Você conhece, você não confia – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Julho 2012

25 JULHO 2012 – Você conhece, você não confia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Você conhece, você não confia.

U

ma grande montadora nacional de veículos usa um slogan semelhante ao título dessa instigante crônica – Você conhece, você confia. Isso para afirmar que quem usa e compra seus veículos está estribado em sólidas razões para confiar agora e novamente. Isso poderia ser usado no jogo eleitoral? Dizia-me um amigo: – Dessa pedra nunca sairá água! – ou seja, ali daquela criatura nunca sairá nada de útil. Talvez seu inconsciente se recordasse a cena bíblica do cajado tocando a rocha e jorrando água. Nem com milagre esperar alguma coisa daquele candidato? O estoico candidato e solene aspirante ao voto popular usará desse raciocínio simples em suas investidas na batalha da conquista do eleitor. Uma amiga dizia-se “atucanada diante de tantas visitas em sua casa, nem sabia que tinha tantos amigos candidatos”.

Cr & Ag

Alguns candidatos estão com todo gás nesse início de campanha política. Outros estão guardando a energia para o Sprint final. No meio está aquela massa amorfa e insossa dos que “estão aí para ver o que vai dar” ou dos que “estou dando uma mão pro partido, sacumé o esquema do cuoscienti eleitoral”. Vários são soldados, poucos são oficiais e raros são os generais. Diversos estão de cola escaldada e orelhas ardidas de outros carnavais, digo, campanhas. Veteranos que cometem exatamente os mesmos erros e que morrerão no escrutínio dos votos, mas que retornarão impávidos e renascidos das cinzas na próxima eleição. É o fenômeno da reencarnação eleitoral e singrando por esse oceano político há que precaver-se de almas penadas e encostos. “Olho grande é bom para criar bastante remela!”- lembrava-me o seu Aldo Cabeleira. Há que precaver-se dos olhudos e dos bocudos. Os olhudos secam até pé de arumbeva. E os bocudos fazem dum siso uma caixa de dentaduras.

Cr & Ag

Esse cara é tão ruim de voto que nem a mulher, os filhos e o cachorro votam nele! – sentenciava numa sala de espera. Há controvérsias. – Algumas coisas são ruins para os rins, mas são boas para os bofes! – diz a sabedoria popular. E cria-se a dúvida: – Donde não se espera sair nada, dali não sai nada mesmo.Mas até estrume tem serventia para adubar! – arremata a outra face do mesmo provérbio. A situação está tão feia que urubu voa de costas depois das imagens do Lula e do Maluf em sorrisos e afagos de mão – dizem as línguas ferinas que trocaram longos abraços e roçar de umbigos – num pacto de fazer ciúmes ao Sarney e todas as demais falanges infernais. – É o Armagedão, cara! – com os olhos caindo das órbitas alegava um amigo gringo e professor com pendores místicos.

Cr & Ag

Todo mundo entende um pouco de política. Alguns macacos velhos ou velhas raposas e, ainda, são exímios manipuladores e negociantes. – Boca de urna, cabeça de juiz e barriga de mulher ninguém tem certeza do que vai sair. – é outra dessas pérolas da sabedoria do povão. Um amigo, enquanto devorava uma costeleta de porco com goles de cerveja preta, dizia ser “favorável ao voto em cotas, pois eles deveriam valer no mínimo uns três dos votos dos outros ou que 80% fossem rateados entre índios, negros, mulheres, sexo alternativo, gambás e crianças”. “A sociedade vai ser mais humana, menos machista e muito menos desigual” – completava. Os humores e odores estão à mostra e ai de quem se atravessar em seus caminhos. Afora o humor salvador da pátria amada e das singelas ironias pretendemos que o eleitor faça com seus candidatos uma sociedade melhor, mais digna e mais justa para todos. Você conhece? E confia?

Cr & Ag

Errata: No jornal Opinião de 18 de julho as fotos e texto da última página foram fornecidos pela assessoria da Brigada Militar, Sargento Alberto, citado no final.

Comando de Policiamento da Capital tem novo Comandante – 13 julho 2012

Destacamos com alegria e respeito que o ex-comandante da Brigada Militar em Viamão foi destacada e assumiu um dos mais importantes cargos na centenária e orgulhosa corporação. É o novo Comandante do Policiamento da Capital gaúcha. Agradecemos ao convite do Coronel Freitas. Nossos votos de contínuo sucesso.

