BOAS FESTAS – CLEDI E EDSON OLIMPIO OLIVEIRA

Corisco, Prego e Rosa – Um conto de Natal viamonense – Edson Oli mpio Oliveira – Jornal Opinião – 21 Dezembro 2011

12 Dezembro 21 – 2011 – Corisco, Prego e Rosa – Um conto de Natal viamonense – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Um conto de Natal viamonense

L

embremos o ano da Dor e da Luz – 1954. Enquanto alguns pranteavam amigos e parentes mortos e sepultados no campo santo de Pistoia, na Itália, outros ex-pracinhas da Força Expedicionária Brasileira – FEB persistiam na vida aqui na primeira capital de todos os gaúchos. Nem todas as mutilações são visíveis no corpo. As lesões da mente e do espírito são mais graves. Um ano de muita dor e sofrimento, o Pai dos Pobres, Getúlio Vargas, morrera no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O povo brasileiro abraçava-se aos prantos pelas ruas deste país. Mas a Negra Rosa continuava com sua fé inabalável na santa padroeira desta cidade, Nossa Senhora da Conceição. Uma irmã mais velha, mas havia sido mãe e madrinha desses dois jovens que foram arrancados das peladas no campo da baixada rubro-negra e do matadouro dos Pintos para servirem ao exército – Corisco e Prego.

Corisco era um ponteiro-direito comparado com o mítico Tesourinha, enquanto seu gêmeo Prego era “negrinho alto de pernas finas e joga de cabeça em pé como cobra dando o bote, é um jogador cerebral”, diziam. Corisco fazia da vida das defesas um inferno e sua velocidade e arte tripudiavam dos adversários. A vida tem sempre um senão. O álcool trazido na mochila dos pracinhas afastava-o do futebol e do trabalho de pintor de residências e lançava-o nas noites sem fim das canchas de bocha e de jogo do osso. Numa dessas noitadas de álcool e jogo, recebeu a visita da dama de negro que lhe acompanhava nos delírios de sepultar e carregar os companheiros mortos em combate. Uma adaga assassina tirou-o dessa existência. A cidade comentava a morte violenta, mas as lavadeiras do arroio Mendanha oravam todas as noites pela sua sofrida alma. Apesar dos cuidados e do carinho daquelas negras e negros escaldados pelo ancestral infortúnio de sua raça e de “algum branco misturado” o seu irmão Prego começou a definhar. Havia ido jogar no grande time do Renner onde uma fratura de perna impediu-o de ser o Campeão Gaúcho daquele ano. Logo uma tosse insidiosa assombrava o casebre da Rosa. Prego emagrecia dia a dia. Os remédios da irmã e das negras velhas e sábias não surtiam nenhuma melhora. Era a tísica, como chamavam a tuberculose, que lhe corroía o corpo. Num mundo em que os fortes e poderosos serão lembrados, os fracos e pobres rumam ao esquecimento. Mais Rosa trabalhava para alimentar e tratar do irmão enfermo. A vida agonizava naquele corpo franzino e lacerado pela perda do irmão querido.

As toalhas da Igreja centenária de Nossa Senhora da Conceição quaravam ao sol nos gramados atapetados da margem do arroio. Lavadas e engomadas por Rosa, assim como havia sido por sua mãe e avó. O padre entregava-lhe os panos e tecidos mais nobres para que iluminassem os altares e as festas de Natal. Uma imagem da santa padroeira estava numa singela gruta de pedras e conchas do mar sob uma pitangueira olhando o arroio e suas lavadeiras. Uma vela ardia pedindo graças divinas. Negro Prego talvez não varasse o alambrado desse Natal de 1954. Golfadas de sangue faziam rubro seus panos e leito. A irmã orando ajoelhada com o gasto rosário entre os dedos calejados. Batem à porta. Alguns vizinhos relatam que uma senhora branca com um negrinho pela mão e saída donde ninguém sabia, batia à porta do casebre. Uma claridade da lua iluminava especialmente aquela casa. A senhora tirou um grande e alvo lenço de seus ombros e cobriu Rosa, Prego e o outro negrinho. Os relatos divergem quanto à saída da senhora, alguns a viram subir aos céus para a Lua. Outros juram tê-la visto entrar na grutinha de pedra. O certo − Prego milagrosamente amanheceu curado e logo no Ano Novo viajou para tornar-se um religioso. E como tal foi um dos escassos padres negros que leva a mensagem de Nossa Senhora aos necessitados e perdidos do mundo. Acredita-se que Corisco atravesse os céus pelas mãos da Mãe Divina. – E Rosa? O amor persiste e derrama-se de seu coração e suas mãos ainda trazem conforto e felicidade numa dádiva que a idade não diminuiu.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

Cronista Jornal Opinião de Viamão

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Todos são iguais perante a lei – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 14 Dezembro 2011

12 Dezembro 14 – 2011 – Todos são iguais e Corsan – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

"A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real". – por Ruy Barbosa em Oração aos Moços para parabenizar aos formandos do curso de Direito da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, São Paulo, em 1920.

Um querido e culto amigo depois de longos trâmites legais comprou um veículo em condições especiais de impostos através de legislação específica para certas enfermidades. É um bom veículo, mas poderia ter adquirido um melhor se assim permitido fosse. Sentia-se agradecido aos legisladores e ao governo e apoiava-os. Disse-lhe que estava parcialmente errado. Inicialmente não aceitou que o potencial cliente pudesse comprar um veículo de melhor qualidade e até um importado. Seu erro, como de muitos, não se sustentam numa verificação um pouco mais apurada. A lei beneficiaria a criatura enferma – correto, desde que fosse “pobre” – incorreto. Se tiver um pouco mais de posses ou condições teria que arcar com abusivo custo dos impostos nacionais? Não basta ser enfermo, tem que estar ou parecer em condições precárias ou de relativa miserabilidade. Todos conhecem ou deveriam saber da legislação que estabelece cotas para cadeirantes e idosos em estacionamentos. No espírito da lei da compra veicular anteriormente citada, estas vagas deveriam ser ocupadas por veículos até certo valor. Absurdo. As vagas são para todos, pobres ou ricos. Carros mil ou possantes importados, ao livre arbítrio e posses do cidadão.

