Medo de Dentista – Edson Olimpio Oliveira – original Setembro 2002

Memória.

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EDSON OLÍMPIO SILVA DE OLIVEIRA

                       

O MEDO DE DENTISTA.

 

            Este é o local onde touro que é touro se ajoelha; macho que é macho se agacha e valente que é valente se lava suando como mulher parindo”.(T. Jordans).

 

            Pois é, corajoso e intrépido leitor se há um local onde não existe valente é em consultório dentário. Tem criatura que até passa pela outra calçada só para não escutar o sibilar, o silvo sinistro daquela máquina, broca ou caneta de alta rotação, como é chamada pelos odontólogos. Ah, o barulhinho já nos deixa de cabelo em pé. Um arrepio gelado desce pelas costas e logo se manifesta com o sonoro: — Onde é o banheiro, moça? Tenho um amigo que diz: — Medo mesmo eu não tenho, o que eu tenho é receio da mão do dentista escorregar e me cortar a língua ao meio.  Concordo que possa ser um medo real, pois falador como é, linguarudo como só ele, até que não faria mal tirar um meio metro.  E o pessoal fica se entreolhando na sala de espera. Os pés parecem estar desacomodados dentro dos sapatos, pois não param nunca. Faltam bolsos para todas as mãos, alguns parecem ter umas cinco. Um outro está lendo a revista de forma invertida e ainda não se apercebeu. O rapaz alto, não tira o raibã, talvez para esconder alguma lágrima, apesar da namorada ficar lhe esfregando a mão e cochichando: — Calma, benzinho, só vai doer um pouquinho e se eu agüento tu também pode… E a sala de espera está cheia. E é fantástico quem está ali de sangue doce, ficar só assistindo. De repente, um grito: — AIAIIIIIIII! Um moreno forte, tipo Adilson Maguila perde o freio e sai derrubando uma velha porta a fora. No que é acompanhado por um rengo pálido. Pálido agora, pois ao chegar estava vermelho como gringo bebendo vinho em garrafão. Com o berro diminuiu quase a metade do povo.

 

            Cada vez que o dentista abre a porta e chama o seguinte, um empurra a vez para o outro. Foi numa dessas que um carteiro perdeu dois dentes e fincou um pivô de ouro e não escapou da conta.  Todos suspiram quando outro paciente entra. Estão como gado no brete. A única vantagem é saber que ainda não está na sua vez. A moça loira abana a mãe com uma revista: — Ela é meio nervosa e sempre ameaça desmaio quando a coisa fica preta; güenta aí um pouco, mãezinha, que vou buscar um guaraná pra ti tomar com um diazepam. Nisso sai um gordo com um lenço encharcado de sangue e cuspindo nos pés dos outros. A camisa está banhada de suor. O polegar segura um chumaço de algodão na boca: — To legal, o dentista é bom pacas, distraiu um queixal e não senti nada, queria pontear, mas não deixei, eu sou é macho. Durou pouco o regozijo. O homem amoleceu as pernas e emborcou derrubando os óculos do magrão. Nisso uma magrona que se escondia no canto, ao lado dos guarda-chuvas, arripiou-se, dizendo: — Estou com ameaça de gravidez e não posso fazer anestesia. E deitou o cabelo rua a fora. Levantava poeira com os chinelos. Nisso o cara lendo a revista virada, falou: — I, I, I, I, eee, eu tam-tam-tam-também mi-mi-mi vou a-a-a-aju-ju-dar e-e-ela. O desgraçado além de covarde ainda era gago.

           

            Hoje, a situação é outra. Esses acima são fragmentos de memória de nossa infância e adolescência. Tudo agora é mais fácil. Tudo é moderno. Os cirurgiões-dentistas contam com aparelhos sofisticados. Até raio laser. Dentre em pouco, arrumaremos os dentes sem precisar abrir a boca. Tenho um amigo que se propõe a tratar os dentes dos pacientes pela Internet. Isso só para provar que dentista não trabalha só para boca aberta. É tudo com anestesia. Até anestesia geral. O indivíduo dorme e ao acordar está de boca nova. Dor, nem querendo. Nunca mais se ouviu a história do dentista calçar a criatura com o joelho no peito para tirar algum dente. Nem aquela do cidadão que sentou na cadeira e ao não saber qual o dente que doía, mandou tirar tudo ou até parar a dor. E dor de dente sempre foi algo terrível: — Muito pior que ganhar filho atravessado, — dizia a velha Benta. Teve um caso em Viamão do sujeito que se enforcou naquela figueira defronte a Escola Adventista por uma dor de dente. Era uma época danada. Mas ainda bem que vivemos em outros tempos. Mas somente uma coisa ainda não mudou: — alguns de nós continuamos com MEDO! Apesar dos dentistas serem essas criaturas fantásticas com suas brocas e raios maravilhosos…

 

 

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“Moradores de rua” – nossos fieis amigos são protegidos pela Dra. Naimara – 2014

Dra. Naimara Scarppetti persiste em sua luta para dar melhor qualidade de vida a esses nossos eternos amigos.