Comando de Policiamento da Capital tem novo Comandante

“Na manhã de sexta-feira (13/7), em Porto Alegre, em frente ao Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, foi realizada a solenidade de passagem de comando do Comando de Policiamento da Capital. O coronel Paulo Moacyr Stocker dos Santos passou o comando ao coronel Alfeu Freitas Moreira.

Esteve presente na cerimônia o Secretário da Segurança Pública, Airton Michels; o Secretário Adjunto da Segurança Pública, Juarez Pinheiro; o comandante geral da Brigada Militar, Sérgio Roberto de Abreu; o subcomandante-geral da Brigada Militar, Coronel Altair de Freitas Cunha; o chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, coronel Valmor Araujo de Mello; o diretor do Departamento de Ensino, coronel Uilson Miguel Miranda do Amaral; o corregedor-geral da BM, coronel João Gilberto Fritz; o diretor do Departamento Administrativo, coronel Eduardo Passos Mereb; o cônsul do Japão em Porto Alegre, Sr. Takeshi Goto, entre outras autoridades.

Durante a solenidade ocorreu, ainda, a troca do comando das seguintes unidades operacionais subordinadas ao CPC, o tenente-coronel João Diniz Prates Godói passou o comando do 1º Batalhão de Operações Especiais ao tenente-coronel Kleber Rodrigues Goulart; o Major Marcelo Tadeu Pitta Domingues – comandante interino do 11º Batalhão de Policia Militar passou o comando ao tenente-coronel Alberi Rodrigues Barbosa; o tenente-coronel Alberto da Costa Iriart, comandante do 19º Batalhão de Policia Militar passou o comando à tenente-coronel Nádia Rodrigues Silveira Gerhard e o tenente-coronel Paulo Ricardo Quadros Remião comandante do 20º Batalhão de Policia Militar passou o comando ao tenente- coronel Jefferson de Barros Jacques.

O Comando de Policiamento da Capital é o órgão responsável da Brigada Militar por todas as ações de polícia ostensiva e de polícia de preservação da ordem pública na Capital gaúcha, envolvendo assim ações de polícia ostensiva à pé, motorizada, à cavalo, bicicleta, bem como a coordenação de ações dos oito Batalhões que prestam serviços em todos os bairros da Capital (1º BPM – zona sul, 9º BPM centro e proximidades, 11º Norte, 19º – Leste, 20º NorteNoroeste, 21º – extremo sul, 1º Batalhão de Operações Especiais e 4º Regimento de Polícia Montada que atuam em toda a cidade, e o CIOSP – Centro Integrado de Segurança Pública, aonde está o 190 e o despacho de viaturas.” (Sgt. Alberto – Assessoria de Comunicação Social)

A dama e o vagabundo – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 18 Julho 2012

18 JULHO 2012 – A Dama e o Vagabundo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“A Dama e o Vagabundo”

A

proveitando o título homônimo do clássico de Walt Disney eternizado nas telas, abrimos o combate novamente para essa epidemia que cresce vertiginosamente na sociedade – a vadiagem consagrada. A humanidade conheceu e aperfeiçoou o homem provedor, aquele homem que provia a esposa e filhos e logo seus pais ou demais parentes de sustento com teto, comida, roupas e o mais necessário. A revolução industrial trouxe a criança para dentro do lar e a mulher para as frentes de trabalho que logo seriam disputadas em ofícios tipicamente masculinos. Sempre tivemos vadios ou indivíduos vivendo parasitariamente em suas famílias ou com o sexo feminino em busca de um porto seguro no casamento. Havia e há uma aura de disfarce do homem e uma hipocrisia da sociedade benevolente.

