Caminhos da Páscoa! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

04 ABRIL 20 – 2011 – Caminhos da Páscoa! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Caminhos da Páscoa!

Por mais que a parcela espiritualizada da humanidade busque a reflexão e o aprofundamento dos melhores sentimentos nos ensinamentos da cristandade, um mundo agressivo e voraz envolve os demais na ansiedade do consumo, na compulsão do ter mais e melhor e mais novo. Nossos sentimentos em muito manipulados pelos governantes e pelos formadores de opinião são sempre emulsionados pelas ondas do momento. Qual momento? Qualquer momento! Geralmente associado a alguma desgraça de proporções contundentes – inundações, terremotos, maremotos, guerras, assassinatos em massa e tantos outros.

Para muitos de nós os caminhos da Páscoa se confundem com os caminhos do feriadão em busca de repouso e novas alegrias em alguma paragem distante do local de trabalho e da toca doméstica. Muitos não estarão aqui no reinício pós Tiradentes e Páscoa. Infelizmente serão chacinados nos caminhos fatídicos do lazer. E logo serão absolutamente esquecidos até pela maioria dos que os “amavam”. – O mundo continua! – dirão muitos. – O espetáculo continua! – grita ao microfone o capitão do picadeiro circense. Seria essa uma analogia equivalente e possível para vermos nossas vidas e nossas existências como grandes picadeiros deste imenso circo que é o mundo?

Talvez aqui esteja uma singular diferença entre o feriado do Coelho e o feriado do Noel. O Noel é humano – dizem. O Noel é um cara muito vivido e tem um enorme saco para encher e esvaziar com as encomendas crescentes dos pedinchões. E tem uma paciência de Jó para suportar pais e avós e criançada o tempo todo no colo e no ensardinhamento dos shoppings. O gordo parece ter essa disposição de ver o mundo com outras cores. O cara é tão legal que apesar de vestir-se de vermelho é aceito por gremistas e outras torcidas. São muitos os prós-Noel. E o Coelho? Seria uma mutação, talvez transgênico de alguma multinacional imperialista. – Se coelho é mamífero, donde se viu um macho e mamífero botando ovo e sentado num ninhozinho? – indaga um amigo perspicaz. Mas o Coelho deve receber proteção do IBAMA ou de alguma lei de cotas. Logo não dá para muitas confianças e reflexões, daí que é muita gandaia no feriadão de Páscoa. Como sou um bocado antigo, não tanto quanto o Noel, convivi e vivi muitos retiros em tempo de Páscoa.

Retiros! Lembra-se do Retiro de Páscoa? Na minha cristandade católica fazíamos um dia para as crianças e três dias para os adultos de retiro. Ou seja, afastamento da vida mundana, que seria a vida comum dos humanos, com períodos intercalados por palestras de padres, penitências, e literalmente tentava-se lavar a alma dos pecados. Tentava-se o afastamento, mesmo que transitório daquilo aceito como pecaminoso. Semana Santa sem álcool e sem sexo. Com roupas discretas e muita oração. As rádios tocavam músicas clássicas ou barrocas. Filas enormes nos confessionários das Igrejas. A alforria dos pecados significava também licença para matar. Como um 007! Durante os cultos e nos incultos também a fera humana continuava cobiçando a mulher do próximo e do distante, e a esmola ia para alguma caderneta de poupança lá no Céu. Sabe-se que até vendiam lugares no Céu e ainda vendem no Paraíso. Apesar dessas tortuosidades, a alma de muitos se perfumava e clareava com o poder das orações individuais e da coletividade. Sentia-se um ganho geral após esse período de isolamento e reflexão. Muitos somos primitivos em vários aspectos e estamos numa época de transição da humanidade. Aproveitemos a Páscoa com oração e amor! Já é muita coisa.

O Silêncio! – Edson Olimpio Oliveira– Jornal Opinião

 

04 ABRIL 13 – 2011 – O Silêncio! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O Silêncio!

Aperceba-se do que está ecoando em seus ouvidos agora. Quais os sons que você identifica? Está difícil? Experimente fazer uma lista, tome uma caneta e escreva os sons que estão penetrando ou invadindo seu corpo. Concentre-se! Faça esse exercício algumas outras vezes em horários e locais diferentes. – O que vou ganhar com isso? – perguntou-me alguém. Num mundo de ganhos e perdas é natural que as pessoas mirem em lucros e fujam de perdas e tenham dificuldades em sentir que os ganhos podem ser até imperceptíveis. Ou que as perdas nos conduzem a um universo com maior qualidade de vida. Entendam que silêncio nem sempre é ausência absoluta de sons.

