Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – 25 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 25 Agosto – Com Amor! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Com Amor!

 

“Querido pai, mesmo que Deus não me dê a glória e a suprema benção de te ver 100% bem, que pelo menos permita que eu caminhe ao teu lado e seque tuas lágrimas e segure na tua mão quando tu precisares. Como tu fizestes por mim.” – Uma filha amorosa.

 

A

 vida sempre tenta nos ensinar, abrir nossos olhos para a realidade, aguçar nossos sentidos para que nessa jornada o nosso tempo seja realmente aproveitado e utilizado em construir e reconstruir nossos corpos, aprimorar nossas mentes e evoluir nossas almas. E nada disso se faz e nem se realiza somente com a mais apurada técnica e o extenso conhecimento, nada existe sem a essência que nos criou no aqui e no agora ou que nos fez humanidade num tempo que ousamos esquecer. Essa essência vital está no toque divino e no seu sopro no barro primordial absolutamente por amor. Amor! Esse amor foi transferido a todos os pais e mães que geram seus filhos. Que fossem todos gerados pelo amor e embalados nos braços, aconchegados junto ao coração, amparados na sua jornada como pessoas de amor nessa que será mais uma vida dentro de uma existência eterna.

 

Cr & Ag

 

Eles (os pacientes) buscam no médico ou no psicólogo a volta ao pai primordial que lhe amparará e com seu conhecimento e por seu entendimento lhes dará alívio para suas dores, talvez uma cura para suas enfermidades e pelo menos um colo de amor para protegê-lo do sofrimento que dilacera seu corpo e macula seus melhores sentimentos. Vocês acompanharam comigo a crônica “A Lágrima do Diabo!” e sentiram comigo emoções e sentimentos que muitos até desconheciam poder liberar. Erga seus olhos e leia novamente o trecho de uma carta de uma filha amorosa ao pai enfermo. Feche os olhos comigo! Apenas um momento! Sinta as lágrimas brotarem de seus olhos e permita-se ser gente como cada um de nós. Choro cada vez que a leio. Acredito que cada um de nós amaria e desejaria com toda a força de seu coração ter alguém – e principalmente uma filha – para “secar as lágrimas e segurar a mão quando precisar”. É a essência divina vertida em bálsamo miraculoso.

 

Cr & Ag

 

Somos seres imperfeitos. Troteamos atrás de ídolos corrompidos que evitamos reconhecer. Defendemos e nos entregamos de corpo e alma para bandeiras de dor e desamor. Devoramos nosso tempo buscando amigos virtuais que nos trazem imagens supérfluas e frases desprovidas de real e pulsátil amor. Ansiamos ser amados! Realmente amados. Há consultas que deveríamos pagar ao paciente pelos ensinamentos que colhemos, pelo amor que experimentamos e pela evolução moral que ousamos persistir e tentar sempre. Tantas vezes embalamos nossos sentimentos em papéis de presente ou no espocar de rolhas vertidas em borbulhas e estalidos de cristal. Nada contra quem assim procede desde que o amor seja o presente maior e jamais confundido, postergado ou trocado. Que cada um de nós e todos nós plantemos essa semente em nossa alma imortal e que num filho e numa filha que Deus colocou ao nosso lado para que amparássemos e guiássemos possam um dia “secar nossas lágrimas e nos guiar” para a Luz e afastar as sombras de nossos sofrimentos. Obrigado!

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A lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 18 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 18 Agosto – A Lágrima do Diabo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“A Lágrima do Diabo”!

 

C

hocou-se com o título? Então abra sua mente e seu coração e vamos adentrar um território de alto risco para o corpo, para a mente e para a alma. Uma paciente trouxe-me sua mais extrema intimidade durante uma consulta. Sou médico de sua mãe e irmão, entre outros familiares. Agora na sua aposentadoria, depois de extensa vida na educação, de ter trilhado as dores da dependência química e dos sofrimentos amorosos, dedica-se ser cuidadora de sua mãezinha idosa. – Doutor, posso lhe contar uma coisa que nunca disse pra ninguém na minha vida e nem para o meu psiquiatra? – com os olhos buscando os meus. E continuou depois da minha concordância: – Penso em morrer. Já pensei em me matar e…! – senti o brutal sofrimento das palavras arrancadas de seu coração. O grande amigo e mestre Dr. Antonio Veiga afirma sempre: – O terapeuta deve amar seu paciente! Entendam como o amor à humanidade, ao ser humano, o amor Crístico e sem nenhuma outra conotação física ou material. Imenso conhecimento técnico é insuficiente para o melhor tratamento se não houver amor. Agora afastada das drogas, a paciente motiva-se com a atenção à mãe idosa e enferma e reparte amor com trabalho espiritual dedicado à comunidade. Na nossa concepção cristã, tirar a própria vida ou simplesmente desejar instaura um processo de dor e culpa que corrói a pessoa.

