O Poder do Padrão! Ecos da Alma. – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 27 Setembro 2016.

 

2016 – 09 – 27 setembro – O poder do padrão – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Poder do Padrão! – Ecos da alma.

Seremos prisioneiros de nossos padrões de comportamento, de nossos padrões de vida, súditos ou reféns de nossos paradigmas? Mesmo querendo e fazendo esforços, conseguiremos mudar algo que nos incomoda, que nos desgosta ou que nos aflige? Há várias correntes que analisam nossos padrões pelo “padrão” psicológico ou psiquiátrico. Outros analisam pelos modelos espirituais. Há correntes e fluxos para todos os gostos e desgostos. “Somos aquilo que somos! ” – dizia um entrevistado. “Quero fazer diferente, não quero fazer mais assim, mas não consigo! ” – queixa-se alguém. “Eu tenho livre arbítrio e eu decido o meu caminho! ” – afirma outro com convicção. “Deus tem um livro da vida de cada um e lá está tudo escrito, para o bem e para o mal! ” – retrucou entre um gole de cerveja e um naco sanguinolento de churrasco. Você se encaixa em alguma dessas correntes? Tanto faz? A verdade é que somos e executamos padrões de comportamento que nos tornam engrenagens de uma máquina e muitas vezes sair do modelo significa destruir aquela máquina ou construir uma nova. Ou ficar num limbo. Grande parcela da humanidade que acredita na reencarnação atribui a essa ida e vinda do espírito habitando tantos corpos e em tantas existências como uma maneira de mudar, romper estilos destrutivos e firmar modelos mais iluminados e superiores.

Crônicas & Agudas

Veja-se em coisas simples do seu dia a dia. Como acordar depois de dormir do mesmo modo e do mesmo lado da cama. Movimentos repetidos que faz e ao ir ao banheiro, fazer a sua higiene – escovar dentes, lavar-se, urinar e evacuar, o banho de chuveiro, tipo de xampu e creme dental, seu método de pegar e usar o papel higiênico. O desjejum obedece a um modelo e um ritmo que se repete. Observe como as pessoas e você sentam à mesa, uso dos talheres, do guardanapo. Ops! Você arrota e ronca como um leão? Ir para escola ou para o trabalho. Sinta como se repetem cada etapa. Confira como desde coisas singelas até as mais íntimas – tudo está dentro de um modelo, de um protótipo – o seu padrão. Mecanismos conscientes e inconscientes sempre ativados para nos manter dentro de um padrão com o mínimo de variações. Nosso corpo reage sempre assim, buscando uma homeostase, um equilíbrio que o mantenha vivo e saudável.

Cr & Ag

Em dietas, com muito esforço perdemos alguns quilos, depois estacionamos ou retornamos ao peso original. Ao emagrecer estamos rompendo ou dando elasticidade a um padrão que nosso corpo entende como ‘seu equilíbrio’. Quando perde peso, uma luzinha amarela acende com o ‘medo de adoecer’ ou pior ‘medo de morrer’. Aciona (o corpo) seus gatilhos para que a comida armazenada (como os pneus de gordura) fique disponível e se rebela – ‘não quero adoecer, enfraquecer e morrer’. Assim é que a pessoa precisa persistir para que o corpo entenda que ‘viverá melhor com menos peso’ até revoltar-se novamente. Muito do efeito sanfona está nessa visão e piorada pela decisão elástica da mente e do espírito daquele corpo.

Cr & Ag

Jamais aceitamos facilmente que estamos errados em alguma coisa. “Eu não, eu mudo quando estou errado! ” – estufa o peito com autoridade. É falso. A imensa maioria que precisa mudar até de opinião, precisa de esforço. Muito! Esforço para movimentar-se para outra posição ou outro polo. Isso gera desconforto e até dor. A dor de estar errado e aceitar o seu erro é difícil de encarar pessoal e publicamente sem buscar uma explicação, geralmente externa. Persistir no erro com convicção férrea é humano. Primitivo e até estúpido, mas ainda humano. A negação é a manifestação da mente e da alma refratária à evolução. Eis porque em tantas condições em que a verdade, a realidade e todas as evidências mostram a realidade, o ser humano tem enormes e severas ‘dúvidas’ ou nega-se a aceitar e mudar seu padrão e romper seus paradigmas.

Inimigos & Cúmplices! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 20 setembro 2016.

 

2016 – 09 – 20 Setembro – Inimigos & Cúmplices – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Inimigos & Cúmplices!

