Equador em Viamão City – 2014

 

2014 - Equador em VM 22014 - Equador em VM 3

Casa preparada pelo Dr. Jose Leonardo Espinoza para receber seus conterrâneos na Viamão eterna.

2014 - Equador em VM

Anúncios

Viamão – imagens especiais – 2014

2014-Clarice 2

 

Antiga Rodoviária viamonenses e os novos táxis. – por Clarice Severgini

2014-Clarice 6

Tradicional Caixa D´ Água decorada para a Copa – por Clarice Severgini

2014-06-20 17.18.58

2014-06-20 17.26.502014-06-20 17.27.43

O por do sol de Viamão – espetacular – leia a crônica do dia 01 julho 2014.

O por do sol de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 01 Julho 2014

 

2014 – 07 – 01 Julho – O por do sol de Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – WWW.EDSONOLIMPIO.COM.BR

O por do sol de Viamão

 

O

lhamos e não enxergamos. Escutamos e não ouvimos. Quantas coisas e fatos e evidências estão ao nosso lado ou à espreita numa curva do tempo? Como o esposo que tem as roupas arrumadas, os botões em seus devidos lugares, o xampu que nunca falta no banheiro, a comida à mesa a espera de sua degustação e a mulher ou eterna namorada que se perfuma e coloca aquela roupinha para esperá-lo. Ou ainda, sem brigas ou desgostos para deixá-lo ver os jogos da Copa do Mundo com seu conforto e prazer e o simples reconhecimento passa ao largo. Como se tudo fossem obrigações solenes antes de serem atos de amor. Ao contrário, nas mesmas medidas, aquele homem e namorado eterno que acompanha, estimula, incentiva e cerca-a dos maiores atos de amor e ela sente-se magoada por não receber bombons na Páscoa. É da vida e de nossa humanidade tantas e mais vezes desligada, simplória, desatenta ou descompromissada com a gratidão e o reconhecimento real do amor que jamais se escora ou ampara nas datas simbólicas do consumismo ou da generalização com a perda das individualidades.

 

Cr & Ag

 

O por do sol de Viamão! Não alucinei. Zero álcool, talvez uns 90 % amor. Semana passada, carimbei o passaporte em 6.3 (com corpinho de 6.2) e neste último ano, após 43 anos de Medicina, ousei enveredar por caminhos para mim inexplorados. Como um Livingston na África do meu ser. A maior parte da minha vida, da juventude até aqui, estive entre quatro paredes – consultório, bloco cirúrgico, plantões 3 a 5 vezes por semana. Assim aproveitei a minha vida profissional que é a minha pessoa com o amparo absolutamente abrangente da minha família. Eis que outro dia estava escrevendo, digitando algo quando me deparei com a sala complemente vermelha. Como se tomada pela cor do meu amado Colorado. Ou “pela cor do sangue de Cristo”, como diria sempre o querido padre Raphael Ignácio Valle. Lancei o olhar pelas largas janelas de vidro e o céu estava rubro, tons de vermelho incandescente refletiam-se como nunca tinha visto antes aqui na terra que me viu nascer. Um manto divino e rubro cobriu-me com uma sensação e um sentimento de profunda gratidão.

 

Cr & Ag

 

Depois de mais de seis décadas de vida descobri (em tempo) que Viamão City tem um maravilhoso por do sol. E por um tempo não medido fique à janela recebendo as luzes escarlates dessa benção real banhando meu ser. Há momentos na nossa existência em que ficamos em comunhão com o universo e com a divindade. Quantas vezes fui sentar à beira rio em Ipanema, com um saquinho de pipocas e… sim. Também! E apreciar o sol beijando o Guaíba ir tingir o pampa. Ou em outras regiões do planeta que tive a felicidade de visitar. Agora estava ali o Sol iluminando-nos enquanto surfava no horizonte com a torre do Seminário Maior e o Morro Santana por cenário. Alguém me falou “das coisas que perdemos durante a existência”. Realmente alguns perdem e perdem até a vida na ânsia desenfreada pelo poder, pela matéria que se recicla, pelo consumo com pouco sumo, enfim, por essa estrada que todos devemos trilhar em busca da evolução pela Luz do entendimento e pelo Amor. Nada perdi! Tudo ganhei com a Medicina e se agora posso desfrutar e absorver um por do sol na minha casa, na cidade que escolhi para viver, há uma felicidade incomensurável. E minha gratidão. Absoluta gratidão! (Imagens em http://www.edsonolimpio.com.br)

 

Cr & Ag

 

Um pensamento inquietante! Quando um “pacto pela governabilidade” se transforma em “formação de quadrilha”?

