Lúcia Barcelos – Singular Poetisa e Escritora – Presidente da Associação Literária de Viamão – ALVI

 

O tempo passa tão depressa: parece que foi logo ali, enquanto as estrelas do céu me observavam no silêncio das noites, com um livro nas mãos…
Enquanto lia CRÔNICAS & AGUDAS, pensava na natureza do autor – Dr. Edson Olímpio Silva de Oliveira – e naquilo que move todos os escritores, ficcionistas, poetas… E uma frase de Sandro Vaia, que pipocava em minha memória, traduzia os códigos secretos das almas que vibram na mesma frequência: “estranhos seres esses, que pisam nas nuvens, enquanto os mortais, aqui embaixo, tropeçam nas pedras das ruas (…)”.
Tão delicioso caminhar pelas linhas das CRÔNICAS & AGUDAS, sem tropeço algum, ouvindo atrás de cada palavra, o estalido dos acontecimentos, que são a matéria-prima de quem tece e registra histórias.
Antigas bravuras narradas pelo amigo Dr. Edson Oliveira, onde pernas de sol, lágrimas de chuvas e clarões de coriscos, penetraram-lhe a imaginação, e jamais recuaram no decorrer dos relatos, ainda que ante os limites do perigo e das incertezas, porque criatividade desconhece barreiras!
Enigmas, dramas, humor, faces adversas do cotidiano, tudo em oferecimento à roda do relógio das palavras, com um gosto de eternidade sem ponteiros! Foram estas as sensações que captei das CRÔNICAS & AGUDAS.
E aí entendi que poeta não é só aquele que derrama ideias e sentimentos em versos e rimas. Poeta é, sim, todo aquele que capta as linhas soltas no espaço: tênues linhas, fios das vidas. E as observa. E as enleia com paciência e mestria, no tear da palavra. Linhas que enlaçam o imaginário e prendem ausências, emoções, campos, estradas e ruas, tudo num único novelo!
E neste pouco de tudo, ou de tudo um pouco do cenário criado pelo Dr. Edson Oliveira, onde convivem diversos elementos imagéticos e reais, que a riqueza do engenho literário permite, existem, permeando as CRÔNICAS & AGUDAS, roncos de motocicletas para acordar a sensibilidade das pessoas. Existe voz em cada letra. Existem lembranças vividas e compartilhadas, que preenchem o álbum do momento presente, também dos leitores. Pois a linguagem poética subverte a razão e a lógica. E o Dr. Edson Oliveira é um cronista que permite à fotografia da saudade, deitar-se no pensamento, depois de tanto transitar pelo recinto dos fatos que, jamais cairão no esquecimento, porque imortalizados em suas CRÔNICAS & AGUDAS.

Lúcia Barcelos, escritora, poetisa

Rabos! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Abril 2016

2016 – 04 – 12 Abril – Rabos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A situação está dum jeito que urubu voa de costas e até as aranhas do Raulzito Seixas se atracam nas manifestações. Insano! Tem criatura que está como cachorro correndo atrás do rabo. E a turma do bem que procura a inteligência e o bom senso depois do arco-íris embandeirado quer o bom humor do cronista. E nada melhor do que os causos do dia a dia, entre uma conta e outra para pagar é o amor que surge numa praia gaúcha. Beleza!

 

 

Rabos! Para todos os tipos e gostos… ou desgostos.

 

Há quem diga que amigo é como o osso da costela – torna a carne ou a vida mais saborosa. E quando distantes, sentimos a sua falta. Mas pertos e frequentes demais há o risco de overdose e celebrando a esperteza popular que ensina que muitos macacos no mesmo galho – quebra o pau! Em todos os sentidos. – Edinho! E aí cara tudo magiclick (N.do C. – analogia com antigo aparelho de acender fogo em que a propaganda mostrava ser imune às falhas; tudo legal). E a moto? – num abraço amigo. Continuou: – Temos que botar as contas em dia e fazer meu check-up, mas agora véio to amando um rabo de saia que conheci no Quintão. Cara sempre fui ligado em cerveja e mulher. Cerveja é quase mulher engarrafada. Nunca dei muita sorte com casórios, tô sempre em standby e no mais a fila anda, sabe né. E pros dois lados. E quando vi o material de biquíni cavadão com uma mega tatuagem de colibri no corcovado… tropecei no guarda sol e cai em cima do salva vidas. E o cara me encarou com a linguinha entre os beiços. Eu fora dessa! Já é uma 4.4 em diante, mas com uma pegada de fórmula um. – continuou narrando a epopeia inicial desse ‘love’ praiano com mar chocolate e nordestão furioso..

