as bases e os alicerces para que o mundo evoluísse e tornasse-se um lugar melhor e mais digno para vivermos.

São tantos e nas mais diversas categorias profissionais e nas mais diversas funções. O bombeiro que balança um nenê em seu colo enquanto seus colegas tentam as manobras para ressuscitar a mãe sucumbida no desastre. O amor que resplandece numa cena despercebida e num plano secundário. Bombeiros molhados e imundos e feridos numa insana busca de sobreviventes nos desastres das enchentes ou dos terremotos. O popular na luta para resgatar das ferragens do carro acidentado com as labaredas iniciando-se as pessoas presas enquanto o socorro especializado tarda trancado num trânsito esgoelado e maluco. O policial cujo principal escudo é o seu corpo na luta pela defesa da sociedade ante a ferocidade insana da marginalidade crescente e protegida. A mãe que organiza uma ONG e que nela outros se associam a perambular pelos bares da noite tentando tirar os jovens do álcool e das drogas e, por conseguinte, dos acidentes de trânsito.

As professoras, jamais tias, que nas creches, maternais e escolas de infância inicial trabalham por amor substituindo pais e mães prisioneiros da sociedade de consumo crescente e dos impostos e taxas extorsivas dos governantes de plantão. Um peito, um gesto, uma palavra, um amor manifesto e os ensinamentos necessários na ausência relativa da família. Professores e terapeutas nas escolas das crianças com déficit físico ou mental escrevem diariamente páginas de amor e dedicação aos filhos que não gestaram, mas que se doam a cuidar e amparar.

As funcionárias dos postos ou unidades de saúde são os para-brisas ou para-choques dos desgovernos da saúde pública e alvos da raiva e das culpas pessoais de tantos que tentam proteger e cuidar. No lugar de um singelo agradecimento, quase sempre queixas. A insensatez é um privilégio da escassa iluminação do espírito e a raiva popular estranhamente não reflete a repulsa ao governante ou político demagogo ou francamente mentiroso.

Revolta-nos o lixo espalhado pelas ruas. Quem produz e quem espalha o lixo? Quem repetidamente amontoa seu lixo pessoal e doméstico em recipientes ou locais impróprios? No entanto, São raros o simples bom dia ou boa tarde aos lixeiros na sua sanha de livrar-nos da podridão crescente. Os moradores de rua – pessoas e animais – são febrilmente auxiliados e acompanhados por legiões de voluntários que ousam buscar um alívio para a fome, frio, abandono e dor. O sopão da madrugada e o café quente para quem encontra refúgio na caverna de caixas de papelão ou marquises desoladas…

Essa gente não é candidata ao teu voto. São candidatas ao amor cristão e um mínimo agradecimento ou reconhecimento deveria receber de cada um de nós!

Hipocrisia! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião – 04 Abril 2010

4 Abr 07 – Hipocrisia – Coluna Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Hipocrisia!

Vivemos alguns, somos engolidos outros por um mundo de regras de convivência, de leis e de normas gerais. Criou-se a denominação do politicamente correto como uma forma de dourar a pílula ou até de tragar o intragável. A imensa maioria das pessoas não é o que é. É o que lhes permitem ser. Somos seres teatrais em quase constante representação. Estamos permanentemente fantasiados no palco iluminado ou sombrio da vida. Pense a sua vida! Pense em quantas vezes consegue exprimir-se ou manifestar seus sentimentos de forma plena ou o temor de magoar alguém ou de ser afligido por alguma lei maquiavélica lhe impedem de ser “real”.

Nem tudo que está na lei é ético ou é moralmente correto. Tens dúvidas? Observe ou relembre as qualidades éticas e morais de maioria dos nossos congressistas. Basta? A mui famosa Constituição Cidadã de 1988 não foi aprovada por grande parte dos políticos, inclusive de muitos que estão no poder e que agora a defendem com unhas e dentes. Raras são as pessoas que podem e tem a capacidade de dizerem o que pensam publicamente e sobreviverem ao tsunami de processos da ideologia contrária. Outro dia assisti a um debate sobre homossexualismo na TV com o pastor Silas Malafaia. Pastor Silas – não precisa comungar com sua religião nem com as centenas de milhares que o acolhem, mas é um homem iluminado e incomum.

Alguém não está saturado da brutal violência do dia-a morte-dia? Somos caçados por hordas ou falanges de marginais, a todo o momento e em todo lugar. Vivemos reclusos e gradeados enquanto “faltam recursos” para a polícia deslindar os crimes e sobra caridade para certos juízes soltarem a bandidada. Comenta-se que o governo aprovou uma lei dando entre “otras cositas” quase dois salários por mês para os presidiários – e os aposentados e as vítimas deles? Os movimentos de direitos humanos raramente visitam as vítimas ou sequer acompanham seus dramas, no entanto, lastimam e protestam pelas “más condições das cadeias e dos presos”. Uma coisa jamais deveria excluir a outra. A mídia amiga de criminosos faz levantamento de quantos criminosos morreram em tal período e raramente dos policiais que tombam no exercício da defesa da sociedade contra a escória crescente.

– O Cara reagiu e foi morto!

– Ela acelerou e ele atirou e a bala acertou ela na cabeça e vai ficar vegetativa!

– Ela gritou e o guri cravou a faca nela, devia ter entregado a bolsa ou dado pra ele e hoje taria cuidando dos filhos!

Acima estão três frases repetidas nas crônicas policiais e nas entrevistas do rádio e da TV. Nós deixamos de ser vítimas e o bandido tem a atenuante de que reagimos, ou que ele estava drogado, ou que era inexperiente e garoto (1,80m, 17 anos e 75kg). Somos duplamente culpados por não fazer tudo – Tudo! – que o marginal deseja e ainda por exercer o princípio ou o instinto mais básico do ser humano – reagir para sobreviver! Poderia ser uma ironia, mas é realidade. Um famoso jornalista viamonense dizia no rádio quando algum bandido morria – “um a zero pra nós, esse não incomoda mais!” O marginal “que é o produto de uma sociedade cruel e capitalista” está exercendo a sua antiga profissão. Nós é que não colaboramos – ironia!

“A bandidagem no Congresso desarmou a sociedade” – dizia um amigo durante uma festa. “Para o cidadão honesto e trabalhador ter uma arma para defender-se, defender a sua família e a sua propriedade é crime, para o bandido é instrumento de trabalho. Anistias, regime aberto, progressão de pena, deixa passar por falta de recursos humanos, solta, pois as prisões estão cheias demais, é “de menor” de idade, isso é delito pequeno, vamos recorrer, bandido também é gente, estava drogado e não sabia o que fazia, é doente, é o Estatuto do Menor e do Adolescente, foi crime político, merece asilo, pois é refugiado político” – expressões! Dezenas de outras estão aí nas bocas e ouvidos para o deleite da criminalidade e sofrimento do cidadão, trabalhador e ser humano de categoria inferior, pois é presa.