Olho clínico – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 20 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 20 Janeiro – Olho clínico – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

Olho clínico

 

Devagar com o andor que o santo é de barro”, ensina a sabedoria popular e antes que alguém confunda com “olho cínico” que é uma das mais eficazes armas de políticos em campanha ou quando pegos de boca na botija alegando total desconhecimento de qualquer fato consumado ou feto consumido. Menos ainda com o “olho grande ou gordo”, que além de criar muita remela também atrapalha a vida dos outros. O olho clínico seria como o olhar aquilino (da águia) para o reconhecimento das enfermidades dos pacientes ou não e assim ter uma terapêutica mais rápida e eficiente. É como reconhecer o “cego dormindo e o rengo sentado”, ver  aquilo que os outros não veem, coletar sinais e desdobrá-los numa equação ou num algoritmo visando identificar e tratar. É o sonho dos estudantes de Medicina que logo identificam os mestres com essa qualidade e valor inestimável e tendem a imitá-los.

 

Cr & Ag

 

Estavam os estudantes de Medicina no pátio da Santa Casa após sobreviverem ao almoço no Morte Lenta restaurante e lancheria, observando as pessoas como formigas em correição. Eis que um homem todo torto vem com andar de ponto e vírgula. Um dos acadêmicos alveja: – aquilo deve ser sequela de paralisia infantil! – e começou a derramar seu “grande” conhecimento no tema. Outro sacou rápido e atirou: – que nada, ele está com sério problema de colina, certamente uma hérnia de disco – jogando o palito longe. O terceiro: – vocês dois estão errados, vejam que pela idade, o bigode amarelo do fumo, gordo, ele teve um AVC (derrame) e ficou assim torto, fora de esquadro e de prumo. Ninguém mais quis arriscar, principalmente pelo “olho clínico” do colega mais experiente. Alguém propôs uma aposta que aceita foram interpelar o cidadão torto e travado.

 

Cr & Ag

 

O terceiro estudante saiu no ataque ao que o homem torto disse: – não tive nenhum derrame não! Isso logo acelerou a euforia dos outros que precisavam limpar “a honra médica”. Mas o homem torto: – não tive paralisia infantil e nunca sofri da coluna! Diante do espanto geral queriam saber por que ele caminhava torto e de arrasto. A criatura riscou os olhos para todos os lados, como a contar um grave segredo: – Fiz um lanche aí (no Morte Lenta) e logo que caiu no estômago senti uma revolta nas tripas. Me fez mal! Aí fui soltar um peidinho e escapou um caldinho nas cuecas e perna abaixo. A privada da lancheria tá estragada e tô cagado e procurando outra privada para me limpar…

 

Cr & Ag

 

As mulheres tem um tipo peculiar de “olho clínico”, pois ao olhar por 10 segundos para outra mulher elas sabem de tudo que a outra veste com que se maquia, as cores das unhas das mãos e pés, marca do calçado, idade, silicone nos seios… e até se transa bem ou não. Os homens não possuem essa habilidade inata e feminina. A nossa presidentA Dilma também não tem essa qualidade. Não consegue ver o que está errado, nem o certo. Cercou-se de 39 ministros que como “pergunte aos universitários do Sílvio Santos” nada ajudam. O Brasil fica cada vez mais parecido com o homem torto da Santa Casa e os diagnósticos corretos não aparecem aos seus olhos. Nem dos seus “universitários da base aliada”. Mas como na Petrobrás em que autorizou o escândalo na compra da refinaria de Pasadena, a culpa é dos outros e foi enganada. Nós que não votamos ou não repetimos o voto nela não estamos enganados. “Mas tem coisas boas” – dizia um fanático partidário. Certamente, até o estrume das cuecas do homem torto serve para adubo.