O homem – e a mulher – ditos civilizados preferem os aglomerados de ruídos e barulhos aos sons da vida, do seu corpo, da natureza… Os sons do silêncio! O silêncio fala ao espírito. O silêncio toca à alma. Nas filosofias orientais somente ocorre elevação pessoal e espiritual no culto ao silêncio, com a consequente meditação. Nos ensinamentos bíblicos, Jesus foi ao cume da montanha para orar e meditar, talvez o cume da montanha traga mais silêncio que a vastidão do deserto… Ou também signifique que a analogia de subir a montanha e da proximidade dos céus, aproxime da Verdade e da Luz. São incontáveis os ensinamentos dessa passagem de Cristo.

O homem fala mais e a mulher fala menos? Um faz mais ruído ou emite mais sons que o outro? No humano ancestral, os lampejos da inteligência apontavam que o homem sendo o caçador da família ou do clã, por seus dotes orgânicos de testosterona, manteria silêncio e o mínimo de sons para caçar com maior habilidade e não ser caçado pelos predadores. A fêmea humana, ficando na caverna ou nos agrupamentos, cuidando da prole e trabalhando, tagarelava permanentemente em soberba gritaria e fazia o maior número de ruídos para afugentar as feras. Esses traços ainda hoje se manifestam nas populações indígenas e nos humanos das cidades. Sabe-se de casamentos que terminaram por mulheres falando demais ou homens falando de menos. Homens ainda gostam de pescarias, esporte de muito silêncio, e mulheres preferem o burburinho dos shoppings centers.

Aceitam um pouco de bom humor? Observem um comercial da Sky com a Gisele Bündchen. O cara está casado com a mulher-modelo mais desejada do planeta – há controvérsias, claro! – e por mais que ela faça ele tem a sua fixação no controle remoto e na TV. Independente do simbolismo fálico do controle remoto aos freudianos, o homem do comercial gosta de mulher, controle remoto e TV. Não necessariamente nesta ordem. Talvez falte a cerveja que sempre se associa com a mulher também. Na TV ele volta a ser o caçador, ter seus alvos, mirar neles depois de selecioná-los com o controle remoto. Que também regula o som. O som! Ele só vai escutar o que quer e quando quer. Até vai se sentir no grupo de caça assistindo um jogo de futebol, por exemplo. E cerveja, como diz um amigo, “é como mulher engarrafada que se toma com tesão”.

Quantas analogias quando se conhecem as origens! Ao início, o exercício do silêncio ou do som comedido e controlado aperfeiçoa a alma e respeita a vida.

 

 

Arroio Mendanha! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

04 ABRIL 06 – 2011 – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

Arroio Mendanha!

Neste mundo de tantas coisas mal feitas, inacabadas ou jamais começadas arriscamos a contaminarmo-nos com o vírus da letargia e assim engrossarmos as falanges do acomodamento e da desilusão. Semana passada fui visitar um amigo residente lá onde os caminhos do Cemitério Novo se encontram com a Rua Telmo Pinto de Godoy, anteriormente Rua Pinto Bandeira e mais distante ainda Rua do Mendanha. Diversas crônicas, contos e lendas viamonenses foram por esse autor trazidas ao conhecimento dos caros leitores em minhas páginas de jornal e nos diversos livros e revistas que participei com temas do Mendanha, de suas negras e de suas lavadeiras.

Quem foi Mendanha? Grande parte da minha infância brinquei nas margens daquele falecido arroio e com os filhos das lavadeiras e seguindo o seu curso d’água que passa pelo atual bairro do IPE e desemboca no Lago Tarumã. Quantos ainda sabem disso? Assistia tropas de gado chegando ao Matadouro dos Pintos. Espiávamos alguma carneação. Temerosos, mas curiosos. – E o Mendanha? – impacienta-se o leitor. Pois Mendanha foi o autor da música do Hino Rio-Grandense. Comendador e Maestro Joaquim José Mendanha é seu nome. O autor da letra do hino foi Francisco Pinto da Fontoura. Pois saibam que não há mais Arroio Mendanha ou qualquer denominação que possa ter. Um esgoto sufocado por lixo e macegal e por residências com uma simplória placa anônima solicitando que não coloquem lixo resta ali. Destruir um curso d’água é fatal para a Terra e seus habitantes. E desconhecer a história de onde se vive?