 

Cr & Ag

 

Nem sempre o terapeuta é somente o psicólogo ou psiquiatra, médico ou representante religioso, mas frequentemente busca-se conforto e apoio no cônjuge, nos filhos e familiares, nos amigos, na fé religiosa e até nos animais. Somos seres que necessitam do toque do amor. Ensinam-nos que temos anjos de guarda ou seres de luz que nos protegem e orientam. No entanto, o lado negro da força está também conosco. Onde há luz há escuridão e sombras entre elas. Somos nutridos pelo bem e assediados pelo mal. Diversas situações levam-nos para esse caminho, descaminho ou atalho fatal – desamor, ausência de horizontes, enfermidades graves ou crônicas com severo sofrimento físico e mental, velhice, mortes de pessoas amadas, solidão, etc. A multifacetada enfermidade depressiva acomete também à criança, apesar da miopia de médicos e familiares. A ciência não criou nenhum aparelho que consiga quantificar ou medir a dor mental ou espiritual. Nem a felicidade! A mesma dor e sofrimento que alguns desdenham, outros são literalmente despedaçados. A mutilação física é medida com a perda de órgãos ou membros, mas muitos acreditam ser “frescura, bobagem” ou outra explicação tosca aos quadros depressivos. A psicoterapia e os tratamentos medicamentosos são da área médica. Nosso alerta é para os demais.

 

Cr & Ag

 

Jamais o terapeuta pode ser o juiz, o júri ou o carrasco do seu paciente. Quem ama deve ter cuidado dobrado e raciocinado. “Dizer a verdade”, “o mundo é assim”, “tempestade em copo d’ água”, “tem tudo pra ser feliz”, “tem gente muito pior”, “essa mulher (ou homem) não vale tua dor” e vai por essa senda para alguém em sofrimento e muito vulnerável, muitas vezes não ajuda como até agrava. Muitas pessoas e especialmente familiares encaram a situação depressiva como aversiva ou contagiosa, uma lepra mental e afastam-se. Em vez de oferecerem o abraço, o ombro, o carinho e a proximidade amorosa distanciam-se. Quantas vezes vemos belos funerais, prantos e lamentações, o retorno dos ausentes e a  sutil ignorância  quando faltou amor em vida. Alertemo-nos! Atitudes e comportamentos, até inconscientes, revelam as sombras da dor interior. “Homem não chora, diz um verso e vai embora!” – tão poético quanto desprovido de verdade. Somos humanos, independente de gênero, cor, ideologia e outros portantos. “O mundo anda rápido demais” e “precisamos trabalhar” serve como atenuante? Quantas vezes não queremos enxergar aquilo que nos machuca os olhos e nos agulha os sentidos, pois nem todos ainda depois de longo esconder (como a paciente) e nem com tal veemência expressa seu desejo que a única certeza depois que nascemos seja mais breve e o suposto alívio – jamais será alívio real! – antecipado. Somos seres imperfeitos em busca de entendimento e assim iluminar nossa alma e afastar as sombras e a escuridão de nós, das pessoas que amamos e de quem estiver nessa jornada.

