O Coronel Chimango III – por Vitor Ortiz e colaboradores – Novembro 2014

 

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Gaspar Silveira Martins e Júlio Prates de Castilhos: lados opostos.

 

O CORONEL CHIMANGO III

 

Acrysio viveu a passagem do Império à República e sintetizou a unidade

entre os Andrade e os Prates

 

ACRYSIO PRATES FOI O HERDEIRO DE DUAS FORTUNAS POLÍTICAS: DOS ANDRADE E DOS PRATES. ALÉM DO TIO FIRMINO PRATES, COM QUEM ESTEVE AO LADO NA REVOLUÇÃO FEDERALISTA, ELE LEGOU AS RELAÇÕES EXPANDIDAS DOS VIAMONENSES CRESCÊNCIO DE ANDRADE E CORONEL MARCOS DE ANDRADE, AS MAIORES LIDERANÇAS DO PARTIDO CONSERVADOR DO PERÍODO IMPERIAL EM VIAMÃO, E DOS REPUBLICANOS DO PRR. ELE ERA UM PRATES, COMO JULIO DE CASTILHOS TAMBÉM ERA, E SE CASOU COM CARMELITA, IRMÃ DOS IRMÃOS ANDRADE.

 

O fim do período Imperial foi marcado por grande pressão política de parte dos estancieiros do sul e de toda a elite agrária brasileira, em decorrência especialmente da abolição da escravatura (1888) e da queda na safra das lavouras (Carone, 1971; Janotti, 1981). Em decorrência disso, “o Império procurava então recompor sua base de apoio recorrendo aos liberais”.¹  Havia dois partidos: o Conservador, incomodado com a crise; e o Liberal, que anteriormente era o grupo mais crítico, mas que nessa ocasião está mais próximo do Imperador, especialmente após a composição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto, a última cartada da monarquia, que apostava no parlamentarismo. As novas propostas incluíam o fortalecimento das Assembléias Legislativas e maior autonomia aos municípios.

No Rio Grande do Sul, a política fervilhava. Os liberais, liderados por Gaspar Silveira Martins, nomeado para a Presidência da Província pelo Visconde de Ouro Preto, eram maioria na Assembléia Provincial. De repente, chega a notícia da Proclamação da República. Realmente foi uma surpresa. Silveira Martins acabou preso em Florianópolis. Ele estava a caminho do Rio de Janeiro. Mesmo surpreendidos, os liberais gaúchos aceitaram e aderiram à República. Do lado conservador, “houve também aqueles que se apressaram em ingressar no Partido Republicano, renegando antigas crenças” (AXT, 2011).

Em Viamão, os acontecimentos do país e do Estado também reverberavam, opondo o grupo de Chico Marinho, do lado Liberal, ligado a Barros Cassal, ao dos irmãos Crescêncio de Andrade – chefe do Partido Conservador – e Marcos de Andrade, que compunham o rol dos que eram conservadores, mas também aderiram à República após a Proclamação, filiando-se ao PRR de Júlio de Castilhos. Nesse período, o clima de tensão e confronto estava se agravando a cada dia, especialmente em razão dos debates em torno das novas constituições republicanas em fase de afirmação no Brasil e no Rio Grande. Até que em 1893 estourou a Revolução Federalista com a invasão de Bagé pelas forças do caudilho Gomercindo Saraiva, que vinha já organizando seu exército na estância da família, no Uruguai, descontente com os rumos ditados por Júlio de Castilhos.

Segundo registro do Álbum ilustrado do Partido Republicano (1934)², Acrysio esteve envolvido nos confrontos dessa Revolução, também chamada de Revolução da Degola, compondo o lado dos republicanos nas forças de Firmino de Oliveira Prates, seu tio, comandante do 4° Corpo de Cavalaria.

Há um incidente trágico ocorrido em Viamão dois anos antes, em 1891, dentro do clima tenso da política provincial desta época. O fato, envolvendo os irmãos Andrade, repercutiu intensamente no contexto estadual. Vamos contá-lo nas próximas edições da coluna. Nosso foco, agora, ainda é a trajetória do Coronel Acrysio Prates, coronel chimango, antigo intendente municipal por dois mandatos (1912-1920), na gestão de Borges de Medeiros como Presidente do Estado.