Como sempre avisamos, jamais generalizamos. A mágoa ou a autoimputação dolorosa é pessoal de cada criatura e jamais se refere ao todo. Isso é fundamental antes de iniciar um tema chocante e mortal (nós – vítimas). Em várias oportunidades o jornalista e viamonense Rogério Mendelski divulga mensagens atribuídas ao ilustre desembargador Irineu Mariani. Como: – não faltam leis, faltam quem as execute na defesa do honesto; não precisa mudar a lei, precisa mudar a cabeça do juiz, etc. Há um sentimento e uma realidade explícita de que muitas vezes a balança pende favorável ao criminoso. E contra a sociedade. E contra as vítimas e seus familiares. Quem não ouviu: – a polícia prende e o juiz solta? Isso também vale para o delegado. A Brigada Militar, com suas dificuldades, é talvez a melhor polícia militar do país e seus comandantes expõe a chaga que aflige o dia a dia da ponta da corda, cidadãos e policiais. Criminosos acumulam dezenas de prisões e solturas incompreensíveis para quem está pagando a conta, o cidadão e contribuinte – as vítimas. Geralmente esses representantes da lei e responsáveis por devolver os criminosos às suas zonas de caça predatória para abaterem nova presas (pessoas honestas e indefesas) escoram-se e defendem-se num colete à prova de culpa de “leis defasadas”, “código penal do ano e década tal”. Como se no passado, lugar de criminosos na era a cadeia – muito mais que hoje.

Crônicas & Agudas

Lembra do tal “direito alternativo”. Lembra de um juiz que certa feita desapropriou uma propriedade (divulgado na imprensa) produtiva para o “bem social”, certamente da sua ideologia. A lei é interpretativa e todos sabem. A lei não é uma equação matemática exata, se assim fosse não precisaríamos dessa infinidade de cortes e recursos sujeitos a consciência, ideologia e interpretação pessoal de cada juiz. No entanto, se esses juízes e demais executores primassem por escolher a proteção da sociedade contra “essas leis ultrapassadas”, outros seguiriam juntos e logo haveria mudanças de leis e comportamentos. Assim, aos nossos sentidos, soa falsa ou cínica essa afirmação e uma defesa de alguém que para nós, as vítimas dos predadores, é “amigo” de criminoso. A imprensa está povoada de algozes de policiais, muitos travestidos de “defensores dos direitos humanos” e não dos humanos direitos, honestos e cumpridores da lei. Basta a força da lei vencer a lei da força para algum jornalista conivente exigir a cabeça do policial numa bandeja e sua absoluta execração pessoal e profissional. Essa virulência jornalística está exposta na terminologia ou no vocabulário que usam em defesa dos criminosos: ocupação e não invasão, membro da comunidade e não bandido, vítima da sociedade e não criminoso, menor carente e não menor bandido, etc. Quando a indignação é total contra a polícia que nos defende ou quando a campanha é explícita em impedir o cidadão de se defender e à sua família e propriedade, ali está um amigo, um cúmplice ou um coautor de algo ruim que certamente acontecerá. Ou já aconteceu!

Cr & Ag

Há políticos absolutamente identificados como protetores da bandidagem. O cinismo de certa deputada levou-a ao protesto e sofrimento pelo assassinato de uma jovem médica em Porto Alegre. Foi enxotada do local, pois para muitos de nós ela não defende pessoas, ela defende assassinos e criminosos, ela defende feras e o pior lixo social. Essa vertente acredita em cadeias desumanas ou superlotadas (nunca viram alguém da Lava-Jato ir para cadeia comum? – Devia haver igualdade), redução de pena, indultos e tantos descaminhos coniventes com a criminalidade. Lembram da assassina dos pais que recebe benefícios para sair da cadeia no “dia dos pais”. Isso é escarrar no rosto da sociedade honesta. Honesta! Não há ética, moral ou religiosidade que privilegie criminosos em detrimento dos justos. Precisamos identificar no dia a dia, nas escolas, nos convívios sociais, no trabalho, quem quer o nosso bem ou quem quer a nossa desgraça. Não é uma caça às bruxas, é uma tentativa de sobreviver e perpetuar a espécie humana decente, honesta, que trabalha, paga suas contas e é extorquido por impostos desviados e de raro retorno e que sustentam criaturas que se acham acima da humanidade ou num olimpo próprio.