 

Contei para esse amigo alguns desses detalhes perdidos e vergonhosos para a cidade de Viamão. E assim clareamos outros fatos. Infelizmente uma batalha está travada na cidade para homenagear ao ilustre viamonense Flávio Ribeiro com seu nome em uma rua. É artilharia de todos os calibres e das mais diversas razões. Acredito que o Flávio mereça essa e outras homenagens. Flávio foi durante a vida um cidadão e um guerreiro honesto e valoroso que enfrentou longos anos de cruel enfermidade, jamais abdicando do trabalho e do bom humor e do desejo de uma Viamão melhor para todos. Então por que do conflito? Infelizmente ainda homenageamos mais aos mortos do que aos vivos. A homenagem que seria prestada afetaria os familiares e a história de outro vulto local – alegam alguns contrários. Caminhe-se pelos caminhos do Sim e do Não. Quais seriam alternativas a serem consideradas para dar-lhe essa homenagem de nome de rua? Vejamos – e a rua defronte sua empresa, a Rua Osvaldo Aranha? É um vulto histórico, mas têm remanescentes ou vínculos com a cidade? Vejam que trocaram nomes de ruas no centro da cidade como citei antes sobre o Mendanha. A Rua General Osório (central) virou Rua Julieta César; a Rua Beco do Cascudo virou Fernando Vieira. Lembram-se de outras? Outros ilustres viamonenses foram gravados como Rua e Travessa – Alcebíades dos Santos, uma duplicidade por exemplo. O que fazer?

 

O importante é cancelar os conflitos, principalmente quando os homenageados foram e são de paz. Devemos evitar propostas sumárias e sim pesquisar e conscientizar aos interessados se as mudanças são amplamente aceitas e benéficas. A Cautela e a Previdência são amigas do Respeito, da Gratidão e do Amor!

 

 

Despedidas.

Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!

Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando…
Sinto o peito doer na despedida…
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida…

Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer…
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!

Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem…
De noite mandar-te-ei os meus suspiros
No murmúrio da aragem!

Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto…
Verei os olhos teus!

Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!

Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar… eu o primeiro!
A ventura negou-me… mesmo até
O beijo derradeiro!

Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade…
Adeus, meu anjo, adeus!

Poema de “Álvares de Azevedo – o maior poeta romântico nacional”, do livro homônimo editado por Benedito Saldanha com lançamento no próximo 12 de Abril no Centro Cultural CEEE, Rua dos Andradas 1223.

Conflitos de Opiniões! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 30 – 2011 – Conflitos de Opiniões! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Conflitos de Opiniões!

Escapando do simplório ou do mero subjetivismo daquilo que eu acho belo e você acha feio, ou vice-versa, veja como estamos mergulhados num universo de opiniões e certezas confluentes ou contraditórias. Dezenas de religiões tem absoluta certeza de que o seu Deus é o verdadeiro e único. No Cristianismo há dezenas ou centenas de igrejas que são semelhantes em Cristo, no entanto distantes em seus métodos e formas de vê-lo, entendê-lo e buscá-lo. – Qual a melhor? – esta talvez não seja a pergunta necessária e premente. Outra: há quantos séculos mata-se em nome de Deus?

Alguns dias atrás o tribunal máximo do país, no voto final de um juiz recém-empossado, firmou critérios sobre a lei de origem popular sobre a fatídica Ficha Suja. – Quando começa a valer? – indagam uns. – Quais os atingidos? – perguntam outros. Enfurecem-se muitos outros que alegam ser uma lei antidemocrática. Alegam que “é uma lei voltada contra os desejos e vontades do eleitor”, pois “tolhe e impede de eleitos assumirem seus mandatos populares” e acusam elites dominantes de manipularem o estado democrático. Sintam o tamanho da bronca e o descontentamento de todos os lados. E o caro (e) leitor acha correto haver uma lei que discipline ou impeça a livre escolha popular do eleitor? Ou libere-se totalmente o acesso de quem quer que seja aos parlamentos, mesmo julgados e condenados nas instâncias iniciais, mesmo sabendo que o poder econômico e as manobras protelatórias impedirão ou quase eternamente atrasarão as decisões finais?

– O meu time é melhor que o teu!

– A minha torcida é a maior do Estado!

