Perfeccionismo & o Diabo e o Nariz do Filho! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna 22.

 

Perfeccionismo

&

o Diabo e o Nariz do Filho!

 

                        Existem criaturas tão meticulosas naquilo que fazem que nos causam preocupação. Um amigo de um amigo meu cultiva um bigode, isto é, um projeto de bigode já que ele pertence a um grupo de homens em que os cabelos escassos tentam encontrar os cabelos inexistentes. Disse que nunca seria cliente do fantástico Panca, o barbeiro, porque ele não tem bigode e logo não saberia cuidar do seu. Os fios são aparados com régua milimétrica e tem o mesmo número de cada lado.

 

Tenho um outro amigo motociclista que quando se dispõe a lavar a moto é como se acontecesse o juízo final. Tem que se apresentar o mais limpo e puro possível. E ele se dispõe freqüentemente porque ninguém lava como ele.

 

— E ainda esses lavadores são todos descuidados, jogam água dentro do escapamento e no carburador, passam pano sujo, sentam no banco e outras promiscuidades. – dizia. Imaginem alguém limpando uma moto de cotonetes, pois então estão vendo o homem. Se alguém achar uma molécula de poeira, ganha a escolher: uma cesta básica ou um Chevette ’76.

 

 

                        Mas contam os iniciados que na aurora dos tempos, isto é, no começo do mundo, o diabo também morava no paraíso. E ainda não havia as brigas com o Criador. O mundo era mais pacato e harmônico, pois a Eva ainda não era nem projeto. Continuando, o diabo, certo dia, estava na varanda de sua mansão infernal tomando um bom chimarrão com erva mate sem agrotóxico e conversando em alegre bate-papo com outros diabos.  A criançada, digo, os diabinhos estavam brincando: uns de triciclo, outros de faz-de-conta sendo políticos no Brasil, outros de pivetes, outros ainda como diabos-de-guarda de políticos, etc.

 

Então que o diabo velho-chefe observou o nariz de seu filho predileto. E não achou um nariz condizente com a importância e a origem do diabinho. Determinou a um cupincha que levasse o nariz e o filho para o hospital e o internasse. Mesmo com a crise infernal do hospital com emergência lotada, SUS, macas nos corredores e falta de dotação orçamentária, convênios caloteiros, o prestígio e autoridade do chefe prevaleceram e o menino foi internado numa suíte presidencial. Convocou um anestesista demoníaco e como não confiasse nos cirurgiões-diabos-plásticos infernais, resolveu ele mesmo operar.

 

Planejou no computador todos os traços que julgava perfeitos para o dileto rebento. E se bancou a operar. Foi a primeira cirurgia plástica da história. A segunda foi o esquema da costela do Adão que foi transformada em mulher e que ainda tem gente até hoje tentando repetir o feito… E o diabo continuava operando. Era bisturi para tudo que era lado. Até transfusão de sangue. Volta e meia ele parava e observava a sua obra e ainda insatisfeito com o resultado, reiniciava tudo de novo. A platéia observava sem expressar qualquer desaprovação, ao contrário, eram palmas e foguetes. Apesar de todos, até os cegos, verem que o resultado era cada vez pior, a luta, digo, a cirurgia continuava. E quanto mais mexia, pior ficava. E assim foi… Pior?

 

E que isso tenha serventia para todos nós.

 

 

                        E assim temos companheiros motociclistas que fazem verdadeiras cirurgias plásticas em suas motos. Alguns são verdadeiros artistas. Mas como o conceito de beleza é algo muito pessoal, o resultado das suas operações pode causar risos e constrangimentos. Tem irmão de custon que pilota verdadeira árvore de Natal. Outros, geralmente jaspion ou speed, pintam suas rodas com as cores mais infernais. O pessoal das 250 às 500cc monta rabetas, aerofólios e “pinturas especiais”.

 

 

                          A Emoção é uma ditadora implacável em nossas vidas, deixando sua irmã Razão, geralmente, na poeira da estrada. (T.J.)                  

Moto - Paixão Eterna - 22 - 2017 - Egito

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O Gênio Inventor! Edson Olimpio Oliveira. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 21 – abril 2018.

