Especial Ano Novo–Edson Olimpio Oliveira–Crônicas & Agudas–Jornal Opinião–29 Dezembro 2010

12 Dezembro 29 – 2010 – Edição Especial – Feliz Ano Novo – Colaboradores – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão.

 

            2010 – o ano que está terminando. A sabedoria humana ou o bafejar dos deuses construíram essa mágica de tornar o tempo fragmentado. Com hora para começar e acabar, dando-nos assim a possibilidade de nos perdoar e de sermos perdoados, de prometer ser ou fazer diferente num novo tempo e assim como deuses finitos em carne, osso e gases sermos senhores do futuro. A página traz hoje o talento de amigos colaboradores que esculpem sentimentos com o cinzel das letras e palavras. Curtam. Aproveitem. Agradeço-lhes permitirem passarmos em suas existências. Lamentamos alguma dor causada. Oramos para que suas vidas sejam mais alegres e iluminadas e que o Ano Novo traga-lhes harmonia, saúde e sabedoria.  – Edson Olimpio Silva de Oliveira.

Uma história de amor!

* Por Benedito Saldanha – Viamonense e Membro da Academia de Letras do Brasil

            Faz três anos que ela partiu. Até parece que foi ontem. Mas guardo dela as mais lindas lembranças e os melhores momentos de um amor que jamais terá seu fim decretado. Guardo as fotos dela como quem guarda uma relíquia. Lembro do sorriso dela quando amanhece o dia. Ouço a voz dela quanto estou enfrentando momentos difíceis. Luto contra a tristeza diariamente e lembro que ela me pedia para eu nunca deixar de fazer as coisas que gosto e também que eu nunca deixasse de escrever. Ela adorava minhas poesias e minhas crônicas. E profetizava que eu ainda seria um escritor famoso. Sigo escrevendo por que ela me pediu porque, na verdade, não sinto inspiração alguma para empunhar novamente uma caneta e nem digitar no teclado.

Nossa despedida foi unilateral, isto é, só eu pude me despedir e dizer para ela o quanto eu a amava. Ela não podia falar. Até hoje não sei se ela estava me escutando. Prefiro acreditar que sim. Peguei em sua mão e beijei seus lábios, mas já sentia que ela não estava mais consciente. Apenas contemplei-a pela última vez, transformando minha tristeza em lágrimas que teimavam em escorrer do meu rosto. Sob o olhar apreensivo de médicos e enfermeiras me despedi dela. Nada mais restava a fazer. A doença que dominara o seu corpo, vencera, não dando chances para que a medicina pudesse ainda tentar alguma ação. Assim foi nossa despedida. Ela, inerte na cama de um hospital. Eu, triste e revoltado, mas ainda acreditando em encontrá-la em outra dimensão.

            Faz três anos que ela partiu. Mas até parece que foi ontem. Quantos planos fizemos juntos, quantos projetos ainda por realizar. Ela se foi aos 28 anos de idade e estávamos cada dia mais apaixonados. Lembro da última noite que ela dormiu em casa. Ela me olhou bem no fundo dos meus olhos e disse que era a mulher mais feliz do mundo por ter vivido aquele amor em toda a sua intensidade e que, apesar de estar indo para o hospital buscar a cura daquela enfermidade, jamais deixaria de acreditar que um dia voltaria para a nossa casa. E que eu a esperasse porque ela voltaria mais linda do que antes para que pudéssemos então concluir o projeto do nosso jardim com as flores preferidas dela. Mas o destino não quis assim. E até hoje me vejo olhando para o jardim inacabado e esperando ela chegar no portão.

Dizem que o amor vence tudo e remove todas as barreiras. Me pergunto: até que ponto isso é verdade??? Sempre pensávamos em vivermos muito tempo lado a lado e nos amando muito. Sempre prometemos um ao outro que iríamos nos amar pra sempre. Mas nunca contávamos que a mão fatálica do destino fosse nos separar ainda no esplendor de nossa juventude. Apesar da perda posso dizer que vivi esse amor em toda a sua plenitude. Abdiquei de muitas coisas por causa dela e sempre preferia a companhia dela aos programas com os amigos.