 

30% – Edson Olimpio Oliveira–Crônicas & Agudas–Jornal Opinião–13 setembro 2016

 

2016 – 09 – 13 Setembro – 30 % – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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30%

“Não é 30% das receitas da exploração. É 30% de 25%. Ou 30%… de 30%, portanto não é 30%. Está entre 7,5% ou um pouco mais de 12%. Não se trata de 30%”. – Dilma Roussef.

U

m formidável cirurgião e professor, nos idos da década de 1970 na Enfermaria 36ª. da Santa Casa de Misericórdia para onde convergiam as mais difíceis e graves enfermidades malignas de esôfago que passariam aos seus cuidados e onde acadêmicos de Medicina, médicos-residentes se formariam cirurgiões ensinou-nos durante um round à beira do leito de um paciente terminal, após longa luta enfrentando o câncer: – Até na hora de morrer devemos ir com dignidade! A maioria que acreditou em Lula e no Partido dos Trabalhadores não teve felicidade com a situação da senhora Dilma Rousseff. Nem com os estragos que causaram ao pais. Imputam a Lula a frase: – Se eu indicar até um poste se elege! Foi absoluta verdade, tal o seu poder ante as massas. E o criador Lula escolheu um “poste” ante tantos notáveis do PT, desgostando-os. O próprio partido nunca engoliu a criatura. O criador protegia e mostrava os caminhos para sua criatura. Eis que aconteceu o previsto, a criatura distanciou-se de seu criador e aspirou uma autonomia que seria incapaz de manter. Assim completou-se outro estágio – de poste para criatura e de criatura para coisa.

Crônicas & Agudas

Não bastasse o PT estar na mira da polícia e nas grades da justiça, fulminando os fundadores e lideranças do partido desde o Mensalão e depois na Lava-Jato, Dilma esticou a corda, cresceram as unhas e aspirava carreira solo. Talvez a necessidade de demonstrar capacidade além dos acessos de fúria, da fala enrolada e do raciocínio confuso. Cavou sua própria sepultura e orquestrou sua saída inglória e continuamente perturbada. O partido e o criador fizeram o que se esperava deles – mostrar que não abandonavam seu militante mais importante e a necessidade do poder. Renegou a habilidade que seu criador sempre teve com os mais ferozes adversários de outras eras que se estampava em abraços e apertos de mãos muito mais que simbólicos. Dilma desafiou e afrontou justamente quem poderia encaminhá-la ao cadafalso do impeachment e comandava o Congresso.

Cr & Ag

O golpe foi Dilma desdenhar do seu criador e mestre. “Dilma é honesta, nunca roubou…” – até para a desonestidade deve haver uma inteligência diferenciada, mas ela roubou a confiança do seu criador e roubou as esperanças dos milhões de brasileiros que se iludiram ou acreditaram na imagem de “gerentona”. Lula nunca dirá publicamente, mas no seu interior e para os mais próximos ali está o castigo para quem aspira ser igual ou maior do que ele. Lula é muito maior que o seu partido e seu partido durante essas décadas foi incapaz de construir outra liderança que não esteja atrás das grades ou a caminho delas. Há o mérito de imolarem-se pela causa. Quando o PT desaparecer, como a estrela que já sumiu, restará Lula para a história. Para o bem e para o mal. Sobreviveu ao Mensalão, sobreviveu ao câncer, sobrevive à Lava-Jato, o partido confunde-se com uma organização mafiosa e numa cascata contínua novos escândalos criminosos desabrocham, mas Lula ainda é intocável. Continuará sendo?

Cr & Ag

O governo anterior e o atual dizem algo como 12 milhões de desempregados. Como os políticos “falam a verdade” acredita-se que passem dos 20 milhões de trabalhadores na amargura do desemprego e suas funestas consequências. E os “30%” da exploração da Dilma e do título da crônica nos toca e sangra como o valor que o imposto de renda nos suga e vai para a vala comum da roubalheira desenfreada, da saúde de fim de mundo, da educação piorando sempre e do caos que o país se tornou com um dos piores governos da nossa história. Há um golpe que nos faz trabalhar quase seis meses do ano somente para o governo e seu parasitismo. Eventualmente sobram insuficientes e escassos reais, os restos para nossas famílias de reais trabalhadores. A ingratidão pune e Dilma foi punida. Parcialmente, pois talvez a sua mente não tenha a capacidade de elaborar racional e equilibradamente sua trajetória e suas falhas, como os “30%”.

 

Válvula de Escape! Uma Defesa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 06 Setembro 016.