 

           

"SAIBAM TODOS QUE LEREM ESTAS CRÔNICAS QUE EXISTIU UMA ESPÉCIE FANTÁSTICA DE HOMENS QUE PILOTAVAM MÁQUINAS MARAVILHOSAS CHAMADAS MOTOCICLETAS QUE RASGAVAM ESTE PLANETA COMO COMETAS RASGANDO O MANTO NEGRO DO CÉU".

 

 

 

O GÊNIO INVENTOR.

           

                                              

                                              Existiu em Viamão City um misto de motociclista e gênio. Leonardo da Vinci perto dele seria um aprendiz. Foi forjado a sangue, suor e graxa. Discípulo dos famosos mecânicos Pazzetto e Paulinho da Vimoto. Virava noites descobrindo os segredos desta namorada única, a MOTO.

 

  Foi campeão de moto-velocidade em Tarumã. O melhor piloto da região metropolitana da Grande Viamão, território compreendido entre Chuí-Vacaria-Pinhal-Uruguaiana. Criador da 1ª moto com aerofólio e suspensão tri-amortecida, com três garfos, além do garfo da mochila. Certa feita, só não participou da Procissão de Navegantes por implicância e perseguição dos Bombeiros que não permitiram sua MOTO-ANFÍBIA… Mas tudo isso fica para outra vez.

 

Ah! O nome da figura? É conhecido pelo apelido de COLHUDO NOVO. Seu pai é o…  VELHO. Gaúcho de quatro costados. Então o NOVO terminou de preparar um híbrido, um mutante. Uma moto transgênica. Um misto de XLX 350+Intruder 1400+Zanella. Por sinal, a Zanelona foi presente do Zavarize, recuerdos da sua juventude, e a Intruder uma doação do Linhares.

 

A motona estava linda que nem ceva gelada em dia quente, admirava o pessoal no Bar Point. E o COLHUDO NOVO trepou nela com vontade e saiu rasgando com todo gás aberto. Desceu o Fiúza, enveredou pelo Passo da Areia e fez uma primeira parada no Bailão do Valdeci onde se abasteceu. Explico: abasteceu-se com três loiras suadas. E deitou o cabelo de novo. Capacete só usava como ferramenta de trabalho em baile de chope – CANECO. Depois de muito passear e namorar no Lami e em Itapuã, viu a noite chegando. Resolveu voltar para Viamão City cortando caminho pelos campos da Varzinha. E vinha frouxo como rédea de cavalo de circo várzea à fora numa noite linda, de lua cheia e céu estrelado. Dessas noites de correr égua nas coxilhas e desentocar rinchão a pauladas. De repente, a INTRUXLXELA 1850 1/4 começou a tossir, arrotar, espirrar, engasgando e se traqueando toda. E o motorzão apagou de vez.

 

 

Abasteceu o seu tanque de cerveja e esqueceu a gasolina da moto. Abriu torneira reserva, mas a gasolina durou pouco. E aí? No meio do campo, de noite! Olhou para os lados e viu uma luzinha fraca do tambo de leite do compadre Abreu.                                                                 Deixou a moto e foi a pé. Lá chegando, bem recebido, encontrou o Abreu ordenhando as vacas. A Rural Willys sem uma gota de gasolina, o trator sem óleo e os candeeiros quase sem querosene. O que fazer? Como era homem cumpridor dos tratos, pegou emprestado um tarro com uns 20 litros de leite e levou à moto. Desceu a sacola de ferramentas que sempre carrega consigo e começou a trabalhar na máquina. Nem precisava de luz de tão clara que estava a noite. Depois de mais ou menos 3 h, derramou o leite no tanque e… Bateu pedal. Nada!

 

 

Sangrou o carburador. Outra regulada e uma prece para São Cristóvão, homem de fé, ex-coroinha do Padre Bernardo Machado. Bateu pedal a fusel e a bichona estremeceu, rugiu e pegou. O motorzão não estava muito redondo, pois faltavam umas ferramentas especiais. Montou e saiu contente várzea a fora. Depois de alguns quilômetros notou um ruído estranho, esquisito mesmo: schepp . . . schleppp. . . schleeppp. Como a noite era muito enluarada, pensou primeiro em assombração. Fantasma. Gaúcho corajoso não se intimidou.