Cirurgia

O homem no supermercado – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 27 Janeiro – O homem no supermercado – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas

 

O homem no supermercado

 

H

á homens especializados, outros são incumbidos, alguns vão às compras em épocas ou períodos especiais. As festas de passagem de ano é uma dessas épocas em que encontramos homens de todos os tamanhos e idades empurrando carrinhos de mercado. Qual a semelhança entre um sujeito tipo “carreta de 48 pneus” e o tipo mini? Além de serem homens! Observem o conteúdo dos carrinhos. Os carrinhos das mulheres carregam um pouco de quase tudo, do palito de dentes ao absorvente íntimo, do abacaxi ao creme dental, do inseticida ao sei lá o que mais. Não que não haja homens com espírito feminino, talvez até uma sobrecarga de estrógenos e progesterona circulando pelas veias, pois há aqueles com notas escritas de punho a impressas no computador. Outros mais sofisticados expõem um tablet que nem falta falar. Mas o nosso nicho é outro.

 

Cr & Ag

 

Resolvi fazer uma contagem enquanto esperava no estacionamento do super. Quando atingi o número quinze, entendi que a regra é quase geral. O apreensivo leitor quer saber o mistério dessa pesquisa. Vamos lá. Invariavelmente os carrinhos traziam carvão, carne geralmente costela, gelo e… Cerveja. Fardos de cerveja. Cerveja para cem pessoas sedentas. Criaturas desesperadas como abandonados no Saara. No entanto, a carne talvez para uma família aumentada, umas dez pessoas. Cerveja, carne, gelo e carvão – está pronta a festa de fim de ano. É réveillon completo. Pode faltar carne, jamais a cerveja. Criaram até geladeira especial e colorida para cervejas. Eta capitalismo eficiente!

 

Cr & Ag

 

Entendem porque as empresas fazem tantas propagandas de cerveja? Uma amiga, observadora também, refere que cerveja e absorventes íntimos devem vender aos borbotões. Não entendi bem a relação de um e outro, mas as mulheres têm um sentido mais apurado que o masculino e num relance identificam tudo que outra mulher ostente. Homem não é de ostentar, nem no mercado. Inclusive é solidário com outros homens: – Deu na Globo que vai faltar cerveja esse verão! – o mano do outro lado da gôndola sai na pernada para pegar mais uns fardos. Vá que a Globo (?) acerte e falte cerveja. Um amigo raciocina: – Mulher nunca faltará, até tem excesso, mas cerveja… Mulher ostenta tanto que é capaz de tirar a armadura dos seios para mostrar o silicone novo: – O meu tem 575 ml e é importado da Alemanha. – alfineta. Se fosse chinês ou paraguaio não valia quase nada. E cubano seria desonra total!

 

Cr & Ag

 

Outro tipo de homem em supermercado é o “matador”. A cabeça do homem é do predador do início ao final de carreira. Como cachorro comedor de ovelha na tradição gauchesca que “depois de velho e desdentado ainda quer lamber o pelego”. As criaturas ficam perambulando pelos mercados da Capital enquanto a família está na praia. E ali há o encontro de carrinhos e sugestões, um papo legal talvez e “se rolar uma química” armou-se a tormenta. O caçador esquece-se de que sua cara metade está em algum mercado do litoral e talvez alvejada por outro predador. Coisas da vida. O sujeito se esquece do sal, perde o filho no mercado, mas a cabeça é rápida como político na Petrobrás. Outro matador terrível, esse com respaldo do partido e do governo com tentáculos. O matador do mercado e o político indicado na Petrobrás acham-se impunes, jamais serão descobertos e se forem… “o mundo sempre foi assim” e “todos fazem”, segundo o guru supremo e intangível. E verão, sendo período de reflexão – Pô meu, votá na Diiilma, coisa de jegue! Gasolina sobe! Luz sobe e falta! Água sobe e desaparece! Estrada esburacada e sacanagem atrás da moita multando! O bom humor não salva, mas refresca.

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Imagens colhidas ao vivo em Boa Vista – Roraima.

Casa na praia: Alegria ou Castigo? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 13 Janeiro – Casa de praia II – alegria ou castigo – Edson Olimpio Oliveira    Crônicas & Agudas    Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

Casa na Praia: Alegria ou Castigo?

 

Segundo o heroico Joãozinho Trinta: – Quem gosta de pobreza é rico, pobre gosta é de riqueza, do bom e do melhor… Outro dia, escutando um esteticista capilar – nome politicamente correto do tradicional barbeiro – deparei-me com fragmentos da vida desse colunista e, quem sabe, de muitos de nós.

