Devagar e Sempre–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–12 Dezembro 2012

 

2012 – 12 – 12 Dezembro 2012 – Devagar e Sempre – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Devagar e Sempre

– Da série Com Bom Humor há Salvação –

Na vida e no ônibus tudo é passageiro, exceto o motorista e o cobrador – apregoa a sabedoria do motoqueiro. Amigos revoltam-se com a chamada “melhor idade”. E aqui não por sexo, nem no tipo ou gênero e, por vezes, nem no número. Então é a “melhor idade” para quem pataxó? Só se é para a farmácia e para os laboratórios. Como é legal a pessoa gastar mais com doença do que com saúde? – Bah cara, gasto um salário todo mês só com remédio! – poderia estar gastando com festas, jantares, viagens ou outros regalos. Como é legal gastar mais com flores para quem já foi e não vai voltar do que para quem chega? As coisas podem aumentar com a idade, como as orelhas e o nariz – este mesmo não sendo o Lula. Quando nos machucamos na juventude usamos um band-aid, mas naquela famosa idade os machucados rendem emplastros com ou sem sabiá. Sentiram a diferença? Vejam o drama da TPM nas mulheres jovens. Querem a todo pano que a Tensão Pré-Menstrual vá para os quintos de Brasília. Já naquela idade as mulheres anseiam pela TPM. A sigla pode ser a mesma, mas o significado… Tesão Pós-Menopausa.

Cr & Ag

E as vantagens Edinho? – nem tudo se confunde com o cinzento ou com o gris dos cabelos daqueles alérgicos a tinturas ou quando os cabelos crescem para dentro e aparece “aquele beribéri do Parkinson”. As criaturas aumentam o seu convívio social. Vejam quantas amizades novas iniciadas nas salas de espera dos consultórios e nas clínicas de exames. – Quantas colonoscopia já fizeste? Eu tô na quinta, rsrsrsrs! – apesar da saudade do preventivo ginecológico. – Era tão fácil e a gente ainda se queixava – ronrona esticada de Botox. Tem-se mais tempo para leitura. Um amigo leu três livros e várias revistas numa internação para cirurgia da próstata e tenho uma amiga que decorou mais de 1200 bulas de remédios. Logo vai entrar no Guiness Book. Outro dia um vovô no parque admirava e suspirava vendo o netinho tirar tatus do narizinho, não me contive e perguntei qual o motivo do regozijo: – Agora ele bota o dedinho dele no nariz, na minha idade entram dedos de tudo que é cor e calibre na minha próstata e… – uma lágrima brotou no canto do olho facial.

Cr & Ag

E dizem ser bom trocar os prazeres da cama pelos prazeres da mesa. Um amigo acompanha sua barriga de cerveja crescer sem respeitar os nove meses. E diz ter sangue índio, pois nunca gostou tanto de espelho como agora. Uma colega esticou-se tanto que teve que aplicar laser no queixo – cabelos migrados de lugar certo e sabido. Mas tudo tem uma solução, mesmo que seja um enorme soluço, sempre cuidando de contrair os esfíncteres para evitar alguma perda indesejada. Escapes! Esse é outro problema, usavam fraldas na infância sabendo que no amanhã estariam dominando as saídas. Naquela melhor-idade, alguns usarão fraldas sabendo que no amanhã não dominarão mais as entradas. Terrível? Pior quando não se é aposentado do Congresso, ex-presidente, dono de empreiteira ou banco.

Cr & Ag

Um casal à beira da piscina chamava a atenção de um grupo de jovens. Ele: – Querida, pode buscar uma Coca Zero pro teu gato? – lá ia ela lépida e faceira e logo vinha com o refri e um balde de gelo. Ela: – Negooo passa bloqueador nos meus ombros! – ele a lambuzava de creme. E continuava nessa balada de gatinho, meu bem, amorzinho, lindeza e outros predicados. Os jovens encantados com a situação. Eis que a “gatinha” foi buscar um leque e um Sonrisal para seu “benzinho”, os garotos e garotas atacaram o “melhor-idade”. – Que legal coroa. Bacana pacas, véioooo! Cumé que ainda mantém esse gás todo na idade de vocês, só benzinho e gatinha e outros mequetrefes? – Foi que o “melhor-idade” atalhou: – Dizem que estamos casados há trocentos anos, até deve ser, mas a gente nem lembra mais o nome um do outro e vamos nesse embalo…

Vagas especiais

Diria a lei que 2% das vagas seriam destinados a pessoas em condições especiais – grávidas, idosos e deficientes físicos? Há escassas vagas especiais aqui em Viamão City. Esperar que essa horda de motoristas e motoqueiros respeitassem essas vagas é como acreditar que o Coelho da Páscoa põe ovos de açúcar e de chocolate. Nenhuma fiscalização eficiente. Ainda existem os “azuizinhos” viamonenses? Não vemos mais nem aqueles de trinca namorando nas cercanias da Esquina Paulista. Observem defronte o Banrisul, Caixa Federal, hospital e praça da Igreja Matriz, por exemplo. Leis são como filhos, somente parir e jogar à própria sorte e ao mundo… ou vigiar e exigir sua perfeita execução? O cidadão deve fazer a sua parte – respeitar e vigiar e acusar. As autoridades que façam o que lhes compete.