Cr & Ag

Há quase duas décadas o singular barbeiro Panca, um atilado observador da sociedade, revelava o número assustador de homens com profissão real de marido que enrolavam a plateia dizendo-se corretores. Sim corretores! E muitos com uma pastinha ou leva-tudo zanzavam aqui pelos bares do centro histórico de Viamão City negociando de um quase tudo que na verdade era um quase nada. Muitos esposos ou companheiros de professoras alertava o sagaz observador. Com a benemerência do nosso bolso os governantes espalharam bolsas disso e daquilo para todos os sexos. Eis que esse tipo de homem recebia mais uma facilidade indutora de sua vagabundagem disfarçada ou não. O sustento dos filhos e da família há muito não era obrigação e exclusividade sua. Comida e remédios? Compromisso do governo populista e indutor do parasitismo social ou que a mulher provesse.

Cr & Ag

Uma professora revelava tristemente “o caos nos empregos, pois o marido estava desempregado há quase dois anos, apesar de ser um ótimo motorista profissional”. – É uma vergonha o que pagam para um profissional e o tamanho da jornada de trabalho! – acusava. Trabalhava algum tempo numa empresa e saía por vários motivos que “agridem o trabalhador” e “fazia alguns bicos no taxi de um amigo para ajuda-lo já que andava ruim da coluna… ele não dá sorte” – acrescentava. E culpava do Brito ou Tarso pelo outro caos, o da educação. As mulheres são criaturas fantásticas e, por vezes, indecifráveis ou incompreensíveis em suas lógicas e argumentações.

Cr & Ag

O vadio é uma criatura protegida na natureza, até parece. Quando toda a arte de enrolar, mistificar e dourar a verdade, quando todos os argumentos apontam contra si, eis que a mulher parasitada apresenta o argumento final e intransponível, é a Muralha da China na defesa do vagabundo – “Eu amo ele!” Aí mermão esboroam-se todas as acusações e a criatura fica mais intangível, inatacável e absolutamente incólume. São os heróis da rapinagem, são inspiradores de muitos políticos sedentos e famintos de cargos e mordomias. Eles são a sarna que muitas precisam para se coçarem. Eles preferem o silêncio dos observadores, mas se tornam hábeis nas lides das alcovas e nos quadriláteros dos lençóis. Sua desprezível habilidade ou arte para alguns tem na mira outras potenciais mulheres provedoras, pois ao esgotar ou até ameaçar secar uma fonte nutridora, outra precisará ser acionada. – Damas! Acordai-vos! – dizia uma amiga já no terceiro relacionamento…

O coração da casa – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Julho 2012

11 JULHO 2012 – O CORAÇÃO DA CASA – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O coração da casa

A

credito e venho de uma casta de homens que olham a cozinha com um apreço especial. Longe de ser um cozinheiro ou alguém especializado nas artes culinárias ou ser um glutão. Mas um apreciador da comida bem feita e especialmente feita com o melhor de todos os temperos – o amor. Gosto inclusive dos programas de culinária pela TV e observo como vocês que os mais renomados “chefs” trazem uma marca indelével em sua atividade que são as lembranças das comidas das suas infâncias e principalmente das pessoas que as faziam, particularmente as avós. Todo o treinamento, academicismo e sofisticação jamais diminuem ou apagam essas marcas de nascença, se posso assim chamar. Isso me encanta. Minha mãe, a dona Dora, além de costureira de “mão cheia” era uma cozinheira incansável e hábil. Eu sossegava o guri extremamente arteiro para participar com ela na cozinha. O aroma de suas panelas que me fazia salivar ao chegar do grupo escolar Setembrina se espalhava pela rua e me tornava alguém muito importante, pois meus colegas também os sentiam e manifestavam o agrado e desejo.

Cr & Ag

Levava um bilhete ao armazém do seu Lelé e voltava correndo com os alimentos pesados a quilo. E o pão que ela fazia e deixava a massa coberta por um pano ao sol e depois já modelado em tamanhos e formatos diversos, alguns feitos por mim como estrelas, letras e bichos. Logo eu a ajudava a pincelar as gemas de ovos das nossas galinhas para que depois de assados e prontos trouxessem o brilho e a beleza da luz dourada. Sentar à escada dos fundos para raspar as panelas de doces e cremes. Ralar coco e amassar bolinhas de coco ralado entre os dedos e deixa-las dançar com a língua em minha boca. As festas de aniversários com a casa sendo preparada por vários dias antes. A indefectível galinha com arroz no almoço para minha avó Adiles. As tias que auxiliavam nos preparativos, como a Conceição e a Tereza. A vida andava e se passava na cozinha. A cozinha recebia os amigos e ali tudo pulsava com mais cores, sons, odores e sabores.