 

CARMELITA ANDRADE

Acrysio Prates tinha ligação familiar direta com os Andrade³. Sua primeira esposa era Dona Carmelita Andrade, irmã de Crescêncio e Marcos. Assim como o tretavô do coronel, João Rodrigues Prates,  que foi Capitão-Mor de Laguna, o bisavô de Carmelita era Manoel Antônio da Costa Guimarães (1749-1823), também pertencente à elite governante lagunense, Ajudante de Ordenanças e Sargento-Mor daquela vila, cargos do Estado Maior (RANGEL, 1786:19).

Manoel Guimarães, natural da Freguesia de São Salvador de Rosas, de Braga, era filho de Manoel Antônio da Costa e Maria Antônia, da Freguesia de São Miguel de Ataíde, e casou com a lagunense Antônia Maria de Jesus. Tiveram vários filhos, entre estes Severina Antônia de Jesus (1795) que, por sua vez, se casou com Henrique Fernandes de Oliveira, outro de Laguna. Estes últimos são os avós de Carmelita e dos irmãos Andrade, pais de Joaquina Amélia, que, por último, se casou com o Major José Ignácio de Andrade.

Os filhos de Joaquina e do Major, portanto, já nasceram em Viamão. Os avós dos Andrade (Severina e Henrique) já estavam no Arraial quando se casaram, no dia 02 de maio de 1816, mostrando a ligação antiga com a cidade. Carmelita nasceu em 08 de novembro de 1871. Crescêncio de Andrade, o irmão mais velho, nasceu em 1841, e o Coronel Marcos de Andrade, em 1851.

A primeira esposa de Acrysio faleceu em 16 de agosto de 1911, com 40 anos, um antes de ele assumir a Intendência. O coronel – que deveria ser considerado na época um excelente partido – casou-se outra vez com Antonieta da Silva Bueno, filha de Antônio da Silva Bueno e Robertina Carvalho Bueno, segundo o livro Lembranças (um registro produzido pelos filhos de Ilza Terra Nunes, em homenagem aos seus 90 anos, completados em 2013). No livro, constam que Acrysio e Antonieta tiveram outros seis filhos: Odete, Maria Antonieta, Sérgio Prates, Antônio (Antoninho Prates), Manoel Luiz (Luizinho) e Terezinha Prates Chiden. Antoninho e Terezinha são vivos.

 

OS FILHOS DE ACRYSIO E CARMELITA

F1

Dalila Andrade Prates casada com o Coronel Mário Antunes da Veiga

F2

Fernando Andrade Prates

F3

Olympia Andrade Prates

F4

José Andrade Prates

 

OS FILHOS DE DALILA

E DO CORONEL MÁRIO VEIGA

F2

Coracy Prates da Veiga

F3

Clódis Prates da Veiga

F4

Cely Prates da Veiga

F5

Consuelo Prates da Veiga

F6

Clodoaldo Prates da Veiga

F7

Celso Prates da Veiga

 

NOTAS:

¹AXT, Gunther. Gênese do estado moderno no Rio Grande do Sul (1889-1929). Porto Alegre: Editora Paiol, 2011.

²TIM, Octacílio B. e GONZALES, Eugênio (org. e edição). Álbum ilustrado do Partido Republicano Castilhista – RGS. Porto Alegre: Livraria Selbach de J. R. da Fonseca e Cia, 1934.

³Pesquisa genealógica de Eliani Vieira

*DOS SANTOS, Adonis. Viamão – vultos do passado e figuras ilustres. Página 161.