 

Olhando para os lados, viu atrás de si um rastro no caminho da motona. Um risco amarelado brilhando na grama escura e refletindo-se no luar. Parou. Pensou consigo e disse em voz alta: — mas tem que ser. Passou o dedo naquela coisa que saía pelo escapamento e riscava a grama. Levou o dedo à boca: — MANTEIGA! MANTEIGA!

 

Ainda disse que o gosto não era todo normal, pois se misturou com restos de gasolina. Aproveitou enchendo um saco plástico para vender no Bar do Napoleão…

 

Acredite, se quiser!

 

 

 

Crônica 21 – Reeditada em Abril 2018 na Série: Moto! Paixão Eterna.

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Moto - Paixão Eterna - 21 - 2017 - Sibéria

O Acidente! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Total. Crônica 19. 29 março 2018

 

 

Saibam todos que lerem estas crônicas que existiu uma espécie fantástica de homens que pilotavam máquinas maravilhosas chamadas motocicletas que rasgavam este planeta como cometas rasgando o manto negro do céu!

 

 

 

O Acidente!

 

Há muito tempo, as minhas viagens têm uma característica especial: a chuva. O tempo pode estar bom com o céu sem nenhuma nuvem, mas no dia marcado para sairmos a indefectível acompanhante ali está de plantão – a chuva. Estou me tornando um especialista em turismo motociclístico com chuva. É chuva de tudo que é jeito e feitio. Acredito que só falta o granizo de meio quilo. Vamos bater na madeira (molhada da chuva). Quando na ida temos uma chuva torrencial, muitas vezes temos sorte no retorno, a chuva é mais leve, light, soft. Como se diz em Viamão: — chuvinha de fazer lordo (parafraseando, lodo=barro, lama com lordo=bunda, poupança, na terminologia viamonense).

 

 Tempo carrancudo. Fechado mesmo. Muito mal encarado. Até parecendo militante do MST-MC (1). A BR 101 tal e quais enormes cobras negras deslizando em sentidos opostos, carregando em seu dorso uma infinidade de caminhões. Jamantas, carretas imensas e carregadas. E entre elas, disputando o pequeno espaço restante estavam os automóveis, camionetas e, por incrível que possa parecer, as motocicletas. As nossas motos.

 

A minha moto chama-se Morgana VII(2). Após a praia de Camboriú a chuva resolveu compensar a sua falta no Nordeste. Era muita água. Os caminhões levantando um spray de óleo-água-barro tornavam as viseiras dos capacetes borradas. O dedo indicador esquerdo serve de limpador de viseira. Dentro dos carros, as pessoas assistiam estarrecidas, abismadas, como casais de motocicleta estavam enfrentando aquele tempo e naquela estrada. Mas de moto não se deve parar, deve-se tocar para vencer o clima ruim. Logo virá estrada melhor. Assim esperamos. Assim se pilota, diminui a velocidade e aumenta a adrenalina e os cuidados. As motos iam superando os demais veículos, principalmente serra acima. Serra abaixo, os veículos pesados até nos ultrapassavam. Infelizmente, a rotina da 101 começou a aparecer: acidente. Uma imensa carreta Volvo não conseguindo vencer uma curva em descida, encontrou um barranco salvador. Sim o barraco segurou o impacto da carga tombada antes de um precipício que a névoa com chuva impedia de enxergar-se o fundo. Talvez nem fundo tivesse! Ali já estava a Polícia Rodoviária. Cones listrados desviando o trânsito para meia pista. Estrada esgoelada. A tensão e a atenção devem redobrar em acidentes.

 

Nossas motos se alternavam em diagonal. Distância segura. Tocada firme. Os companheiros de trás sinalizavam e abriam espaço para uma carreta em velocidade alucinante. Ao passar por nós, jogou uma ducha de água e a cauda nevoenta marcou o seu rastro. A estrada fazia um “S” duplo. Entre nós e a carreta somente a estrada e a chuva. Atrás, mais e mais caminhões. Subitamente, a carreta começou a atravessar-se na estrada. Como uma contorção. Como se uma cólica entortasse seu aço. Não acreditei no que estava vendo. Parecia em câmara lenta.

