A casa do Repolho – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 28 Abril 2015

 

2015 – 04 – 28 Abril – A casa do Repolho – Edson Olimpio Oliveira – Crônico & Agudas – Jornal Opinião

 

A casa do Repolho

 

Pois o Repolho é dessas criaturas determinadas. É dessas criaturas que vencem pela insistência e na sua luta sempre se agregam soldados prontos a defendê-lo. E assim foi o seu namoro com a Juliana. A Juliana já fora casada com o Terçol que ainda ansiava renovar seu amor, mas a competição estava acirrada. Juliana acumulara filhos de outros matrimônios, transitórios, mas intensos e persistia seu charme avassalador de candidatos que se digladiavam pelas delícias de seu leito. As promessas do candidato Repolho convenceram os amigos e aos familiares da Juliana. O namoro lhe permitiu conhecer sua prole, seus dependentes, seus empregados e agregados. Até aos segregados. Juliana não era dessas teatinas sem eira nem beira que levariam apenas a escova de dente e filhos desnutridos para o novo e alvissareiro casamento. E Repolho era o cara. O cara certo que Juliana precisava. Suas promessas encantavam mais que as sereias de Ulisses.

 

Cr & Ag

 

No entanto, a festa durou um oh! Talvez a origem italiana o fizesse ser um inquisidor de moedas. E logo o amor parecia azedar. Os beijos não eram mais tão doces e suculentos nem o leito revestido de linho egípcio. Em seu acurado balanço descobriu o que não tinha visto antes? Juliana devia demais, gastava demais, comiam demais e ganhava de menos. Repolho trouxe seus parentes e amigos para a vida familiar, mas isso não era um ônus e sim uma necessidade para a sua convivência e harmonia. – Mas como? – estranhavam os amigos que fizera promessas de um casório frutífero e amoroso. Repolho reuniu a família e determinou: – Gastem menos! Comam menos! Adoeçam menos! Estudem menos. Juliana estava estupefata, pois o antes amoroso e cheio de projetos virara um poço de lamentações. Sumiram as soluções, desapareceu a criatividade e vingou o derrotismo num muro de choro e ranger de dentes que Repolho tratou de levar de casa em casa. Sentia-se na necessidade de explicar aos seus amigos e apoiadores que se sentia derrotado sem iniciar a luta. Os problemas, antes conhecidos, eram maiores que o gênio de Repolho?

 

Cr & Ag

 

Repolho viajou para a Capital e tentou convencer os padrastos de Juliana a botar dinheiro nas mãos do genro. Os padrastos recuaram encalacrados até as pestanas no maior escândalo de corrupção e roubalheira conhecido naquelas plagas – ou seriam pragas? Voltou com riso amarelo nos dentes verdes e de mãos abanando em novos pedidos de socorro. – Vou parar de pagar os empregados! Vou parar de pagar os fornecedores e vamos comer a comida que o diabo amassou! – a criatividade e as soluções do vencedor Repolho sumiam numa névoa fedorenta. Mas Juliana notava que os amigos de Repolho mantinham sua vida e continuavam a corte ao chefe. O único corte que experimentavam era a faca tirando nacos de picanha e costela.

 

Cr & Ag

 

Terçol, o preterido, sentia-se inflado no seu ego: – Viram só! Eu dizia que o melhor para Juliana era eu! – nada disso convencia muito, mas as marolas de cacacá batiam no queixo e seu passado mórbido de defensor de bandidos e assassinos caçados pela lei do país natal, nenhuma autoridade real podia lhe auferir. – O mundo dá voltas! – continuava praguejando. Talvez como parafuso que quanto mais voltas dá, mais apertado fica. E Juliana sentia o leito de amor esfriar e Repolho tornara-se um chorão. Um chorão e um pidão! O povo assistia a tudo isso com um nó na garganta e um chute nas partes pudendas. Quem era a solução que se autoanunciava, a resposta às dificuldades, o Repolho certo para o lugar necessário, murchava dia a dia.

