Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 25 Abril 2012

2012 – 04 – 25 – Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão”

S

abiamente o povo apregoa que o “Diabo tem todas essas habilidades mais por ser velho do que por ser diabo”. A idade ou a milhagem acumulada de incontáveis vivências e o somatório de experiências dá-nos além das dores na coluna e dos reumatismos uma visão mais abrangente e aprofundada da vida. Pelo menos deveria ser assim. Alguns espécimes masculinos ainda cultuam a sina do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, pois a esposa oficial é para propagar o DNA – para a reprodução. E a(s) outra(s) é para o prazer. Dona Leopoldina sendo a mãe de Dom Pedro II e a titulada Marquesa de Santos – sem Nilmar – jogava no primeiro time. Devassamente! Como as missivas trocadas entre ambos dá-nos o perfil até escatológico do relacionamento.

Mais da metade dos brasileiros estão acima do peso normal. E bem mais joga com o time titular e o reserva, se me entendem. A revista Veja faz matéria mostrando as orgias dos nossos astros do futebol, destacando em fotos o Ronaldinho Gaúcho e seu plantel com um mínimo de quatro moçoilas bem dotadas para cada atleta dos lençóis. – Ainda bem que o esquema dele é com mulher, pior se fosse com homem! – regozijava-se um torcedor. Na década mitológica dos anos 60, o movimento hipie, revoltando-se com a Guerra do Vietnam – nos vários anos de combate morreram menos americanos que em um ano no fatal trânsito brasileiro – trazia o rock-and-roll para os parques, festivais (Woodstock) e ruas e com um lema sempre presente – Faça amor não faça guerra. Ou simplesmente “Peace and Love”. Surgiam os anticoncepcionais e a liberação total do sexo.

Um cientista americano adepto da nova seita apregoava que “enquanto a mulher produz um singelo óvulo mensal o homem ejacula mais de 100 milhões de espermatozoides por vez”. Logo, matematicamente apoiada a tese no sexo amplo, geral e irrestrito… até a AIDS dar uma freada. Logo o acelerador foi pisado mais fundo com o advento do Viagra. A pílula azul e mágica tornou medrosos em destemidos pistoleiros nos leitos, gramados e macegas. Na havia mais velhos. Veteranos sim, mas ainda empedernidos combatentes do tatame de fronhas. As coisas continuaram tão rápidas que surgiu o sexo virtual – transa-se pela internet. Os políticos brasileiros (minoria ou maioria?) conseguiu a proeza de transar e violentar o povo brasileiro repetidamente. Pior – o gozo dos estuprados renova-se em cada eleição.

– E o chimarrão Edinho? – inquieta-se. Pois estamos fazendo a analogia do chimarrão como uma terapia de casais que querem se curtir. O sexo como ato de amor prolongado e esperado. Desde adquirir uma boa erva mate, escolher uma cuia adequada, a habilidade de colocar a bomba, a água na temperatura correta, a posição de pegar e o sugar a seiva desejada, o albardão de erva encimado pelo casal de bonequinhos. Sempre repartindo o prazer entre os dois. Há uma liturgia, ou seria uma leitorgia (liturgia do leito, da cama). Há todo um rito de consentimentos, de preparo e de execução. Uma cerimônia nobre, como os sentimentos expressos e absorvidos no orvalho dos lábios que tocam uma bomba de mate e que é música para o coração. A semelhança do tradicional porongo é a do seio feminino. A liberdade infinita entre quatro paredes vem após as trocas de olhares, nos dedos que se roçam ao receber a cuia e recebem as luzes da divindade quando o amor deixa de ser somente sexo ou uma prosaica troca de fluidos. Chimarrão e amor – viva-se intensamente!

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

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Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 25 Abril 2012

2012 – 04 – 25 – Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Faça Amor não faça Guerra e o Chimarrão”

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abiamente o povo apregoa que o “Diabo tem todas essas habilidades mais por ser velho do que por ser diabo”. A idade ou a milhagem acumulada de incontáveis vivências e o somatório de experiências dá-nos além das dores na coluna e dos reumatismos uma visão mais abrangente e aprofundada da vida. Pelo menos deveria ser assim. Alguns espécimes masculinos ainda cultuam a sina do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, pois a esposa oficial é para propagar o DNA – para a reprodução. E a(s) outra(s) é para o prazer. Dona Leopoldina sendo a mãe de Dom Pedro II e a titulada Marquesa de Santos – sem Nilmar – jogava no primeiro time. Devassamente! Como as missivas trocadas entre ambos dá-nos o perfil até escatológico do relacionamento.