 

2016 – 09 – 06 Setembro – Válvula de Escape! Uma defesa – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Válvula de Escape! Uma Defesa.

Acho que vou explodir, doutor!

Outros: – Não aguento mais, vou chutar o balde! – Ou eu acabo com esse relacionamento ou ele acaba comigo! – Ou vai ou racha! – Agora vamos pro pau, pro que der e vier!

Certamente o intrépido e sobrevivente leitor conhece várias expressões como essas em que o autor está no seu limite. Qual é o limite? O limite de cada pessoa está dentro da sua pessoalidade e de cada situação que está submetido. Aquilo que é muito grave para uns, é uma bobagem ou algo de menor valor para outros. Somos criaturas ‘iguais’ como os dedos das mãos. Desde a criação original estamos evoluindo. Vários mecanismos de defesa são primários, isto é, estão conosco desde a moldagem inicial no barro ou na lama. Perceba alguns que insistem em permanecer na lama, chafurdando no barro. Não vamos estreitar a crônica dissecando os mecanismos biológicos, da química e dos hormônios que nos levam para um ou outro caminho. Saibamos que nosso corpo, essa máquina maravilhosa que ginga, dança, ri, vota e chora tem suas habilidades de enfrentar as agressões e as adversidades, sempre buscando o equilíbrio e a cura.

Crônicas & Agudas

Quando a inventividade humana, séculos atrás, criou o motor a vapor aperfeiçoou com uma válvula de escape ou de alívio para quando a pressão se tornava excessiva e tornasse a explosão uma saída para o excesso. Os reatores nucleares que estão no extremo mais distante dessas criações humanas, também mantiveram ‘válvulas de escape’. As máquinas submetidas ao estresse da atividade produzem energias, que excessivas, devem ser aliviadas para evitar a sua explosão. Explosão é fim. Fim é morte. Cenário – uma singela panela de pressão presente na maioria das casas e inestimável nas cozinhas. A cozinheira coloca o feijão, água e os eteceteras e fogo nela. Em pouco tempo um vapor começa a assoviar pela válvula na tampa. Essa válvula chega a girar numa dança premonitória. A cozinheira intui, percebe que a pressão interna é poderosa. O que faz? Com algum instrumento ergue a válvula para liberar mais rapidamente a pressão excessiva. Abaixa o fogo. Retira a panela do fogão e leva-a a pia e abre a torneira com água fria sobre a panela. A temperatura de cocção abaixará e o vapor se condensará em água novamente. E volta ao fogão. Se nada disso acontecer sob o comando da cozinheira, ou a válvula superior estiver defeituosa, as panelas possuem válvulas secundárias como selos de segurança que se abrirão para escoar o excesso perigoso da pressão. Se nada disso funcionar – a panela explodirá como uma bomba. Quem já viu esse cenário e suas vítimas pode melhor aquilatar os riscos. Tudo isso vale para o ser humano: hipertensão, imunidade deprimida, câncer e outras moléstias.

Cr & Ag

Nosso corpo é uma intrincada e formidável panela de pressão. O estresse existe para nos preparar para o combate e a preservação da vida e da espécie, mas sendo excessivo em intensidade e tempo causará danos e riscos. Instintivamente buscamos nossas válvulas de escape para abaixar esse fogo interno e sua pressão. Cada criatura a sua maneira, mas sempre buscando o alívio pela alegria, pelo amor, etc. A oração e a fé são válvulas eficientes e geradoras de magníficas forças internas reais e multiplicadoras. O lazer estabiliza quando a criatura humana se desliga das solicitações que o comprimem. Eis um jogo de futebol, um churrasco, um passeio, um livro, um trabalho artesanal, etc. Atividades pessoais que alegrem e aliviem sua alma. Sem descuidar das alegrias familiares e tribais. Devemos entender essas necessidades vitais – nossas e dos outros. A mulher que precisa fazer as unhas, o cabelo, cuidar seu corpo, a maquiagem, a visita não abusiva ao salão de beleza não se constitui gasto por si e sim um investimento na autoestima e na estabilização emocional. Observe-se. Observe ao seu redor, respeite as suas necessidades como as dos outros. Jamais enverede pelo caminho funesto do alívio químico maligno. Eventuais medicações que um médico que o ame e respeite podem auxiliar como o gesso para uma perna quebrada. “Todos os caminhos conduzem à Roma”, mas nem todos levam a uma vida plena e saudável para corpo, mente e espírito. Observe e respeite as válvulas de escape.