*Segundo Segundo assentamento encontrado no Livro  de Casamentos da Curia Metropolitana de Porto Alegre, L2A, pág. 19 vs. Manoel, exercicia a função de Sargento-mor. Neste registro tambem vemos que ele foi casado com Ana Antonia Maria de Jesus, de Laguna. Visível em http://vimaranesguimaraes.blogspot.com.br/search?updated-max=2011-10-21T21:00:00-07:00&max-results=7

*Ilustração: XICO

*Colaborou: Silvio Terra de Oliveira

O Coronel Chimango II–por Vitor Ortiz – Novembro 2014

 

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O CORONEL CHIMANGO II

 

Numa emboscada, o pai de Acrysio

é assassinado no Passo das Canoas

 

UMA DAS MARCAS DA SOCIEDADE GAÚCHA DO FINAL DO SÉCULO XIX É A VIOLÊNCIA. PREDOMINAVA UMA CULTURA NA QUAL ANDAR ARMADO, EM CASA, NO CAMPO, NO BOLICHO OU NA CIDADE ERA NORMAL. MATAR PODIA SER TÃO NATURAL COMO MORRER. TERRA E PODER ERAM OBJETOS DE DISPUTA COTIDIANA. O ANO DO INCIDENTE QUE VITIMOU MANOEL MARTINS PRATES FOI 1876, OITO DEPOIS DE FINDADA A GUERRA DO PARAGUAI E 17 ANOS ANTES DE ESTOURAR A REVOLUÇÃO FEDERALISTA. OS GAÚCHOS DE ENTÃO VIVIAM DE GUERRA EM GUERRA.

 

O dia 26 de novembro de 1876 era um domingo de corridas de cavalo na cancha da Aldeia dos Anjos. Uma destas, aliás, até hoje existe logo no início da RS 020, entre a estrada antiga para Santo Antônio da Patrulha e o rio Gravataí, logo no acesso aquele município, depois da Free-Way. Esse era um dos programas prediletos dos gaúchos de então. O dia estava raiando, quando Manoel Martins de Oliveira Prates, o pai do Coronel Acrysio Prates (na época um guri de apenas 8 anos)¹, saiu a cavalo com outros gaúchos em direção ao Passo das Canoas, por onde devia seguir para encontrar a festança corriqueira, onde normalmente se varava o dia entre tragos, churrascos, jogos diversos e o famoso pastel de carreira.

 

No grupo, seguiam vários amigos, entre estes o irmão de Manoel, Firmino Prates, Manoel Baptista, Idalino Fernandes, Antônio José da Silva, Argemiro Antunes Morem e seu irmão Theodoro. Este último, então com 45 anos, lavrador, declarou em depoimento posterior, no inquérito sobre o ocorrido, que viu quando foi disparada uma carga de tiros sobre os homens que seguiam um pouco a frente do ponto onde estava, resultando na morte de Manoel Martins Prates. Segundo Theodoro, numa reação instintiva, os homens que seguiam juntos a cavalo, ainda atiraram para os lados, mas não acertaram ninguém.

 

Aparentemente, a emboscada tinha sido uma encomenda e os matadores sumiram nos matos. No entanto, as suspeitas recaíram sobre um sujeito chamado Sesisnando e seu grupo. Esta figura era vista por pessoas consideradas importantes na época – como o Coronel Firmino Ramires de Souza Feijó (da família proprietária do Passo do Feijó, atual Alvorada) e pelo Capitão José da Rocha Vieira – como um matador de aluguel. Eles eram testemunhas de que, na data das eleições anteriormente ocorridas, Sesisnando havia provocado os irmãos Manoel e Firmino na Igreja de Viamão.

 

De acordo com o que testemunhou Theodoro, Manoel e seu irmão Firmino já haviam revelado temer uma emboscada, em particular dos Barcellos, com quem tinham uma inimizade antiga, “animosidade que aumentou quando Diogo Ignácio de Barcellos deu dinheiro para um escravo de Firmino Prates comprar a sua liberdade”².

 

O réu Diogo, por sua vez, pediu a palavra na audiência que se desenrolava dias depois, em 20 de dezembro do mesmo ano, na Casa da Câmara Municipal de Porto Alegre, em cerimônia dirigida pelo juiz substituto em exercício Estácio da Cunha Bitencourt. Segundo o réu, a inimizade com os irmãos Prates já existia entre 13 e 14 anos, mas em nenhum momento os Barcellos atentaram contra a vida deles e que o caso do escravo tinha acontecido há mais de dois anos. Conforme alegou, Manoel Prates tinha muitos outros inimigos, assim como seu irmão Firmino.

