Sociedade Partenon Literário – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 26 Março 2014.

 

2014 – 3  – 26 Março – Partenon Literário – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Sociedade Partenon Literário – Histórico

A mais antiga entidade literária do estado, fundada em 1868 ─ anos antes da Academia Brasileira de Letras ─ e que reuniu os nossos maiores intelectuais, completou no dia 18 de junho de 2011 seus 143 anos de fundação. Sua sede administrativa fica localizada na Rua Plácido de Castro, 154, Bairro Azenha, em Porto Alegre.

Instituição pioneira da literatura gaúcha, verdadeiro marco da formação cultural do estado, a Sociedade Partenon Literário foi fundada em 18 de junho de 1868, na cidade de Porto Alegre. Do grupo fundador faziam parte Apolinário Porto Alegre, Caldre e Fião, Aurélio Bitencourt, Aquiles Porto Alegre e outros. A instituição conseguiu reunir os maiores intelectuais da época, incluindo, além dos fundadores, nomes como Luciana de Abreu, Múcio Teixeira, Amália Figueiroa e muitos outros que hoje são nome de rua na capital.

Sempre é bom lembrar que o Partenon Literário, além de divulgar suas obras culturais, teve disposição suficiente para lutar de peito aberto pela alforria dos escravos e pela implantação da República, valorizou o papel da mulher na sociedade, publicou uma revista que virou referência, cultivou uma biblioteca volumosa, realizou saraus concorridos, e se preocupou muito com o ensino, a ponto de ministrar gratuitamente suas conhecidas aulas noturnas. Na sua 1ª fase a instituição durou até o ano de 1885 quando não se teve mais notícias a respeito de suas atividades.

Em 1997 um grupo de intelectuais e simpatizantes da causa literária começou a se reunir visando o restabelecimento da associação literária considerada o símbolo da literatura gaúcha: O Partenon Literário.

Liderada por Serafim de Lima Filho e Hugo Ramirez, a renomada instituição voltou a funcionar encontrando eco nos seus ideais e mostrando à sociedade rio-grandense que o Partenon Literário continuava de pé e apto para dar sua colaboração em prol do enriquecimento da nossa literatura.

Doze anos se passaram e o Partenon Literário continua ativo, agregou muitos sócios, que hoje somam mais de cento e cinquenta. Publicou várias coletâneas oficiais, que hoje somam oito volumes. Trouxe para o grande público palestras memoráveis ministradas por grandes autores como Moacyr Scliar, Sandra Pesavento e Charles Kiefer. Outra grande realização foi o estabelecimento do Núcleo Balneário Pinhal, que tão bem tem representado a instituição naquele município.

Enfim, o Partenon Literário vem desenvolvendo uma série de ações, demonstrando à comunidade rio-grandense que esta entidade criada em 1868 está muito viva, sempre com a intenção de procurar refletir o legado de seus primórdios, mas com espaço para todo o tipo de manifestação cultural e discussão a respeito dos atuais anseios da sociedade.

O Partenon Literário atual conta com 150 sócios, realiza palestras, saraus, publica livros, transfere conhecimento e soma muito para a proliferação da cultura, continuando os ideais de nomes como Múcio Teixeira (poeta renomado), Aquiles Porto Alegre (cronista da cidade), Apolinário Porto Alegre (seu principal fundador) e Luciana de Abreu (a primeira mulher a subir em uma tribuna no estado).

 

O viamonense e presidente do Partenon Literário Benedito Saldanha enviou-me o texto acima. Por falta de espaço nesta coluna deixo de publicar o hino oficial da nobre entidade assim como seu atual quadro diretivo. Com orgulho, sou membro dessa grandiosa associação. Um país, uma nação somente evolui e diminui as distâncias entre seus cidadãos pela educação de qualidade e continuada.  Esta sendo sempre uma determinação e um projeto definido do Estado e do seu povo e jamais dos governantes de plantão ou de secretários ou ministros transitórios e de projetos de poder de qualquer ideologia.

Acrescento o final da mensagem do presidente Benedito Saldanha:

E para coroar toda esta comemoração o Partenon Literário apresenta à Sociedade porto-alegrense o seu Hino Oficial, com letra do sócio Carlos Rampanelli e música e arranjos do sócio Antônio Frizon:

 

 

HINO DO PARTENON LITERÁRIO

 

(Letra de Carlos Rampanelli – Música: Antônio Frizon)

 

Meu Partenon Literário,

Teu ideal libertário

É chama que incendeia

Os nossos corações.

