São João – festa e realidade – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

2013 – 06 – 05 Junho 2013 – São João – festa e realidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

São João – festa e realidade

A religiosidade do brasileiro, principalmente o de origem portuguesa, faz deste mês de junho uma festa da alma popular. Em cada recanto do Brasil de todos os santos dançam-se, erguem-se fogueiras, explodem-se fogos de artifício, comem-se amendoim e quentão e exercitam-se simpatias para o próprio São João como para outros santos e divindades. Batizam-se crianças com João e com Joana em homenagem ao santo e também buscando a sua proteção e abertura de caminhos. Este cronista quase foi gravado como João Edson, nada contra os familiares que assim queriam, mas se fosse dada a opção ao bebê, gostei mais de receber o nome do meu avô paterno. Assim como minha irmã recebeu o nome da avó paterna.

Cr & Ag

Enquanto muitos suam sangue na batalha do dia a dia para vencer os compromissos e dar melhores condições para sua família, a realidade brasileira continua contemplando quem vive no atalho e faz do descaminho e da faina predatória uma profissão defendida pela impunidade e pela virulência crescente das criaturas, entidades e ONGs protetoras de bandidos. Faziam-se simpatias para saber se casaria ou se seria feliz encontrando o homem ideal. Uma dessas consistia em colocar uma clara de ovo dentro de um copo com água e deixá-la ao relento. Exposta ao frio noturno e ao luar místico. A leitura matinal contemplava o sucesso ou não da moçoila. Tenros tempos em que se acreditava numa singela crendice e o casamento ainda era uma instituição aspirada pela maioria das jovens.

Cr & Ag

Enterrava-se uma faca no caule de uma bananeira, pulavam-se fogueiras, derramava-se tinta de escrever numa folha de papel que logo era dobrada e deixada sob o travesseiro. Havia tempo e disposição para acreditar no sobrenatural, enquanto os sentimentos fervilhando atiçavam os corações em busca da felicidade. A felicidade passava por caminhos humildes e até simplórios numa sociedade que conseguia separar o bem do mal. A luta para continuar vivo e trabalhando para sustentar-se e aos seus familiares tende a ficar mais difícil dia a dia. As simpatias deram lugar à brutalidade e à perversão impune.

Cr & Ag

Transformem a frase do parágrafo anterior numa brutal realidade em que a bandidagem crava a faca no cidadão e joga na fogueira as pessoas violentadas por sua fúria criminosa. Muitos deixarão de ter um humilde travesseiro para acalmar seu cansaço e acalentar seu sono necessário. Para isso é impossível termos alguma simpatia, no mais amplo sentido. São João continua fazendo a parte dele certamente, mas nós, como sociedade brasileira, espelhamos uma conivência e a uma passividade incompreensível. Você ou alguém que você conhece continua a eleger criminosos e perdoá-los quando vestem a camiseta do seu partido ou da sua facção política.

Cr & Ag

Infelizmente temos que bater na mesma tecla, esperando que os sons acordem cada vez mais cidadãos e acordar principalmente aqueles que ainda acreditam que navegamos em águas tranquilas e que a pirataria somente acontece com as caravelas dos outros. Tendemos a acreditar que o mal está distante e somente acontece aos outros. Já não basta mais “orai e vigiai” há que agir.

 

Imagens submersas!

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Intolerante da Silva – Edson Olimpio – Jornal Opinião

 

2013 – 05 – 29 Maio 2013 – Intolerante da Silva – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Intolerante da Silva

Se você é silva como eu, peço que não se agite em demasia. Acaso você seria um intolerante da silva como eu? Pois caminhamos, remamos ou zurramos num mundo em que se prega a tolerância em todos os graus e matizes. Da religiosa à sexual. Da gastronômica à ideológica. Muitos toleram quem concorda consigo e suportam, a custa de cabelos arrancados, de ranger de dentes e de incontáveis pruridos aos do outro partido. Se for partido, não é íntegral, absoluto, total, logo seria o resultado da intolerância. “Enrolation”? Realidade. Tão realidade que estou neste seleto grupo que não tolera vagabundagem explícita ou camuflada.

Não tolero homem sustentado por mulher dentro do meu intolerável machismo e não tolero mulher que sustenta vagabundo. Sou muito intolerante com bandidos, criminosos de toda a laia, casta e idade, sendo intolerável apregoar que são coitadinhos ou deserdados da sociedade. Não tolero quem assassina queimando viva uma pessoa, como a dentista que sustentava os pais idosos e a irmã doente, por ter apenas trinta reais. Não tolero menor assassino e essas penas malditas e distorcidas que soltam criminosos para cometerem mais crimes, enquanto as vítimas continuam desassistidas e abandonadas pelas hordas de ONGs dos direitos dos criminosos e de políticos defensores de bandidos.

Não tolero quem leva vantagem sem merecimento, principalmente ancorado num proselitismo caduco – ou seria eunuco? – ou na culpa coletiva ou hereditária. Acho intolerável o benefício gratuito, sem compromisso da busca da excelência e da contrapartida. É intolerável assistir a políticos inescrupulosos e corruptos serem novamente eleitos ou reeleitos numa senda sem fim. Não tolero administrador queixoso ou dando explicações furadas, como se todos fossem idiotas, da sua incapacidade de resolver os problemas do seu cargo. Ou resolve ou se demite.