 

– Companheiro, to preocupado. Tá chegando os dias das minhas férias e já to perdendo até o sono. – dizia-me. E continuou: – Esse baita verão! Um sol de rachar coco e eu ainda não criei coragem de ir para a orla. O litoral sabe, pois quem tem praia meeesmo é Santa Catarina?

– Mas sei que até compraste uma casa lá pela praia do Magistério… – disse-lhe.

– Comprei mesmo. Esse vai ser o nosso segundo verão lá. É um rancho simples. Fiz mais um quarto pro guri e puxei uma meia-água como garagem, churrasqueira e um banheiro. Dá muito bem pra nós. Sabe como é depois que tu sai de um fusca, cai num Chevette e estaciona com um Gol e já não paga aluguel aqui em Viamão. A gente se prepara prum ranchinho na praia. É o sonho. Mas o verão passado foi um pesadelo, um inferno. – sacudia a cabeça com a fronte franzida como bombacha de magrão.

 

Já imaginando desgraça, quis saber o que acontecera.

 

– Sabe como é família? E pobre o que mais tem é cachorro e parente. É parente que tu nem conhece. Quer dizer, vai conhecer na praia.  – concordei com a cabeça. Começou tendo que levar a sogra e o cunhado junto. A velha até que é legal, pois cozinha muito bem e cuida das crianças na praia. Sabe aquela tesão que dá na gente depois do almoço olhando a nega de biquini? A velha leva as crianças para a sorveteria para dar um tempo e sempre sai se rindo e assobiando. Mas a coitada tem um problema de intestino. Pode comer coisa de rico, mas o que sai… O que sai, meu… O banheiro, a casa e até os vizinhos ficam empestados. Manja carniça de bode? Muito, muuuito pior! Urubu voa de costa. E um dia, ao puxar a cordinha da descarga, a caixa ainda caiu na cabeça da velha e teve que levar seis pontos no cocuruto. Mas ela é de menos. – o olhar perambulava pela sala.

 

– Teve um dia, um domingo, que tinha cinco carros e duas motos lá em casa. Nós somos de cinco e tinha vinte e três pessoas. Vinte e três, contei bem nos dedos das mãos e dos pés. Sabe o Zé, meu irmão, ainda trouxe a família do cunhado e um eletricista que é vizinho dele e outros agregados. O eletricista trouxe um saco de carvão, 6 salsichão e 2 kg de costela magra. A mulher do cara era um dinossauro, uma patrola no tamanho e na fome. A maioria só trouxe a boca e a bunda. Estacionaram mal e conseguiram cair dentro da fossa depois que um carro quebrou a laje e entupiram os dois banheiros. Dei uma prensa e fizemos uma vaquinha para comprar uma carne e uns tomates com batata. Cerveja? Eu tinha um estoque guardado pra todo verão. Tomaram tudo até às 11 da matina. – era uma lamúria de dar dó. E continuou.

 

– De tarde, tinha resto de melancia, uva e gente dormindo em tudo que era canto. A filha do Zé, minha afilhada Dieniffer com dois “f” e o magrão tatuado se fecharam no quarto da velha e a guria gritava que nem petista na chegada do Lula. Tinha rede com três babando dentro. Uma gordinha cor de camarão dava arranco e chamava o hugo no buraco da fossa. A minha nega perdeu um pivô e quase pediu divórcio, ficou de empregada dessa gente toda e ela dizia que eu tinha que escorraçar esse povo. Mas eram parentes meus e dela. Se ela mandasse os dela eu mandaria os meus. Já não via a hora de chegar à noite e esse povo se arrancar. Chegou à noite. Uns foram mais cedo. Outros bem mais tarde para escapar do congestionamento da estrada. Aí quando outros queriam ficar para “ir na segunda de madrugada”, eu sacudi os arreios. Dei um esporro.  Me fiz de doido e corri com as belezas. Alguns não voltaram, felizmente. Outros apareceram, infelizmente. E assim foram as férias na praia… – completou com a face sofredora e despediu-se. (da Série Humor-Tal – reeditado a pedidos)

Meninas na praia

O Sanduba

 

Brigada Militar – Convite recebido – 2015

 

2015 - Convite para passagem do Comando-Geral da BM

Namoro de praia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 06 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 06 Janeiro – Namoro de praia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Namoro de praia