Muitas coisas restaram deste amor, muitos sentimentos ainda estão presentes, mas o que de mais valioso ficou foi o fruto desse amor infinito, o ser que ela trazia em seu ventre, nossa filha, que recém completou três aninhos e que a cada dia se parece mais e mais com ela. Nossa filha é o que sustenta ainda minha presença neste mundo. É por ela que eu vivo. É por ela que eu luto.

Quando me perguntam se ainda vou amar outra mulher respondo que não, que o amor de verdade só se vive uma vez. E este amor eu já vivi. Mas, apesar da minha imensa tristeza, ainda espero reencontrar esse amor em outra dimensão, quando então nossas mãos se entrelaçarão novamente e nosso jardim será finalmente concluído… Então no mundo celestial.

Meus pés!

·         Baltazar Molina – Poeta da ALVI

 

Por setenta anos caminhei no mundo.

Estes pés me levaram ao desconhecido.

E acharam o rumo certo ao caminho.

Nem sei quantas vezes que estive perdido.

 

Com eles estive na alta montanha.

Andei caminhando a beira dos rios.

Desci os barrancos ate o caudal barulhento.

Escalei a escarpa de profundos abismos.

 

Eles me levaram pelo caminho de sonhos.

Num tempo sem bússola que tive na vida

Andei pelos vales e jardins floridos.

Gastando distancia no andar fugitivo

 

Voltei a meu pago com os pés cansados.

Daquele que no tempo muito caminha.

Com muita tristeza ao voltar tão tarde.

Ouvi o silencio de minha casa em ruína.

 

Sarau de Saudades!

·         Por Lúcia Barcelos – Poetisa da ALVI

 

Hoje, o ponteiro é uma voz chorando as horas,

E a saudade tem a cor das tardes

Que traziam promessas de encontros breves.

À noite, levávamos sorrisos e almas leves,

E sob a luz transparente que estremecia

Nos entregávamos aos braços da poesia!

 

 

Quando o Amor se faz Natal!–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–Especial Natal 2010

Quando o Amor se faz Natal! – Um conto viamonense – Especial de Natal 2010 – Edson Olimpio Oliveira

 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Quando o Amor se faz Natal!

– Um conto viamonense –

A Grande Guerra ainda se estendia em vários locais do planeta. A dor e a privação acossavam a todos. Alguns mais, outros mais ainda. Viamão orava e pranteava alguns filhos que haviam partido para os campos da Itália. Mães imploravam para a misericordiosa Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Cidade, para que a guerra findasse e que seus filhos não fossem convocados para a FEB – Força Expedicionária Brasileira. Mutilados acompanhavam caixões baixados de navios nos porto de Rio Grande e Porto Alegre. Mas a vida exige continuidade, as pessoas precisavam trabalhar e executar as suas tarefas costumeiras.

Um sino toca ao longe. A tosse estrepitosa faz coro. As lavadeiras do Mendanha recolhem as bacias e encostam as tábuas de lavar nas pedras da margem do arroio. A maioria é negra. Acompanham a trilha de suas mães e avós no árduo trabalho. De sol a sol. Há um orgulho no negrume de suas peles que se manifesta na voz da Vó Doca: – Sou negra retinta, sou negra mina pura da minha raça e não me troco por essas negras-aço que andam por aí. – em referência às mulatas pejorativamente.

Crianças. Muitas crianças. Crianças criadas por tias ou algum parente. Muitos pais tombados pela guerra da miséria e da tísica, a tuberculose. Mas esse Dezembro trazia um gélido vento sul que aumentava a tosse no local e encolhia as crianças magras nos pelegos. Tetas murchas persistiam na sina de querer alimentar os seus filhos e os filhos de uma grande família. Aquelas que tinham mais leite doavam-se às crianças mais fracas. E a negra Zulmira era uma dessas mulheres. Tia Zuma, docemente chamada pela criançada, era uma negra corpulenta. Quadris largos. Seios túrgidos escorriam leite se não drenados constantemente. Há um par de meses havia falecido seu primeiro e único filho.

– Complicação do parto! – alegava a parteira, a velha Tereza.

O frio que escorria os narizes mascarava as lágrimas no pranto solitário. Fazia o seu trabalho de lavadeira na fonte e ainda trabalhava em casas família no centro de Viamão. Precisava cuidar do marido enfermo.