Não tolero esses deficientes de caráter e de vergonha que ocupam as vagas destinadas aos deficientes físicos e idosos. Assim como não tolero essas criaturas que se acham motoristas e tomam as vias públicas como se fossem suas latrinas e seus veículos como armas de guerra. E não tolero essas estradas esburacadas, sem duplicação e assassinas. Não tolero essa gente que não nos oferece segurança e nos impede do direito à defesa pessoal, da nossa família e do nosso patrimônio. Não tolero muito criminoso ser taxado de ativista social e essa escória de pichadores perdoados e explicados como “artistas” enquanto agridem o patrimônio público e privado.

Estou cansado dessa tolerância com a falta de hospitais decentes e postos de saúde em número suficiente para atender ao povo enquanto os poderosos tratam-se sem filas nos melhores centros médicos do Brasil e do exterior. É intolerável culpar aos médicos e demais profissionais brasileiros pela má qualidade da saúde oferecida à população. Não tolero mais culpar a vaca pelo leite contaminado e nem ao bezerro como cúmplice das escancaradas falcatruas. Não tolero escolas que não ensinam e alunos analfabetos funcionais numa educação lúdica e irresponsável de metas e méritos, onde muitos não ensinam para muitos mais aprenderem um quase nada.

Não tolero esse politicamente correto (?) em que professor ou mestre virou um mero trabalhador da educação e o respeito dos alunos e dos pais está abaixo… Do que mesmo? Não tolero essa demagogia que respeitar aos aposentados do INSS é impossível, mas fazer vantagens para jogadores de futebol, perdoar dívidas de caloteiros ou premiar com o sacrifício do povo brasileiro a governos estrangeiros é normal. Deus do céu! A lista é longa e parece não ter fim e é intolerável que o meu espaço não comporte o clamor das pessoas que formam as legiões dos sem palavras e sem plateia. Concluindo: não tolero desamor, humildade travestida e culpar aos outros para fugir da responsabilidade.

 

Chocolate! Chocolate! Chocolate!

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Desilusão! Uma crescente desilusão–Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

2013 – 05 – 22 de Maio 2013 – Desilusão! Uma crescente desilusão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Desilusão! Uma crescente desilusão

Doutor, imagina se o senhor está com meus familiares baixados no hospital? Minha mãe precisa operar a vesícula, meu pai com pneumonia e assim vai. O senhor recebeu a confiança da nossa família e os dias vão passando e a gente não vê nada acontecer para curar ou melhorar as doenças deles. E nós confiamos no senhor e lhe demos carta branca para tomar as atitudes e fazer acontecer, mas nada se vê. – dizia-me um amigo paciente.

– Sim e daí? – perguntei-lhe.

No seu caso, nós trocaríamos de médico e de hospital para evitar desgraça maior. Viamão tá assim doutor, eu e a minha família votamos nesse pessoal do Bonatto e do André acreditando neles e confiando que teriam a mesma capacidade de decisão da sua vida profissional na administração da Prefeitura, mas até aqui nada de real. E vamos parar com essa estória de não ter dinheiro se a Prefeitura tem milhares de empregados. Essa gente está fazendo o que? Ou tem alguém esperando a indústria da licitação? Estamos muito tristes e acho que logo logo vai ter gente com saudade do Alex. – continuou numa extensa e convincente explanação.

E tem mais! Outro viamonense revela sua insatisfação.

O senhor tem que parar de acreditar e defender essa turma que tá aí. Os cem dias já foram para o espaço e nem o básico eles conseguem fazer e dar sinal de vida. Ou estão esperando para o último semestre do 4º. ano de governo? Não foi o Rui Barbosa que disse que “a pena é mais poderosa que a espada”? Pois esses secretários e os eleitos parecem que não sabem disso ou ficam naquelas reuniõeszinhas de partidos botando defeitos nos outros e não cuidam da obrigação deles e da nossa vida. São incompetentes ou negligentes? – manifestava-se com profunda irritação. Continuou: – E confio que escreva isso na sua coluna, pois tem uma turma aí que é chapa branca…

Impressiona o crescente número de pessoas que manifestam a revolta e desilusão com a administração atual da Prefeitura. É caminhando pela rua, no consultório com pacientes ou acompanhantes, por mensagens eletrônicas e em outras maneiras. Raros são os que defendem a administração. Vejam o que disse outro eleitor declarado: – E ainda vem gente do partido falar em projeto de desenvolvimento para Viamão. Parece brincadeira doutor. Se não conseguem tapar buracos, limpar a cidade e mudar esse inferno do trânsito que são coisas simples nestes quase cinco meses, o resto é enrolação de linguiça pra enganar cachorro bobo!

Não é da rotina desse espaço dedicar-me prioritariamente à política viamonense, mas é impossível alienar-se com a crescente desilusão das pessoas que votaram na esperança de mudanças positivas e palpáveis. Assim como cresce a desconfiança da capacidade do secretariado em fazer acontecer com o gigantesco quadro funcional da Prefeitura e o medo de que logo venham as licitações para que outros façam aquilo que os assalariados não fazem ou gerar as famosas indústrias de licitações e do caixa dois – vários se preocupam com essa calamidade nacional. Isso é real e os eleitos devem tomar consciência de que na falta de “pão e circo” o povo vai virar-se contra eles. Ou melhor, está reagindo contra de forma crescente.

Algumas colunas seriam necessárias para estampar a desilusão crescente de tantos viamonenses e inclusive eleitores do Bonatto-André, mas continuo torcendo para que acertem o passo e que Viamão agradeça aos seus eleitos por suas realizações e melhora da cidade e de seu povo.

Angelina Jolie

Angelina Jolie – na arte do caricaturista um tributo à coragem.