Mais da metade dos brasileiros estão acima do peso normal. E bem mais joga com o time titular e o reserva, se me entendem. A revista Veja faz matéria mostrando as orgias dos nossos astros do futebol, destacando em fotos o Ronaldinho Gaúcho e seu plantel com um mínimo de quatro moçoilas bem dotadas para cada atleta dos lençóis. – Ainda bem que o esquema dele é com mulher, pior se fosse com homem! – regozijava-se um torcedor. Na década mitológica dos anos 60, o movimento hipie, revoltando-se com a Guerra do Vietnam – nos vários anos de combate morreram menos americanos que em um ano no fatal trânsito brasileiro – trazia o rock-and-roll para os parques, festivais (Woodstock) e ruas e com um lema sempre presente – Faça amor não faça guerra. Ou simplesmente “Peace and Love”. Surgiam os anticoncepcionais e a liberação total do sexo.

Um cientista americano adepto da nova seita apregoava que “enquanto a mulher produz um singelo óvulo mensal o homem ejacula mais de 100 milhões de espermatozoides por vez”. Logo, matematicamente apoiada a tese no sexo amplo, geral e irrestrito… até a AIDS dar uma freada. Logo o acelerador foi pisado mais fundo com o advento do Viagra. A pílula azul e mágica tornou medrosos em destemidos pistoleiros nos leitos, gramados e macegas. Na havia mais velhos. Veteranos sim, mas ainda empedernidos combatentes do tatame de fronhas. As coisas continuaram tão rápidas que surgiu o sexo virtual – transa-se pela internet. Os políticos brasileiros (minoria ou maioria?) conseguiu a proeza de transar e violentar o povo brasileiro repetidamente. Pior – o gozo dos estuprados renova-se em cada eleição.

– E o chimarrão Edinho? – inquieta-se. Pois estamos fazendo a analogia do chimarrão como uma terapia de casais que querem se curtir. O sexo como ato de amor prolongado e esperado. Desde adquirir uma boa erva mate, escolher uma cuia adequada, a habilidade de colocar a bomba, a água na temperatura correta, a posição de pegar e o sugar a seiva desejada, o albardão de erva encimado pelo casal de bonequinhos. Sempre repartindo o prazer entre os dois. Há uma liturgia, ou seria uma leitorgia (liturgia do leito, da cama). Há todo um rito de consentimentos, de preparo e de execução. Uma cerimônia nobre, como os sentimentos expressos e absorvidos no orvalho dos lábios que tocam uma bomba de mate e que é música para o coração. A semelhança do tradicional porongo é a do seio feminino. A liberdade infinita entre quatro paredes vem após as trocas de olhares, nos dedos que se roçam ao receber a cuia e recebem as luzes da divindade quando o amor deixa de ser somente sexo ou uma prosaica troca de fluidos. Chimarrão e amor – viva-se intensamente!

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De Corpo e Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 18 Abril 2012

2012 – 04 – 18 – De Corpo e Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

De Corpo e Alma

H

á quem duvide da nova poesia. – Como assim nooova poesia? A poesia tradicional ou clássica acometeu-se de crises existenciais. Alguém lembra alguma letra de música do momento que fale dos sentimentos mais belos? Que fale do amor? As singelas músicas de carnaval são ancestrais. Algumas beiram o jurássico de almeida. A música de periferia fala de realidades e de brutalidades como (mal) comparando o pôster rasgado colado com fita na parede e a tela adornada por suntuosa moldura. – Há espaço para tudo e todos! – regurgita-se. O filósofo do apocalipse, T. Jordans, com sua percepção ferina observou que até a indústria automobilística contribui para o empobrecimento das relações afetivas e humanas. Acho que vale citar aqui algumas de suas apuradas observações.