Anjo e Inferno

Espontaneidade! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 11 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 11 Agosto – Espontaneidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Espontaneidade

 

O

lhe-se! Sente-se progressivamente robotizado? Ou ainda se conserva natural e espontâneo? No evoluir da humanidade, os povos desenvolveram calendários para marcar suas efemérides ou simplesmente datas especiais. O império romano universalizou a marcação do tempo. Talvez até acreditasse que assim dominaria ou domesticaria o tempo como realizava com outros povos pelo poder de seus generais, suas legiões e seu modo de vida. Doce quimera! No entanto as pessoas passaram a identificar melhor até a data de nascer e de morrer. As pessoas viajavam, emigravam, iam combater em terras distantes e lá plantavam novas raízes e assim novas famílias. E a origem? A Igreja divinizou os dias do calendário com suas datas santificadas e dignas de comemorações. Isso se estendeu às famílias plebeias. E os aniversários deixaram de ser festivos somente aos ricos e poderosos.

 

Cr & Ag

 

No entanto, a roda do tempo jamais deixa de girar e as necessidades das pessoas são “pessoais” (perdão pela redundância escolhida). O comércio aproveitou e criaram-se dias festivos para tudo e para todos. Isso auxiliou as pessoas a demonstrarem seus sentimentos com datas predeterminadas. Quando a vontade de olhar, sentar junto, conversar, abraçar, beijar toca nosso ser, podemos deixá-la bem guardadinha em algum lugar da mente ou do coração e permitir que se exteriorize no dia do amigo, no dia do aniversário, no dia… Olhem que maravilha – sem culpa! Pois isso é normal e todos fazem assim – expressamos. Até amamos a humanidade quando nos conectamos numa rede social. E nos contentamos em ser amados ou lembrados naquele belo e cintilante dia mesmo que a espontaneidade não exista mais.

 

Cr & Ag

 

As mais belas obras literárias ou artísticas brotaram da espontaneidade. Até a sexualidade foi domesticada – “toma o comprimido, em 30 minutos o pênis bate continência e está apto ao combate”. Com data e horário de início e fim. Um ato de amor e com muito amor, para muitos se degenerou numa troca garbosa de fluidos e quando não filmado e documentado para exposição virtual – “somente entre nós!”. Os templos esportivos, da cancha atlética, das piscinas aos gigantescos estádios de futebol – vejam como na Europa os estádios lotam! – buscamos a espontaneidade do grito de vitória ou o berro de dor que a derrota nos avassala. Ali ainda buscamos nossa identidade humana com algo que é intrínseco, interno, íntimo e do âmago de nossa humanidade. Ali os sentimentos florescem e afloram num aluvião. Ali nos permitimos odiar e amar, mesmo aos nossos mais próximos amigos ou familiares. Ali deixamos de lado por certo tempo a robotização crescente de nossos sentimentos e a manifestação de nossas emoções.

 

Cr & Ag

 

Não possuímos o que amamos e tantos se sentem plenos ao amar o que acreditam possuir. Amor? A vida é um contínuo evoluir em desapego. Inclusive dela própria, quanto o mais de datas, posses, presentes e do poder que inebria e corrói nossas sensibilidades, amortece nossos sentidos e sentimentos e embrutece nossa alma. Nada é perfeito. Somos imperfeitos. Sofremos com nossas dificuldades em melhorar, evoluir e “amar” sem datas programadas. A idade será sempre um adversário. Na infância somos incapazes, na juventude, acreditamos na “vida eterna”. Na vida adulta “não temos tempo para isso” e quando os anos pesam, estamos como a árvore velha que pouco ou nada se verga…

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O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 04 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 04 Agosto – O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O Inverno da Alma!

 

O sol primaveril em pleno Agosto do inverno do ano doloroso de 2015 entra docemente entre os braços das cortinas e vem agulhar meus olhos. Ainda quero um derradeiro cochilo. Talvez um sonho a embalar ou na preguiça matinal deixar a mente rolar entre os lençóis e respirar no travesseiro tantos momentos, tantas estradas, tantas passagens belas muitas e outras para reforçar nosso espírito no tempo da existência. O clima mudou e as pessoas mudaram. Os cenários mudaram, no lugar dos dinossauros prestes a nos devorar outras criaturas também ameaçam nossa vida. E a vida de nossos familiares. E das pessoas amadas. E daqueles que não conhecemos pessoalmente, mas nos solidarizamos com suas dores e perdas nos noticiários ou na vastidão das redes virtuais.