 

Cr & Ag

 

O Diabo nunca anda sozinho, está sempre em tribo” – ensinava o velho Cabeleira. E os rabos nunca estão sozinhos. A mídia expõe diariamente a turma com o “rabo na reta e os rabos presos” na operação Lava a Jato. Como os tempos mudam. Aqui em Viamão City, a capital dos pichadores, Lava a Jato sempre foi a excelente e rápida lavagem do amigo Ganso. Quer um carro muito bem lavado – Ganso nele. Outro amigo dizia-me: – Edinho, estou num rabo de foguete. Cara to engatado do primeiro ao quinto. E invertido. (N. do C. – analogia com o Jogo do Bicho, estamos bem culturais hoje) A nega véia pediu as contas. A Lurdinha voltou pro armário e o Zé Dirceu tá internado. Já queimei meu cartão de crédito com ele, estou enfiando cheque tricolor e ele não sai do soro. Pois é Edinho. Mulher a gente substitui, mas o cachorro da gente… O Zé Dirceu tá comigo vai mais de doze anos. Apareceu uma cadela corrida, ele saltou o alambrado e bateu de frente com um buldogue do tamanho do Maguila. Se ferrou total. Ele assistia aos jogos do Inter comigo e vibrava com os golos do Colorado mais que o Alexandre relojoeiro. Ele lambia a foto do Dalessandro que coloquei na casinha dele. – os amigos vão ratear a conta do hospital sem SUS nem bolsa do cão amigo.

 

Cr & Ag

 

Outro amigo indaga-me se a terrível luta, uma batalha campal, de dois famosos esteticistas capilares (barbeiros) viamonenses em Camboriu há tempos passados era real, lenda urbana ou “pareciam, mas não eram eles”? O insaciável leitor dessa portentosa coluna já se indaga: – Onde está o rabo? Explico. Contam que um dos dois barbeiros aplicava ‘rabos de arraia’(luta marcial baiana) jogando os bonecos, digo, adversários para os lados. Inclusive imagens da época mostraram policiais militares carregados de ambulância. Dizem que nas criaturas, quando o sangue tisna o olho, assumem as feras ocultas e jamais domadas. Nada posso confirmar ou desmentir. Semelhanças são comuns. Todo mundo sabe quem é o Lula, mas nada foi com ele. Parece que é, mas não é. Entenderam? Não? Nem eu! Via das dívidas guardo um “rabinho de coelho” que sempre deu sorte (não para o coelho).

amor-reflexo

Luar em Roraima

Enviado do meu smartphone Sony Xperia™

Diego Paim! Livro é sempre um presente do coração. Abril 2016.

 

2016 - 04 - Diego Paim

Soledade–RS. Bancos de sua principal praça. By 7720

Banco de Praça - Soledade

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Crônicas & Agudas. Dilamar Bitencourt!

 

2016 - 04 - Dilamar Marcelo Bitencourt

“Pau de dar em doido”. Por Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas.

 

2016 – 04 – 05 Abril – Pau de dar em doido – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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“Pau de dar em doido”

 