No panteão de tuas glórias

Guardaste tuas vitórias

Sobre todos os grilhões.

 

Estribilho:

Caldre Fião, Luciana, Apolinário,

Múcio Teixeira e todos os demais,

Fostes pioneiros em vossa juventude,

Hoje, heróis, verdadeiros imortais.

 

Meu Partenon Literário,

Teu reviver centenário

É farol que norteia

Nossas mentes e paixões.

O relembrar de tua história

Se aviva na memória,

Nos traz fortes emoções.

 

Meu Partenon Literário,

O teu labor voluntário

É mão qu’inda semeia

Luz e paz nas multidões.

Com tuas lutas e bandeiras

Levaste as tuas fronteiras

Às futuras gerações.

 

 

Atual Diretoria:

Presidente Partenon Literário: Benedito Saldanha

Vice-presidente: Alzira Dornelles Bán

Tesoureiro: Eloísa Porazza

Secretário: Fábio Dullius

Pres. Honra: Serafim de Lima

Conselheiros:

Álvaro de Almeida Leão

Dilmar Xavier da Paixão

Felipe Raskin Cárdon

Lourival Villas-Bôas

Carlos Rampanelli

Alda Paulina Borges

Margarete Moraes

Floreny Ribeiro

Celso Porto

Departamento Tradição e Folclore: Cláudio de Sá

Departamento de Música: Antônio Frizon

Departamento de Teatro: Eloísa Porazza

Departamento de Cinema: Vilson Santanense

 

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O meu café – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Março 2014

 

2014 – 03 – 19 Março – O meu café – Parte 2 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O meu café – Parte 2

 

 A

doro um café de beira de estrada. Aquele café de caminhoneiros alojado nas garrafas térmicas ou nas seculares máquinas de café que na verdade apenas mantém quente o café previamente feito. Nos saudosos tempos de motociclista, o aroma do café trespassava a bruma matinal e nos acompanhava no dorso da moto por longos quilômetros. Café geralmente de uma humilde casa de agricultor traz sonhos realizados. Muitos motociclistas relatam esses mesmos sentimentos, como o maior motociclista viamonense – Luizinho Zavarize. A delícia de estacionar a amada moto, abastecer seu tanque e abastecer nosso corpo e nosso espírito com um bom e perfumado café. Por vezes, um pouco doce demais. Nada é perfeito aqui.

 

Cr & Ag

 

Você deve ter o “seu café” como eu tenho o meu. Um poeta escreveu e vaticinava: “depois do sexo, um cigarro e um bom café”. Cigarros matam cedo e deixam impotentes. A tendência era de poetas morrerem cedo pela tísica (tuberculose), mas bebedores de bons cafés tendem a ter belas longevidades. Para tudo há limites. Inclusive para o amor? E uma mulher te cativa também pelo seu café. Veja uma mulher fazer um café! Há um ritual próprio, peculiar em preparar uma oferenda ao seu deus, que passa pela escolha do café, da cafeteira, das xícaras ou outros recipientes, guardanapos, a extrema limpeza das bordas e do pires, a colher, algum complemento para emoldurar a sua obra de amor e de cativar. A temperatura ideal não deve queimar os lábios nem deixar a sensação de frieza. A bandeja ou entregar a xícara na mão permitindo um encaixe de dedos ou o sutil toque de peles que se eriçam. Há mais. Muito mais. Permita-se ver e idealizar ou sonhar. Há homens que não atentam (até agora pelo menos) para esses detalhes e rituais. Outros não valorizam devidamente. Infelizmente. A vida se faz nos detalhes e se descortina nos seus mistérios nas suas parábolas.

 

Cr & Ag

 

– Pra mim, a mulher tem que ser boa de cama! – escuta-se. São relacionamentos pouco duradouros e nada com escassa ou ausente qualidade perdura. Já curti muito o café na arquibancada do meu time do coração. Tardes de sol escaldante, a moleira a ponto de fundir ou derreter, eis que passa o homem do café e ali meio que de lado, atravessado como lagarto em beira de estrada, derrama o café no singelo copinho plástico e sorvia aquele líquido maravilhoso e… refrescante. Meu pai Aldo, por vezes, levava sua caneca na mochila. Eu sempre me espantava com sua previdência e pessoalidade. Nas caçadas de marrecão, ele era o primeiro a chegar ao acampamento e os demais companheiros vinham extenuados pela várzea gritando pelo “café do seu Aldo”, pois o perfume magnetizava qualquer um. Uns sentavam num toco de madeira, outros jogavam-se nos sacos da bagagem, mas me deslumbrava vendo o prazer em seus rostos com os goles de café lentamente sorvidos nas canecas de alumínio ou de louça(porcelana).