 

007- Novo-dia-para-morrer04

Uma homenagem as belas e talentosas musas do 007.

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Cavando a própria sepultura–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–05 Dezembro 2012

 

2012 – 12 – 05 Dezembro 2012 – Cavando a própria sepultura – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Cavando a própria sepultura

Se você está chocado com o título dessa crônica, então atingimos uma parte do nosso objetivo. Esse é um dos impulsos básicos do animal contido em nós, reagimos à dor. Fazendo a imagem do quadro de alguém com as próprias mãos cravando os dedos e as unhas no solo e arrastando as golfadas de terra e a cova aumentando… Dolorosa imagem numa época natalina? Terrível ainda mais quando nos afloram sentimentos de alegria e de festividades. Outro dia, por vários dias passo por uma dessas lojas de crédito, várias pessoas aguardavam dentro e na calçada para serem atendidas. E isso se repete. As festas natalinas induzem e obrigam que a criatura compre e dê presentes para os amigos, parentes e até para os inimigos. Geralmente um abraço, um aperto de mãos, um beijo ou uma flor são insuficientes neste consumismo desenfreado e estimulado. Lembram que um ex-presidente estimulava as pessoas comprarem? Certamente sua vontade estava também no caos anunciado, do endividamento, das angústias por ter gastado demais e além das suas posses e possibilidades, mas aí seria culpada “a sociedade de consumo e o capitalismo selvagem” e essas rezas tão antigas quanto superadas, mas ainda úteis para alguns.

Cr & Ag

Os olhos esbugalhados e as pupilas escancaradas numa ânsia de consumir cada vez mais e fazendo dívidas no cartão de crédito, no cheque pré-datado, no financiamento longo com carência melosa e atrativa. Há quem acredite que o mundo terminará neste próximo dezembro e as dívidas ficarão para são nunca. A orgia consumista cobrará logo ali adiante a conta em moedas muitas vezes impagáveis ou inalcançáveis e sempre em noites mal dormidas, no consumo de tranquilizantes, na escassez da libido, nos suores e diarreias, nas dores de estômago e um espinhel de sofrimentos para quem foi pescado pela sedução. Sabe aquela comida que até parece apetitosa, mas que nas primeiras garfadas já se mostra salgada ou apimentada demais? Muitos já sentem isso antes de curtir suas compras e sua gastança. Por trás desses sentimentos há outro tão ou mais enganador: – o direito à felicidade!

Cr & Ag

Essa é outra tecla gasta e de escassa racionalidade – o direito à felicidade! Quando a mente descobre essa saída, essa fuga do dever e da disciplina, a boca se enche de razão – “eu tenho direito à felicidade”. O ser humano não se basta jamais. A maioria, pelo menos. O direito à felicidade transita pelos mais diversos caminhos, desde o esforço no trabalho e no banco da escola quanto pelas ruelas da droga e da prostituição. Pela alegria de estar com quem se ama e nos ama como com a depressão mascarada de estar com quem idealizamos, mas trará um futuro tormentoso. O espírito do rebanho é algo antigo e poderoso, pois se “outros fazem, por que não fazemos também”. Esta motivação infeliz leva a manada a acompanhar seu líder ao despencar no precipício.

Cr & Ag

Somos seres emocionais em busca da maior racionalidade ou somos seres racionais seduzidos e devotados ao emocionalismo? O automóvel é um grande sonho de consumo e de realização pessoal, mas andaríamos num veículo com os freios deteriorados ou sem freios? Nosso corpo e nossa vida são veículos de passagem nesta viagem terrena e os freios estão inicialmente na visualização, no aperceber-se, no tomar consciência e ao reagir quando sabemos dos riscos inerentes as nossas atitudes. Evite-se gastar o que não possa pagar não se aposte neste jogador cruel chamado de futuro, delicie-se em ser mais e melhor e não de ter ou apresentar. Somente você tem o poder de decidir a estrada a seguir e a cama onde deve repousar. Amor jamais se compra, assim como a paz do espírito.