 

Aviso aos julianos, digo gaúchos: qualquer semelhança com Sartori, Tarso, a “república” gaúcha e adjacências é por sua conta e risco.

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Horizontes – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 21 Abril 2015

 

 2015 – 04 – 21 Abril – Horizontes – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Horizontes

 

Faça a imagem de um Colombo ou de um Américo Vespúcio, que também era Cabral, sentado num rochedo à beira do oceano. Mesmo na sua infância. Os olhos cravados naquela linha onde o mar e o céu se tocam, mesmo que aparentemente. Ou Moisés cansado da jornada pelo deserto e vendo seu povo em sofrimento e revolta, ora com os braços erguidos aos céus e busca no horizonte algum sinal de que Deus está com eles e logo a montanha se crava na sua retina e um sentimento brota em sua alma. Um novo horizonte se descortina! A casa própria, o primeiro carro ou uma flor para a pessoa amada são horizontes singelos nas aspirações humanas. Quantos horizontes se descortinam em nossa mente ou reluzem em nossos olhos e que embalam nossos sonhos, nossos desejos, nossas aspirações e com ele a máquina chamada humanidade caminha e galga, alcança e persiste evoluindo.

 

Cr & Ag

 

Somos seres que precisamos, necessitamos e buscamos evoluir. Infelizmente nem todos para o bem e para a iluminação. Há quem veja o brasileiro como um povo acomodado em suas poucas necessidades e com horizontes muito próximos e, por vezes, fugazes. Um balde d’ água e um prato de farinha para o nordestino, um trio elétrico para o baiano, churrasco para o gaúcho, uma viola chorando a traição para o centro-oeste… E um pouco de tudo para a miscelânea humana que é “Sum Paulo”. Diretas Já – era o povo vislumbrando um horizonte. Seguiram-se com os caras-pintadas e o Fora Collor. A construção do falso mito do operário amputado no trabalho elevou um partido (PT) como depositário dos sonhos, aspirações e daquilo que era a sua legenda principal na honestidade e corrupção zero como a bandeira desfraldada num novo horizonte de plena liberdade, trabalho e sonhos possíveis e realizáveis.

 

Cr & Ag

 

Somos criaturas desesperadas por acreditar. Está na nossa índole mais ancestral. Necessitamos crenças. Preferimos as verdadeiras, mas aceitamos e tentamos nos enganar com as falsas, pois a nossa cristandade persiste em “vai melhorar” ou no “Deus é brasileiro e vai nos ajudar”. Contentamo-nos com péssimos hospitais para nós e nossa família e escolas ruins para nossos filhos, netos e amigos, desde que a casta superior que nos governa possa tratar-se no Sírio Libanês ou nos melhores serviços médicos do planeta. Para muitos o horizonte segue satisfeito num churrasco com cerveja no final de semana ou um baile funk. Um adesivo entristecia-nos durante os anos de ditadura militar – Brasil! Ame-o ou Deixe-o. Estamos vivendo nova ditadura. A ditadura do absolutismo partidário pelo voto dos obsidiados pela ideologia ou pelo populismo das bolsas qualquer coisa enquanto durar o dinheiro e a paciência de quem trabalha e sustentadas pelos mais cruéis impostos do mundo dito civilizado.

 

Cr & Ag

 

Cresce o número de pessoas que o horizonte está em viver fora do país. Um programa da Band TV retrata o mundo pelos brasileiros que vivem nos mais variados confins da terra, trabalhando, estudando, produzindo. Continuam amando e saudosos da pátria e dos familiares e amigos, mas a vida lá está melhor. A ideologia vigente e tão caótica quanto a corrupção e irá chama-los pejorativamente de “elite”. Quem estuda e trabalha é elite. Quem tem um horizonte é elite. “Felizes as elites, pois deles serão os reinos da terra” – o Filósofo do Apocalipse. A “elite” domina Cuba há mais de cinquenta anos. A “elite” domina a Coreia do Norte. A “elite” ficou com toda a riqueza depois do esquartejamento da União Soviética. A “elite” destroçou a Venezuela, um dos principais produtores de petróleo do mundo. Um horizonte trouxe pessoas, crianças e famílias para as ruas do país sem as bandeiras da dominação viciosa de muitos sindicatos ou das milícias que ordenham em proveito próprio a saúde da nação. E o seu horizonte? E o horizonte que deixará para sua descendência e para sua pátria?