Imagens realizadas por CSevergini.

Outros amigos e amigas acolhem, alimentam, tratam de cães abandonados na cidade num trabalho de grande valor e significado.

2014-07- Casinha de cães de rua em Viamão City by CSevergini

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Memória – Lili da CB ou Lili 3 Socos – 19 Julho 2014

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2014-07-19 - Memória - Lili da CB ou Lili 3 Socos

A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Julho 2014

 

2014 – 07 – 22 Julho – A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

http://www.edsonolimpio.com.br

 

A pátria de ferraduras

 

“O

 que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. – Nelson Rodrigues. Quando o presidente Lula usou ofensivamente o termo “complexo de vira-lata”, lembrei-me do “anjo pornográfico”, um dos epítetos do mestre Nelson Rodrigues. Em outra ocasião a presidente Dilma usou o mesmo termo rebatendo acusações e queixas de Ronaldo Fenômeno. A derrota no chamado Maracanazo em 1950 repetiu-se em progressão geométrica com o Mineirazo. A derrota contra a Holanda fazendo a soma chegar aos dez golos em dois jogos é a rubrica final de um desastre sem precedentes na história do futebol brasileiro e mundial nas circunstâncias em que aconteceu. Algo assim deve sair das quatro linhas do campo de futebol, dos alambrados, dos estádios superfaturados, das estruturas temporárias ou complementares e das infraestruturas sempre prometidas e raramente concretizadas.

 

Cr & Ag

 

E foi com Nelson Rodrigues, o reacionário emérito, que recordei outra de suas pérolas literárias e também complementares – “a pátria de chuteiras”. A derrota humilhante no campo esportivo deve ser levada para análise e comparações de dois povos. O povo dos “vira-latas” e o outro, os germânicos. Entre a estadista Angela Merkel e a “presidenta” Dilma Rousseff. Entre o “jeitinho brasileiro” e a eterna síndrome do malandro e o trabalho duro e persistente. Os quase quarenta ministérios e o famigerado pacto pela governabilidade que tanto mal e asco nos causa por sua sórdida realidade de compadrio perverso ao “vira-lata” que trabalha, estuda, viaja precariamente, vampirizado por impostos malditos, de tantos políticos corruptos e incompetentes, de eleitores vassalos e outras anomalias nacionais estende-se a federação brasileira de futebol em simetria odiosa noticiada pela imprensa livre.

 

Cr & Ag

 

Assim gestou-se “a pátria de ferraduras”, que como cantava sabiamente Zé Ramalho em O meu país – “este não é o meu país”. Somos da legião que não é “vira-lata lulista” e não vive nessa “pátria de ferraduras” em que o mérito de estudar e trabalhar e de ser honesto é somente para utilidade desses aproveitadores que todos identificamos e muitos ainda aceitam. Assim como tentamos sucessivamente identificar as exceções. A educação deficiente em número e qualidade solda as correntes que amarra nosso povo. As vantagens populistas criam o caldo de cultura para que aboletados em entidades ditas de classe vivam do trabalho alheio e se intitulem trabalhadores. Fermento para “passar de ano” mentirosamente nas escolas e “rodar” nos concursos da vida real que exigem preparo e conhecimentos básicos. Acabaram com os professores e com os mestres substituindo-os por “trabalhadores em educação”, para que nada ensinem e ninguém aprenda?