– Bebe Joca! Bebe este leite quente com gemada e canela que fiz pra ti ficar bom da tosse. Vou deixar esse xarope de quina, banana-do-mato, mel, guaco e agrião pra tu tomar. Não vai dormir demais e esquecer. O seu Nelson da farmácia fez pra ti. As frestas do casebre assoviavam o vento úmido e gélido.

A semana do Natal aumentava o serviço no arroio e nas casas. Preparavam-se para a noite mais especial do ano. Tia Zuma ajudava às mulheres mais fracas para terminar as lavagens e quarar das roupas. O ferro à brasa lançava o suor das roupas ao céu. O branco das camisas e dos lençóis tornava-se luminoso nos braços das negras. Peças engomadas com esmero e capricho vertidos em amor. Alguns quilômetros em árduo aclive barrento conduziam ao centro da antiga capital de todos os gaúchos. Nesse trajeto cruzava-se pelo enorme portão de ferro trabalhado do ancestral cemitério.

Dia 24 de dezembro, era como se o tenebroso inverno gaúcho retornasse. Depois de uma caneca de café preto e um pedaço de rosca, despediu-se do marido com as costumeiras recomendações. E com outras mulheres iniciaram o cortejo de subida. Seus braços poderosos carregavam os fardos de muitas famílias. Incitava às crianças para cantarem, motivando as mães e tias. Logo estava nas casas fazendo seus trabalhos que para as outras seriam extras. Ou impraticáveis. Mas essa negra trazia a força de um coração invencível. Enfeitou a casa dos Veiga. Preparou muitos doces na casa dos Nunes. E quando a noite já lambia as torres da igreja centenária, Tia Zuma conclui a ceia dos Franco. Recebe seu pagamento e uma grande sacola com presentes para que distribuísse para s crianças do Mendanha.

– Brigado dona Olga. Feliz Natal!

Despede-se. Ao atravessar a praça escuta um choro de criança nas sombras da Borracheira, a gigantesca árvore de resina leitosa. Aguça os olhos. Vê um menino chorando encolhendo-se, tremores entre os farrapos de roupa.

– Quem é tu menino? Onde tá a tua mãe? Onde tu mora?

Um negrinho esquálido de pés descalços. Talvez com menos de três anos. A negra não o reconhecia entre as crianças do local. Sua mente buscava alguma explicação. Seu coração buscava protegê-lo. Envolveu-o em seus braços. Puxou um pano da sacola e cobriu-o.

– Me leva pra minha mãe! Me leva pra minha mãe!

– Onde tá a tua mãe menino?

– Me leva pra casa tia, não me deixa aqui!

Enfiou profundamente a mão na sacola e veio com um pedaço de bolo. Deu ao menino. A criança comeu-o abraçada em seu pescoço. Sua mente pensava em procurar a polícia, mas coração exigiu levá-lo para o Mendanha. Cruzou a praça resoluta. Desceu a rua barrenta em direção do cemitério. A lua esperneava entre as pesadas nuvens tentando mostrar-se. Seu manto de prata cintilava nos olhos do negrinho. Sentiu o menino aquecer-se. Não tremia mais, mas logo sua pele parecia cada vez mais quente. Colocava a mão em sua fronte. – Está com febre! Os muros brancos do campo santo ficaram para trás.

– Me leva pra minha mãe! – era somente o que o menino respondia.

A criança parecia queimar em seus braços. E sentia um peso enorme a carregar. Jamais sentira nada igual. – Por que se é só uma criança e uma sacola? – perguntava-se. A pele do negrinho estava em brasa, como se queimasse sem fogo. Cada vez mais os braços doíam e as pernas quase não suportavam o peso dos seus corpos. Mais a criança abraçava-se em seu pescoço. Escorregava nas valetas abertas pela chuva. Lutava para manter-se em pé e chegar a sua casa. A jornada parecia interminável. Mas jamais poderia deixa-se cair e ferir a criança. A lua vencia a batalha com as nuvens e trazia estrelas cintilantes no véu negro do céu. A negra agradecia à Santa por ajudá-la. Eis o arroio Mendanha coroado de casebres com as lamparinas bruxuleantes espreitando as frestas.