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Dessa vida nada vais levar! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 14 Abril 2015

 

2015 – 04 – 14 Abril – “Dessa vida nada vais levar” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“Dessa vida nada vais levar”

 

E

xpressão conhecidíssima e por vezes aplicada como orientação, outras como admoestação. Outro ditado apregoa que “nascemos carecas, com fome e chorando” e “tudo que vier é lucro”. Há que ter cuidado com essas advertências, pois ao sofrido, enfermo ou desgastado pelas agruras da vida essa indicação de desapego pode ser ainda mais dolorosa. A pessoa está ancorada nos afetos ou nos seus modos e atitudes de vida que são as fórmulas de equilíbrio na sua balança emocional e o desprendimento forçado é agressivo e doloroso. No extremo oposto, pode significar um nada ou um quase nada. Até uma manifestação de ciúme embutido pode revelar. “Se tens tanto em bens ou saúde e ficar se prendendo a algo menor…” O que é menor? Os valores das pessoas devem ser respeitados ao respeitar-se a pessoa. O que é desprezível ou de pouco interesse para uns, será o contrário para outros. E o entendimento também é circunstancial. Publiquei uma imagem de uma borboleta em chamas (sem queimar-se) e isso trouxe enorme constrangimento e dissabor para uma amiga leitora. Para outros, pouco ou nada significou além de uma mera imagem. Entretanto naquela pessoa foram mobilizados sentimentos, conteúdos emocionais importantes para ela.

 

Cr & Ag

 

Em certas culturas ou civilizações, carrega-se para a sepultura muito daquilo que “precisará depois, na outra vida”. Nessa esteira de consciência estão os faraós egípcios e castas de hindus. Cristo levou apenas um manto, uma mortalha para cobrir seu corpo na sepultura de granito. Há criaturas que precisariam de gigantescos ataúdes para levar seu ouro e seu orgulho. Os ladrões da Petrobrás acreditam que suas vidas serão seculares para gastarem os milhões roubados da sociedade que trabalha e paga impostos. Muitos precisariam de várias vidas para “aproveitarem” seu butim mascarado como “consultoria ou palestra”. E ainda esperam ver seus nomes em estradas, praças, aeroportos e hospitais. Quer piorar? Nós veremos seus nomes serem idolatrados e ferozmente defendidos por falanges de obsidiados brandindo foices em punho.

 

Cr & Ag

 

Nós, as pessoas do mundo real, nos amparamos em várias coisas, pessoas e animais que representam a nossa personalidade ou os retalhos da nossa vida. Sabemos que depois de fecharmos os olhos e exalarmos o derradeiro suspiro nessa vida, nada que acolhemos e amamos terá o mesmo valor para outras pessoas. Nem para aqueles do “mesmo sangue” e pelos quais tantas vezes “sangramos”. – Doutor, depois que eu sair dessa para outra, ela pode fazer o que quiser com as minhas coisas, pode dar minhas coisas e minhas roupas para os carentes ou para o novo marido. Mas agora eu não aceito meu doutor. Lógico que nenhum ataúde será suficiente para carregar a materialidade conquistada pelo trabalho ou pela roubalheira. Mas nenhum de nós se desprenderá dessa existência sem toda a carga afetiva, espiritual, de experiências e de entendimentos vivenciados. Viver com intensidade e realidade. Amar e ser amado. Permitir-se no amor integral e não somente no sentimento adoçado e adornado do ter mais. Boa semana!