No futebol o conflito de opiniões é ainda mais agudo e radical. O cara troca de residência, muda de país, troca de mulher e abandona os filhos e até o cachorro. Já quanto ao seu time de futebol, rara fidelidade maior. Tem criatura que acredita ser impossível de conviver e até possivelmente um castigo brutal do Criador ser torcedor do Corinthians e ter um filho palmeirense. Claro que espertamente citei exemplos lá de Sampa, para evitar mexer com a abelheira gaúcha de Inter e Grêmio.

Sintam outro conflito! Há quem pense na vida pública para a sua plena realização econômica. Agora mesmo há carreiras querendo ou ameaçando com greves. Em algumas os salários são estratosféricos se comparados com os singelos mortais, mas ainda assim consideram-nos parcos. Há detentores de cargos eletivos que enxergam nos seus mandatos temporários uma forma de enriquecimento ou de sensível melhora de vida pelo ganho legal, mas pouco moral dos arranjos de seus ganhos econômicos. Nas democracias de primeiro mundo quem quer enriquecer está na iniciativa privada, no embate do capitalismo. Com riscos e absolutas ameaças de perdas e quebradeiras. Já quem quer uma vida comedida e pouca afeita a riscos, busca a vida pública e seus ganhos limitados. Seria uma analogia para quem aplica na bolsa de valores e para quem prefere a caderneta de poupança. Como apregoa um ilustrado pensador: – Fora da cúpula dominante dos governos e partidos e de certas religiões, não há como conciliar socialismo, vida pública e riqueza! – Será verdade? Ou é outro mero conflito de opinião? Seria mais importante no conflito de opiniões buscar entender e respeitar quem pensa diferente de nós?

Guerreiros Anônimos!

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Maria Luiza e Ramão Alvarez Filho!

Uma vida de trabalho e amor voltados um para o outro e para as filhas Eliane e Ariane. E há algum tempo para o neto. Ofereceram às filhas o ambiente que um casal trabalhador, ele funcionário público, aspira e realiza-se na riqueza de princípios da família e na educação das filhas com Doutorados em Física e Biologia, respectivamente.

Destruição e Mortes!

Há quem veja as imensas desgraças submetidas às populações de diversos locais do planeta e as destruições do meio ambiente como coisas intimamente associadas. Ainda mais: castigos divinos! Estaria nosso planeta sofrendo mudanças iniciais que prenunciam uma nova era após uma série de eventos destruidores e cataclísmicos? Ou seria uma conjunção de fatores ambientais e espirituais? Ou ainda, seriam avisos de Deus para que a humanidade faça mudanças de sentimentos e comportamentos?

Após o brutal e avassalador terremoto no Haiti, vozes ergueram-se identificando um castigo purificador num povo em séculos envolvidos em conflitos sangrentos, desde origens na África, e sacrifícios humanos em rituais de poder. Governantes sanguinários e asseclas e misturando-se com vassalagem primitiva e escasso respeito à vida e à humanidade imperaram por tempo demasiado? Estaria o Criador reeditando Sodoma e Gomorra?

As inundações crescentes e os tsunamis fatídicos estariam reescrevendo o Dilúvio ancestral e bíblico numa versão ipodipad do mundo?

Ou nada disso é novo, pois o mundo se repete? Apenas vivemos num planeta excessivamente povoado e esses fenômenos são tão destruidores porque lugares antes desabitados, agora estão repletos de seres humanos e seus problemas e ambições?

Sinta-se compelido a pensar e opinar! Afinal, somos de Opinião.

“Border Line”–No Limite!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 23 – 2011 – Border Line – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“Border Line” – no Limite!

Alguém está espantado com o novo escândalo dos pardais, caetanos, controladores de velocidade e outros multadores de plantão? Certamente, a maioria dos (e)leitores atentos deve estar vendo a confirmação de algo sempre suspeitado. Temos a tendência de justificar qualquer coisa vendo o lado da “educação e da necessidade”. No caso dos multadores, precisam-se coibir os abusos dos motoristas que se excedem em velocidades perigosas e do uso do dinheiro das multas para educar os motoristas e demais cidadãos sobre obrigações e riscos do trânsito. Isso em tese!