– Me leva pra minha mãe! – descolando a cabeça de seu ombro e com o dedinho apontando. A negra instintivamente segue a direção do dedo do negrinho. Estaca com os olhos arregalados. A antiga grutinha de pedra com a imagem de Nossa senhora da Conceição, que ali está desde uma época contada em lendas entre os velhos sobreviventes.

– Esta é a minha mãe, tia!

A criança torna-se leve. Sem peso. A febre some absolutamente. O corpo da negra ainda treme pelo enorme esforço da jornada. Uma luz da maior alvura que alguém poderia ver e sentir envolve-os. Num tempo sem tempo, céu e terra cintilam e pulsam. Algumas pessoas extasiadas e atemorizadas dentro dos casebres assistem Tia Zuma entregar uma criança para uma mulher com um manto azulado a cobrir-lhe a cabeça e os ombros.  A criança beija a negra e…

Amanhece o dia. As pessoas aturdidas se entreolham. Sonharam ou… Joca sai da casa com a enxada à mão, nada mais demonstra a doença que o consumia. Tia Zuma aparece. A carapinha está prateada. Seu coração sabe que aquele negrinho carregava as doenças e a febre da humanidade, assim como os pecados de todos nós. E buscou a mãe para aliviá-lo e protegê-lo. Tia Zuma viveu ali por mais alguns anos e benzia e abençoava doentes e crianças. Sua fama espalhava-se rapidamente – a negra que cura! Eis que numa manhã, encontraram sua casinha abandonada. Ela e o Joca sumiram. Jamais voltaram ao Mendanha e à Viamão. Há relatos de uma negra carregando crianças doentes e as curando em muito locais. Mito ou realidade? Os corações de mães negras e pobres trazem a verdade! E quando uma vela é acesa em prece pedindo por saúde para Nossa Senhora na grutinha, uma tia negra plena de amor e doação estará nos auxiliando e protegendo.

 

A Memória e a Gratidão!–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião

12 Dezembro 15 – 2010 – A Memória e a Gratidão! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

A Memória e a Gratidão!

 

Ao final de um ano de trabalho acontece o balanço das atividades. Para as empresas, faz-se o balanço fiscal e são contabilizadas as perdas e os lucros, assim como, a medida do seu crescimento ou o seu encolhimento. Muito de nós passo pela vida sem o tempo e a vontade necessária para realizar um balanço de nossas atividades e sentimentos. Outros, no entanto, esperam esse apagar de luzes de um ano alegre ou dolorido para colocar num dos pratos da balança o que foi de positivo e no outro tudo aquilo de negativo. O entendimento do bom e do ruim é pessoalíssimo.

Durante a juventude, a memória gravita nas imediações de nossas vidas. Anos ou décadas para frente ou para trás. Eis que durante a velhice, constatamos que nossos idosos tem uma boa memória para os acontecimentos da infância ou da juventude. Muitos acusam e revelam esquecimento para coisas simples do dia a dia ou de um passado recente. No furor de juventude idolatramos geralmente o que se apresenta a nossa volta, os ídolos de nosso tempo.

Outro dia estava numa festividade de formatura de crianças de uma das nossas escolinhas. Meu neto de dois anos, não estava formando-se na escolinha, mas como aluno participava de uma das belas e várias apresentações. Sempre tive uma enorme admiração e respeito por esses professores de maternal e da primeira infância e dos professores alfabetizadores. Quando vimos uma obra terminada e aplaudimos o seu criador, estamos reconhecidamente enaltecendo o final. No ser humano não é assim. As contingências que obrigam pais e mães a colocarem seus filhos nas escolinhas transferem aos professores e professoras a mais vital essência de suas vidas – seus filhos! Essas crianças são como o barro primordial donde foi moldado o homem e a mulher.

Trazemos nossa carga genética e nossa bagagem espiritual, mas as vivências boas ou más moldarão grande parte de nós. Acredito que esses professoras e professores são seres iluminados e nitidamente vocacionados. Há algo de divino em certos ofícios humanos, este certamente é um deles. Ali naquele palco da vida estão seres em desenvolvimento para o amor e para o ódio e quantas dessas crianças convivem mais com suas profs do que com seus familiares? Muitos em tempo e outros em intensidade. Observava crianças com diversos graus de dificuldades integradas com seus coleguinhas num amálgama de amor e compreensão. É a construção de uma sociedade de mais amor e respeito pelos chamados ou entendidos como diferentes. Eis donde brota a esperança num mundo melhor para todos.