 

Lágrimas! Edson Olimpio – Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 30 Agosto 2016.

 

2016 – 08 – 30 agosto – Lágrimas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Lágrimas!

Talvez seja o ser humano a única criatura desse planeta que chore. Vertemos lágrimas quando os sentimentos afloram de nosso espírito-mente para as singelas glândulas lacrimais, que nas demais situações estão ali para lubrificar e limpar nossos olhos. Há solenidades que fazem nosso coração tamborilar freneticamente – declaração de amor, casamento, primeiro choro de um filho, hino nacional e formatura, entre outras. Ontem sábado, fui distinguido com convite para duas formaturas: Fabiane Severgini e Lucas Caetano Saikoski da Cunha.

A Fabiane é a ‘menor’ da Clarice, minha Secretária e formou-se em Farmácia pela PUCRS. A Fabiane e sua irmã, ficaram órfãs muito precocemente.  A Clarice foi mãe e pai dessas meninas. Trabalhando sempre. Educando e dando os valores morais que uma mãe amorosa e responsável é capaz. “A maior herança que se pode dar a um filho é o estudo!” – ensinava dona Dora, minha mãe. A Fabiane cresceu e rompeu o casulo dessa cidade e alçou voos para uma das melhores universidades e faculdades de Farmácia do País. Por sua competência. Por seu esforço. Por sua dedicação em adiar ou dispensar o necessário para estar lá no Salão de Atos da PUC recebendo o seu ‘canudo’ – lembrem a música por Martinho da Vila. Agora abre-se uma nova jornada, mais luminosa, muitos desafios e escolhas – a nova vida de Fabiane Severgini, a Farmacêutica. É uma honra conviver com vocês!

Crônicas & Agudas

Daqui a alguns dias o Lucas fará aniversário. Eu estava junto com a comadre Varlete, ao seu lado como amigo e como médico no seu parto. Como médico e plantonista atendi talvez centenas de partos, cada um tem a sua luz. Cada um é especial para a família e para o médico e sua responsabilidade com a mãe e com aquele ser maravilhoso e tão ansiosamente aguardado. Meu amigo José Onofre e a Cledi aguardavam na antessala. A colega obstetra, o anestesista, a enfermagem, a Irmã de caridade e eu. O Lucas nasceu com a luz divina gerada por muito amor de seus pais, da família e de todos a sua volta. E chorou. Seu primeiro brado de vitória. E relembramos cada um de nossos filhos e estando em outros partos vem um filme à nossa mente. Lágrimas afloram! Em cada um de nós à sua maneira.

Varlete e José Onofre vieram de famílias simples e galgaram uma universidade e a Advocacia e possibilitaram ao filho único e especial fazer a sua escolha e conquistar Administração na ESPN, uma das melhores e mais rigorosas faculdades do País. Assisti o compadre José Onofre derramar repetidas lágrimas de felicidade. É um orgulho aos pais. Filhos, sempre vistos como crianças em nossos corações, vencerem essa Olimpíada da vida e estarem ali para que o mundo os veja e festeje com eles, as suas medalhas no pódio iluminado da Formatura. É uma honra estar na vida de vocês!

Fabiane e Lucas!

Saúde! Disciplina! Sabedoria! Amor e Humildade! Cuidem da Saúde, cultivem a Disciplina, colham e vivam com Sabedoria, amem e sejam humildes!  

Outras lágrimas!

Na minha formatura chorei pela ausência da minha mãe. Ontem lembrava de uma jovem médica oftalmologista assassinada em Porto Alegre que teve a sua formatura e todo o cortejo de sentimentos e emoções que agora revivo. Como estará a sua família? E a mãe de 44 anos, com a filha de 14 anos ao seu lado no carro estacionado defronte tradicional escola de Porto Alegre assassinada e seus filhos dilacerados pela dor nunca terão sua mãe nas formaturas. Alegria e dor servem para reflexão. Refletir e entender. Entender e agir. Fiz uma prece silenciosa pela alegria de uns e a tristeza de outros. E agradecer ao Criador toda a luz de cada novo dia exercitando a Solidariedade. Colabore com Médicos sem Fronteiras e/ou AACD de Porto Alegre agora e em cada aniversário de seu filho.  

Nova Coluna – Jornal Opinião – 30 Agosto 2016.

 

2016 - Chamada para Ler

Sinais precoces da Primavera! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 09 Agosto 2016.