 

Cr & Ag

 

Bandidos e criminosos estão em qualquer sociedade e país, diferem pelo temor de infringir as leis e a certeza de sua punibilidade. “Até a Argentina tem prêmio Nobel! A Alemanha tem uma centena de Nobel!” – dizia uma professora livre e independente. E completava: – E o Brasil quantos? Nenhum! Serve como parâmetro para alguma comparação de civilização? A Coreia do Sul segue comparando seu povo com os outros melhor sucedidos e seu povo e sua indústria espelham no progresso crescente seus resultados. Acreditamos que “Deus é brasileiro” e “somos o melhor povo da terra”, no entanto, o Criador exige merecimento de seus filhos para que colham os frutos do seu trabalho e a terra seja próspera e feliz. Uma parábola! A pessoa sentada sobre a chapa fervente de um fogão sentia-se queimar, cheirando carne queimada, quando se chegou um menino e perguntou-lhe: – por que não sai daí? Por que não troca…? Ao que o queimado respondeu: – mas será que aí está melhor ou vai ser igual? E o menino: – Aí sabe que vai queimar e torrar e aqui…

Nelson Rodrigues - A pátria de chuteiras

 

Grafite por Eduardo KobraNelson Rodrigues por Kobra

Rui Barbosa 3

Nelson Rodrigues

Casa na praia – Alegria ou Castigo? – Memória – Crônicas & Agudas – Edson Olimpio Oliveira – Julho 2014

 

 MEMÓRIA

Série: Rir ainda é um bom remédio

 

Casa na Praia: Alegria ou Castigo?

 

Segundo o heróico Joãozinho Trinta: Quem gosta de pobreza é rico, pobre gosta é de riqueza, do bom e do melhor

 

Outro dia, escutando um esteticista capilar – nome politicamente correto do primitivo barbeiro – deparei-me com fragmentos da vida desse colunista e, quem sabe, de muitos de nós.

 

– Companheiro, tô preocupado. Tá chegando os dias das minhas férias e já tô perdendo até o sono. – Dizia-me.

 

– Esse baita verão! Um sol de rachar coco e eu ainda não criei coragem de ir para a orla. O litoral sabe? – Acrescentou.

 

– Mas sei que até compraste uma casa lá pela praia do Magistério… – Disse-lhe.

 

– Comprei mesmo. Esse vai ser o nosso segundo verão lá. É um rancho simples. Fiz mais um quarto pro guri e uma meia-água como garagem, churrasqueira e um banheirinho. Dá muito bem pra nós. Sabe como é depois que tu sai de um fusca, passa por um Chevete e estaciona com um Gol e já tem onde não pagar aluguel aqui em Viamão, a gente se prepara para um ranchinho na praia. É o sonho. Mas o verão passado foi um pesadelo, um inferno. – Sacudia a cabeça com a fronte encrespada.

 

Já imaginando desgraça, quis saber o que acontecera.

 

– Sabe como é família? E pobre o que mais tem é cachorro e família. É parente que tu nem conhece. Quer dizer, vai conhecer na praia.  concordei com a cabeça. Começou tendo que levar a sogra junto. A velha até que é legal, pois cozinha muito bem e cuida das crianças na praia. Sabe aquela tesão que dá na gente depois do almoço? A velha levava as crianças para a sorveteria para dar um tempo e sempre saía se rindo. Mas a coitada tem um problema de intestino. Pode comer coisa de rico, mas o que sai… O que sai… O banheiro, a casa e até os vizinhos ficam empestados. Manja carniça de bode? Muito, muuuito pior! E um dia, ao puxar a cordinha da descarga, a caixa ainda caiu na cabeça dela e teve que levar seis pontos no cocuruto. Mas ela é de menos. – o olhar perambulava pela sala.

 

– Teve um dia, um domingo, que tinha cinco carros e duas motos lá em casa. Nós somos de cinco e tinha vinte e três pessoas. Vinte e três, contei bem. Sabe o Zé, meu irmão, ainda trouxe a família do cunhado e um eletricista que é vizinho dele. Mas o eletricista trouxe um saco de carvão, cinco salsichão e 1 kg de costela seca. A mulher do cara era um dinossauro, no tamanho e na fome. A maioria só trouxe a boca e a bunda. Conseguiram cair dentro da fossa depois que um carro quebrou a laje e entupiram os dois banheiros. Dei uma prensa e fizemos uma vaquinha para comprar uma carne e uns tomates. Cerveja? Eu tinha um estoque guardado para todo verão. Tomaram tudo até às 11 da manhã. – era uma lamúria de dar dó.

 

– De tarde, tinha resto de melancia, uva e gente dormindo em tudo que era canto. A filha do Zé e o namorado se fecharam no quarto da velha e…  A minha nega quase pediu divórcio, pois queriam que ela ficasse de empregada dessa gente toda e ela dizia que eu tinha que escorraçar esse povo. Mas eram parentes meus e dela. Se ela mandasse os dela eu mandaria os meus… Já não via a hora de chegar à noite e esse povo se arrancar. Chegou à noite. Uns foram mais cedo. Outros bem mais tarde para escapar do congestionamento da estrada. Aí quando outros queriam ficar para “ir na segunda bem cedo”, eu sacudi os arreios. Dei um esporro. Me fiz de doido e corri com as belezas. Alguns não voltaram, felizmente. Outros apareceram, infelizmente. E assim foram as férias na praia… – completou com a face sofredora e despediu-se.