 

O cavalo (3) riscava seus pára-choques no divisor de pistas em concreto. Faíscas saltavam como relâmpagos. Pedaços de fibra de vidro ou plástico voavam. A carroceria adiantou-se ao cavalo e a carga de bananas saltava como milhos de pipocas em banha fervente. Os cachos explodiam no asfalto molhado. Freios acionados de modo a não deslizar ou travar violentamente as rodas da moto, equilibrando a força entre o pé direito e a mão direita (4). Rápida olhada nos retrovisores e a outra moto devia estar fazendo o mesmo. Mas outro terror se avizinhava, os faróis dos caminhões cresciam rapidamente atrás de nós. Com certeza estavam com as mesmas dificuldades. Poderíamos ficar encaixotados, imprensados. 

 

Com o cavalo arrastando-se no concreto das divisórias de pistas, logo capotou. A fera, a carreta, ainda deslizava se fragmentando e à sua carga. Desviamos de alguns cachos de banana. Só Deus sabe como! Súbito abriu-se uma fresta, uma brecha, um espaço entre a ferragem acidentada e o concreto. A decisão única a ser tomada: tínhamos que passar ali. Se não tentássemos, o risco seria ficar compactado entre os caminhões. Aceleramos. Fechamos o punho (5) direito e as motos, como se entendessem o mortal perigo, responderam com energia e firmeza. Passando pelo portal foi como se nascêssemos novamente por uma vagina disforme e mortal. Cerca de cem metros adiante, paramos. Ainda se escutava o impacto de ferro contra ferro. Aço contra aço. E pessoas dentro das ferragens retorcidas. Tremíamos, ríamos, chorávamos e agradecíamos aos anjos-de-guarda pela proteção. Os coitados dos anjos deviam estar depenados e sem asas a estas horas. Retornamos a pé para prestar ajuda…

 

 

Telefone tocando. Era a portaria do hotel nos acordando conforme solicitado na noite anterior. Pijama encharcado de suor. Lençóis molhados de profusa sudorese. Corpo todo dolorido como se tivesse sido espancado. A esposa preocupada em saber que tipo de pesadelo tinha passado. Dizia que tentara me acordar e que eu parecia dentro de um transe. Respondi-lhe que não lembrava de nada. Evitei contar-lhe. Os companheiros estavam preocupados durante o café. A chuva continuava torrencial e teríamos que subir a BR 101 para São Paulo. Fiz uma prece silenciosa ao Mestre e pedi a sua proteção.

 

A estrada e a chuva… Sabes? Tu passares por trechos de estrada e lugares e teres a nítida sensação de ter estado ali? Tamanhos e cores de caminhões? Tinha até a carreta de bananas que passou por nós, em sonho, serra abaixo na curva em esse… Serra com pilotagem em dificuldade extrema, mas chegamos bem. Muito bem. E a felicidade do sonho ou pesadelo não ter sua concretização no mundo real. Será que foram as preces? Mensagem?

 

 

 

 

(1) MST-MC – Motociclistas Sem Tesão Motoclube.

(2) Muitos motociclistas colocam nomes em suas máquinas fantásticas.

(3) Parte da cabina e do motor que traciona a carga.

(4) A motocicleta freia com a mão (roda dianteira) e o pé direitos (roda traseira) simultaneamente e equilibrando o esforço para evitar o travamento brusco e a queda.

(5) O acelerador da motocicleta é no punho direito, fazendo a rotação.

Moto - Paixão Eterna - 19 - 2017 - Atacama

Notas da Madrugada! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 18

 

 

Notas da Madrugada!

 

 

Quando o sono não chega, talvez se atrasou flertando numa bailanta do infinito, ou não querendo desperdiçar cada segundo, cada minuto, dessa rápida e volátil existência. Aqui estou sentado na areia da praia em São Lourenço do Sul. A bela Lagoa dos Patos sempre me pareceu um imenso e ondulante lençol onde poderia acomodar-me e flutuando passar toda a eternidade. A noite está calma. Alguma ave notívaga insiste em chamar sua companheira e os grilos fazem uma serenata que trazem lembranças de amores que partiram. De sonhos desfeitos. De propostas não aceitas. De estradas sonhadas, mas nunca cruzadas. Mas que droga! Sai pra longe depressão!