 

ANIMOSIDADE NAS ELEIÇÕES

Também testemunharam neste mesmo processo Wenceslau José de Freitas Guimarães, João Antônio da Silva, Manuel Boeira e Francisco de Paula Machado. Porém calou mais forte o depoimento de Mariana Henriqueta que afirmou ter ouvido dos acusados, em particular de Sesisnando e seus companheiros, que pretendiam matar os Prates. Na turma de Sesisnando estavam Zeferino José Alves, Cesário Francisco José Estácio e ainda o preto Antônio, que haviam ficado por três dias na residência de Henriqueta por ocasião das últimas eleições, então recentemente havidas, quando o principal suspeito andava junto de Tristão José de Fraga (que foi depois o primeiro intendente de Viamão do período republicano), conforme testemunho de Wenceslau. Segundo esse outro depoente, Sesisnando era um assassino que se gabava abertamente de já ter matado outras pessoas.

 

No final do processo, os únicos que foram acusados e compareceram à audiência foram os irmãos Zeferino e José Alves. Sesisnando e o petro Antônio não apareceram no julgamento e é provável que tenham fugido, aumentando as suspeitas sobre sua culpa.

 

Segundo Adonis³, Manoel nasceu em 29 de maio de 1829, próximo ao local onde morreu, aos 47 anos, nas imediações do Passo das Canoas. O mesmo autor registrou nos anos 1960 que até aquela data não se sabia ao certo quem havia cometido o crime.

 

OS BARCELLOS INOCENTADOS

Foram denunciados Sesisnando, Francisco Nunes, Zeferino José Alves, o preto Antônio, Polycarpo Leocádio da Conceição, José Antônio Pacheco Filho, Cezário Francisco José Estácio e um menor de 16 anos, chamado Ramires José Alves. No dia 06 de dezembro, foram expedidos mandados de prisão a todos estes réus. O processo registra que Zeferino, por exemplo, estava preso em 18 de dezembro, dois dias antes da audiência.

 

Os irmãos Barcellos, José Ignácio e Diogo, nem chegaram a ir a julgamento, embora as suspeitas de que fossem eles os mandantes. Seu advogado era outro Barcellos, o Dr. Israel Rodrigues, genro da Brigadeira Raphaela Pinto Bandeira. As circunstâncias em que essa rixa entre os Prates e os Barcellos apareceu, anos antes da emboscada, e os motivos, não ficaram esclarecidos no processo. A esposa de Manoel, mãe de Acrysio, Dona Liduína, nascida em 02 de outubro de 1844, era filha Cândido Pinheiro de Barcellos e Fausta Cândida de Moraes, mas nos registros* não aparece o nome dos avós, o que deixa dúvida sobre o fato se ela pertencia a mesma família de Diogo e José Ignácio.

 

NOTAS:

¹Na edição anterior, a coluna nos baseamos no livro de Adonis dos Santos para informar o ano de nascimento de Acrysio Prates como sendo 1877. Outra publicação, o Album Ilustrado do Partido Republicano Castilhista, de 1934, no entanto, diz que ele nasceu em 23 de março de 1868, o que é mais provável. Nesse caso, Acrysio foi intendente pela primeira vez em 1912, aos 44 anos, deixando o cargo aos 52 anos, em 1920. Faleceu em 02 de setembro de 1945, aos 77 anos.

²Processo sumário-1877, Juízo de Direito da 1a. Vara e 2° Distrito Criminal da Comarca de Porto Alegre. Arquivo Público do Estado do RS.

³DOS SANTOS, Adonis. Viamão – vultos do passado e figuras ilustres. Página 161.

*TIM, Octacílio B. e GONZALES, Eugênio (org. e edição). Álbum ilustrado do Partido Republicano Castilhista – RGS. Porto Alegre: Livraria Selbach de J. R. da Fonseca e Cia, 1934.