 

Cr & Ag

 

Há lugares em que me encontrei com o meu café. Minas Gerais faz um café dos sonhos do mais renitente e empedernido mortal e em qualquer parada de beira de estrada ali te espera uma bebida própria dos deuses. O aroma te persegue pela estrada e quantas vezes parei a moto no acostamento, retirei o capacete e agradeci a vida que o Criador nos oferece. Outro lugar – numa ida à Santiago do Chile. Caminhei com minha esposa algumas quadras para que o GPS olfativo dela (muito mais sensível que o meu) localizasse a cafeteria da origem desse café mágico. A vida não está na riqueza dos bens materiais ou no poder dos homens sobre a natureza e os demais seres humanos, a vida está naquilo que desfrutamos e aprendemos e entendemos dela.

 

A magnitude da existência, a beleza inolvidável da vida está nas coisas mais singelas e humildes, nos detalhes que nossas acuidades e nossos sentidos nos mostram e o café, o meu e o teu, são parte da alegria de viver e de conviver. De amar e ser amado!

 

Soldado e o gato

Moto não tem idade

O meu café – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Março 2014

 

2014 – 03 – 12 Março – O meu café – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O meu café – Parte 1

 

P

oderíamos iniciar pela célebre frase: “há café e cafés”. Vou aproximá-lo do meu café, com respeito aos “cafés” contrários ou dissidentes. Até admiro quem gosta de cafés incrementados com chantili, licores estupefacientes e afrodisíacos, cafés italianos em máquinas somente italianas, cafés tirados com requintes de arte e verdadeiras obras primas de invulgar beleza estética. Admiro a arte detalhada em imagens pinceladas na espuma. Mais envoltórios, mais nos afastamos da essência original. Como apreciar a companhia e idealizar-se com ela pelo seu carro, por suas roupas ou por suas joias? E o sagrado conteúdo, o âmago da pessoa, sua essência vital iriam lhe transmitir o que?

 

Cr & Ag

 

Atribui-se a descoberta do café a um pastor etíope que observou suas cabras (ou carneiros?) comerem frutinhas de arbustos nas regiões montanhosas e quanto mais comiam, mais ativas ficavam. Experimentou o fruto e gostou. Um monge ao saber do fato, usou as frutinhas para conseguir orar longamente sem dormir ou cochilar. Algo assim é a lenda dessa bebida que se espalhou pelo mundo e sendo em grandes épocas a principal cultura brasileira de exportação. Épocas em que bebíamos aqui somente aquele café rejeitado pelos importadores e seriam descartados e jogados aos animais. Esse era o café do povo brasileiro que não tinha liberdade, poder aquisitivo, cultura e educação suficientes para escolher algo melhor.

 

Cr & Ag

 

Minha mãe Dora, exímia costureira, fazia sacos de café com tecidos diversos para colocar no bule e coar o café. Ela tinha marcas prediletas, tecidos preferenciais e técnica pessoal para passar o seu café. Havia a hora do café com leite de vaca (vaca mesmo!) e hora do café preto e todo um esquema do descarte do café usado (borra), lavar e secar o coador. E a magia de acordar pela manhã e ficar na cama sentindo o aroma do café sendo passado na cozinha. E ‘me fazendo de linguiça’ e rolando na cama, fazendo que ainda dormia para ser chamado pelo meu nome, lembrando-me da da escola e do banho (que dureza), mas terminando com o “café tá pronto”. E o café da avó Adiles em fogão de campanha com lenha acesa todo dia e o “leite recém tirado da teta da vaca” e em grandes canecas com canela em pó.

