Ex-atletas no esporte e na vida – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 14 Novembro 2012

14 Novembro 2012 – Ex-Atletas no esporte e na vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Ex-atletas no esporte e na vida

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Brasil solidariza-se com Ronaldo Fenômeno em sua atual batalha contra o excesso de peso. Vê-se a toda hora como ex-futebolistas ou atletas de toda ordem entregues à obesidade ou ao sobrepeso tão logo abandonam os esportes de competição. São criaturas submetidas aos rigores do treinamento físico e mental, dietas rigorosas e a vigilância cruel do ponteiro da balança. Muitos, ou a maioria desses atletas são originários de famílias pobres, carentes em alimentação e educação. O sucesso acompanha-se de dinheiro abundante, hotéis maravilhosos, corte de adoradores e aduladores. O apetite oral e o apetite sexual são controlados e sublimados ante as necessidades de resultados cada vez melhores e mais… sucesso.

Cr & Ag

Observem os encontros, festas ou viagens da terceira idade ou com exigem alguns – “da melhor idade”. Há uma predominância absoluta das mulheres. Outro dia contei numa excursão destas: um motorista, quatro homens e trinta e cinco mulheres. Ou os homens estão assistindo futebol e tomando cerveja com São Pedro ou estão tão detonados que esses encontros ficam fora de seu cardápio. Outra observação: a maioria das mulheres ultrapassou a fase do “pneuzinho e do culotezinho”, estão mais para o estágio “jamanta ou patrola”. Não é pejorativo, é explicativo da realidade. Assim com usamos “velha ou véia” tanto num sentido quanto em outro. Usamos como elucidativo para a turma das veteranas e estoicas batalhadoras que jamais se entregam ou desistem.

Cr & Ag

É bonito de ver a velocidade e a vontade como se atiram aos bufês. Pratos com comida caindo pelas bordas e os olhos esbugalhados pelo pavor que não sobrem suas preferências ou no bufê de doces. Repetições e… repetições. Conversam todas ao mesmo tempo, algo que nós homens jamais conseguiremos entender como conseguem essa façanha. E riem às gargalhadas. Espalhafato das sobreviventes e perda dos freios da juventude. Um desses freios era estar bonita e apetitosa para seu homem ou ao macho alfa. A disputa sempre foi grande pelo macho mais apto, mais bonito e até mais provedor. Essa disputa acabou e muitas nem tem mais seu macho oficial e permanente. E nem querem compromissos que não seja consigo mesmas ou com algum familiar. Algumas se idiotizam sendo provedoras de jovens falcões.

Cr & Ag

Toda a regra tem exceções, inclusive a que assim prega. O ser humano tende sempre à luz, à busca da felicidade, à busca do prazer inicialmente para si e, se possível, para o entorno. Eis que duas situações aparentemente distintas e desconexas encontram seus cruzamentos e suas rótulas. Com ou sem sinaleiras ou semáforos de alerta, de proibição ou de trânsito livre. E comer é um dos prazeres da vida. Tanto no sentido literal quanto no sentido da sexualidade. É freudiano? É humano sim. As repressões tem vida limitada, tudo se encaminha para a liberdade absoluta. E a busca do prazer na mesa e na cama tem as suas prerrogativas, suas obrigações, seus limites e seus inesgotáveis horizontes.

Cr & Ag

Eis que ser um ex-atleta gordo ou um idoso ou idosa obesos está no fluxo da corrente normal desse modelo ancestral de existência. O resto é impositivo e muitas vezes necessário para uma melhor saúde física e mental – acreditamos. No entanto quando tratamos com “sobreviventes”, qual é a nossa conduta como médico, familiar ou amigo? Complicou? E quando a criatura alveja: – Na minha idade eu tomo os remédios que o senhor manda, mas não vou deixar de fazer o que gosto e que tenho vontade para tentar durar uns meses a mais!