Religiosidade no litoral gaúcho – 2014

DSCN0457DSCN0458DSCN0459DSCN0460

A religiosidade no mar do litoral gaúcho com o batismo nas águas.

Formatura na entrada do Campus da UFRGS–Agronomia / PoA

Formatura - Campus da UFRGSFormatura 2

A alegria de uma realização após uma longa jornada de vida com sacrifícios. Estacionei e fotografiei a cena que nos remete a algum lugar de nosso passado.

Histórias & Estórias Médicas – Volume IX – 2012 – Participação de Edson Olimpio Oliveira.

2012 - Histórias & Estórias Médicas IX

Imagem

Viamão – uma história não revelada – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Junho 2014

 

Viamão!

 Uma História Não Revelada.

 

Véspera de Natal. A tarde buscava o seu repouso diário em alguma coxilha desses campos sem fim do Rio Grande. O clima estava como o coração de muitos gaúchos – triste, melancólico. Há vários dias que um vento minuano, destemperado para essa época do ano, trazia rajadas de um frio cortante. As árvores perdiam o sorriso de suas flores primaveris. O Rio Grande sofria as mortes de uma guerra medonha em que irmão lutava contra irmão. Sangue derramando sangue fraterno. Novamente, não haveria risos de alegria e muito menos a paz em muitas das casas espalhadas em torno da monumental igreja.

 

A igreja construída por escravos e portugueses com paredes de tijolos e barro fundidos com as conchas trazidas do oceano há cerca de 100 km ao leste era o testemunho religioso de uma fé cristã. Sua face voltada para o norte como a pedir clemência ao império estabelecido no Rio de Janeiro. No entanto, suas costas viradas para o sul acompanhavam os animais que são fustigados pelo clima inclemente. Campos Açorianos era um dos nomes dessa região.

 

Trincheiras abertas no perímetro externo do povoado ainda colecionavam defuntos por sepultar. Mas as maiores e piores trincheiras estavam nos corações. Logo o minuano, um vento seco, abre passagem para seu irmão o vento sul e, sem alívio, uma garoa açoitava os que ainda ousassem permanecer na rua ou teimassem em estar com as portas de seus comércios abertas. Logo a senhora noite desceu seu véu negro sobre o povoado. Com dificuldade, lampejavam chamas bruxuleantes pelas frestas das pesadas portas e janelas. Algum fogo de chão denunciava o labor de galpões.

 

Uma figura trôpega e um cão. Um homem? Sim! Um homem e um cão. Seria mais um andarilho? Mendigos com a mente transtornada pelas batalhas vagavam pela região. Algum espião disfarçado? A criatura andrajosa bateu na primeira porta. Quando o dono atendeu, o candeeiro em sua mão iluminou uma face muito envelhecida e disforme. Deu um passo para trás e segurou o cabo da adaga em sua cintura. O mendigo queria um pouso e com certeza uma comida quente. Mas o homem o escorraçou. Ao que o cão em defesa do amigo, cerrou os dentes e crispou o lombo. O medo, a feiúra, a mutilação ou preconceitos obscenos teria isso causado?

 

O miserável andarilho tentou a casa seguinte. A recepção foi pior, pois um dos filhos do proprietário jogou-lhe os dejetos contidos num penico. Assim continuou, sempre com a mesma acolhida – enxotado. Restava-lhe a igreja. Arrastou seu corpo depauperado escadas acima. Encontrou a porta cerrada. Nem a casa que os homens haviam erguido em homenagem a Deus, o aceitava.