 

 

Um arco de lua insiste em mostrar-se entre nuvens indiferentes que loucamente perambulam pelo céu estrelado. A brisa. Uma fresca brisa se arremete do nordeste trazendo o odor salitrado do oceano que está logo ali adiante. Respiro profundamente. Agradeço aos deuses a saúde e a felicidade de ali estar desfrutando aquele momento único. Então uma imensa alegria invade meu ser. Como se uma vibração crescente mobilizasse cada célula desse corpo, fazendo-o sentir-se vivo e agradecido. Minha amada olha-me melosamente. Ela está ali na minha frente com a areia a confortar-lhe os pés. Sua silhueta sempre me cativou. Enamorei-me de suas formas. Conquistou-me na primeira impressão. Logo que passamos a viver juntos, passei a compreendê-la e cresceu o meu amor. Conhecemos juntos os campos e as cidades, os desertos e as praias. Uma companheira inigualável. Fiel e corajosa. Dedicada e responsável. Quando estou com ela, jamais existe solidão. Ela me completa. Sinto o calor irradiado de seu corpo. Fecho os olhos e sinto uma lágrima surfar em minha face.

 

Ela é uma Nomad da Kawa, a verde Kawasaki. Poderosa. Inigualável. Morgana, chamo-a carinhosamente. Já tive outras companheiras. Fantásticas. Belas. Cada uma com a sua identidade. Cada uma com suas peculiaridades. E até suas manias. E manhas. Motocicletas são como mulheres – sensíveis e geniosas. Vem-me à mente a frase de um amigo da estrada: – Se fizessem um clone de cachorro e mulher o resultado seria a moto, sem os defeitos dos outros dois. Rimos. Há uma sensação de que o mundo, o tempo, sei lá, tudo parou nesse momento. Uma outra idéia insolente de sugerir ao novo Presidente que após o programa Fome Zero ela faça o programa Moto Zero – nenhum brasileiro sem a sua moto. Certamente seríamos uma nação mais feliz.

 

Infelizmente, os ponteiros do relógio são teimosos e implacáveis e a madrugada vai sorrateiramente fluindo por entre as figueiras que margeiam a lagoa. Mas o que seria da vida se novos e únicos momentos não se seguissem. Como um farol ao longe tingindo a escuridão e empurrando a derradeira estrela para outra jornada, o sol se faz anunciar. Será um belo dia que se avizinha. Levanto-me. Sacudo a areia das calças de couro negro. Uma troca silenciosa de palavras. Aliso com as mãos seu corpo. Sensual umidade. Coloco as luvas e o capacete. Seu motor rufa com meu coração. Lentamente, tomamos a estrada. Temos mais alguém a nos esperar – um lençol, um ninho e mais amor. Muito mais amor!

Moto - Paixão Eterna - 18 - 2017 - Ushuaia

MotoGay! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna. Crônica 17.

 

 

MOTOGAY.

 

 

 

Minhas andanças pela política me ensinaram que se devem apoiar as minorias sem jamais ser contra as maiorias. E durante longos e fumacentos anos de motociclismo rodando pelo Brasil-abençoado-por-Deus e participando de encontros motociclísticos em cidades que nos custa enrolar a língua para poder dizer o nome, acreditava que motociclismo fosse coisa para homens.

 

O sujeito para andar de moto tinha que ser homem e macho. Mas com a passagem dos anos, a visão aumenta e o coração amolece. Passamos a conviver com grupos de motociclistas mulheres e também algumas valquírias solitárias pilotando suas motos. E muitas vezes melhor do que muito machão.

 

Parecia estranho, mas foi muito fácil aceitar. Pois encontrei homens na garupa de suas damas de aço. Num desfile Farroupilha causou muito rebuliço a vinda de Pelotas a cavalo de um advogado conhecido como Capitão Gay, inclusive com um companheiro travesti vestido (a) de prenda. Tentou acampar no Parque da Harmonia para celebrar a Semana Farroupilha, não conseguiu. Quase (?) levou uma surra, ou uma sumanta de laço na gíria gaudéria. O que para alguns teria sido bem vindo (a). Daí a recordar-me de um grupo ou mini-grupo que encontramos num encontro de Serra Negra – SP.