Esses mestres jamais estariam ali pelos ganhos pecuniários ou por status social. Destes mestres talvez nunca tenha saído um homem público ou alguém homenageado com lustro e glória. Ou talvez premiado! Para muitos dos pais ou familiares eles são sombras desconhecidas numa escola qualquer. Ou outros com sentimentos menos nobres. Isso se explica pelo entendimento de que a culpa consciente ou inconsciente seja transferida para outrem. Eis que a ação divina se faz na velhice quando o idoso ou a idosa lembram e gratificam a primeira professora ou o primeiro mestre. Para muitos é o resgate assumido do que esqueceram na juventude. Curioso?

Nota do Editor: Uma homenagem e gratidão à Escolinha Crescer e Conhecer e às suas professoras e professores. Que todos os mestres e escolas sintam-se igualmente distinguidos e recebam a gratidão de todos nós.

 

Mensagem aos amigos!

            Por Lúcia Barcelos – Escritora e Poetisa.

 

clip_image002Há os que dizem que somos seres da Terra, assim como os minerais, os vegetais e os animais, porém com a denominação de animais racionais. Enquanto seres humanos, todos temos um formato físico semelhante e temperamentos distintos. E deste formato que é interno, deste formato que não é decodificado pelos olhos físicos, talvez pudéssemos dizer que levamos a vida inteira num processo de formatação, ou seja, são anos para se chegar a uma forma, e daí nos damos conta de que a transformação acontece sim, e que é fundamental.

 

É claro que as contingências do dia a dia consomem a gente, as exigências da sobrevivência e as transformações da sociedade, enfim, do mundo, nos absorvem

e, às vezes nem refletimos sobre tantas coisas que se passam dentro de nós mesmos. E continuamos feito pequenos navios, ora ao leme, ora submissos aos caprichos das forças naturais, rumo ao infinito. Houve um tempo em que os navegadores só tinham nas estrelas um referencial de orientação. Era o céu que lhes acendia o rumo. Hoje, os navegadores se acercam da tecnologia. Porém nós, navegadores da vida, vivemos ainda procurando estrelas que nos indiquem o caminho interior. E é tão gratificante quando reconhecemos o caminho das estrelas!

 

Cada um de nós tem sua batalha do dia a dia, suas expectativas, decepções, vitórias… Cada um teve que vencer os seus obstáculos, conquistar o seu espaço e enveredar por algum caminho. Mas tem um momento em que os caminhos se encontram, e que então se elege oportunidades para comemorar parcerias, nutrir esperanças, também com as luzes das estrelas que cada um traz para compartilhar. É claro que muitos e muitos sentimentos vamos escondendo ou sufocando ao longo do caminho, mas isso é assim mesmo: é a vida. Ela nos ensina a guardar dores e alegrias, e nos ensina até a não prestar muita atenção nelas em certas ocasiões. Mas só que o tempo passa rápido demais e precisamos ficar atentos para não perdermos a capacidade de nos encantarmos com o que é ainda encantador!

 

Uma coisa é cumprir tarefas, outra coisa é sentir sabor naquilo que se faz, e de preferência, que não seja um sabor amargo. A vida anda ao ritmo próprio dela, mas cabe a nós criar um tempo para sonhar, para sorrir, para cantar, para fazer poesia, para perceber os detalhes felizes e para não deixar a nossa estrela solitária, perdida num canto do céu, sem a contemplação e a gratidão do nosso olhar! Vamos provocar um certo recuo na razão e acreditar que podemos tudo. Vamos acreditar na estrela que é capaz de revolucionar a nossa filosofia de vida e o nosso estado de espírito. Vamos continuar nos desprendendo do que não é bom. Vamos continuar num caminho sob estrelas nossas, e sob estrelas de quem nos ilumina com a fulgurante luz da amizade!

A Viagem de cada um de nós!–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–12 Dezembro 2010

12 Dezembros 08 – 2010 – A Viagem de cada um de nós! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Viagem de cada um de nós!