*Registro de Liduína, vó de Acrysio em http://www.familysearch.org

*Pesquisa: Eliani Vieira

*Ilustração: XICO

*Colaborou: Silvio Terra de Oliveira

 

O Coronel Chimango – Vitor Ortiz – Novembro 2014

 

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O CORONEL CHIMANGO

 

O verdadeiro “manda-chuva”

de Viamão

 

O PRINCIPAL OPONENTE POLÍTICO DOS MARAGATOS LIDERADOS POR CHICO MARINHO ERA O CORONEL ACRYSIO PRATES, CHIMANGO, BORGISTA, SEGUIDOR DOS IDEAIS DE JÚLIO DE CASTILHOS. ELE ERA, CONFORME ESCREVEU ADONIS DOS SANTOS, QUEM VERDADEIRAMENTE MANDAVA EM VIAMÃO NA SUA ÉPOCA.

 

Acrysio Martins Prates nasceu em 1868 e faleceu no dia 02 de setembro de 1945, menos de um mês depois das explosões das bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki, no ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial. Sua ligação política familiar com os irmãos Andrade, Crescêncio e Coronel Marcos, e também com Júlio de Castilhos fez dele um conservador republicano, depois borgista e chimango convicto. Como se tratava da elite governante do período, acabou por ocupar importantes postos nos níveis estadual e municipal.

Segundo Adonis dos Santos, o Coronel Acrysio foi coletor estadual e advogou no então Superior Tribunal do Estado. Já em Viamão, foi escrivão do Juizado de Órfãos e Ausentes, delegado de polícia e exerceu o cargo de intendente por dois mandatos, entre 1912 e 1920, justamente no período áureo do PRR (Partido Republicano Riograndense), quando Borges de Medeiros governava o Estado com uma mão de ferro. Período também que coincide, no mundo, com a eclosão e o desenrolar da Primeira Guerra.

Participou da revolução federalista ao lado do tio, Firmino Prates, e ssumiu o cargo de intendente pela primeira vez em 1912, aos 44 de idade. Quando saiu dessa função, tinha 56. Coube a ele a proteção de Viamão durante o levante maragato de 1923. Do lado oposto, o dos libertadores de lenço vermelho liderados por Honório Lemes, que ameaçavam a ordem vigente, estava o também viamonense Chico Arroio. Naquele tempo, em algumas ocasiões, a política colocou em guerra gaúchos contra gaúchos, viamonenses contra viamonenses.

“O Coronel Acrysio Prates foi, na sua época, o mais prestigioso chefe político, influente em todos os setores de atividade, tendo tido sempre um papel saliente e decisivo,” diz Adonis. Em verdade, todas as decisões politicas importantes no nível local, incluindo as nomeações para os cargos do Estado, passavam pelo seu crivo. O PRR praticava uma hierarquia rigorosa, referenciando suas decisões em suas lideranças locais. Ou seja, Borges, quando não decidia sozinho, o que as vezes ocorria nos casos de impasse, só batia o martelo depois de consultar o chefe político do município. Fazia parte da estratégia de consolidação e preservação do poder dos republicanos gaúchos. Vem daí a expressão usada por Adonis em seu livro para enfatizar a liderança do coronel chimango: “em linguagem bastante popular e compreensiva, desejo dizer a todos os homens do presente que o Coronel Acrysio Prates foi, no seu tempo, o verdadeiro manda-chuva de Viamão”, carimbou o memorialista.

Na sua biografia política está também uma posterior passagem pelo Partido Liberal, liderado pelo General Flores da Cunha, depois da extinção do PRR, e pelo PSD (Partido Social Democrático), que sucedeu ao PL.

 

PODER ANCESTRAL

A relação do Coronel Acrysio Prates com o poder era ancestral. Seus pais eram o fazendeiro Manoel Martins de Oliveira Prates, casado com Dona Liduína Cândida de Barcelos. Ela filha de Cândido Pinheiro de Barcellos com Dona Fausta Cândida de Moraes Sarmento. O pai de Acrysio Prates, Manoel, por sua vez, era filho de Zeferina Cândida de Oliveira Prates e de Ignácio Martins de Ávila, este último nascido em Viamão, em 1796, e batizado pelo Coronel Ignácio dos Santos Abreu.