 

Os grupos motociclísticos adotam nomes tipo: Cavaleiros do Asfalto, Abutres, Falcões de Aço e assim vai. Os garotos (as) chamavam-se “As Libélulas do Asfalto”. Dois em uma Yamaha Virago e o chefe numa Harley-Davidson recuperada. Explico: dizia-se ano 81, mas com trabalho meticuloso de renovação e recuperação.

 

Era um início de noite e a praça central estava lotada, derramando motociclistas e curiosos pelas ruas laterais até o pavilhão de eventos. Adereços em motos é coisa comum, mas nunca tinha visto uma moto rosa-pink com filetes dourados. Banco de couro branco com franjas. Longas franjas. Botões dourados faziam o contorno. Sabe os cromados que uma Harley tem? Essa tinha o triplo. Tudo para combinar com a criatura de quase 2 metros de altura. E forte. Muito forte. Bem nutrido. Deve tomar muito leite e proteínas. Também vestido ou decorado em branco. Sobre-calças de couro branco com longas franjas e muitos arrebites metálicos, presa por alças metalizadas no cinturão com uma grande fivela da Harley e o símbolo de Paz-e-Amor. Uma jaqueta também de couro branco franjeada nos braços e nas costas. Essas jaquetas do modelo imortalizado pelo Elvis Presley. Gola alta. Toda trabalhada. Imaginem o resto. Pois ainda estava tentando observar os outros detalhes que esqueci de buscar a máquina fotográfica. Não daria tempo mesmo.

 

Fechou-se uma roda em torno deles. A estupefação inicial deu lugar a uma onda crescente de agressividade, principalmente de harleiros, a religião da Harley. E logo as ofensas tenderam à agressão física. Mas a valentia alimentada pelo álcool temia o tamanho da criatura. Ninguém queria ser o primeiro a “sair no braço” com a branca e gigante Libélula do Asfalto. Seus dois companheiros protegiam suas costas. Tudo muito rápido. Chegaram dois policiais e logo mais outros e outros. Um cinturão de proteção em volta dos agredidos. De alguma forma foram convencidos e “convidados” a se retirarem dali. Sumiram com suas motos escoltadas por motos de policiais. Uma vergonha. Lembro ainda que na jaqueta de um dos companheiros do gigante estava escrito em inglês: Woodstock – eu estava lá. Infelizmente não poderão colocar o mesmo desse encontro. Mas assim é a vida.

 

 

Para muitos ainda é difícil aceitar o diferente. Mas será tão diferente assim? Pouco tempo ninguém falava ou sabia do acontecido. Principalmente os “valentes” que são corajosos em turba e na língua. E o motociclismo também tem a sua lei do silêncio. Ninguém comenta acidentes e ninguém sabe de nada ruim. Nunca mais soube qualquer fato sobre novos grupos de motociclistas gays. O pessoal brinca em cochichos que uma revolução preparada por Pelotas e Campinas reunindo motos, triciclos e muitos “carros de apoio” vão tingir de rosa a Trans – Veadona, uma auto-estrada ligando aquelas cidades.

 

 

A liberdade individual é a primeira e principal dádiva do ser humano. E o motociclista é um modelo de liberdade. Respeitemo-nos!        

Moto - Paixão Eterna - 17 - 2017 - Rota 66

Dia do Médico(a) Dermatologista – 2 Fevereiro.

 

DIA DO MÉDICO(A) DERMATOLOGISTA.

Felicitações para todos os colegas e em especial para:

AD 76 MedCat: Dra. Miriam Janz Gutierres; Dr. Nordon Poitevin; Dra. Daniele Bensimon.

Colégio Rosário: Dr. Luiz Carlos Elejalde de Campos; Dr. César Bimbi.

Demais Colegas: Dra. Irene Menezes; Dra. Márcia Iesbich; Dra. Gisele Chiarabia Frankini; Dra. Suzana Vozari Hamp; Dra. Simone Arenzon

2 - dia 5 - Dia do Dermatologista - 2017

 

Aguilhada ou “Guilhada”! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 30 Janeiro 2018.