Cr & Ag

Minha irmã Shirley aperfeiçoou esse DNA culinário. Pense em alguém com seis filhos e esposo… E sempre ter os pratos ao gosto e predileção para cada um deles. E ainda preparar a casa para os momentos festivos tanto em decoração quanto em culinária! A Copa do Mundo fazia sua casa em verde-amarelo, assim como uma variedade imensa de pratos de rara beleza e eterno sabor. Seus dotes na música e nas artes plásticas eram uma continuidade da infatigável e amorosa mulher que fazia do ofício de dona de casa algo superior a qualquer outro.

Cr & Ag

Eis que dolorosamente vejo esse mundo mudar. E aqui o cronista avisa que não escreve para ser apoiado ou contrariado, mas para o leitor pense e busque os seus próprios entendimentos. Voltando, vejo o mundo piorar. As mães abandonaram os lares e as cozinhas transformaram-se em peças de decoração. Vai à cozinha “quebrar um galho”, quando estão cansados das pizzas ou do comer das cozinhas anônimas e dos bufês de rodízio. Antes, o galho que se quebrava era somente da lenha colocada nas chamas do fogão, hoje é um território que foi se apequenando dentro das casas e apartamentos e algum dia colocarão a geladeira e o micro-ondas em outro lugar e… O homem a cozinhar por diletantismo ou por obrigação de dividir as tarefas do lar. Relacionamentos em que o sexo e o amor pouco irão se sustentar sem outros fundamentos. Tão simples quanto telefonar e solicitar uma pizza é trocar de parceiro-cúmplice-amante de todo tempo. O provérbio popular de cama-mesa-banho deveria ter outra ordem iniciando pela mesa da cozinha do lar. Hoje alguns filhos lembrar-se-ão do amor com cores e sabores de mães e de avós, mas e amanhã nos lares desfeitos e fugazes como fast-food e muitos no pó e na fumaça da insidiosa e lúgubre epidemia do desamor? E você o que cozinhou para seu homem e para seus filhos hoje, ontem, esta semana, este mês ou… este ano?

O coração da casa – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 11 Julho 2012

11 JULHO 2012 – O CORAÇÃO DA CASA – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O coração da casa

A

credito e venho de uma casta de homens que olham a cozinha com um apreço especial. Longe de ser um cozinheiro ou alguém especializado nas artes culinárias ou ser um glutão. Mas um apreciador da comida bem feita e especialmente feita com o melhor de todos os temperos – o amor. Gosto inclusive dos programas de culinária pela TV e observo como vocês que os mais renomados “chefs” trazem uma marca indelével em sua atividade que são as lembranças das comidas das suas infâncias e principalmente das pessoas que as faziam, particularmente as avós. Todo o treinamento, academicismo e sofisticação jamais diminuem ou apagam essas marcas de nascença, se posso assim chamar. Isso me encanta. Minha mãe, a dona Dora, além de costureira de “mão cheia” era uma cozinheira incansável e hábil. Eu sossegava o guri extremamente arteiro para participar com ela na cozinha. O aroma de suas panelas que me fazia salivar ao chegar do grupo escolar Setembrina se espalhava pela rua e me tornava alguém muito importante, pois meus colegas também os sentiam e manifestavam o agrado e desejo.

Cr & Ag

Levava um bilhete ao armazém do seu Lelé e voltava correndo com os alimentos pesados a quilo. E o pão que ela fazia e deixava a massa coberta por um pano ao sol e depois já modelado em tamanhos e formatos diversos, alguns feitos por mim como estrelas, letras e bichos. Logo eu a ajudava a pincelar as gemas de ovos das nossas galinhas para que depois de assados e prontos trouxessem o brilho e a beleza da luz dourada. Sentar à escada dos fundos para raspar as panelas de doces e cremes. Ralar coco e amassar bolinhas de coco ralado entre os dedos e deixa-las dançar com a língua em minha boca. As festas de aniversários com a casa sendo preparada por vários dias antes. A indefectível galinha com arroz no almoço para minha avó Adiles. As tias que auxiliavam nos preparativos, como a Conceição e a Tereza. A vida andava e se passava na cozinha. A cozinha recebia os amigos e ali tudo pulsava com mais cores, sons, odores e sabores.

