A vergonhosa falta de água em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 28 Julho 2015

 

2015 – 07 – 28 Julho –  A vergonhosa falta de água em Viamão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A Vergonhosa falta de água em Viamão

 

S

e há pouca água nos rios, falta em Viamão. Muita água nos rios e falta em Viamão. Acreditem há um canalha por trás da vergonhosa situação. – “Inundou a casa de bombas!” – explicam. E muitos aceitam sem interpretar ou discutir racionalmente. Viamão, como muitos municípios gaúchos, têm sua base agrícola na plantação de arroz irrigado. A oriziculturas depende de “casas de bombas ou de máquinas”, chamado de “levante d’ água” pelos agricultores. Jamais soubemos de um levante de água ser inundado, mesmo construído em banhados, várzeas inundáveis e de rios e lagoas. – Por quê? – simplesmente constroem e colocam as bombas, antes diesel e agora elétricas, num nível que as inundações não atingirão. E ninguém usa engenheiros especializados ou técnicos graduados como a senhora Corsan.

 

Cr & Ag

 

Foi muita enchente! – retruca o Arigó de botas. Imaginem se as plataformas petrolíferas que suas bombas buscam petróleo em alto mar há milhares de metros de profundidade inundassem com essa facilidade. E alegam que a engenharia nacional, como da Petrobrás, é referência mundial. Não para a Corsan! Seria somente incompetência? Construir casas de bombas sem adequada proteção, não ter um plano B numa emergência corriqueira ou insólita, como um terremoto no Rio Grande do Sul. – Haveria uma orquestração sinistra de “verbas complementares, verbas para emergências, aditivos” e outras insinuações como estamos vendo no Petrolão?

 

Cr & Ag

 

Em condições normais falta água no meu consultório aqui no centro quase todas as semanas. No inverno e no verão. Ou no inferno e vocês verão. Trocadilho maldito. Vejam a “Caixa D’Água”! Caminha para ser centenária. Observem que a população cresceu nesses mais de 50 anos! E ela está ali solitária, única, impávida abastecendo e tentando “segurar a bronca”. Várias dezenas de milhares de viamonenses sedentos, corpos em crescente fedentina pelos banhos ausentes, dentes escovados em seco, sanitários esvaziados com água mineral, água usada em proporções homeopáticas anseiam por uma chuva salvadora. Talvez colocar tonéis nas calhas e nas goteiras, cisternas nordestinas e guardar a água, pois quem deveria fornecer pode estar “inundada”, pelo menos na competência afogada e flagelada.

 

Cr & Ag

 

Olhamos e não vemos! Escutamos e não ouvimos! Somos brasileiros e ficamos “nos achando”. Paremos com essa milonga de que “Deus é brasileiro” (faz porto em Cuba e perdoa  ditadores) e nos protege da nossa ignorância e submissão. Elegemos hordas de safados e incompetentes pensando, talvez, no nosso hálux (dedão do pé) ou no dedo indicador. Passando por painéis de obras públicas admiro a ousadia do gestor. – Por quê? Observe, por exemplo, o painel da UPA na Ana Jobim – por sinal, próxima demais da pista de ERS 040, que num futuro alargamento… – veja o custo total da obra! Está até em centavos. Repito – centavos! Não há no Brasil quem consiga calcular com precisão de centavos qualquer obra. Nem em nossa casa. Pior nas obras públicas que se arrastam morosamente sem prazo de conclusão real. Que diga a dona Dilma com seus PACs e obras da Copa! Essa pretensa exatidão é travestida de uma imagem de eficiência e honestidade quando qualquer molusco sabe que há segundas ou terceiras (ou mais) intenções ocultas. O cidadão olha e não enxerga. Kardec na filosofia espiritualista já pregava “a fé raciocinada” em que tudo que “ofender a razão não dever ser bom”. Precisamos evoluir num país em que os alunos terminando o ensino médio são absolutamente insuficientes – cerca de 8% atingiram somente o básico em matemática e 13% em português. Insuficiência escolar completa-se com carência de compreensão e raciocínio básico. Talvez nada disso seja importante, pois precisamos de “espertos” e operários que saiam das fábricas e enriqueçam nos sindicatos ou na vida pública. Ops, sem generalizar!

Alma pampa – Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A singular amiga e poetisa Lúcia Barcelos nos apresenta mais um belo poema.