Uma das crenças entre os gregos e os romanos era de que os deuses, apesar do esplendor de seus poderes, tinham um ciúme gigantesco das pessoas comuns. E sempre que podiam realizavam seus sonhos de amor com homens e mulheres mortais. E dessas relações havia filhos. E mais conflitos. E o ciúme estava embasado exatamente na nossa finitude. A eles pertencia a eternidade confinada entre a mesmice dos séculos, aos humanos e mortais pertencia a magnitude da Vida finita. Somente quem conhece a Morte pode amar plenamente a Vida!

 

Perdas e ganhos! Quando perdemos e quando ganhamos? Ao falecer alguém a quem amamos, a nossa humanidade tende ao desespero da perda completa daquele ser de nossa presença e de nosso toque. O toque! A mão que acaricia outra mão ou uma face ou um dedo que navega nos sulcos de um lábio sente essa avassaladora ausência. Assim como corpos que se tocam e acordam juntos após uma noite de sono se existe a fragrância do amor. Olhos que buscam e se fotografam na solidão do par amoroso ou na multidão frenética. A água que sorvemos no mesmo copo, ou a umidade deixada pelos lábios na bomba de chimarrão espelham esse universo magnífico de vida. No entanto, a ausência física remete-nos à perda. E as emoções contidas nessa ausência física podem estraçalhar nossos corações. Ou despedaçar a nossa alma! Sim, alma. Imortal alma. Tão antiga quanto o amor e o ódio. Assim como eles, imortal em nossa eterna evolução.

 

Se pensarmos ou sentirmos essa nossa passagem curta ou longa aqui nesta Terra de tantas e tão brutais desigualdades e sofrimentos, poderemos estar como seres numa estação esperando o trem, o ônibus ou o avião. Enquanto alguns já partiram, outros estão com a passagem comprada e na lista de chamada para ocuparem seus lugares e partirem. E os demais? Eles têm duas opções. Ou ficar plantados na estação lamentando a viagem daqueles que já foram, ou tocar a vida sem preocupar-se com o seu momento de viajar. No entanto, fazendo com que o tempo de permanência antes de serem chamados seja pródigo em realizações e amor. O manto do esquecimento jamais será espesso o suficiente para cobrir nossas cicatrizes. Agora somente depende de nós tornarmos as marcas da jornada em ensinamentos e aprendizagem que leve ao entendimento e à luz do amor mais amplo e universal. Nenhuma pessoa ou ser nos pertence absolutamente. Quem ama – liberta! E assim o amor se expande – maior e muito mais puro e luminoso.

 

Nada fácil! Geralmente, muito doloroso e difícil. Mas que as pessoas que amamos, se nós permitirmos por nossas orações e fé, sigam os novos caminhos dessa outra jornada que começou com a morte e prossegue com o renascimento sem as amarras do corpo, serão e devem ser considerados como ganhos. Ganhos? Sim. Evoluirão como seres de amor e de luz, no entendimento e no merecimento de suas existências. Que nossas orações os fortaleçam e amparem e que o Amor a todos sustente!  Waldeliro Antunes da Cunha – esposo, pai, avô, bisavô e sogro – que o Espírito Santo ilumine sua alma e seu caminho!

 

Guerreiros Anônimos!

 

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Seu Salah!

Seu nome é Salah Kalil Abdel Jawwat Abdel, natural da Palestina e viamonense de coração e por opção. Conhecido com seu querido irmão Jamil como proprietários da Feira Paulista, a mais tradicional e longeva loja do Centro Histórico de Viamão. A dificuldade em pronunciar o sobrenome palestino poderia ser sintetizada em trabalho e humildade, com a dignidade que construíram suas famílias no Brasil de todas as etnias, raças e credos. O milenar conflito na sua pátria em um povo sem fronteiras geográficas de sua nação não se traduz em ódio, revela-se em humildade e orações.

Saudade dos amigos

 

Perdão, por andar sumida…

Faz parte da vida!

Há tempos até

Em que sumo de mim.

Talvez não seja sumiço:

Perco-me na nuvem do compromisso…

Mas me encontro, enfim,

Quando a estrela da saudade dos amigos

Acende dentro de mim!

            Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A Viagem de cada um de nós!–Edson Olimpio–Jornal Opinião–08 Dezembro 2010

12 Dezembros 08 – 2010 – A Viagem de cada um de nós! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Viagem de cada um de nós!