Eis que os multadores espraiam-se de forma alarmante. Observem que existem ou são colocados em lugares absolutamente desnecessários e ausentes onde deveriam estar. Exemplos? São extravagantes e desnecessários neste trecho da RS 118 entre Viamão e Gravataí onde uma estrada de pista horrível com pavimento absolutamente destruído e sem reparação adequada, sem escolas, comunidades ou outros aglomerados de risco – existem dois pardais multadores. Já na RS 040 na saída/entrada de Viamão há vilas como a Bragança, Fiuza e Valença que os moradores ficam entregues aos anjos de guarda na velocidade perigosa de carros e carretas. Ainda nos cruzamentos assassinos da RS 040 com RS 118 e RS 118 e Bento Gonçalves e José Garibaldi, aqui no perímetro central que entram e saem governos e os desastres se repetem insanamente.

Eis que o repórter Giovanni Grisotti da RBS escancara ao Brasil essa roubalheira desenfreada no Fantástico. As próprias empresas dizem onde devem ter os multadores e fazem os contratos ao seu bel prazer e conivência criminosa de autoridades públicas (sic). Simulam concorrências e levam a parte do leão (60 a 85%) das multas. E é tudo legal – ironia! Os aparelhos pertencem às empresas e elas gerenciam seu funcionamento e lucro. E evidente que tem de lucrar – a nossa custa, ironia caro (e)leitor.

A mídia simplória extasia-se quando algum alucinado é autuado ou flagrado a 120 km/h, por exemplo. Mas quantos milhares são autuados com fotografia e tudo trafegando a 68 km/h quando o limite é de 60 km/h? Pouco acima da margem de tolerância? Conheço diversas pessoas que foram assim multados. Inclusive o autuado – vítima no caso de fraude! – ainda lamenta-se de: – Pô foi tão pouco a mais! O cidadão até acha que realmente estava ou poderia estar levemente acima da velocidade permitida quando na verdade o aparelho está calibrado para… Multar! E multar! Com foto e tudo. E desconhece-se ou são raríssimos os casos que o cidadão recorre à autoridade responsável e obtém algum sucesso.

Qual a similaridade entre a multa de trânsito e a CPMF?

Quando pouco se pode fazer, o humor ainda é uma saída honrosa e menos dolorosa. Seriam as duas umas excrecências? Seriam abusos e roubalheiras? Seriam males necessários? Seriam duas formas de fazer de bobos os cidadãos alegando fins nobres e servindo apenas para enriquecimento ilícito de muitos? Que outras alternativas teríamos quando os meios não estão justificando os fins?

 

 

Espaço de Encantamento!

A poetisa Lúcia Barcelos, tão frequente nos espaços deste editor, receberá logo-logo um espaço pessoal no Jornal Opinião de Viamão.

Exílio

Sempre vou, enquanto fico…

Iludidas retinas que aqui contemplam minha ausência,

meu exílio é nas estrelas.

Mas sempre regresso,

porque não me sacia

o líquido duvidoso da palavra fria:

minha pátria é a poesia!

Por Lúcia Barcelos – Poetisa

 

Goiabas!

É tempo de goiabas! Esqueça a bela e lustrosa goiaba dos potentes mercados. Acredite que ainda existem goiabeiras na selva de tijolos e asfalto esburacado. Ainda existem as goiabeiras semissilvestres em restos de matos sobreviventes. Verdade! Ainda existem nos sítios e em até em terrenos baldios. Você já saiu para apanhar e comer essas goiabas? Você já sentiu o perfume debaixo dos galhos de uma goiabeira de frutos maduros? E de olhos fechados inspirando profundamente?

Experimente! Houve uma época distante de um mundo inacreditável que se disputavam as goiabas com os sabiás, saíras e outros pássaros e apanhavam-se goiabas colocando-as nos bolsos e numa bolsa feita com a camisa ou o casaco. Esfregava-se a goiaba na roupa para limpá-la e comia-se com gana. – E os bichinhos? – resolve alguém interrogar. Dizíamos: – O que não mata, engorda!

E colhíamos goiabas para nossas mães fazerem chimias, geleias da polpa e goiabadas em caixinhas de madeira. Pão com queijo e goiabada estava na merenda que eu comia no recreio do Grupo Escolar Setembrina, sentado numa pedra sob o abraço de uma árvore. Minha mãe era campeona nos doces de goiaba – goiaba em calda, lembrei-me – e fazia-os retirando todas as sementes.

 

Cáqui!