O princípio da isonomia ou da igualdade vem de antes de Cristo, lá da democracia grega e tornou-se pétreo princípio legal de todas as democracias. Nas verdadeiras democracias e não arremedos ou regimes de força de esquerda ou de direita. É esse mesmo viés de populismo de ideologias necrófilas que hipertaxam alguns veículos e concedem benefícios fiscais para geladeiras, fogões e tanquinhos. Este é o Brasil das exceções que queremos? Um país que ressuscita castas e promove o ódio inter-racial e étnico? Um país que mente ao dizer que protege alguns enquanto estropia muitos?

A Corsan e a água derramada

Seca rigorosa atormentando diversas cidades e regiões do Estado gaúcho. Racionamento do “mais precioso líquido” depois do sangue humano. Um cano rompido e vazando é como uma veia ou uma artéria humana sangrando sem controle. Quantos já foram duramente penalizados aos descobrirem “excessos de água” em nossas moradias? Uma válvula de banheiro ou um cano que vaza sem sabermos causa-nos um monstruoso rombo econômico em nossos recursos. E quando a Corsan ou alguns de seus funcionários permitem que isso aconteça quem paga a conta? Novamente o contribuinte paga. Pois durante semanas solicitamos que a Corsan corrigisse uma fuga de água defronte minha casa. A funcionária ao telefone é sempre muito cordial e solícita. Mas depois de vários dias “uma equipe” vai ao local e nada faz. Por quê? Os pedidos de providência são quase diários. Quando está próximo de “fazer aniversário” outra equipe vai ao local marcado e assinalado com bandeira e corrige rapidamente. “Pensaram que era uma vertente” – alegou o funcionário. Parece lenda urbana? Cruelmente verdadeiro!

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

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Tereza Batista Cansada de Guerra – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 07 Dezembro 2011

Por Edson Olimpio Silva de Oliveira

12 DEZEMBRO 07 – 2011 – Tereza Batista Cansada de Guerra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Tereza Batista Cansada de Guerra”

A

célebre personagem do singular romance de Jorge Amado “nascido” em 1972 e traduzido em dezenas de idiomas em verbo e imagem teria alguma analogia com a vida brasileira? Passemos ao largo do tema prostituição para evitar constrangimentos e idiossincrasias. A pobre menina órfã de pai e mãe negociada pela tia Filipa com o Capitão Justo, pedófilo e estuprador pode ser usada numa alegoria entre povo e governos?

Leiam as revistas e os jornais do mês passado. Do semestre passado. Do ano passado. Cuidado que o túnel do tempo é longo e pode não ter luz no final. As queixas e os acusadores mudam, somente as vítimas continuam as mesmas. Muitas se permitem violar e vilipendiar com o voto a cabresto, os antológicos currais ou potreiros eleitorais e a persistente cegueira da ideologia radical ou da repetida má escolha. Quando alguns problemas atenuam-se outros se escancaram. No entanto, velhas broncas e safadezas permanecem intocáveis e inexpugnáveis. Alguém se lembrou das sinaleiras do contorno da cidade, do morticínio do trânsito, da insegurança do cidadão, da promiscuidade do poder, da roubalheira desenfreada, das homenagens e solidariedade com os defenestrados, da falta de hospitais públicos, das promessas mentirosas, dos arranjos da governabilidade, dos conchavos e conluios mascarados no salão da legalidade? Ou dos impostos crescentes no lombo ardido do trabalhador, dos salários injustos para a maioria e escandalosos, mas com “merecimento dos direitos adquiridos” para poucos, da falta de vontade política, da eterna luta de classes ou de quem manda e de quem obedece? Vamos em frente que esta fila não anda ou muitas vezes anda em marcha a ré – da impunidade, do corrupto perseguido por “adversários políticos” e do incansável corruptor, da droga infernizando o corpo e a vida ou da droga de vida, dos prostituídos pelo poder e dos “imortais” Capitães Justos?

E quando Tereza Batista encontra seu grande e real amor – um pescador, logo será novamente abandonada. O coração dividido e a vassalagem do corpo ou do eleitor trazem a desgraça para si e para a sociedade. – Povo é esse ente etilista, embriagado, de passos bambos e mente transtornada e tísica de dignidade… – dizia o poeta em dolorosos versos. Quantas vezes o povo é essa entidade abstrata, mas manipulada pelos cordéis e liames dos falsos profetas ou salvadores da pátria. Segmentos da mídia imitam como cães correndo atrás da cauda num rodopio sem fim de tinta, papel e opiniões. Uns anuviados pela fumaça adocicada, há a vassalagem do dinheiro na meia ou na cueca, outros chapa branca, alguns são desmemoriados ou até desatentos da orgia continuada.

Há salvação? Há que ter esperança. Buscando um ensinamento bíblico – “Orai e vigiai”. A resposta não está lá fora – slogan do Arquivo X. A resposta e a solução estão dentro de nós. De cada um. De cada família. De cada escola. Eis aí os dois dedos indicadores em riste apontando as direções da Escola e da Família. Amor e Disciplina ou Disciplina e Amor fazem o alicerce ou a pedra sólida e angular que sustentará todos nós.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

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