Sovaco de minhoca – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 07 Novembro 2012

07 Novembro 2012 – Sovaco de Minhoca – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sovaco de Minhoca

A vida como ela é”, parodiando Nelson Rodrigues, colore-se com os cinquenta tons de cinza ou com o espectro do arco-íris e ao cronista compete esse olhar que devassa intimidades e traz a tona os sentimentos do leitor. Quantas vezes o leitor nos diz: – Edinho, escreveste o que eu sinto, mas não conseguia expressar dessa forma. O princípio de Lavoisier de que “nada se cria e tudo se transforma” traz o visível e o risível de todo dia. O cronista pode se especializar numa certa área, assim tem o que versa sobre política, outro apimenta-se com a culinária, aqueles que chutam e goleiam no futebol, passando pelos mais variados temas chega-se ao eclético da silva. O eclético é o cara flex-total. Nada lhe escapa, ou seria que nada lhe prende demasiado tempo. A criatura capta todos os canais e seus chips ligam-se a todas as operadoras, pois além dos sentimentos que o habilitam e movem, está a interação com o leitor. Aqui está a cedilha do “c” e o ponto da vírgula. Ou a cereja do bolo. Sem o leitor fica-se a “pregar no deserto”. É como pastor sem rebanho e como diria T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse: – É cachorro brincando com o rabo.

Cr & Ag

No pilates, na rua, no culto, no mercado, no telefone e na mãe da globalização – a internet – o leitor está sempre atento, inquisidor, participativo e instigante. Cobra e cobra com razão. E faz um enorme bem para o cronista e seu álter-ego. – Cara, não li o resto do jornal ainda, mas a tua coluna é sempre a primeira! – arrepia. Outro: – Edinho Cabeleira, larga dessas de política, sinto falta das tuas colunas de humor, conta outras daquele famoso barbeiro… – o contrário é verdadeiro sempre. Muitos querem a visão e a opinião sobre tal tema político, por exemplo. Tem que se dar trela e muito papo para gregos e troianos, para colorados e gremistas, para o FHC e o Lula. Viamão é uma terra fantástica, quem está longe quer voltar, quem está aqui fala um monte e planeja a aposentadoria no Pinhal ou na Cidreira. A grande Viamão City, ou melhor, a região metropolitana de Viamão é um território densamente ocupado que ao norte o limite é Laguna, ao sul batemos no arroio Chuí, ao oeste cravamos alambrado em Uruguaiana e ao leste lavamos os pés nesta baita lagoa salgada que é o Atlântico.

Cr & Ag

Há controvérsias geradas por ciumentos e outras tribos. O viamonense é um simples e muito humilde por natureza e não se melindra por qualquer mera discordância. Certa feita fui arrastado para uma monumental festa dos Fragas. Tinha Fraga de todo jeito e tamanho. E sexo. Pois quase me engasguei com a costela que estava trinchando com esses meus intrépidos dentes. Tomei um fôlego depois de umas dez tossidas para tirar a farinha do goto. – Dr. Edison (acentuou o I que não tenho no nome) o senhor está errado quando diz que Viamão é a primeira capital… blá, blá, blá. – Como sou um sujeito educado no antigo Grupo Escolar Setembrina e pela bainha de facão da dona Dora, contive-me escutando. Um amigo ao lado quase decepou a orelha, pois se acidentou com a faca que coçava a cabeça. Fui o pai e a mãe da legenda: Viamão, a Primeira Capital de TODOS os Gaúchos. Correu esse mundão de Deus e fez a fama de Viamão crescer mais que feijão mágico. Há que dar aula de leitura – TODOS – para que não suprimam palavras e de história real e não somente interpretada. Mal interpretada.

Cr & Ag

Assim é a crônica e os meandros do cronista ao encalço do leitor. Algumas vezes mais estranho que sovaco de minhoca. Seria politicamente incorreto citar “enterro de anão” como coisas estranhas e inauditas? E… estamos na reta final de 2012 e no alvorecer de novos tempos.