Uma das crenças entre os gregos e os romanos era de que os deuses, apesar do esplendor de seus poderes, tinham um ciúme gigantesco das pessoas comuns. E sempre que podiam realizavam seus sonhos de amor com homens e mulheres mortais. E dessas relações havia filhos. E mais conflitos. E o ciúme estava embasado exatamente na nossa finitude. A eles pertencia a eternidade confinada entre a mesmice dos séculos, aos humanos e mortais pertencia a magnitude da Vida finita. Somente quem conhece a Morte pode amar plenamente a Vida!

 

Perdas e ganhos! Quando perdemos e quando ganhamos? Ao falecer alguém a quem amamos, a nossa humanidade tende ao desespero da perda completa daquele ser de nossa presença e de nosso toque. O toque! A mão que acaricia outra mão ou uma face ou um dedo que navega nos sulcos de um lábio sente essa avassaladora ausência. Assim como corpos que se tocam e acordam juntos após uma noite de sono se existe a fragrância do amor. Olhos que buscam e se fotografam na solidão do par amoroso ou na multidão frenética. A água que sorvemos no mesmo copo, ou a umidade deixada pelos lábios na bomba de chimarrão espelham esse universo magnífico de vida. No entanto, a ausência física remete-nos à perda. E as emoções contidas nessa ausência física podem estraçalhar nossos corações. Ou despedaçar a nossa alma! Sim, alma. Imortal alma. Tão antiga quanto o amor e o ódio. Assim como eles, imortal em nossa eterna evolução.

 

Se pensarmos ou sentirmos essa nossa passagem curta ou longa aqui nesta Terra de tantas e tão brutais desigualdades e sofrimentos, poderemos estar como seres numa estação esperando o trem, o ônibus ou o avião. Enquanto alguns já partiram, outros estão com a passagem comprada e na lista de chamada para ocuparem seus lugares e partirem. E os demais? Eles têm duas opções. Ou ficar plantados na estação lamentando a viagem daqueles que já foram, ou tocar a vida sem preocupar-se com o seu momento de viajar. No entanto, fazendo com que o tempo de permanência antes de serem chamados seja pródigo em realizações e amor. O manto do esquecimento jamais será espesso o suficiente para cobrir nossas cicatrizes. Agora somente depende de nós tornarmos as marcas da jornada em ensinamentos e aprendizagem que leve ao entendimento e à luz do amor mais amplo e universal. Nenhuma pessoa ou ser nos pertence absolutamente. Quem ama – liberta! E assim o amor se expande – maior e muito mais puro e luminoso.

 

Nada fácil! Geralmente, muito doloroso e difícil. Mas que as pessoas que amamos, se nós permitirmos por nossas orações e fé, sigam os novos caminhos dessa outra jornada que começou com a morte e prossegue com o renascimento sem as amarras do corpo, serão e devem ser considerados como ganhos. Ganhos? Sim. Evoluirão como seres de amor e de luz, no entendimento e no merecimento de suas existências. Que nossas orações os fortaleçam e amparem e que o Amor a todos sustente!  Waldeliro Antunes da Cunha – esposo, pai, avô, bisavô e sogro – que o Espírito Santo ilumine sua alma e seu caminho!

 

Guerreiros Anônimos!

 

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Seu Salah!

Seu nome é Salah Kalil Abdel Jawwat Abdel, natural da Palestina e viamonense de coração e por opção. Conhecido com seu querido irmão Jamil como proprietários da Feira Paulista, a mais tradicional e longeva loja do Centro Histórico de Viamão. A dificuldade em pronunciar o sobrenome palestino poderia ser sintetizada em trabalho e humildade, com a dignidade que construíram suas famílias no Brasil de todas as etnias, raças e credos. O milenar conflito na sua pátria em um povo sem fronteiras geográficas de sua nação não se traduz em ódio, revela-se em humildade e orações.

Saudade dos amigos

 

Perdão, por andar sumida…

Faz parte da vida!

Há tempos até

Em que sumo de mim.

Talvez não seja sumiço:

Perco-me na nuvem do compromisso…

Mas me encontro, enfim,

Quando a estrela da saudade dos amigos

Acende dentro de mim!

            Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A Viagem de cada um de nós!–Edson Olimpio–Jornal Opinião–08 Dezembro 2010

12 Dezembros 08 – 2010 – A Viagem de cada um de nós! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Viagem de cada um de nós!