“Os veículos antigos traziam bancos do tamanho e formato dos bons e amados sofás de tantos amassos e… desamassos. O entrevero era total. Um vale tudo da língua ao dedão do pé esquerdo. Fazia-se amor ao som do rádio e com a lua enciumada por testemunha vertendo lágrimas de prata. Eis que diminuíram os carros e separaram os bancos. E colocaram a alavanca de mudanças, que era ao volante, e o freio de mão entre eles. Freio para frear… também às emoções. Muitos acidentes e empalamentos ocorriam na maldita alavanca de câmbio e no freio. As mentes macabras pioraram com cintos de segurança que impedem uns toques a mais. A mãozinha dela quase não toca mais a coxa ou algo mais dele! Horrível. E colocaram consoles. Cada vez maiores, quase um muro de Berlim. Carregam-se cães no colo, mas mulher… E o rádio deu lugar a toda sorte de geringonças de discos, fitas e cabos. E ainda tem o celular. Tudo para dificultar e distrair. A potência sexual masculina diminuiu na proporção que o som aumentou. É tão cruel que tem carro arrastando a traseira no chão com o som a trocentos decibéis. Se ganha a mulher pelo som, pelo carro e menos por si mesmo e pelo seu desempenho (em todos os sentidos)? O emburrecimento é bilateral. Não escolhe sexo. Nem há sexo definido em muitos pares – ou ímpares. E(leia I) pode? Ipod, ipad, tablet, etc. – poder pode. Dever? – Pô Maurinha, o Roquinho (Roquifeler Dionatam dos Santos) prefere transar com o mouse do que comigo. Beleza que o Gugu (Rodrigo Gustavo) chega mais! – escutado durante sessão de tatuagem.”

Amar-se de corpo e alma. Iniciava-se invariavelmente amando de alma. Era o pulsar crescente do coração apaixonado. A falta da amada? Um vazio que a sua ausência, mesmo temporária, transformava em dores vertidas no papel. Seu perfume. Seus olhos. Seu contorno ao sol nascente nas areias da Cidreira. Seu cabelo surfando à brisa da tarde no calçadão de Ipanema, engasgando com pipocas de chocolate. Passou como o vento. O tempo é de iniciar-se pelo test-drive do corpo. Legal – de gastar a caneta! Muito corpo e preferencialmente quase nada de alma. Tudo é muito rápido. Temporário. Maravilhoso enquanto dure. Tesão. Paixão. Furor. Mil orgasmos – alguns reais! A poesia desce pela ducha do chuveiro e insiste, teima, luta por renascer em algum novo olhar. Numa troca de olhares. Numa gota de cristal na pele ardente… 2012. 2012! Dizem que vai acabar o mundo para começar tudo de novo. Que achas?

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Nomes aos bois – Edson OLimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Abril 2012

2012 – 04 – 11 – Nomes aos bois – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Nomes aos bois

S

uspire! Novamente. Agora bem lento e profundo. Isso! Dê uma boa relaxada, pois essa coluna que já foi carinhosamente chamada de Sonrisal vai ser um colírio para clarear as vistas, ou melhorar a visão. Lembrem-se dos bretes. Aqueles corredores de metal ou madeira que conduzem os animais equinos, caprinos, bovinos e… humanos. Doeu? Ofendeu-se? A generalização jamais é do cronista. Alguns entendem que em vez de atitude bovina, somos forçados viver suinamente. Um horror? Real. – De que esse cronista está tratando? – alfineta-se. Das estradas. Das ruas, estradas e rodovias ou qualquer outro nome ou epíteto para esses bretes em estado deplorável e levando ao morticínio. Continuo indignado. Continuamos indignados?

Quais os números do feriadão de Páscoa? Centenas de mortos. Milhares de mutilados do corpo e da mente. A culpa se rateia entre autoridades incompetentes e mentirosas, crédulos de carteirinha, egoístas, assassinos cheirados ou mamados em álcool e drogas, motoristas despreparados e bretes de asfalto, cimento e terra insuficientes e abjetamente conservadas. Essa figura de imagem, fantasmagórica em sua essência, uma metáfora ou uma alegoria de dor aparentemente sem fim para várias gerações de brasileiros torna-se mais brutal quando o penalizado ainda cai em hospitais ou nauseocômios – perdão pelo trocadilho – sem as condições básicas de prestarem atendimento adequado ou até mínimo.