Cr & Ag

Minha irmã Shirley aperfeiçoou esse DNA culinário. Pense em alguém com seis filhos e esposo… E sempre ter os pratos ao gosto e predileção para cada um deles. E ainda preparar a casa para os momentos festivos tanto em decoração quanto em culinária! A Copa do Mundo fazia sua casa em verde-amarelo, assim como uma variedade imensa de pratos de rara beleza e eterno sabor. Seus dotes na música e nas artes plásticas eram uma continuidade da infatigável e amorosa mulher que fazia do ofício de dona de casa algo superior a qualquer outro.

Cr & Ag

Eis que dolorosamente vejo esse mundo mudar. E aqui o cronista avisa que não escreve para ser apoiado ou contrariado, mas para o leitor pense e busque os seus próprios entendimentos. Voltando, vejo o mundo piorar. As mães abandonaram os lares e as cozinhas transformaram-se em peças de decoração. Vai à cozinha “quebrar um galho”, quando estão cansados das pizzas ou do comer das cozinhas anônimas e dos bufês de rodízio. Antes, o galho que se quebrava era somente da lenha colocada nas chamas do fogão, hoje é um território que foi se apequenando dentro das casas e apartamentos e algum dia colocarão a geladeira e o micro-ondas em outro lugar e… O homem a cozinhar por diletantismo ou por obrigação de dividir as tarefas do lar. Relacionamentos em que o sexo e o amor pouco irão se sustentar sem outros fundamentos. Tão simples quanto telefonar e solicitar uma pizza é trocar de parceiro-cúmplice-amante de todo tempo. O provérbio popular de cama-mesa-banho deveria ter outra ordem iniciando pela mesa da cozinha do lar. Hoje alguns filhos lembrar-se-ão do amor com cores e sabores de mães e de avós, mas e amanhã nos lares desfeitos e fugazes como fast-food e muitos no pó e na fumaça da insidiosa e lúgubre epidemia do desamor? E você o que cozinhou para seu homem e para seus filhos hoje, ontem, esta semana, este mês ou… este ano?

Reflexões & Genuflexões – Edson OLimpio Oliveira – Jornal Opinião – 20 Junho 2012

20 JUNHO 2012 – Reflexões & Genuflexões – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Reflexões & Genuflexões

– É

agora! Ou dá ou desce, ou atemo ou desatemo. Ou fizemo ou desocupemo! – rugia um potencial candidato enquanto sorvia uma loira suada entre garfadas de maionese e costela gorda. A plateia ao seu redor pairava entre a desatenção total e a descrença quase eterna.

– Acho que os caras vão emplacar de nooovo! – uma voz renascida das cinzas de pleitos anteriores reverberou atrás do avental de assador.

Os amigos e heroicos leitores dessas bem ou mal traçadas linhas trazem seus causos para o colunista. Daria para fazer um livro bem humorado em cada eleição. “Somente o humor salva!” – apregoa reticente o nosso inspirado consultor T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Também é de sua lavra: – “O que está ruim ainda pode piorar” e “amor de eleitor e orgasmo de prostituta são farinha do mesmo saco”.

#

– Apresentamos aos amigos correligionários esse companheiro de grande peso para nossa legenda… – discursava emocionado o líder partidário em reunião de pré-candidatos.

Ao fundo, um cochicho: – Só se é de peso morto e da barriga do cara. Tenta e nunca ganha nada. Nem a família deve votar nele. – sentenciava ao colega de auditório.

#

Um colega reclamava de o Prefeito Alex ter aberto o Posto 24 Horas e não prestigiar o Hospital de Viamão. Ao que outro colega lembrava que entre “botar dinheiro bom em algo que está ruim há muito tempo e experimentar algo novo, vale investir no novo”. Realmente o Hospital separou-se da cidade e da comunidade. Enclausurou-se, encistou-se e esse distanciamento é evidente e constrangedor. A população sente e expressa que “vê os recursos públicos sendo literalmente enterrados ali e a assistência piorar”. Infelizmente aumenta o número de pacientes que pede para não ser encaminhado ao Hospital de Viamão. Há os que são agradecidos, felizmente!