Colaboradora e novamente presidente da ALVI – Associação Literária de Viamão e que prepara mais um livro/coletânea para esse ano em dobradinha dom o escritor e tradicionalista Fraga Cirne – outro inestimável membro da ALVI.

Eds

 

Alma-pampa

 

Tenho n’alma vastas campinas

Cingindo margens de rios!

Tenho vertentes, calafrios

De ventos que dão laçaços,

Sangas, e pássaros erradios,

Que cortam livres espaços!

Tenho n’alma, tiros de laço,

Rodeios e marcações,

Desgarradas recordações

Bordando orlas de açudes.

Tenho n’alma, pedras rudes,

Dores que imprimem fendas,

Mas tenho também as rendas

Suaves, dos sentimentos.

Tenho n’alma, acampamentos,

Espaços cheios de luz,

Festas, congraçamentos,

E a poesia que seduz.

É uma alma descortinada,

Larga, como as coxilhas,

Feita de ermos e maravilhas,

Esta alma que descampa.

Tenho, sim, uma alma-pampa

De saudades andarilhas!

 

(Lúcia Barcelos)

Vida Real – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 21 Julho 2015

 

Vida re2015 – 07 – 21 Julho – Vida real – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Vida Real

 

A

credito estar superando Leônidas e seus trezentos heroicos combatentes contra o Xerxes da falta de leitura e iluminação. Passei dos trezentos também heroicos leitores desse cronista. As crônicas sobre Coragem & Beleza repercutiram mais que… Mensagens por Whattsapp, e-mail e nas “diretas já” a Cledi e eu fomos cobrados por não divulgar outras beldades incontestáveis da querida e pichada Viamão, Setembrina dos Farrapos. Não há espaço pessoal! A minha coluna tem fronteiras e a memória puxa mais rápidos uns que outros do disco cada vez mais rígido como as juntas. Agradeço os elogios e a interação. E como diz meu neto Lucas: – Vamos pro pau vovô! – “e a luta continua companheiro”.

 

Cr & Ag

 

Terezinha Allem Ribeiro está no panteão da beleza viamonense. Soube de uma fotografia da amiga Terezinha de biquíni que foi guardada a dez chaves pelo inesquecível amigo Flávio. O sangue familiar trazido do Oriente Médio oxigenou-se na ancestral Viamão e moldou beleza com grandiosidade de afeto e carinho aos amigos e ao todos que com eles conviveram. Seus filhos Fabiane e Flavinho contém o mesmo DNA e irmã do caro amigo e patriarca da Odontologia viamonense – Dr. Emílio Allem.

 

Cr & Ag

 

Noite de 04 Julho estivemos em São Leopoldo levando nosso abraço e nosso amor ao casal Maria e Antonio Veiga em suas Bodas de Ouro. Nos longínquos e saudosos idos de 1989 nos conhecemos através do motociclismo e logo fizemos uma bela viagem de motocicleta com mais três casais – incluindo Nádia e Luizinho Zavarize – através do Uruguai e Argentina com especial desfrute em Buenos Aires. O singular amigo Antonio é filho de viamonenses como o sobrenome identifica. Sua amada mãe, também Maria, foi miss viamonense de beleza. A amizade e o amor ao motociclismo aproximou-nos aos estudos da espiritualidade e tive a honra de ser seu aluno – continuo sendo – em diversos momentos e cursos. Professor  e Mestre de Psicologia na PUC, na Unisinos e na Universidade de Caxias do Sul entre outras e também como palestrante renomado no Brasil e no exterior. O amigo Veiga criou e aperfeiçoa constantemente em sua escola para médicos e psicólogos o Método Veiga de TRT que se resume em “amar e ser amado” ( * ). Casal exemplar e raro numa sociedade de “amores” virtuais e deletáveis como transitórios.

 

 O convite para o evento trazia a mensagem de que se os amigos quisessem presenteá-los com algo que fosse com alimentos ou cesta de alimentos. Jamais havia visto um aniversário com esse tipo, esse modelo de sugestão. Mas é a continuação de sua vida em que a entrada para suas palestras também são “alimentos”. E numa noite de temperatura polar, o amor do casal aos seus mais próximos amigos e destes para o casal num ciclo que se retroalimenta e nutre trouxe uma Kombi de amor que foi distribuído para famintos desconhecidos por anônimos que os amam. Magnífico! Formidável!