A virgindade e o mensalão – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 31 Outubro 2012

31 Outubro 2012 – A virgindade e o mensalão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A virgindade e o mensalão

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Brasil aparece na mídia mundial por seu exotismo. Ruim ou bom? Alguns acreditam na máxima: – Falem de bem ou de mal, mas falem e falem muito… Noticia-se o leilão da “virgindade” da jovem Catarina. Uma catarinense que colocou a sua virgindade, creio que da anatomia vaginal, num site da internet para leiloar a sua defloração, termo talvez de um arcaísmo na sociedade atual. Os lances começaram com poucos pilas por brasileiros e culminou com um japonês vencendo a disputa e oferecendo 780 mil dólares. Os contratos estão sendo elaborados com os detalhes do entrevero. Surreal? O leilão, o valor ou algo mais? Sites de relacionamento acusam que a “virgindade vaginal” da criatura catarinense não condiz com sua larga experiência e seus “calos” de outras áreas. Acusam línguas ferinas que sendo japonês o desbravador, ela poderá leiloar novamente seu “precioso dote”. A moçoila informa que com o dinheiro criará “uma ONG para casas populares”. Analogia ou alegoria com a linguagem popular que transforma vagina em “casa”. E-mail avisa que está sendo cooptada para alguma “bolsa perereca” e uma certa franquia. Alguém vai negar que isso ocorreu e como já conheci uma moça e sua bondosa mãe que atribuiu a perda da virgindade da filhota a algum alienígena…

Cr & Ag

Como a culpa sempre recai na “burguesia, na elite, na Veja e outras revistas, complô do imperialismo e do capitalismo, dos reacionários de direita e de tudo que não é de esquerda, do FMI”, agora está como uma “perseguição” do Supremo. Lula negou o conhecimento que algo assim existisse e o que existia era algo comum e corriqueiro na política. Apesar do número de ministros indicados e de gente como um Dias Tofoli, o Brasil está assistindo a vitória da lei contra o crime. Assim como não há meio crime, não há meia virgindade ou meia gravidez. É ou não é. Essas lideranças capitaneadas pelo ex-presidente Lula transformaram o PT numa sigla com proprietários. Foi interessante para ambos, mas qualquer partido deveria sempre estar acima de seus líderes momentâneos ou até idolatrados pelo populismo e passionalismo latino-americano. Os partidos devem purificar-se e manterem suas ideias e seus dogmas acimas dos interesses da pessoalidade sob pena de vivermos eternamente de idolatrias, com ídolos com os pés e as mãos enlameados. Mas sempre há quem veja nos irmãos Castro em Cuba e no Chávez modelos de poder para usarem no Brasil. Mesmo na contramão da história. Quem acompanhou minha crônica da semana passada deve atentar para a diferença de “projeto de poder” e “projeto de governo”.

Cr & Ag

Vestais ou falsas virgens! Puritanismo de fachada ou de latrina! Esse Brasil do “rouba, mas faz” ou do “se eu estivesse lá faria a mesma coisa” está estribado, lastreado, alicerçado na “certeza” de que os poderosos são brasileiros acima das leis e, portanto, impunes. A maioria servirá de tapete ou de escada nessa ideologia distorcida para que poucos vivam no Olimpo. Impunidade é a pior enfermidade de uma sociedade. Há como impedir no nascedouro que indivíduos sejam honestos ou criminosos? Há como diminuir e evoluir uma sociedade pela disciplina e nunca permitir a impunidade. Isso deveria estar consagrado nas famílias, nas escolas e na rápida execução da lei.

Cr & Ag

Missa para Waldeliro Antunes da Cunha

Convidamos para missa de 2º. ano de falecimento de Waldeliro Antunes da Cunha, dia 10 de novembro às 18 horas na Igreja Matriz de Viamão. A esposa, filha e familiares agradece o carinho dos amigos e amigas e suas preces de luz.