Uma das crenças entre os gregos e os romanos era de que os deuses, apesar do esplendor de seus poderes, tinham um ciúme gigantesco das pessoas comuns. E sempre que podiam realizavam seus sonhos de amor com homens e mulheres mortais. E dessas relações havia filhos. E mais conflitos. E o ciúme estava embasado exatamente na nossa finitude. A eles pertencia a eternidade confinada entre a mesmice dos séculos, aos humanos e mortais pertencia a magnitude da Vida finita. Somente quem conhece a Morte pode amar plenamente a Vida!

 

Perdas e ganhos! Quando perdemos e quando ganhamos? Ao falecer alguém a quem amamos, a nossa humanidade tende ao desespero da perda completa daquele ser de nossa presença e de nosso toque. O toque! A mão que acaricia outra mão ou uma face ou um dedo que navega nos sulcos de um lábio sente essa avassaladora ausência. Assim como corpos que se tocam e acordam juntos após uma noite de sono se existe a fragrância do amor. Olhos que buscam e se fotografam na solidão do par amoroso ou na multidão frenética. A água que sorvemos no mesmo copo, ou a umidade deixada pelos lábios na bomba de chimarrão espelham esse universo magnífico de vida. No entanto, a ausência física remete-nos à perda. E as emoções contidas nessa ausência física podem estraçalhar nossos corações. Ou despedaçar a nossa alma! Sim, alma. Imortal alma. Tão antiga quanto o amor e o ódio. Assim como eles, imortal em nossa eterna evolução.

 

Se pensarmos ou sentirmos essa nossa passagem curta ou longa aqui nesta Terra de tantas e tão brutais desigualdades e sofrimentos, poderemos estar como seres numa estação esperando o trem, o ônibus ou o avião. Enquanto alguns já partiram, outros estão com a passagem comprada e na lista de chamada para ocuparem seus lugares e partirem. E os demais? Eles têm duas opções. Ou ficar plantados na estação lamentando a viagem daqueles que já foram, ou tocar a vida sem preocupar-se com o seu momento de viajar. No entanto, fazendo com que o tempo de permanência antes de serem chamados seja pródigo em realizações e amor. O manto do esquecimento jamais será espesso o suficiente para cobrir nossas cicatrizes. Agora somente depende de nós tornarmos as marcas da jornada em ensinamentos e aprendizagem que leve ao entendimento e à luz do amor mais amplo e universal. Nenhuma pessoa ou ser nos pertence absolutamente. Quem ama – liberta! E assim o amor se expande – maior e muito mais puro e luminoso.

 

Nada fácil! Geralmente, muito doloroso e difícil. Mas que as pessoas que amamos, se nós permitirmos por nossas orações e fé, sigam os novos caminhos dessa outra jornada que começou com a morte e prossegue com o renascimento sem as amarras do corpo, serão e devem ser considerados como ganhos. Ganhos? Sim. Evoluirão como seres de amor e de luz, no entendimento e no merecimento de suas existências. Que nossas orações os fortaleçam e amparem e que o Amor a todos sustente!  Waldeliro Antunes da Cunha – esposo, pai, avô, bisavô e sogro – que o Espírito Santo ilumine sua alma e seu caminho!

 

Guerreiros Anônimos!

 

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Seu Salah!

Seu nome é Salah Kalil Abdel Jawwat Abdel, natural da Palestina e viamonense de coração e por opção. Conhecido com seu querido irmão Jamil como proprietários da Feira Paulista, a mais tradicional e longeva loja do Centro Histórico de Viamão. A dificuldade em pronunciar o sobrenome palestino poderia ser sintetizada em trabalho e humildade, com a dignidade que construíram suas famílias no Brasil de todas as etnias, raças e credos. O milenar conflito na sua pátria em um povo sem fronteiras geográficas de sua nação não se traduz em ódio, revela-se em humildade e orações.

Saudade dos amigos

 

Perdão, por andar sumida…

Faz parte da vida!

Há tempos até

Em que sumo de mim.

Talvez não seja sumiço:

Perco-me na nuvem do compromisso…

Mas me encontro, enfim,

Quando a estrela da saudade dos amigos

Acende dentro de mim!

            Lúcia Barcelos – Poetisa

 

Olá, mundo!

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