 

Cr & Ag

 

Eu e a gurizada do bairro do Cemitério e do Mendanha fazíamos cabanas imitando ocas de índios nos matos da vizinhança. Caçávamos preás, sabiás e pombas do mato. Cozinhávamos aipins e batatas-doces. Eram banquetes reais no imaginário de crianças de uma época em que se caminhava por toda Viamão sem nenhum perigo ou risco além das nossas próprias brincadeiras e arteirices. Época e lugar em que as crianças eram crianças sem estatutos. E fazíamos o café no fogo de chão ou sobre uma chapa de folha ou ferro. Quando a água do canecão fervia deitava-se colheradas de perfumado café. Aguardava-se um tempo e com um ferro em brasa ou um tição rubro fazíamos o café descer lentamente ao fundo do recipiente. Nessa hora mágica a gurizada largava as brincadeiras e vinham correndo atraídos pelo divino aroma. Distribuía-se nas canecas com o cuidado para o café permanecer em seu leito no fundo da lata ou canecão. (continua)

 

Pensamento Ofegante! – O que é que dorme com a filha, ama e vive com a mãe e morre com a avó? Resposta em http://www.edsonolimpio.com.br

 

Resposta: A maquiagem. Na mulher jovem dorme com ela após festas, baladas ou pela preguiça de uma correta limpeza de pele. Na mulher mais madura a maquiagem está plena. E adorna as feições da idosa em sua vida eterna.

Boa Vista-Roraima 19-29 ABR 2007 058

Imagem de um gigantesco painel na Venezuela. Imagem fotografada por esse cronista.

Morgana 2007 - 2

Saudosa companheira de longas viagens – Morgana!

Liturgia dos Corpos em Vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 26 Fevereiro 2014

 

2014 – 02 – 26 evereiro – Liturgia dos corpos em vida– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Liturgia dos Corpos em Vida – Especial de Verão e Férias

"Nossos corpos são nossos jardins, nossas vontades são nossos jardineiros.”

Our bodies are our gardens, to the which our wills are gardeners. "Othello", Scene X – por William Shakespeare.

A

 primavera já carrega os ares da liberdade, a ruptura dos grilhões do gélido inverno em que somente no interlúdio do aconchego íntimo e amoroso a nudez é consentida e idolatrada. No então, o verão é a plenitude da exposição e a necessidade de retorno ao útero e berço de toda a vida – o oceano. É nesta mágica conjunção de corpos e água que o resplendor da vida acontece em forma, cor e odor. A beleza transcende o detalhe e há tribos para todos os gostos e sintonias. Do estrógeno à testosterona. Do lúdico e platônico ao intenso e carnal. Da letargia do banho solar ao frêmito dos sentimentos que transbordam. É a magnitude formidável da vida usando todo o tempo fugaz dessa existência terrena.

Somos seres de contato e de amor tanto com nossos similares quanto com a natureza esplendorosa. Assim não há feio para perdoarmos ou aguilhoarmos, todos são belos dentro da sua essência e possibilidade de nossa humanidade. Justo, talvez, pela transitoriedade de nossos corpos e a certeza de seu ocaso exige-se, necessita-se da luz solar, da água, da brisa quente, do mar, a explosão da vida exposta em corpos com a mística da existência que transcende e logo ali no horizonte irá liberar sua alma para voos mais intensos.

Há garotos e garotas de Ipanema, da Cidreira e do Capão, de Camboriú ou de Punta dos pruridos da juventude em flor de polinização intensa aos prateados dos veteranos que saboreiam a vida com as nuances do vinho magnífico e único sorvido e degustado com o prazer das horas sem fim e longe, muito distante, do garrafão dos ébrios e aprendizes. A vida se ajusta no equilíbrio do ajuste constante entre os desiguais, cada um com seu universo e seus dons. Com suas alegrias e satisfações.

As correntes de pensamento se ajustam canalizadas pela ideologia da vida em plenitude, na liberdade de ter e usar, de ser ou de parecer, de enfeitar ou de despir. De exteriorizar o abraço trepidante com o beijo úmido de paixão. Novamente e sempre a mesma umidade dos sentimentos aflorados comparece com os fluidos da manutenção da existência e das novas gerações encubadas no amor ou nem tanto.

Transitamos pelas sombras e por tantas névoas, mas jamais deixamos de aspirar e de sermos seres de luz. Invariavelmente agradecemos a cada nova manhã, amamos o sol que nos aquece e transpiramos o agradecimento divino estarmos nessa terra tão maravilhosa que nos atura, suporta e ousa persistir em nos manter com a liturgia de corpos em vida.

 

mulher espelho