Quanto tempo vai durar o Posto 24 Horas ou as sinaleiras da RS 118? São expedientes eleitorais? Pouco importa na realidade dos oprimidos e dos carentes. Pelo menos saiu do papel para a realidade ao contrário do Hospital do Ana Jobim. Dificuldades, problemas, faltam de plenas condições de assistência deverão ser corrigidas agora e pelos próximos administradores da Prefeitura. É pouco, mas melhor do que nada. Seriam vergonhosos dezesseis anos de governo sem atacar e resolver, pelo menos parcialmente, essas chagas da cidade. Que os próximos façam mais e melhor. Que a cidade tenha outros serviços de saúde pública para sua população que independam do Hospital de Viamão (antigo Caridade) ou que possam funcionar em sinergia e com a contabilidade aberta publicamente aos cidadãos.

#

Unimo-nos aos amigos em orações pelo pleno restabelecimento do mais experiente colunista político da cidade. Que o mestre Arruda Pai recupere-se e continue a enriquecer o jornalismo do Jornal Opinião e da cidade.

O cafundó onde Judas perdeu as botas – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 13 Junho 2012

13 JUNHO 2012 – O CAFUNDÓ ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O cafundó onde Judas perdeu as botas.

O

cafundó do Judas. Onde Judas perdeu as botas. Não sabemos de onde e da parte de quem surgem ou são criadas essas expressões ou manifestações da alma de um povo. Certamente o Judas da citação é o Iscariotes, o traidor de Cristo, o que vendeu o Filho do Homem por 30 dinheiros, o enforcado que não morreu e vaga pela eternidade ansiando por uma morte redentora – aqui entram as lendas. Nem sabíamos que usava botas, pensava-se em sandálias? Sim sandálias como as que usavam os demais discípulos oriundos de pescadores. Cafundó significa um lugar distante. Mais que distante… E onde Judas perdeu as botas seria quase o fim do mundo. Para complicar – onde Judas perdeu as meias. Argh!

– Meias?

– Sim, as meias, pois as botas ele perdeu bem antes.

Mais longe e distante de tudo isso estaria o “quinto dos infernos”. Talvez seja o local onde muitos políticos brasileiros vão matear com o chefão do Hades. O senhor absoluto dos reinos infernais não necessita de acordos ou conchavos, nem da caixa dois para manter a governabilidade e rios de fogo e cachoeiras de lava cobram aquilo que nenhum supremo tribunal jamais cobrou. No entanto, o exército de súditos continua crescendo faminto e sedento de poder.

É tudo uma questão de posição de observar e ver e sentir as coisas. É como estar do lado de dentro ou de fora do balcão. Ao lado ou deitado na mesa de cirurgia. Estar no gabinete repleto de bajuladores com as mordomias dos cargos ou na fila do SUS numa madrugada perdida de temperatura negativa com o filho nos braços ou com o pai ou a mãe há cinco dias numa maca esperando uma vaga que chegará quando o familiar do outro deixar esse mundo para um melhor ou… pior.

Os porto-alegrenses tripudiavam dos viamonenses com esse ditado. Os viamonenses aqui do Centro diziam o mesmo dos demais sobreviventes – “esses faxineiros vem lá do cafundó do Judas”. O lugar – a Faxina! Faxineiros – os seus moradores. A Faxina era tudo aquilo após o Passo do Vigário, não confundir com o Conto do Vigário, uma vastidão onde imperava a formiga e os estoicos sobreviventes produzindo mandioca, arroz e gado. E hoje as jazidas de areia roubadas das formigas e do ambiente. Ambiente que já foi meio e fim e agora é uma porcentagem qualquer enriquecendo bolsos e bolsas.

Quantas voltas o mundo dá! De uma semente se faz uma lavoura. Seriam as elucubrações de um feriadão com frio polar e o vento minuano mostrando ou dando-nos uma ideia de como foram forjados os habitantes dessas paragens desse Brasil abençoado que sobrevive apesar… apesar de tudo isso que aí está para nausear até ao mais resistente? – Podia ser pior Edinho! – alerta-me o amigo. Sempre pode piorar.

Entradas Mais Antigas Anteriores