 

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“ENCURRALADO” – FILME DE STEVEN SPIELBERG

Elmo do Darci Sandália e Dinho do Aldo Cabeleira–Edson Olimpio Oliveira–Jornal Opinião–21 Novembro 2012

 

2012 – 11 – 21 Novembro 2012 – Elmo do Darci Sandália e Edinho do Aldo Cabeleira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Elmo do Darci Sandalia e Edinho do Aldo Cabeleira

Numa pausa recuperadora do fôlego na aula com o professor Franken Böes discutíamos sobre temas dessa coluna, das expressões quase esquecidas e, principalmente, fatos e pessoas que têm sido eternizadas nas páginas do jornal Opinião, sempre com formidável apoio do professor Pedrão. Na mesma esteira encontrei-me novamente com um dos homens mais corajosos e destemidos de Viamão – o Elmo da Funerária ou o Elmo do Darci Sandália. Invariavelmente o Elmo me trata como o filho do Aldo Cabeleira e saca do baú as caçadas de marrecão em Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e no Uruguai. Heim? Por que da valentia indômita do Elmo? Começa que quem se mete com o Elmo termina sob sete palmos. Os clientes podem queixar-se dos médicos, jamais do Elmo. E esse não teme fantasmas, almas penadas ou assombrações. Quer mais – o homem é uma enciclopédia viva sobre Viamão e sua gente. Há poucos como o grande Elmo. Lembrei-me de outros – o Moacir do Cartório e o Haroldo Franco.

Cr & Ag

Hoje somos ilustres desconhecidos num oceano de população crescente e atribulada em fazer contas e pagar quando puder. Trouxemos para esse luminoso espaço estórias e histórias da cidade e de seus personagens. Lembram-se da crônica “Quem roubou o caixão do Nei Fraga?” As controvérsias persistem apesar do resgate do ataúde. E das lendas de Viamão? E dos causos do tio Cirne? A saudade aflora na mente do cronista esses temas. Os Fragas são frequentes nestas andanças literárias, tanto pelo número de criaturas quanto por suas estórias. Segundo o primo Danilo Malta, quase todos somos de alguma forma parentes nesta cidade ancestral. As famílias separavam-se em muito pela política ou pelas rixas intrínsecas, isso não mudou. E a identificação da pessoa geralmente estava associada ao nome do pai, outro familiar, da família ou da origem geográfica.

Cr & Ag

O mundo torna-se homogêneo pela volumetria. Tudo fica como que pasteurizado, liofilizado, inodoro, incolor e insípido. Há criaturas que comem, bebem, dormem e transam numa corrente ou esteira de linha de montagem. A individualidade busca do sucesso, do ter mais e mais e acaba na depressão do ser menos. Há quem queira e esconda-se nesta massificação do cinzento como das sociedades comunistas de outrora ou ainda perdendo o ranço. Mas o mundo se repete e dois eméritos relojoeiros de Viamão eram colorados fervorosos – o Messilva e o meu querido tio Zé Uia e agora aí está o Alexandre (primo do Danilo) para infernizar os gremistas. Messilva e Zé Uia tinham sido barbeiros inicialmente.

Cr & Ag

Um universo de apelidos. O termo alcunha era usado para a bandidagem. Alguns incorporavam o apelido de tal forma que eram tratados como se sobrenomes fossem. Aí vai meu avô paterno – o velho Olimpio Carneiro, fundador de Estância Grande. O “carneiro” era um apelido e também avô da Maria do Clodoaldo (prima do Danilo também). Voltando ao Moacir do Cartório (primo da minha mãe Dora) e ao seu nobre pai Adônis. Entre inúmeras qualidades do Adônis estava a de orador exemplar. Tenho gravado a cena do sepultamento de um viamonense e nas despedidas finais, o seu Adônis tomou da palavra e em candente discurso trouxe todas as pessoas para as emoções incontidas em abraços e choro entre os túmulos do cemitério central. Esse extravasamento de emoções e sentimentos marcou esse guri viamonense e assisti fragmentos da dor e da coragem desse guerreiro enfrentando uma mortal enfermidade de laringe. Muito me doía silenciosamente olhar sua traqueostomia e a perda daquela voz que tanto tocava os corações. E esse guri pobre foi estudar fora de seu ninho querido, abrir uma grande lacuna temporal e optar por voltar e aqui construir família e profissão e hoje ser o médico com maior tempo profissional em Viamão.