Muitos comem frutas, outros amam as frutas. Estou neste segundo grupo. Acredito que em outra encarnação, ou ainda nesta, deveria fazer fotossíntese. Os cáquis ou caquis da minha infância tinham uma trava na boca ao comê-los. Mesmo assim me deliciava com os chocolates e principalmente com aqueles alaranjados, maduríssimos, escorrendo entre os dedos e pelos braços. Dulcíssimos! Lamber os dedos quando nada poderia perder-se. E depois de uma pelada ali na pracinha da descida do cemitério velho? Ou na casa da tia Dolvira ali nas franjas do estádio do Tamoio?

 

As Pedreiras de Viamão e os Calceteiros!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 16 – 2011 – As Pedreiras de Viamão! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

As Pedreiras de Viamão e os calceteiros!

 

– Muitas criaturas olham e não veem. Outros tocam e não sentem. (T.J.)

 

As pedreiras eram inúmeras desde o Fiúza até Itapuã. Granitos de vários matizes, como tons de rosa e nuances de azul, e durezas diversas. Nossos espíritos primitivos desconheciam a degradação ambiental. Os cortadores de pedras com extrema habilidade tiravam blocos simples e duplos para alicerces de construções, moirões para alambrado e parreiras, cordões e cubos para pavimentação de ruas. Já enviamos nosso granito inclusive para a Itália. Observem como várias ruas são pavimentadas com esses cubos de granito. Os colocadores foram os calceteiros, como o saudoso hispano-brasileiro Manoel “Galego” Sueiro, pai do Dario e do Nonito – histórico do CTG Armada Grande. Depois do piso argiloso aqui do centro ser nivelado, colocavam os cordões em perfeito alinhamento, marcando os lados direito e esquerdo. Depois vinham os caminhões com carrocerias de madeira e carregados e descarregados à mão com areia de rio. Aquela turma de homens no olho do sol ou no alívio das chuvas colocavam os paralelepípedos alinhados ou até marcando o centro da rua com uma faixa diferente. Rejuntados com areia e com “água de cimento” nas sarjetas de muito fluxo de chuva. Grossos canos de cimento do Renner captavam as águas nas bocas de lobo. Tudo isso é de um encantamento e respeito aos guris que se acercavam dos trabalhadores.

 

Bebiam água com limão e como chupavam e comiam laranjas! Melancias tinham suas épocas nesses canteiros vigiados pelo capataz da turma. Um trago da azulzinha da faxina e o dorso da mão e o braço empoeirado nos “beiços secos”. Quatro varas de taquara e uma lonita em toldo para alguma sombra fugaz. A comida vinha enrolada num pano com as pontas em cruz – talvez inconscientemente para abençoar a boia. Farofa de carne de panela, mais salgada ainda pelo insistente suor gotejante das faces de escassos dentes. De cócoras, na batida seca da marreta coloca a pedra e com seu cabo ou uma colher de pedreiro, arrumando a cova na areia para acomodar o bloco.

 

Como escasseassem hábeis cortadores de pedra, os preços dos melhores blocos encareciam. E como a sobra e os restos da pedreira precisavam um destino útil e econômico, surgiu a pavimentação das ruas com pedras irregulares. Baixo custo e mão de obra menos qualificada estava mais disponível, logo qualidade inferior. Muitas cidades conservam seus pavimentos de paralelepípedos sem cobertura asfáltica – o que facilita a filtragem das águas no solo, entre outras vantagens ecológicas – com perfeita manutenção.

 

Quando vemos as destruírem e não reconstruírem com esmero esse patrimônio que é histórico, causa-nos profunda dor. Classificam o centro da cidade de Centro Histórico apenas para exigir dos moradores manter casarios desabando em absoluta obsolescência sem condições econômicas de manter a tapera que na imensa maioria das vezes nada tem de histórica.

 

Quem conheceu a tradicional Igreja e a vê agora, o que sente? O mesmo entendimento aos índios e quilombolas também deveria respeitar o trabalho e o sangue dos trabalhadores e a qualidade do seu legado nos pavimentos das ruas? E aí José? E aí Maria?

 

Via Ápia ou Regina Viarum!

 

A Rainha das Estradas é uma dessas construções emblemáticas da humanidade. Mais de três séculos antes de Cristo, escravos construíram essa estrada de mais de 300 km iniciais com blocos de pedra. Diversas dessas estradas pavimentadas encontram-se em perfeito estado de conservação tanto na Itália como por todo o antigo Império Romano. Inclusive em Portugal. Milhares de anos de admiração e respeito. Daí a conservação do chamado “patrimônio histórico”.