 

Voltando à rua enlameada, cinco cavaleiros irromperam. Estacando a montaria, o que parecia ser o chefe, ordenou-lhe que desaparecesse ou seria morto. Açoitando o cavalo mergulhou na escuridão chuvosa. Ao erguer os olhos, o andarilho vislumbrou que um dos cavaleiros havia ficado para trás. Era um lanceiro negro. O negro enfiou a mão na mala de garupa e retirou um pão e deu-lhe. Naquele instante em que as mãos do negro e do andarilho seguravam o pão, o lanceiro falou-lhe:

 

 Cristo esteja contigo! – e voltou a acompanhar  grupo.

 

O andarilho e o cão saíram do povoado e não muito longe dali encontraram uma enorme figueira. Buscou abrigo entre as suas raízes. A árvore centenária espalhava longos braços que envolviam uma rocha. Ali ele buscou refúgio da chuva, do vento frio e… de certas pessoas. Dividindo o pão com o fiel amigo, olhava para o céu.

 

As palavras do lanceiro negro ribombavam em sua cabeça. Eis que o vento cessa num relance. O céu para de chorar. As nuvens correm para outras paragens. E a lua surge como uma deusa ancestral que arrasta em seu manto uma miríade de estrelas. E o céu se ilumina. As poças d’água reluzem o pulsar do universo. O andarilho sente a luz penetrar por seus olhos. Sente a luz varar seus trapos e vibrar sua pele. Como a circular em seu corpo doente.

 

O cão lambe amorosamente suas mãos. As chagas e os dedos mutilados ganham luminosidade.  Ele olha em direção ao povoado e agradece a um Deus que há muito havia renegado. Um Deus que lhe permitiu estar ali agora e não dormindo em sacos ou pelegos imundos em algum galpão. Seus olhos derramam grossas lágrimas e num choro arrancado do fundo de uma alma que julgava não ter mais, grita por um perdão já concedido pelo Criador. Seus pulmões vibram perdoando a quem mal lhe fez. Então, cai de joelhos. Convulsivamente chora e balbucia nomes e lugares. Súbito, olhando para o espelho d’água, distingue uma forma perfeita. Um homem jovem e sadio. Ali está refletida a imagem daquele que um dia foi ele. E ali ele sente como se uma energia divina saísse de seu coração, irradiando ao seu amigo cão e se espalhando pelo local, pelo povoado e como numa explosão de uma estrela de luz atingisse a todos.

 

 

Dia seguinte. Um lanceiro negro vasculha a periferia do povoado. À noite passada, houve uma explosão e, como por um encanto místico, todas as lamparinas, candeeiros e velas apagaram-se e acenderam-se sem que nenhuma mão humana os tocasse. Eis que escuta um uivo. Cavalga em direção aos uivos. Vê o cão do andarilho. O animal está como a lhe chamar. Freia o cavalo. O cão desaparece entre as poderosas raízes da figueira. Os segundos parecem eternidades. O andarilho está ali morto. O cão repousa a cabeça no colo do companheiro e num último suspiro, entrega à guarda do corpo a outro amigo. Um homem escaldado nas piores adversidades da vida, com o coração a tamborilar insanamente em seu peito, sente os olhos marejarem e as pernas a tremerem. A mão esquerda do andarilho está colada à rocha e ali deixa uma marca. Como se uma mão em brasa fundisse o granito, marcando, tomando sua posse. Ali o andarilho foi sepultado. E também o seu cão. Logo a guerra terminou. As pessoas souberam do acontecido. E, por várias gerações, ali brotava um lírio selvagem e uma vertente de água cristalina, como um friso de lágrimas entre as raízes. E aos olhos e sentimentos do mundo, a mão gravada, esculpida, na rocha. Assim foi realmente forjado o nome desse povoado de Viamão, mas que por uma vergonha e culpa que rasgava o espírito dos habitantes, justificou o nome da região por outras maneiras.

 

 

 

Nota do Autor: Viamão – Rio Grande do Sul, minha cidade natal, considerada a primeira (ou segunda – outra controvérsia) capital do Estado tem na origem do seu nome uma fonte de mistérios. Atribuem uns que deriva da visão de rios visíveis do alto da torre da igreja que confluem formando "uma mão". Outra versão seria de uma família rica que residiu no local – os Viamont. Enfim, estórias e histórias são contadas. A verdadeira?

 

 

 Igreja Matriz

Entradas Mais Antigas Anteriores