“O boi que muge do curral ou da mangueira pelo brete pútrido rumo à marretada ou ao choque fatal, vindo a sangrar e morrer no anonimato das boiadas.” – T. Jordans. É uma das faces macabras da banalização da desgraça. Exemplos? Tomem-se de náuseas pela ERS 118. Arrastam-se governos e… na mesma. No final do governo Olívio foi invadida por máquinas, algumas terraplanagens e painéis políticos gigantes aqui entre Viamão e Gravataí. Depois… nada. Eis que o mesmo candidato da época está com a caneta do poder agora e… nada. E os nós dos cruzamentos no entorno do centro de Viamão?

O motorista ao seu lado ainda está berrando ou gemendo no celular? Um enxame de motoqueiros alucinados insiste em espatifar-se contra algum para-brisa ou fazer um túnel em algum veículo. Uma lotação escolar buzina e seu motora dirige cortando um e outro em desabalada e insensata carreira. Um motorista proprietário do brete insiste em trafegar pela faixa da esquerda (de ultrapassagens) enquanto uma fila como a do SUS se arrasta sofridamente atrás da criatura egoísta. No carro à sua frente vai outro desvairado com o braço para fora desconhecendo que a doação do que restar de seu membro jamais servirá para outro. Veículos sem as mínimas condições de trafegar rodam em nome de tudo pelo social – campanha funesta de doação de órgãos ou de auxílio para as funerárias carentes. Ironia? Realidade. Sua inteligência e percepção citarão dezenas de outros exemplos. Tristes exemplos. Repudiáveis exemplos. Ligue-se e sobreviva!

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Realidade e Ironia – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Abril 2012

2012 – 04 – 04 – Realidade e Ironia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Realidade e Ironia

H

á momentos em que a fronteira entre a realidade e a ironia é tão tênue que para o leitor ou ao observador menos atento pode parecer escárnio. Eis que esse amigo, por seus méritos e talentos, galgou a pirâmide social nessa escalada que o Brasil vem apresentando na última década, principalmente. Eis algumas pinceladas de suas observações em nosso encontro:

– Edinho, estou descobrindo coisas que me fazem rir e chorar. Sabias que rico é depressivo? Filhos de ricos são tristes e depressivos?

– Estás fazendo psicologia? Ou com a tua empresa apuraste o olho clínico?

– Sabes que veraneei um tempo no Magistério (N.E.: praia). E agora estou no segundo verão naquele condomínio de Xangrilá-Capão. Foi uma mudança radical no início, mas acreditava que depois a turma ia se entrosar mais. Que nada! Nem conheces teus vizinhos. Todo mundo é de carro com vidros escurecidos e vão direto para garagem. Ninguém fica lavando carro na frente da casa. E parece cidade fantasma, não vês as pessoas. Sabe aquele sonzão de carros ou de vizinhos que não te deixa dormir à tarde ou à noite? Nada disso! É silêncio demais. Não escutas nem berreiro de criança ou briga de casal. O pessoal mal se cumprimenta e pouco se olha. É cada um na sua e… deu. Não tem sujeira nas ruas e nem garrafa de plástico nos lagos. E ninguém pescando nos laguinhos. Coisa estranha. Uns amigos e uns parentes foram me visitar num domingo, a vigilância foi reclamar do som e das crianças correndo pelos pátios. Não há liberdade.

– Mas tem vantagens…

– Claro que tem, mas tá difícil de nos adaptarmos. Sabes que comprei uma X5 (N.E.: camionete Premium da BMW) no Natal? Ninguém nem te olha. Teve um evento com desfile de modas e jantar no salão social do condomínio. Fomos. A nega ficou deprimida e nem rolou assunto com o pessoal da nossa mesa. Os caras vivem em outro mundo. O jantar era um silêncio só. Tu podias escutar um guardanapo caindo no chão. Até fiz um teste, deixava cair e vinha um garçom fardado juntar imediatamente e trocava por outro. Ninguém falando alto. Nenhuma criança correndo entre as mesas e brincando de pega-pega. Ainda bem que não levei as crias desenfreadas. Música suave. Nenhum pagode ou sambão. Uma avó levou um nenê para trocar na sala especial com auxiliares, estava acostumado em restaurantes que trocam as fraldas juntando duas cadeiras e ali já pões pra dormir. Tem um garçom amigo meu que gosta de gritar: – Salta uma maionese que matou o brigadiano pra mesa 10! Lá garçom parece mudo. A TV de 65 polegadas fica na sala ao lado e eu que sempre gostei de comer vendo TV…