 

A

 sabedoria popular diz que “recordar é viver novamente”. T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse, numa de suas obras, crava: – Recordar é manter acesa a chama da vida. Dolorosamente tivemos as notícias de dois colegas, médicos brilhantes e professores singulares, que cavalgam um potro incontrolável chamado “demência”. Ingressaram na ciranda em que a dignidade foge da pessoa e a dor pessoal desaparecerá enquanto aumenta a dor e todo o sofrimento familiar. Alzheimer é um dos nomes técnicos. Daí que ao cronista, vasculhar os baús da existência tem esse gosto renovado e se passar pelo bom humor será muito melhor. E aqui olhando essa imensa lagoa salgada, como o governo da companheira Dilma, aproveitando o dia porque à noite terá alguma falta de luz, vêm as imagens de um final de anos 60 em que o Brasil de coturnos explodia em obras causando inveja aos “hermanos” argentinos.

 

Cr & Ag

 

A testosterona é o caminho mais curto entre o cérebro e a perdição. A mente do homem funciona sem atalhos, prerrogativas, pródromos, preliminares. Quando o olho de tigre do macho bate numa mulher e principalmente de biquíni – lembre-se de uma época em que biquíni ainda era biquíni – há um tsunami hormonal que explode nos testículos e na salivação. Esse preâmbulo, essa explicação introdutória revela o psiquismo masculino: mulher-sexo, mulher-sexo, mulher-sexo… Após uma idade mais longeva (?) há quem introduza a cerveja e o churrasco nessa batalha. Naquela época havia as “moças sérias” e não é porque não rissem, mas era o modelo que as futuras sogras queriam para noras. E as “não sérias” ou aquelas que as futuras sogras jamais queriam para noras. Sirigaitas?

 

Cr & Ag

 

Conseguem imaginar a Cidreira sem as casas desabando, sem lixo para todos os lados, praia limpa? Incrivelmente já foi assim! Caminhava-se a beira das marolas, chutando mariscos (juro que havia!) e tatuíras. Cruzando-se com as gurias, saía uma piscada de olhos, um biquinho beijoqueiro ou um “quetal”. Se viesse um sorriso de resposta, o mundo parava e a testosterona fervia nos canos. Pouca coisa? Que nada, pois era uma época em que os calções de banlom substituíam os “samba-canção” e os maiôs já sem a pudica cortina cobrindo “as partes” dera lugar ao maiô “normal”. E o biquíni desafiava com Leila Diniz grávida e a barrigona na areia de Copacabana. E, às vezes, rolava um bate-papo em que um ou dois corajosos balbuciavam e os demais assistiam cavoucando buracos na areia com o dedão do pé entre suspiros e olhares enviesados. O vocabulário encerra, ainda hoje, algo de fazer inveja aos hieróglifos: – E aí, legal, beleza, sol, sol, da onde… Não havia ainda essa liberação sexual. Anticoncepcional era muito escondido e dava “vômitos, desmaio, dor de cabeça” e outras “desgraças”. E camisinha era Jontex ou condom para os mais letrados

 

Cr & Ag

 

Aconteciam reuniões dançantes no legítimo som de vinil, agora ressuscitado, nas casas ou garagens e nos clubes. Sério! Havia o CPC – Cidreira Praia Clube ou o clube novo e o outro – o clube velho. Era a chance de encostar, “chamar nos queixos”, e, na melhor das hipóteses, um “passeio nos cômoros de areia ou na casinha do salva-vidas”. Nem tudo era somente sexo, havia o namoro sério. Isso se traduzia pelo perfil da criatura, seu berço e principalmente por estabelecer perímetro e fronteiras desde o primeiro sorriso. Sempre foi assim, homem não se mete de pato a ganso com mulher que não quer ou permite. A felicidade do namoro vinha quando a amada recortava esparadrapo fazendo as iniciais do nome do amado, colava no corpo para que esse ao se bronzear mantivesse na pele alva as marcas do amor pretendido ou realizado. O homem sabia que a bela mirava com grinalda e igreja e ele teria que gastar a testosterona em outros campos de batalha.

Viamão já foi assim 2

Viamão já foi assim

Fonte: Viamão já foi assim