Zeferina de Oliveira Prates, a avó do coronel, era filha do casal Luciano de Souza Prates e Brígida Maria de Oliveira Prates. Seus avós (os de Zeferina) eram Manuel de Souza Gomes e Francisca Rodrigues Prates. Esta última, filha do capitão-mor de Laguna (o cargo mais importante do lugar) João Rodrigues Prates, casado com Isabel Gonçalves Ribeiro, que apesar de não ter integrado o grupo daqueles que emigraram para Viamão, tinha uma sesmaria na região. Acrysio era seu tetraneto. Já os bisavós e trisavós dos pais do coronel eram açorianos, conforme indicam os registros de batismo.

O coronel tem dois filhos vivos, ambos do seu segundo casamento: Terezinha Prates Chiden e Antônio Prates. Terezinha foi diretora da Escola Castelo Branco e é mãe do ex-Prefeito Jorge Prates Chiden, eleito nos anos 90 pelo partido do ex-Governador Leonel Brizola, o PDT (Partido Democrático Trabalhista). O ex-Prefeito Clodoaldo Prates Veiga (da ARENA e PDS), que governou Viamão entre 1968 e 1972, filho de Dona Dalila e do Coronel Mário Veiga, também era neto de Acrysio.

Na próxima edição, vamos mostrar os dois casamentos, os filhos e netos do coronel, além do trágico assassinato do pai, ocorrido quando ele ainda era criança, numa emboscada no Passo das Canoas, próximo à Gravatai.

 

PARENTESCO ANCESTRAL DE ACRYSIO PRATES

Tetravós

João Rodrigues Prates (casado com Isabel Gonçalves Ribeiro).

Ele, Capitão-Mor de Laguna.

Trisavós

Francisca Rodrigues Prates (casada com Manuel de Souza Gomes)

Ela, filha do Capitão-Mor.

Bisavós

Luciano de Souza Prates (casado com Brígida Maria de Oliveira Prates)

Ele, filho de Francisca e Manoel, neto do Capitão-Mor.

Avós

Zeferina Cândida de Oliveira Prates (casada com Ignácio Martins de Avila). Ela, filha de Luciano e Brígida, bisneta do Capitão-Mor.

Pais

Manoel Martins de Oliveira Prates (casado com Liduína Cândida de Barcelos). Ele, filho de Zeferina e Ignácio. Ela, da tradicional família Barcellos, também de Viamão..

NOTAS:

*Ilustração: XICO (a partir de foto cedida por Terezinha Prates Chiden)

*Pesquisa: Eliani Vieira

*Colaborou: Silvio Terra de Oliveira

 

Arte – poema da poetisa Lúcia Barcelos–Novembro 2014

 

Arte

 

Escrevo, porque a escrita abranda a alma
E as palavras vão brotando de um amor tão puro!
Para além da calçada, atrás do pálido muro
Pequenas flores adormecem acalentadas pela noite!
Por testemunhas do poema, lua e estrelas
Que parecem tomar-me os versos
E bordar o firmamento em letras belas!
Eis um sussurro: com tua voz, a brisa passa,
E nessa rede de saudades que me enlaça
O som do mar ao longe a segredar:
São confissões de amor que se estendem pela areia!
Que força de afeição da alma cheia
Quando suspiros profundos espalham-se em toda parte!
O que posso prometer, além da poesia,
Além de dizer que descobri, um dia,
Que a alma exposta, plena de amor, é arte!?

2014 – 40 Anos de Formatura – ATO 1974

 

A vida como ela é! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 18 Novembro 2014

 

2014 – 11 – 18 Novembro – A vida como ela é – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A vida como ela é!