 

Aguilhada ou “Guilhada”!

C

onhecem um instrumento chamado de “guilhada” ou aguilhada? É uma vara longa com um prego na ponta que os carreteiros usavam para tanger (agulhar) os bois. Por vezes, bastava bater com a vara no chifre e dizer-lhe o nome – “O-O-O-Ou Majestoso”. Como já ensinava um “velho deitado popular” que há de “dar-se nomes aos bois”. Todos os boiadeiros e carreteiros chamam-lhes com nomes que lhes marcam as personalidades. Sim, não é porque é chifrudo e nem porque é boi que não teria a sua personalidade bovina. “Brasino”! “Renegado” e “Patrício”! Coisas da minha infância-adolescência e de muitos de vocês. Apreciava sentar-me na culatra da carreta com os pés balançando e, por vezes, deitar nas tábuas escutando o rangido das rodas, olhando o céu e os bandos de aves nos campos onde meu pai Aldo caçava e pescava. Os bandos de maçaricos com centenas de membros deslizavam em sintonia muito melhor que nós marchando na semana da Pátria. Sempre havia um desgarrado ou retardatário que corria atrás do bando. Para esses lembrava da música que dizia: “maçarico do banhado… perna fina e fiofó cagado”! As maravilhas que as crianças aprendiam e curtiam livres das drogas, dos games e da bandidagem epidêmica.

Crônicas & Agudas

No entanto, a “guilhada” nos acompanha e seu prego nos cutuca de intermináveis aspectos e formas Cada um na sua… O cronista tem prazo para escrever a sua coluna e entregar para a editoria do jornal. Ficas grávido de alguma ideia ou de algum tema, gestas ou ruminas por um tempo e logo parte para o ataque – a redação. O gol só é comemorado se os leitores lerem e sentirem alguma emoção, talvez ou calafrio, quem sabe uma aceitação ou uma contrariedade, mas que tenha alguma utilidade real – incitar o pensamento. Isso se torna crítico num povo e numa época em que as pessoas leem pouco, compram pouco livros e até revistas, que o universo é virtual e de imagens e frases curtas. Ler um texto torna-se uma maratona para muitos que tem que dar a sua cutucada virtual nas centenas de toques do seu smartphone. E esse ser implacável, o tempo, segue com a sua aguilhada nos espetando para cumprirmos prazos. Centenas. Milhares de prazos!

Cr & Ag

Um guri, certa feita, estávamos todos na mesma caixa da carreta, pegou a aguilhada e espetou o fiofó do boizão. O animal se revoltou e seu mugido deveria ser algo como: “No meu fiofó não”! Agitou-se com a canga chacoalhando no pescoço e somente serenou com a voz do carreteiro. O velho, do alto de sua sabedoria campeira, disparou: “Tu ias gostar se fosse no teu fiofó”? A gurizada já ameaçava borrar os fundilhos e agora levou uma solene e inesquecível mijada. Eles diziam ser uma “putiada”. Nas acrobacias que as ideias dão, surgem as analogias e as “anuslogias” – que é a analogia com fiofó dos outros. E caiu outra ficha. Em qual o país democrático a Justiça documentou, julgou e condenou tantos “inocentes”, mesmo os que se declararam culpados serão inocentes até o julgamento divino? Não vale a “democracia cubana” e “cositas” como El Paredón. Nem os de milhões de pessoas mortas, presas e desaparecidas no comunismo-socialismo soviético, chinês, de Pol Pot no Camboja, bolivarianas ou pelo nazismo entram nessa conta.

Cr & Ag

A aguilhada está pegando muita gente poderosa e bilionária – elite? Alguns estão sendo cutucados no fiofó e sacudindo a canga e batendo as aspas. Outros berram menos e apontam aqueles que enchiam as carretas de ouro da casa da Mãe Joana – BRDES, caixa dois-3-4-etc, Petrobras, fundos de pensão de estatais, palestras, imóveis (outros muito ligeiros) e das “obras públicas” (qualquer sentido alternativo) e intermináveis fontes de escambo. Bendita aguilhada!

2018 – 01 – 30 Janeiro – Aguilhada ou “Guilhada” – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P12 - Sua escolha, seu voto 2 - 2017

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