 

Criancas Desaparecidas

 

35 MIL CRIANÇAS POR ANO

A gratidão e o papel–Edson Olimpio Silva de Oliveira–Jornal Opinião–28 Novembro 2012

 

28 Novembro 2012 – A gratidão e o papel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A gratidão e o papel

Sempre repercutem com grande intensidade as crônicas em que citamos fatos e vultos da Viamão querida por todos nós. Um amigo leitor lembra-se de um viamonense que propaga e divulga a sua forma a nossa cidade e seu povo, é o jornalista Rogério Vaz Mendelski. Na esteira das outras crônicas, o Rogério irmão da Marta. A Marta esposa do caro delegado Parobe Magdalena. O Rogério, não importa a emissora, é meu e de muitos o companheiro do acordar, fazer a higiene matinal, tomar café e ir ao trabalho. Há quem discorde de suas posições e de sua ideologia, mas jamais se pode atribuir ao Rogério a fraqueza de personalidade ou o mudar de posição pela “governabilidade”. Talvez tenha sido o jornalista mais agredido e acossado pelo petismo xiita. Dizem que os processos choviam a cântaros em sua cabeça. Não o conheço pessoalmente, mas sei que jamais deixou de ser fiel as suas ideias e ideais, amigo dos amigos e guerreiro implacável pela evolução e melhoria deste Estado. Há que enaltecer sua coragem e seu espírito viamonense.

Cr & Ag

Tenho por rotina e hábito imprimir em papel todas as fotografias importantes da minha família, dos meus amigos e colegas, das imagens que minhas retinas gostariam de fixar e o espírito de reaquecer-se ao relembrar. Da mesma forma, a maioria dos textos que escrevo, mesmo que não sejam enviados ao jornal ou publicados em livros ou revistas. Não sei viver no o mundo virtual com as coisas do coração. Há que haver o toque, o tempo de elaborar os sentimentos, os odores e toda essa gama de emoções que fazem a nossa humanidade amar e sofrer. Imensos arquivos de vídeo e imagem guardados em pastas de computadores soam-me como de um vazio doloroso. Amo o papel e sua capacidade de mensageiro e intérprete da vida. Cada nome dos meus pacientes gravado numa receita ou prescrição é singular. É único para aquele paciente. Não tenho “caligrafia de médico”, tenho a caligrafia de quem ama e torna visível e único o que faz. Não somente os medicamentos são mais legíveis, mas o nome do paciente recebe toda uma carga positiva de respeito e amor profissional.

Cr & Ag

Eis que o jornal deve receber do autor o mesmo cuidado que tem com sua vida pessoal e profissional. Não critico quem pensa ou faz diverso, pois o mundo não nos fez todos na mesma forma primordial e é na diversidade que crescemos e buscamos a beleza. Cultivo a gratidão e a protejo na minha trajetória de vida. Agradeço ao Professor Pedrão Nigeliskii que por esses quinze anos tem sido um amigo de fé e oferece-me esses espaços jornalísticos com absoluta liberdade. Outro amigo querido é o General de Exército Médico Luiz Alberto Soares, escritor, historiador, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) gaúcha e por longos anos da nacional e um mecenas das artes literárias. O Soares é daquelas pessoas que o mundo nos presenteia com a sua amizade e carinho.

Cr & Ag

Perenizar, eternizar, divulgar, abrir o horizonte, estimular o conhecimento e o raciocínio do leitor e… um universo de deveres e possibilidades. Há quem compare o cronista com a mulher. – Como assim? – deve estar-se arguindo o primo Sílvio Boca (primo do Danilo, do Haroldo, da Maria do Clodoaldo, da Leda Barreto… a corda é longa). A mulher deve ser filha, esposa, mãe, neta, amiga, companheira, conselheira, apaziguadora, cúmplice, amante, protetora e tantos outros predicados e outras qualificações em sua existência. Há momentos em que a inspiração é escassa, mas o cronista deve cumprir seu prazo de entrega da coluna. Há quem faça a via curta – copiar da internet e colar. E deu. Aí sempre me bate esses sentimentos, as manifestações dos leitores, como da querida Úrsula Nigeliskii – “Edson, sempre começo lendo o jornal pela tua coluna!”. Amigos mostram recortes de jornais com as colunas arquivadas e rotinas e programas de vida podem ser evoluídos pelo toque de quem escreve e de quem lê. A luz nos traz alegrias e responsabilidades.

Nota de dor e de tristeza

De 2005 a 2012 o Brasil perdeu 41 713 leitos do SUS. A perda no Rio Grande do Sul, no mesmo período foram 2 534 leitos do SUS. O nosso Estado tem o dobro de médicos necessários para um bom atendimento conforme parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sobram médicos, sobram pacientes e emergências lotadas, sobram mortos, mutilados e desesperados, faltam leitos e responsabilidade aos governantes. E falta consciência para uma melhor escolha ao eleitor enquanto sobra ideologia retrógrada, passividade e corrupção.

Seio seco

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