Interrompemos o relato desse empresário amigo para que tomemos consciência desse maior choque cultural dos novos ricos brasileiros. Estava escancarada a situação dos adrianos imperadores, ronaldinhos, e ronaldos fenômenos entre tantos outros que com a riqueza quase instantânea geralmente associada com a fama extravasante faziam do futebol, da música ou do show-business um mundo virtual ou paralelo da realidade de suas vidas. Muitos desses astros como Adriano Imperador jamais abandonou a favela material e cultural. Realidades. Novas realidades num Brasil que tem formado e realizado o sonho econômico desses novos trabalhadores. Importante: não entram neste capítulo os RICOS PELA POLÍTICA – canalhas e vigaristas, escroques de todas as legendas e cores, usurpadores de sonhos e destinos. Há uma transição de hábitos, costumes, culturas e principalmente pela educação. Somente a educação soluciona-se e ilumina-se.

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Sono pra que te quero – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 28 Março 2012

2012 – 03 – 28 – Sono pra que te quero! – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sono pra que te quero!

U

m caro amigo e guru das artes físicas alongou literalmente nossa curta conversa entre um aparelho de ginástica e outro. Está naquele estado de pré-pai. Semigrávido. A esposa grávida e ele com as dores antecipadas de um futuro que além de belo é conspirador contra a sua tranquilidade de homem livre para dormir e roncar. Dizemos que as mulheres são seres estranhos e incompreensíveis. Disso ninguém discute ou duvida. Nem elas. E nós poderosos machos da espécie? Desbravadores de terras inóspitas infestadas por pigmeus antropófagos e exímios matadores de baratas que ousam cruzar o caminho de nossas amadas e protegidas, de repente verificamos que nossos dias singulares de futebol e cerveja e papos com os amigos madrugadas sem fim deram espaço para uma vida a dois, um vida de casal. Até aqui estufamos o peito, soltamos o grito de guerra do Tarzan e vamos à luta pelas nossas Janes. Eis que tudo isso começa a ficar nebuloso, pior que Grenal disputado nos pênaltis. Logo seremos pais. Nada jamais será o mesmo. Nunca mais. E não é da responsabilidade e coisa e tal, estamos preocupados com o nosso sono.

Nem sabíamos que sono era algo importante. Alguns até pensam que é somente o descanso do guerreiro entre uma sessão de sexo selvagem ou de sexo terapêutico ou tântrico. Desprezámos o sono em nossa juventude como quem despreza carro a álcool. Até se tem um, mas caracas… Eis que com a vida a dois, descobrimos como dormir em menores espaços. As camas encolhem. E as cobertas? Enquanto ela sua às bicas, você está com frio. Nem vamos tocar no lúgubre hálito matinal ou nos gases dos singelos brócolis. Deus do céu, a gravidez é maravilhosa quando não estamos amedrontados, principalmente pela futura vida de sono no precatório. Observamos os nenês dos nossos amigos e já rangemos os dentes – é muita dureza. Choro, fralda, choro, mamadeira, choro, bico, choro, cólicas, choro e noites em claro. Arquitetamos um plano – as mulheres sempre conseguem fazer os nenês dormirem, afinal elas tem tetas e são mulheres. Mas elas exigem divisão de tarefas – deu pra nós. Não temos tetas para dar leite, logo ficamos com as fraldas e seus conteúdos. E choros. Mas ainda bem que poderemos tirar uma soneca entre uma aula de Pilates e outra. De cinco em cinco minutos vai compensar quase uma hora noturna. Ainda podemos dormir no banheiro, pois a hora da privada é privada e inviolável. Há quem se torne religioso para aproveitar umas sonecas na igreja ou orando. Mulher aguenta anos nessa faina diária, talvez suportemos alguns meses antes de apagar fazendo sexo. Quando conseguimos!