N

o ano da Esperança e da Sobrevivência de 1975, estava de plantão no Hospital de Caridade de Viamão quando chegaram dois bombeiros trazendo um companheiro desacordado. Contaram que a homem chegara em sua casa e encontrou a esposa num embate nos lençóis com outro homem. Depois de “um pega pra capar”, “sossega leão”, “essa mucreia não vale o que come”, “te escapa que tão pegando”, o cara surrou quem apareceu pela frente e, principalmente, por trás. E apagou. Como sempre, a ‘turma do deixa disso e quem te pede sou eu’ imaginou e configurou que o bombeiro tivesse um enfarte ou um ‘ameaça de derrame’. E trouxeram o homem para Viamão, certamente tentando escapar do plantão policial do HPS, Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. Hoje o hospital não tem uma face principal –talvez nem secundária. Naquela noite o acesso era pela marquise. Colocado numa maca de ferro no antigo consultório do Dr. Wenceslau Vieira, comecei a atendê-lo. Outros dois colegas estavam no território apache, o Dr. Jones e o Dr. Peralta. Eis que a criatura começou a se agitar, apesar da medicação a agitação tornava-se mais e mais violenta. Mais de seis enfermeiros e a Irmã e os dois bombeiros não conseguiam contê-lo. E o vulcão detonou e destruiu literalmente todo o consultório e a portaria do hospital. Tentava-se evitar que fosse para as enfermarias infantis próximas dali. O surto psicótico aumentava. Um dos colegas chamou uma viatura da Brigada que fazia ponto ali no antigo Texaquinho (hoje Ipiranga, naquela época até no Texaco tinha brigadiano, hoje nem no Posto Ipiranga). Dois brigadianos chegaram no “qué que foi meu”. O primeiro atingido caiu nocauteado e o capacete, chamado pelo povo de ‘pinico’, rolou até o outro lado da rua. O segundo sacou do cassetete sem chance de usar. Apanhou até fugir. A Irmã havia ligado para a Brigada e solicitado o regimento inteiro com os reservas e mais o time do Tamoio. Em outros tempos o povo dizia que ‘foi a coisa mais linda de se ver’, era brigadiano descendo o cassetete e os ‘pinicos’ rolando. E como gaúcho não pode ver uma pauleira sem meter o bedelho, desceu uma turma do famoso “7 Facadas” que era um misto de tudo ilegal que poderia haver e todo mundo sabia. A maioria numérica venceu o bombeiro que apesar de algemado e atado como uma múmia parecia se soltar a qualquer momento. Colocado num camburão e levado ao São Pedro, que na época era hospício. Os sobreviventes dividiam-se entre fundilhos comprometidos, covardes bom de garganta, o pessoal do ‘nauseocômio’ e a turma que ‘desceu o pau’… e apanhou que nem boi ladrão . Contam, isso eu não vi, que no São Pedro foi outra balada com direito à vanerão sambado.

 

Crônicas & Agudas

 

Naqueles tempos crepusculares, alguns alegam que havia ditadura para uns e ‘ditamole’ para outros, o pau cantava de dar dó e aiaiai e uiuiui. E não precisa muito. Até colega de farda apanhava. Alguns mais religiosos queriam acrescentar um adendo ou parágrafo especial nos Mandamentos: – Jamais cornearás um bombeiro grande, forte e macho uma barbaridade. Um misto de gaiato e místico colocou isso no banheiro. Filosofia de banheiro é coisa que sempre merece reflexão, pelo menos enquanto sentados na situação de todos são iguais. Conta-se que um aluno indagou ao mestre nos introitos acadêmicos: – Mestre, como saberei de pronto se a criatura é louca ou não? O mestre do alto de sua sabedoria, mas louco de sono, respondeu: – Gafanhoto, se não comer estrume e não rasgar dinheiro, ainda pode ser sadio!

 

Cr & Ag

 

Outros tempos em que os cinemas enchiam para ver mocinho matando índio. Pensar  hoje, dá cadeia sem direito a foro privilegiado. Duchas de água gelada eram usadas para tratamentos e para tirar “fêmeas do cio”. Um ditado viamonense: – Tomar choque no Cocão! – uma mistura dos choques com o bairro Cocão. O boneco ia para o famoso e temido porão da Oitava (delegacia) e apanhava da polícia e dos insalubres companheiros de cela. O pau-de-arara também tinha pau. Lembrei-me desse episódio de meu passado em que o Juramento de Hipócrates pesava bem mais que o “Money” sem a amizade das empreiteiras quando escutei na mesa ao lado: – Essa louca é pau de dar em doido, burra de dar dó, mas obediente ao chefe! Um som, um perfume, uma coisa qualquer faz partejar vivências quase esquecidas. E afloram!

 

2016 - 04 - Tainha - Alegrias, Saúde

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