 

É uma grata honra para nós, a Cledi, eu e minha família, privar da casa e do convívio do Veiga e da Maria e de seus filhos. É assim que ao divulgar e relatar experiências tão belas e especiais como essa que espero ser modelo, indutor de ações em que todos nós nos momentos mais especiais de nossas vidas jamais deixemos de pensar e agir para semear o amor absolutamente desinteressado e não somente em artefatos de beleza e valor material. O valor do espírito nutrido pelo amor crístico mantém sua energia vital para toda a eternidade, como eterno é nosso espírito.

* Assista-o em: https://www.youtube.com/watch?v=KRhjJo1qtVM

Presente

 

Coragem & Beleza 2 / II – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 14 Julho 2015

 

2015 – 07 – 14 Julho – Coragem & Beleza 2 / II– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Coragem & beleza 2 / II

 

A

 prima Marília, sobrinha do primo Haroldo Franco, foi miss brotinho. Diz-me a Cledi. Outra colega de Ginásio Bento Gonçalves (famoso Bentinho), a bela Niura, traduzia a beleza morena em traços bem marcados adornados por negra cabeleira. O amigo Antoninho Ávila, viamonense de coração e por opção, conhecedor profundo das festas magníficas na Presidência da República às beldades castelhanas, pode comprovar esse humilde colunista, mas um admirador e respeitador do belo. Como minha irmã Shirley, também rainha de beleza, magnífica esposa, mãe e artista plástica. Muitos queriam minha amizade de olho nas primas bonitas: Sylvia, Áurea, Marina, Sônia, Carmem Lúcia, Marilene, Marilin, Maíra e… E a irmã Cátia! Rainhas, misses e coroadas!

Cr & Ag

 

Viamão conheceu uma jovem que seria gêmea idêntica ou clone da Kim Basinger que estrelou várias películas em Hollywood. Lembram-se da Luci Zavarize, irmã do caro amigo Luizinho Zavarize, uma lenda viva do motociclismo? Outra lenda, agora motociclística, que em São Paulo alguns motoqueiros foram “tirar sarro” do nome Viamão na placa da moto do Luizinho. Alguns fugiram antes da pauleira, outros aguardaram reforço para serem surrados em grupo e os demais foram ocupar as macas do Samu. Mexeram com o homem errado da cidade certa.

Cr & Ag

 

O número de moças e mulheres viamonenses com exuberante beleza é para acanhar outras cidades. Outra prova de coragem – passar a meia-noite no Cemitério da Rua Dois de Novembro. Além de enfrentar as assombrações e outros seres macabros havia o risco de enfrentar o seu Ernesto Coveiro. Desafio também era ir aos bailes do clube Paladino em Gravataí e se declarar viamonense. Era peleia certa e da boa, como do tempo dos Cafunchos que juntava mosca varejeira e urubus. Dizem que quando um cafuncho saía de casa palitando os dentes com a adaga e tapeando o chapéu na testa era acompanhado por uma esquadrilha de urubus esperando carniça. Uma lenda rural de antanho conta uma briga dos Goulart com outra família poderosa de Mostardas. Depois de um dia de peleia e com a vitória dos Goulart viamonenses contaram-se os mortos e estropiados ou com as bombachas pesadas de estrume. O Terêncio anotou mais mortes – 5 cavalos, 10 ovelhas e 3 vacas. – Ovelhas e vacas? – carneadas para a churrasqueada de comemoração de mais uma sumanta de pau nos estrangeiros.

Cr & Ag

 

O Arigó do Centro me dizia: – Edinho Cabeleira, que gente mais feia anda pelas calçadas nesses tempos de Petrolão. Feia e sem educação! Tromba com a gente. Atropela velho e criança. Se para no meio da rua defronte o Itaú trancando o trânsito. Olha, Edinho, o número de vagabundos, muitos de moletom escondendo a cara e assaltando ou de campana nas bocas do comércio! Que saudade do Capitão Osório! Naquele tempo vagabundo não criava limo aqui. Nem no tempo do delegado Alcyone ou do delegado Carivali.  Que saudades! Agora coragem é dessa turma que consumiu a grana na falsa restauração da nossa Igreja. Não restauraram nada, pois onde estão as pinturas originais e outros detalhes? Reforma mal feita pode ser. Olha Edinho as fotografias antigas da Igreja.

 

Afora a beleza visual, a riqueza de sentimentos era algo notável. Beleza e coragem sempre se mesclaram em vários quilates de singular reconhecimento. Colaborem com o cronista recordando de beldades e dos valentes barbaridade!

