O Zoo e as Feras! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 01 Agosto 2017.

 

2017 – 08 – 01 Agosto – O Zoo e as Feras – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Zoo e as Feras!

E

is que na última quarta-feira, Dia dos Avós, levamos, durante à tarde, o neto Lucas para visitar o Zoológico de Sapucaia do Sul. Tarde primaveril, com magnífico sol que aquecia os corpos e estimulava as almas já se acostumando com a ausência do rigoroso inverno gaúcho. Os estacionamentos do Zoo e suas ruas estavam repletas de crianças de todas as idades, nenhuma com a cabeça branca como um risonho avô. Sabemos que o parque e a instituição que o mantém estão num período de transição com a iminência de ser privatizado, pois o Estado do Rio Grande do Sul, que ainda tem rio, poluído é verdade, mas deixou de ser grande faz bom tempo, não consegue saldar adequadamente a folha de pagamentos do funcionalismo. Isso traz desconfortos e desassistência para muitos e o Governo se vê numa sinuca ou com a mão e todo o corpo numa cumbuca de titânio e a famosa “escolha de Sofia” virou atividade diária. Ou põe dinheiro que não tem na saúde caótica de postos e hospitais ou investe nas feras e nos animais.

Crônicas & Agudas

Observa-se a nítida degradação dos equipamentos e das instalações. Sinto que a quantidade de animais diminuiu em relação às outras visitas no passado. Mas a turma estava feliz assim mesmo e o alarido das crianças põe sangue novo numa ordem anárquica que virou a vida, o cotidiano dos sobreviventes gaúchos e brasileiros. É pipoca e sorvete para tudo que é lado. Os pais estão tranquilos com os filhos de colo, mas com o coração aos saltos tentando controlar o ímpeto das crias correndo de uma jaula à outra. No grande cercado da elefanta havia uma jovem com uma paciência maior que a criatura de trombas e bunda virada para a plateia efervescente. Ela se detinha a responder perguntas das crianças e dos pais e cuidadores com graça e bom humor. Incrível! E é funcionária pública ainda! Como muitos de nós fomos e acreditávamos na nossa dignidade profissional e no trabalho. Trabalho! E fornecia, várias e repetidas vezes, os dados pessoais da senhora trombuda e ainda pincelava sobre outros dos animais do Zoo. Magnífico!

Cr & Ag

As distâncias devem ser percorridas com denodo pelos avós no rastro do neto. A paradinha para o fôlego e para a água deve ser rápida como pistoleiro do velho e saudoso oeste. Há momentos em que a avó assume o manche e pilota a aeronave e aí se curte o grande lago e o bailado dos cisnes de variadas espécies. A placa orienta que o belo chafariz na verdade é um aerogerador que “torna a água oxigenada”. Todos os netos sabem disso! E sabem que se “um zumbi cair no lago ele não morre afogado, apesar de não precisar nadar”. Vale até uma soneca à sombra e com o lago e os cisnes por testemunhas. O urro distante parecia que algo muito grande e feroz se aproximava. Perambulamos pelas jaulas dos macacos e suas arteirices. Um trator com reboque iniciava a colocação de caixas de alimentos próximas às jaulas para que os tratadores as dessem aos animais. E logo estávamos frente a frente com ursos, calmos e sonolentos. E logo a jaula com a dupla de tigres em frenética atividade em saltos e caminhando por troncos de madeira.

Cr & Ag

A origem dos rugidos – um leão, muito do cabeludo, urrava para a torcida e para a fêmea dorminhoca. Dizia que comeria qualquer um daqueles com óculos e tudo. Bichão cabeludo e marrento. Mostrava unhas sem pintura ou base – cara macho mesmo! Fedia! Gaúcho macho barbaridade. Tudo com a jaula nos protegendo, mas se um funcionário surtado ou dos direitos humanos soltasse o leão… Se um psicólogo ou psiquiatra atestasse seu bom comportamento e ausência de risco para a sociedade… Instalações desumanas? Excesso de lotação? Sei lá que canetaço daria, mas solta a fera, o leão iria se fartar nas criaturas indefesas. E tive o estalo que a caneta de muito juiz, delegado ou autoridade está fazendo isso o tempo todo conosco. Nos desarmaram, nos impedem da defesa e liberam as feras sanguinárias. E as jaulas que deviam nos proteger? Estão nos nossos muros, portas e janelas e as feras soltas, rondando e atacando!

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