 

Cr & Ag

 

Há pessoas demais no planeta? Estamos confinados numa ilha cercada de magníficas estrelas, sóis de todos os tamanhos, mundos a explorar, mas literalmente presos numa casa magnífica que tornamos cela ou presídio para uma humanidade que se autoconsome e que no último meio século destruiu mais o planeta que nos de milhares de anos  passados. Está no nosso DNA – Destruição Nos Atrai! Cientistas, ali nas pestanas do século XXI, diziam que nossa nave suportaria em equilíbrio uma população de 2 a 2 e meio bilhões de pessoas. Navegamos com cerca de 8 bilhões de seres humanos uns e outros nem tanto. Continuamos guerreando por mais poder, por ideologias sinistras e fracassadas, por religiões que um deus quer esmagar os deuses dos outros ou seus adeptos. Nada nos satisfaz. O consumo de bens ou utilidades materiais e o consumo do ser humano crescem e os corações embrutecem. Faraós atuais acumulam riquezas numa voracidade que fariam dos dinossauros uns meros predadores de categoria inferior. Qual o caminho? Solução?

 

Cr & Ag

 

Somos seres de amor e de ódio. No instante que uma criança diz para sua mãezinha: – “Quero que tu morra!” – por alguma contrariedade ou decepção, realmente o seu coração e sua alma desejam aquilo. No entanto, dispara-se um gatilho de dor em seu interior e o receio e o medo absoluto de que sua mãe realmente venha a morrer, gera-se um sentimento doloroso, a culpa. Logo o amor contido se extravasa num abraço, num beijo, num choro ou em palavras. Nós seres comuns desse mundo somos inundados e vários são consumidos por ódio. Mas também alimentados, nutridos e acalentados pelo amor. Somente cada um de nós tem o poder divino de optar por qual sentimento ou caminho persistir na sua jornada. Acredito que há criaturas que nascem absolutamente malignas, na sua essência e não se permitem crescer no amor. Seu horizonte será de dor e dominação, posse e poder e o inverno persistirá em seus corações enquanto não desejarem que os raios luminosos do amor modifiquem sua existência. Entenda que não expressamos aqui somente o amor físico, o amor fraternal, o amor paternal, entre outros entendimentos, mas uma modalidade, uma forma, uma essência plena de pureza e absoluta no universo que tem em Cristo o seu modelo.

 

Cr & Ag

 

A transitoriedade do inverno com suas dificuldades e dores tem sua necessidade de entendimento e de aprimoramento e logo seremos despertados de alguma sonolência ou de um coma de sensibilidades alteradas ou quase apagadas e nossas memórias sentidas ou ocultas nos ajudarão a despertar mais alguém. Você já abraçou alguém hoje somente por amor? Espera alguém tomar a iniciativa? Ou algum ser da natureza que nos cerca, protege e nutre? Comecemos! A reação em cadeia necessita de uma primeira explosão. E que seja de Amor!

Disinganno - por Franchescko Kvirolo - 1757

1757 – DISINGANNO – por Franchescko Kvirolo – totalmente em mármore

Luiz Eduardo Gautério GALLO–recebeu livro A Pizza Literária

 

Grande amigo Edson:

O carteiro acaba de entregar aqui em casa o livro que me enviastes.

Como solicitado, estou confirmando o recebimento.

Vou começar a leitura pela página 174. Teus colegas não vão ficar sabendo; depois eu volto às páginas iniciais…

Quero te agradecer a gentileza do envio e ressaltar as palavras da dedicatória. De fato, nos meus 27 anos de Viamão, 1975 a 2002, tive a oportunidade de criar algumas raízes, fazer muitos amigos e marcar principalmente a minha trajetória profissional. E você, Edson, como médico, vizinho e amigo de muitas horas difíceis, sempre me ajudou nessa trajetória.

A distância que nos separa hoje serve apenas para reforçar meu respeito, admiração e carinho, por ti e tua querida família.

Aqui na minha aposentadoria tranquila e olhando o mar da Praia do Cotovelo seguirei acompanhando teu trabalho literário. Nesse momento estou lendo “Não há silêncio que não termine” da Ingrid Betancourt, aquela senadora colombiana que foi sequestrada e ficou 7 anos nas mãos da guerrilha, na selva amazônica. É um bálsamo para o nosso sentimento de liberdade e para reforçar os direitos humanos.

Depois vou atacar de pizza literária!

Abraços e até breve.

Gallo