 

Precisando substituir meu pincel de barbear, fui numa farmácia de rede no litoral. Procurando e não encontrando, solicitei a uma das funcionárias: – Preciso de um pincel de barbear e que seja bem macio! – a jovem muito solícita disse-me:Chegue aqui no caixa, eles estão ali. De imediato, alcançou-me uma embalagem com o pincel de barbear. A marca do pincel, bem estampada na embalagem, era Condor. Condor é uma marca tradicional até no ramo de pinceis de pinturas em geral. Estiquei um pouco do assunto com a moça que gostou do meu neto Lucas que me acompanhava. Disse-lhe: – Moça esse pincel é de barbear “condor”, veja aqui – apontei com o dedo à marca. Eu queria um bem macio e “sem dor”. Imediatamente a funcionária baixou vários pinceis de barbear da gôndola e examinando as embalagens disse-me: – São todos iguais! Não temos outros tipos. Serve esse para o senhor? – claro que serviu. Como tinha que comprar outras coisas que a família tinha encomendado resolvi parar com qualquer outra brincadeira.

 

Cr & Ag

 

Os cabelos brancos e a idade são, até certo ponto, uma defesa ou uma blindagem contra situações pouco comuns ou até constrangedoras para alguns. Acredito que presentar com roupas íntimas para quem se ama ou quando se deseja apimentar, esquentar ou intensificar uma relação é algo magnífico. Se nunca tive nenhum constrangimento em entrar num departamento feminino de qualquer loja, depois de uma certa e apreciável quilometragem de vida, isso jamais seria empecilho. Estava na seção de roupas íntimas de tradicional magazine da capital examinando e imaginando como a pessoa amada ficaria recheando, sendo o conteúdo principal, com aquelas belas molduras íntimas. Eis que me apercebo que várias clientes (mulheres!) olhavam-me atentamente. Como sou muito tímido (vocês que me conhecem sabem disso!) coloquei uma bela peça na minha frente e perguntei para uma das mais interessadas: – Que tal, vai ficar legal? – a resposta veio rápida como raio: – Ela vai adorar, mas em ti não fica muito bem! – e rimos. As boas risadas nascem da espontaneidade.

 

Cr & Ag

 

Tenho alguns amigos extremamente espirituosos. Outro dia olhávamos uma reportagem de conhecido cartola do futebol nacional que se apresentava com uma novíssima namorada. Esse abonado cartola que pertence àquela elite que governa o país do futebol é famoso por preferir jovens exuberantes de corpo e com eficientes neurônios ginecológicos, geralmente capas de revistas masculinas. O cartola passou dos 7.0 e a beldade nos meigos, mas veteranos de todos os combates de lençol, vinte aninhos. O repórter perguntou-lhe se a diferença de idade de mais de cinquenta anos não atrapalhava. A resposta veio fulminante como voto na Dilma: – Não ligo para detalhes! Ao que meu amigo espirituoso e implacável bateu na marca do pênalti: – Isso é namoro de orelha! Como não entendi, perguntei-lhe o que significa “namoro de orelha”. Implacável como marqueteiro do PT: – Namoro de orelha é o namoro longe do coração, mas perto dos chifres!

 

Cr & Ag

 

A vida é um sobe e desce e estamos nos finais de um ano que “a elite” permanecerá cada vez mais abonada, pois nunca os banqueiros e seus playgrounds bancários faturaram tanto como nesses últimos doze anos do “governo dos pobres”. O mesmo pobre que paga quase 200% de juros no cartão de crédito e raramente receberá mais de 6% na sua poupança (se tiver!). O mesmo pobre que se for cidadão trabalhador ou aposentado depois de 35 anos de trabalho verá seu reajuste bem abaixo da bandidagem nas cadeias ou da vagabundagem de cerveja e taco de bilhar em punho, mas mamando em alguma bolsa populista. Nós que trabalhamos cinco meses do ano e entregamos de mão beijada para distribuir e fazer mágica de sumiço na Petrobrás e só depois é que vai trabalhar para comprar comida, roupas, aluguel, prestações, plano de saúde e de morte, escola e se sobrar – lazer, ficará satisfeito em ser mais solidário ainda com as criaturas fora do seu lar que você obrigatoriamente “ajuda” e para isso vai precisar trabalhar muito mais. Afinal, as empreiteiras não são brasileiras e a Petrobrás não é nossa?