 

Lembram-se de um antigo provérbio – “todos os caminhos levam a Roma!”? A qualidade e a conservação das estradas eram vitais para o rápido deslocamento das tropas militares, das pessoas, do comércio, enfim… A vida flui por artérias e veias em bom estado e cuidado, daí a humanidade lutar contra o colesterol e outras gorduras. Alguém consegue imaginar o mesmo respeito que teria algo assim em nossas vilipendiadas ruas?

 

E por falar de AMOR…   – por João de Souza Machado

 


Tudo está calmo, os ventos já não bramem

e o ontem passou rugindo em tempestades!

Já se acalmaram as abelhas nos enxames

e não há presságios de calamidades.

 

Por ora se acalmaram os Elementos,

antes agitados por forças soberanas.

Foram sentando no fundo, os sedimentos

das naturais imperfeições humanas.

 

Então a Sabedoria chegou perto,

mostrou que nenhum dos dois estava certo,

que era tudo capricho aquele horror!

 

E mandou todo mundo pensar sério!…

Pois pode ruir até um império

quando não fala mais alto a voz do amor.


 

E por falar de AMOR… – por Lúcia Barcelos

 


Não creio ser o amor uma magia,

apesar de crê-lo inspiração divina

soprada ao coração feito poesia!

 

Creio, sim, ser o amor uma graça

Poderosa, Divinal, orbitando no Universo,

que nos é dada como uma canção ou um verso.

 

Porém, como tudo no cosmo é movimento,

O amor merece cuidados, zelo e ternura.

Se não cuidarmos do amor com devotamento

Vai adoecendo, adoecendo, até não ter mais cura!

 

Creio no amor, sim, e até na sua imortalidade,

Desde que cuidado como a um presente dado,

Não é justo ao amor expô-lo à tempestade

Deixá-lo à deriva de um devastador tornado.

 

Amor e conflito não fazem uma combinação boa!

Amor é da alma, e não da ordem material.

Não acho justo ao amor, ser interpelado à toa

por elementos à parte da dimensão espiritual.

 

O amor deve sempre ter prioridade e voz,

jamais ser submetido à  impulsividade.

A impetuosidade ataca como um algoz,

Podendo desferir no amor, um golpe até mortal!


 

Verdureiros de Rua!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 09 – 2011 – Vendedores de Rua! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Verdureiros de Rua!

Nostalgia significa saudade, ou intrinsecamente pode ser compreendida como dor. Como ensina o Filósofo do Apocalipse, o mui famoso e lendário T. Jordans, “pelo desdobre da palavra vemos de algia vem do grego e significa dor, lembra precordialgia, odontalgia, mialgia e outros e nost, é nossa. Daí nossa dor!” Para prurido e dor de cotovelo dos eruditos, novamente o Filósofo está correto. Imagine-se ou coloque-se no centro da área de frutas, legumes e similares de um mercado do padrão Bourbon. É de ajoelhar-se e agradecer aos deuses do capitalismo e da democracia real estar num paraíso ao alcance dos olhos, dos narizes e até da degustação. Imagino que o Jardim do Éden com que o Criador agraciou seus filhos diletos, Eva e Adão, seria melhor porque tudo estava assim à disposição e sem precisar pagar nada nem ao Criador, nem aos seus fiscais.

Na minha longínqua infância na Viamão de ruas de terra com alguma poeira que lufadas de vento poderiam erguer na época do Minuano ou do vento Norte de Finados, mas sem essa buraqueira infernal e destruidora de carros e dentes que se tornaram nossas ruas, havia vendedores de verduras e legumes em latas e baldes. Muitas casas tinham as suas hortas de fundo de quintal e adubadas com o esterco das galinhas depois de bem curtido. O pessoal aqui do centro comprava desses vendedores, a maioria mulatos ou negros da banda do arroio Mendanha. Eram alface e couve, beterraba e cenoura, agrião (“cuidado, lava bem o agrião que ele é colhido dos valos muito sujos” – advertiam os pais) e salsinha com molhos de cebolinha. O verde era verde e o amarelo era amarelo ao natural e com escrúpulos, jamais entupidos de venenos ou aditivos.