Mas temos as compensações que ficarão gravadas nas imagens fotográficas, pois nem ao certo saberemos se realmente vivemos aquilo ou se sonhamos. A alegria e a felicidade de ser pai é algo imenso e insone. Nunca mais o nosso sono será nosso. O nosso nenê vai crescer, os dentes ficarão em sua boquinha com seus chorinhos e logo engatinhando e caminhando. E o nosso bendito sono acompanhará seu crescimento e num piscar de pálpebras sonolentas ele sairá da infância para adolescência e um novo mundo de preocupações. E nós ali acompanhando suas descobertas e novas noites em claro. Conforta-nos que um dia serão adultos e terão suas casas e suas vidas e seus filhos. Meu Deus, seus filhos serão nossos netos e o ciclo reinicia com maior ou menor intensidade.

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Bagos de touro – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 21 Ma rço 2012

2012 – 03 – 21 – Bagos de Touro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Bagos de Touro

C

onta uma antiga anedota gauchesca que o graxaim deitava-se diariamente sob o pau da mangueira e fitava longamente o escroto balançando do touro Ataulfo. Acredita-se que estivesse esperando cair para comer. Até que um dia morreu ali naquele plantão, mas a ossada continuava mirando e desejando as bolas do touro. A gastronomia gaudéria é fantástica. As estâncias fazem festas nos dias de castração e os testículos são assados e comidos nos braseiros para num ritual de estímulo à virilidade de bombachas. Eis assim o porquê das bombachas – calças bem largas para acomodarem os apetrechos masculinos e evitarem o olho grande dos graxains de plantão. A emasculação também retira o pênis, como diferença. A castração é sempre traumática, para homem e animal. Lembro-me do Capitão Osório Belíssimo colocando um gato com a cabeça dentro da sua bota, deixando o genital exposto para num corte rápido retirar seus testículos sem unhar ninguém. Ou do João Coragem castrando um carneiro. Também as Prefeituras castram os animais que perambulam pelas ruas ou a pedido dos donos. Sempre dá uma náusea privar algum ser de sua natureza.

Há mais de vinte séculos A.C, os chineses usavam eunucos na corte e os meninos capturados, principalmente se mongóis, eram castrados. A Bíblia, como em Mateus e Lucas, cita em várias passagens os eunucos e na mini-série Ester mostravam-se vários deles. Alexandre Magno tinha um amante eunuco, Bagois ou Bagoas. Talvez daí – bagos. Nos harens eunucos protegiam as esposas e concubinas. Não se conhece um sultão sem eunucos a seu serviço ou escravidão e vários são conhecidos no Império Turco-Otomano e no Império Romano. A sodomia (Sodoma e Gomorra) e a felação foram consideradas como práticas pecaminosas ou heterodoxas pelo cristianismo, mas está presente com a humanidade de todas as épocas e continentes. Todo o ato sexual que não fosse para a procriação e perpetuação da família se configuravam como pecaminosos. Daí vem a tradição da burguesia ibérica, principalmente lusitana, de separar mulher-sexo e mulher-esposa.

O mundo mudou. As pessoas mudaram. O sexo se tornou ora claro, ora nebuloso. Essa bela mulher gingando os quadris na Marcos de Andrade, pode não ser realmente uma mulher. Assim como esse garotão com carro de suspensão rebaixada e som a mil, pode ser uma garota. Liberdades e afirmações. Muitas indecisões. Faltam armários ou sobram os escondidos ou dissimulados. Feminilização opcional por química e cirurgia. Ainda há a incidental por esteroides, anabolizantes ou nos líquidos e alimentos. Na Medicina, por necessidade terapêutica, faz a “castração química” em enfermidades, tanto em homens quanto em mulheres. Necessidades e opções.

Incidente na Festa da Uva – 2012

Recebi esse relato de fonte plenamente confiável: − Tive necessidade de ir ao toalete anexo aos Pavilhões na Festa da Uva. Limpos, mas lotados. Insuficientes para o número de mulheres, naquele momento. Estranhei que dois sanitários não tinham portas. Abertos completamente. Num deles, uma gringa suava e gemia contorcendo-se em cólicas. Com as dores e vergonhas expostas pela ausência da necessária porta. Como se o vento Minuano e o Nordestão travassem um combate em sua barriga e saiam em estrépito. Uma amiga confortava-a. Tentava ao menos. – “Que diaréia (um R), dio mio!” Há que se cuidar do que se come em festas, nestes dias de mais de 40º C.

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