Um país dividido – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 11 Novembro 2014

 

2014 – 11 – 11 Novembro – Um país dividido e mutilado – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Um país dividido e mutilado

 

A

profunda-se o fosso ou o muro que separa literalmente os brasileiros. Nessas últimas eleições, por vontade do partido vencedor, essa chaga amplia-se com ódio crescente numa polarização que em todos os horizontes do planeta separou o socialista/comunista dos demais seres humanos. Está na essência, no âmago, no espírito e no caroço da ideologia socialista/comunista o conflito entre as pessoas e as classes sociais. Nem a família escapa, onde pais entregam filhos e filhos denunciam pais para o regime. A senhora presidenta, como seus partidários, sempre culpam a elite. Qual elite? Certamente não a elite que é condenada na Papuda e recebe as benesses do sistema. Ou a elite dos vinhos de 5 mil dólares a garrafa? Ou a elite que se adonou das empresas públicas, num modelo de “privatização pelo social” de seu grupo? Ou a elite que “não sabe e não viu nada” da roubalheira?

 

Cr & Ag

 

Essa divisão dos brasileiros passa por aqueles que trabalham e pelos que são sustentados, pelos que pagam um terço do que ganham de imposto de renda e pelos que recebem sem trabalhar. Entre os que põem a comida na mesa da sua família pelo suor de seu corpo e por aqueles que teimam em permanecer nos chamados programas sociais renegando empregos. Daqueles que seus filhos pagam escolas e daqueles que destroem escolas. Daqueles que discriminam as pessoas ao preencher formulários oficiais por raça ou cor. Ou daqueles que voltam aos seus lares dando exemplo de trabalho e honra para seus familiares e não se aproveitam das tetas públicas pelo companheirismo ou por qualquer indicação partidária que não contemple a qualidade do indicado. Ou quando o mérito é vencido pelo fisiologismo barato e pelos privilégios.

 

Cr & Ag

 

É um Brasil dividido entre a mentira escancarada e repetida até que receba o lustro falso da verdade e a verdade que teima em sair do lodaçal que tentam afogá-la. Entre aqueles que insistem em acreditar e viver no Brasil e aqueles que vivem “do” Brasil. Entre aqueles que exercitam um projeto de poder e os que desejam um projeto de país mais humano e decente. A Alemanha esteve separada por um real, sólido e sanguinário Muro de Berlim (aniversário de 25 anos da queda). As Coreias também estão divididas pelo poder do aço e do fogo do norte comunista. Não é o capitalismo que separa e afasta. Até o “capitalismo selvagem” da China arrancou da miséria absoluta centenas de milhões de pessoas e agora permite que viagem pelo mundo, como é sabido de todos.

 

Cr & Ag

 

Cidadãos divididos até por uma excrecência chamada de Fator Previdenciário que criada pelos chamados “neoliberais” é mantida e alimentada pelos socialistas e que se fosse ético e bom deveria ser aplicada a todos os trabalhadores tanto do INSS quanto do serviço público. E são esses cidadãos que trabalharam uma vida inteira que são violentados ao aposentarem-se e anualmente nas miseráveis e canalhas correções de suas aposentadorias. Contou-me um secretário de um município histórico da Sumatra que em certa reunião do prefeito com o secretariado para avaliar metas e novas propostas que um “alegre representante do social” apresentou euforicamente a entrada de mais uns milhares de abençoados no “bolsa família” da Sumatra. O prefeito estarrecido com os números e com a alegria da criatura pediu-lhe que repetisse. Logo o prefeito sumatrense disse para a criatura e a plateia que sentia vergonha desse aumento de novos beneficiados e que esperava a diminuição de bolsistas, que estariam trabalhando, produzindo e sentindo-se mais úteis para si, suas famílias e a sociedade. E assim o município não estaria importando mão de obra para o comércio, para a construção civil e tantos outros empregos ocupados por pessoas de outras cidades. O prefeito da Sumatra e a maioria do seu staff (e o povo que trabalha) esperava notícia melhor. Isso seria o reflexo de uma infecção que se alastra como a epidemia zumbi?

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