A chama

Coragem & Beleza Parte 1/II – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 07 Julho 2015

 

2015 – 07 – 07 Julho – Coragem & Beleza 1 / II– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Coragem & beleza – Parte 1 / II

 

A coragem e o destemor das pessoas dos Campos do Viamão eram famosos. Nos idos da década de 1760 as regiões abaixo de Laguna, onde passava a linha do Tratado de Tordesilhas, eram disputadas a ferro e fogo por espanhóis e portugueses. Uma tentativa de estabelecer a posse dessas terras foi a construção do presídio e depois fortim de Jesus, Maria e José na desembocadura da Lagoa dos Patos onde hoje está a cidade de Rio Grande. Isso era um meio caminho entre Sacramento e Laguna. Ali o Império colocou um governador. Tropas castelhanas sob o comando do general Pedro Ceballos de Buenos Aires, logo Vice-Rei do Rio da Prata, invadiram Rio Grande e depois São José do Norte. O governador abandonou seus homens e colonizadores e como cão com a cola entre as pernas buscou refúgio e proteção nos Campos do Viamão e ali se estabeleceu a nova Capital da pretendida capitania ou província. Eis assim, novamente, este cronista e médico que firmou há décadas o título de Viamão, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos demonstra que “Todos” representa o nascimento do embrião patriótico que reuniu sob uma mesma bandeira e um mesmo sentimento de brasilidade as pessoas de vasta região. Há historiadores, inclusive viamonenses, que se recusam a enxergar e entender a história real. Que sintamos orgulho de nossas origens reais e jamais a miopia ou o sintomático complexo de inferioridade.

Cr & Ag

 

O primo Danilo crava que não há viamonense frouxo ou bunda mole. Há uns com mais e outros com menos coragem. Sendo o primo Sílvio Negrinho é uma referência em valentia. Na minha juventude viamonense – longínqua por sinal – havia verdadeiras provas de fogo e até de água para testar. E lendas urbanas ou realidades transbordam nas lembranças. Atravessar o Lago da Tarumã a nado era uma dessas provas. A criatura circulava com o peito estufado na praça ou era servido como rei no Café Comercial e, claro, jamais pagaria a passagem nos ônibus do seu Hormindo Jaeger para Porto Alegre. Mas isso ceifou muitas vidas que se afogaram no fundo lamacento, dando origem às lendas e superstições macabras.

Cr & Ag

 

Vai outra prova alucinante: saltar do último andar do trampolim do Cantegril quando era Cantegril Clube. Como Tarzan saltando do décimo andar e de ponta-cabeça. Conta-se que certa criatura arrepiou de dar “um ponta” na última hora e caiu de pernas abertas. Os testículos foram parar no pescoço com o impacto e “nunca mais serviu pra emprenha guria nenhuma”– diziam com tristeza. Coisa horrível e dolorosa. “Em terra de homem valente há mulheres bonitas!” – ensina T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse do alto de sua bravura e sapiência. O Cantegril era um desses redutos das mulheres mais belas e que embalaram sonhos edílicos. A prima Iara, num biquíni com as cores da bandeira americana, venceria qualquer concurso de beleza internacional, se aspirasse competir e a piscina acolhia a baba dos rapazes tropeçando. A prima Marília fez sessão fotográfica no parquinho e entre os bosques famosos. O laureado fotógrafo extasiou-se com sua beleza e feminilidade e teve que tratar a visão, pois ficou com os olhos esbugalhados. A mãe da prima Iara, a prima Leda foi uma das mulheres mais belas dessa cidade.

Cr & Ag

 

Outra prova de valentia – e pouco apreço à vida – era tomar cerveja sentado no picadeiro gradeado do circo internacional do Capitão Robatini. Nei Fraga, já famoso por tantas façanhas e peripécias, foi protagonista desse feito fenomenal. Nessa noite, teve gente caindo das arquibancadas tipo poleiro de tão apinhada que estava. E na esteira das mulheres bonitas e para não citar somente a minha enorme e mui bela família, estava a Rosinha Vilanova, irmã do Caio, que além de rainha declamava “A Lagoa” de forma soberba e fazendo verter lágrimas na plateia. Miriam “Mima”, depois esposa do amigo e brilhante cirurgião-dentista doutor Emílio Allem, faria Giselle Bündchen parecer uma “coloninha bonitinha”. Perguntem para quem conheceu essa outra rainha de beleza.

Nota do Cronista: acompanhem a próxima coluna no Jornal Opinião ou no site.

images