Sabrina Dalbelo e Paulo Abrão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Julho 2014

 

2014 – 07 – 15 Julho – Sabrina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Sabrina Dalbelo – uma nova Luz na literatura

 

Orgulhosamente apresento essa querida amiga ou uma filha que faria a felicidade de qualquer pai ou mãe, agora estreando no mundo das letras e da magia das palavras vertidas com amor. Esposa do querido Marcelo, gaúcho de São Leopoldo e Major do Exército brasileiro. Mãe da Samanta e do Igor. Advogada e funcionária da Justiça Federal. Assina como co-autora da coletânea "Vozes de Uma Alma – Poesias Escolhidas (Vol I)". E no Facebook – “Se tem nome existe”.

                     

“O bom rei nos ensinou tudo

 

No meu mundo, temos ofícios, responsabilidades e afazeres.

Todos somos treinados para cumprir as ordens reais.

O Rei é bom e o obedecemos com alegria e esperança.

Ele nos ensina tudo!

Quando realizamos nosso trabalho de forma satisfatória, nosso supremo nos concede o luxo da comida, da moradia, da confraternização e da própria luz.

Moramos em lugares organizados e arejados e nosso Rei nos deu as flores, os ventos, as colheitas e nos ensinou tudo sobre o peso e a ordem das coisas.

Por isso, entendemos os limites das coisas e, assim, não ultrapassamos barreiras.

Pertencemos ao nosso lugar, onde a possibilidade é proporcional ao merecimento.

Nos unimos, mas confiamos na nossa individualidade, pois dependemos dela para servir ao Rei.

Conhecemos todas as palavras; o Bom Rei nos ensinou-as.

Ele nos mostrou os animais, as coisas, os elementos naturais, os artificiais, os extraordinários; também nos falou sobre sentimentos, sobre todos eles, ele nos disse.

Ele é muito bom e não nos esconde nada!

Conhecemos e já vimos todas as coisas que existem em nosso mundo.

Nosso mundo é sabidamente invejado por outros mundos.

O querido Rei nos provou também que aquela moça que deixou de receber moedas de cobre, comida e nossas visitas merecia ficar isolada e a mercê da sorte porque foi desobediente e não cumpriu as ordens reais como devia.

Ele nos mostrou, devido a sua real bondade, que qualquer ajuda que déssemos à moça, não autorizada por ele, nada mais seria do que um retrocesso no aprendizado dela.

Todos entendemos e ficamos felizes com a decisão do Bom Rei, pois temos conhecimento de todas as palavras que ele usou para nos explicar seus motivos, inquestionáveis, portanto.

Aquela moça acabou definhando, já que, de certo, mereceu definhar.

Entendi como tudo ocorreu, porque conheço o nome de todas as coisas – o Bom Rei nos explicou – só não sei como se chama aquele olhar opaco e distante que vejo estampado no rosto do filho da moça desobediente, depois que ela se foi.

Mas não me atrevo a perguntar…

Se tivesse nome, nosso Bom Rei nos diria.”

                       

Sabrina Dalbelo

 

 

            Paulo Abrão – uma nova Luz no Paraíso Celestial

 

Alegrias de uns, tristezas de outros, entendi essa face da vida quando minha mãe faleceu no Hospital Conceição. O querido Abrão, um dos melhores e mais antigos protéticos odontológicos de Viamão, destacado membro da Santa Izabel e pai amado da Lilian e da Cláudia, cirurgiãs-dentistas, está agora embelezando os sorrisos do Paraíso celestial e com alegria e enorme boa vontade encontrando-se com sua querida esposa e iluminando todas as pessoas que o conheceram e que com ele tiveram a felicidade de conviver. Nosso Amor à família e ao querido amigo.

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Naimara Scarpetti protege os “melhores amigos”–Julho 2014

A destacada advogada Naimara Scarpetti executa de maneira fantástica a proteção dos “amigos de rua sem donos”. Além de cuidados gerais com os cães, como vacinação e alimentação, distribui casinhas para sua proteção e abriga das inteméries do nosso amado Rio Grande do Sul. Colaboradores participam dessa missão de vida.

2014-07- Casinha de cão - by CSevergini

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