Logo surgiram os primeiros carros de mão com os vegetais adequadamente distribuídos e alguns levavam uma garrafa com água para ir molhando pelo caminho. Aquele orvalho forçado trazia jeito de “me leva e paga logo o homem”. Mas o homem também tinha um caderninho ou a cabeça com discutível memória, mas gigantesca confiança na dignidade dos compradores ou amigos consumidores. Todos conheciam todos e isso sempre facilita saber onde está a toca da cobra. Velhaco era defeito grave. Também isso mudou e calote virou defesa, ideologia e governabilidade.

Limão era galego ou bergamota. Cada qual com seus apreciadores e fins específicos. “Limão bergamota na cachaça é coisa de fresco” – alertava um tio. Já limão galego era mais eclético, pois passeava do vinho com açúcar ao tempero diverso. “Cenoura é a melhor coisa que tem pros olhos” – alertava uma tia diante de nós boquiabertos pela sua sabedoria. E continuava solenemente: – “Vocês nunca viram um coelhos de óculos!” – sacudíamos a cabeça em consentimento. Custou cair a ficha!

A minhoca eventualmente enrolada nas raízes servia para pescar lambari no Fiúza. Não tardou para que carroceiros ganhassem mais rapidez e espaço nas vendas dos singelos vendedores a pé. O cabo do relho batendo na madeira da carroça e o grito – “Verdureiro! Olha a verdura aí! É fresquinha!” As donas de casa, em bando, atacavam as melhores “verduras”. Quantas com os dinheiros amassados em rolo e enterrados entre os seios ou “dentro dos corpinhos”. Até os seios eram mais seios, não que a magia do silicone deixe de nos fazer salivar e estralar os olhos e… Isso é assunto para outra sessão nostalgia!

 

Soneto

Por João de Souza Machado

 


Tento escrever-te alguma cousa,

mas nada sai que valha a tinta.

É um impulso que confessar não ousa,

esta minha saudade tão faminta.

 

Faminta de comer tudo o que dizes,

e beber a luz que juntos produzimos

em nossos enlevos de amor. Felizes

os que sentem o que sentimos.

 

Seguimos juntos pela mesma estrada,

vivendo o sonho nessa caminhada,

onde o amor nos toma por inteiro.

 

Talvez como nós, outros caminhantes

nos acenem de páramos distantes,

onde cintila o Belo, o Justo, o Verdadeiro.


 

Sabor dos poemas

                              Por Lúcia Barcelos

 

Neste tempo em que o tempo não espera,

Trago a alma ocupada por canções e poesia!

Sem erguer a voz, apenas coração e pensamento,

Experimento o gosto forte do silêncio.

Neste tempo sem medida e sem fronteiras,

Com a alma banhada em luz,

Acolho as horas cansadas das viagens.

Durante as auroras brancas,

Cato palavras!

Aguardo o acordar do céu, do rio, da flor…

E então brotam poemas coloridos e de estranho sabor!

 

Sarney! – O poder acima do poder.

 

Eis que as quedas de governos e ditaduras que se “eternizaram” no poder estão varrendo o norte africano e tremendo o Oriente Médio. As barbas dos irmãos Castro devem estar de molho nas tépidas águas do Caribe. Mas poucos de nós se apercebem que um brasileiro exerce um domínio tanto visível quanto sutil por mais de cinco décadas. Jamais outro brasileiro exerceu tamanho poder por tanto tempo nesta terra chamada de Brasil por uns e Cabrália por outros. José Sarney é o Cara! Esse sim é o Cara. Desde a década de 50 transita com desenvoltura e poder por todos os governos com ou sem ditadura. Até a Academia Brasileira de Letras foi tomada pelos Marimbondos de Fogo que rejeitaram notáveis escritores. Os caminhos do destino levaram-no à Presidência e ninguém governa sem a sua anuência. Outro dia alguém afirmou: – Lula existiu porque Sarney permitiu! Qual a sua opinião?

 

Sagu! – Alguém não gosta!

 

Existe algum doce mais frequente em qualquer festa e buffet de restaurante que o sagu? Há várias modalidades como o sagu de laranja e o sagu de leite, mas nenhum compete com o sagu de vinho com cobertura cremosa ou em molho de baunilha. Ops! Alguém se lembrou da ambrosia? – Deuses da gula salvem-nos da tentação! Conheço amigos de colocam a mão espalmada ante os olhos ou desviam a face evitando olhar a mesa de doces, pois a salivação e o desejo dificultam-nos apreciar os pratos salgados. A criança que persiste em cada um de nós agiganta-se.