 

2016 – 08 – 09 Agosto – Sinais precoces da Primavera – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Sinais precoces da Primavera! – Série Vida com mais Humor.

C

oncordo que seria mais poético “os ares da Primavera” ou “a Primavera despe-se e… vai à luta”. Argh! Mas médico fala de sinais e de sintomas, então me compreendam. Pesquisa-se na ABNT quais as normas técnicas que regulam o aparecimento da Primavera. Estaria ela com o alvará em dia? E a vistoria dos bombeiros? E os laudos de mil e uma utilidades? Ou inutilidades? Como a Primavera tem uma cota de 25%, estaria invadindo a cota das outras estações? Nesse ano olímpico e ‘golpeado’ de 2016, ano de dor e desemprego, salários fracionados e ausentes, de Lava Jato escancarando a fossa pútrida da roubalheira mafiosa, há que a Primavera dar seus primeiros sinais de vida. Felizmente! De abandonar a dormência gélida do mano Inverno. Assoviar para o Verão e dar as caras e outras partes.

Crônicas & Agudas

A sensualidade da minha gata Neve gingando no peitoril do terraço e ao espreguiçar-se com a cauda em tremor seria um sinal? As formigas do terreno baldio estão limpando as tocas, organizando-se para o trabalho – outro sinal? Um sabiá do papo amarelo limpa a garganta e faz uma sinfonia ao entardecer – sinal? A temperatura subiu, principalmente na Comissão do impeachment, mas isso é em Brasília e aqui pelas greves e a liberação da bandidagem coitadinha que não pode ser encarcerada pois os presídios são “cruéis e desumanos”. O Arigó do Nacional alerta que tem andorinhas sobrevoando. Um taxista diz serem urubus camuflados. Fedeu! Ajudem-me a identificar mais sinais do acordar primaveril. Outro alega que “isso tudo é por ordem e culpa do Bonato em campanha eleitoral”. Uma professora escutando de lado berra: – É o Sartori! E segue a greve geeente.

Cr & Ag

Desgraça pouca é bobagem”, alertava minha mãezinha. Estou preocupado com meu saco. Sim! Assim como muitos de vocês eu tenho saco. É um saco onde guardo as roupas de inverno e outro sacão para os cobertores mostardeiros. E não é síndrome de Papai Noel. Quem não faz isso? Uma amiga alerta que quando seu saco enche ela vai encher o do marido e dos filhos e até dos outros. Tropeçando nos desníveis e nos buracos das calçadas aqui no Centro de Viamão City vou parando aqui e acolá para trocar observações com os amigos sobreviventes. “As lojas fechadas são sinais que as criaturas se mudaram para o litoral para curtir o verão e salgar o lombo”, diziam-me. Eis que após longas observações e testes cruzados e duplos cegos (outra de médico) estou chegando ao caroço, digo, âmago do enigma.

Cr & Ag

Barrigas! Eureca! Eureka! Não me fiz como o grego Arquimedes que ao solucionar grave problema saiu pelas ruas despido, pois estava dentro de uma banheira, e gritava essa palavra. Ela significa – achei ou encontrei! E o Princípio de Arquimedes como se chamou sua descoberta a centenas de anos a.C ajudou-me. Lembrei-me da barriga do Arquimedes. Suas franjas, babados e pneus. Sim ele não era um atleta, talvez um nerd comedor de xis persa e refri egípcio. E uma profusão de barrigas descortinou-se aos meus sentidos. Barrigas femininas e outras nem tanto. Diferentes cores, tamanhos, modelos e adereços. Sim, sim! Desentocaram piercings em umbigos antes ocultos e ‘trocentas’ tatuagens. Algumas criaturas ainda com as vestimentas mais pesadas, mas as camisetinhas expunham as barrigas. Uma ‘barrigama’ incrível. Nem vendo se consegue acreditar que existam tantas e tão corajosas. Intrépidas! Impávidas e colossais, como no hino. Nenhum temor ao apedrejamento nas suas marolas e tremores, pneus carecas e cabeludos. Barrigas para todos os gostos e desgostos. As mulheres são seres fantásticos na graça e na ousadia. Logo, as barrigas são os sinais precoces da Primavera – enigma desvendado. E não interessa se a Dilma fica ou vai, se o Lula Number One pega cana (qualquer sentido), se o Colorado desce para a Segundona ou… Enigma revelado e ‘barrigalmente’ exposto. Barrigas! Sem aluguel. “Ba-rri-gas e ba-rri-gaz” – como soletrou alguém.

 

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