Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 29 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 29 Setembro – Aquilo que eu não digo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Aquilo que eu não digo

 

T

alvez, com exceção dos golfinhos, sejamos os seres terrestres que mais neurônios usamos para nossa vida e nossa comunicação e interação com os outros seres e conosco mesmo. A nossa essência vital exige e necessita que estejamos próximos de outros seres e que neles busquemos algo que entendemos como retribuição, mas que verdadeiramente é a confirmação daquilo que sentimos e ansiamos de nós mesmos. Vamos a uma pequena história e real como essa crônica. Um casal de amigos, depois de longa viagem de motocicleta em que atravessaram o continente, saindo aqui do oceano Atlântico e estando sentindo no rosto a maresia do oceano Pacífico e com os olhos absorvendo belezas embaladas por aves bailando a sua volta e a mente agradecida acomodando tantas emoções, curtia-se naquele dia que de moldura e tela de fundo cumpria as bodas de vinte e cinco anos de amor. Eis que ela entre carinhos e reticências, argui-lhe: – Tu me amas mesmo? – os corações, mesmo enamorados e entregues, necessitam a confirmação recorrente, como um referendum a cada tempo, o endosso verbal do amor. Alguns suspiros depois em que os olhos se mesclavam e amalgamavam suas almas, ele respondeu-lhe: – Eu me amo!

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Cr & Ag

 

Interjeições anuviaram seu coração. – Então tu não me amas?! – com a dor manifesta nas feições e uma lágrima brotando em desgosto depois de tudo e de tanto… Ao que ele estreitou-a amorosamente em seu peito, beijou com a suavidade do beija-flor os seus lábios que se afinavam e após retirar alguns cabelos que a brisa do mar trazia para sua face, explicou-lhe: – Eu te amo tanto e por tudo, porque eu me amo. Ninguém consegue amar integralmente e realmente outra pessoa se não se amar absolutamente. O amor sai do meu coração e da minha alma, vai ao teu coração e à tua alma e retorna para mim com essa essência imortal que é o nosso amor. Ela talvez ainda não tivesse assimilado, digerido e compreendido, mas suas palavras reverberaram profundamente, como sempre, e uma sinfonia em perfeita sintonia acomodou-os no amor que tanto e tão bem ainda hoje (outros vinte e cinco anos depois) cultivam, protegem e exercitam. Palavras! Podemos demonstrar o que somos e aquilo que sentimos pelo outro de tantas e tão maravilhosas formas e maneiras. Pela linguagem corporal desde o singelo piscar de olhos ao abraço mais íntimo. Podemos amar intensamente e não somente habilmente copular. Ou presentear. Dançar ou somente entregar-se a uma melodia ou a sua poesia. Ou uma mensagem escrita do próprio punho e com os perfumes de nosso ser. Tantas e tão belas e sublimes maneiras e alternativas!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Mas, para a imensa maioria de nós humanos, jamais podemos ausentar as palavras, ou desmerecê-las, e tardá-las. Postergando-as para outro tempo, outro momento ou quando for preciso. Para quem? Não dominamos o tempo. Quando eu devo ou posso e não digo talvez jamais aconteça de poder expressar-me novamente e o amor será ensombrecido, tisnado nalguma alma. – Eu sei que ele (ou ela) sabe do meu amor! – tantos dizem assim. Tantos relacionamentos acabam ou não evoluem assim. Precisamos e nossas almas necessitam da verbalização integral, completa, da voz mais real do nosso ser, não como a arma do convencimento espúrio, mas com o dom e a benção de nos aproximarmos e nos integrarmos com a essência das existências, com a luz da vida – o amor! O daqui a pouco ou outra hora não nos pertence. Transfira o amor entre dois seres de um casal para qualquer situação de amor e nada muda desse entendimento. Somos seres de amor e de ódio. É absolutamente errôneo o entendimento de que nascemos puros e somos desvirtuados pela vida. Estamos nessa existência com os conteúdos de amor e de ódio, entre outros, trazidos pela nossa alma imortal. O ruim e o belo fazem o que nós somos, mas também nos habilita, permite e nos dá as ferramentas essenciais para evoluirmos… amando. E verbalizando! Tornando em palavras aquilo que somos e para quem somos.

 

 

 

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