 

O trânsito de Viamão City.

 

Caía de maduro, mas essa administração corajosamente aplicou o estacionamento rotativo e pago. Nos idos de 1983, depois de viagem a Uberaba em Minas Gerais, apresentei no Lions Club, onde participava, de imagens e documentos mostrando o estacionamento rotativo pago e com monitores controlando grupos de jovens carentes que realizavam a venda de tíquetes e o controle horário. Apresentei para outros gestores públicos também. Resultado: sorrisos amarelos e desinteresse. Agora elogio o governo Bonatto. A propriedade pública foi restaurada para todos. Há que controlar e multar o constante abuso de velocidade de veículos na avenida central da cidade. E por muitos motoristas profissionais, inclusive de ônibus. Há que disciplinar e criar cursos de reciclagem para motoristas de táxi que acreditam terem prioridade sobre os demais mortais e desrespeitam abusivamente os pedestres nas faixas de segurança.

Amor Cibernético

Matracas – abrir ou fechar – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas –07 Abril 2015

 

2015 – 04 – 07 Abril – Matraca – abrir ou fechar- Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Matracas – abrir ou fechar

 

Na minha infância viamonense havia sons identificadores de profissões e criadores de fantasias na gurizada. O afiador de facas, tesouras ou qualquer coisa que cortasse – exceto certas línguas ferinas – era de uma flauta. A criançada corria pra avisar as mães que o afiador de facas passava com sua oficina ambulante agregada numa bicicleta ou num carrinho. O gaúcho sempre teve um amor especial pelas armas brancas e é o embate entre lâminas varando o ar denso ou cortando carne em esguichos rubros com olho no olho que separa o valente do covarde. O som da flauta remetia para o ancestral conto dos irmãos Grimm, do Flautista de Hamelin, e imaginávamos os ratos de quatro e de duas pernas sendo mesmerizados, hipnotizados, encantados pelo flautista e afogados no Lago da Tarumã.

 

Cr & Ag

 

Nas celebrações da Semana Santa, por vezes, ocorriam nas procissões além dos sinos da igreja, das sinetas dos coroinhas e sacristãos, o clac-clac das matracas. Feitas de tábuas de madeira com dois aros de ferros ou arame rígido, um de cada lado, que num movimento rápido e rotatório das mãos gerava o som característico. Muitas cidades e regiões ainda as usam solenemente. Também era o instrumento de chamamento do antigo vendedor de casquinhas. Com imensos latões albergados nos ombros atulhados de finíssimas casquinhas crocantes de cereal fazia o deleite das crianças e de muitos adultos. Preferia circular pelas ruas poeirentas após o almoço. Ou quando os adultos gostavam de sestear, dormir, serrar um toco, entregar-se aos braços do Morfeu. O esperado pela criançada podia ser um transtorno para os pais. Então deixavam uns pilas sobre a mesa para não serem interrompidos. Algumas vezes, escutava-se alguém indignado com o som: – Fecha a matraca!

 

Cr & Ag

 

Eis que matraca é sinônimo de pessoa tagarela ou faladora. De quem fala pelos cotovelos. Quando a professora que hoje alcunham de “tia” mandava “fechar a matraca” geralmente não se escutava nem o respirar das criaturas. A disciplina, hoje simplória palavra dos dicionários, era mandamento de Deus e das famílias. Vem o episódio do “por que não te calas” do rei espanhol Juan Carlos para a verborreia indisciplinada de Hugo Chaves numa conferência de chefes de Estado no Chile. Na minha primeira semana de aula, ao adentrar os umbrais da Faculdade de Medicina, na cadeira de Psiquiatria, fomos divididos em grupos de cerca de cinco estudantes. A maioria das profissões e atividades e situações humanas recebeu a presença constante de um estudante para “ouvir”. Ouvir e aprender e transmitir aos colegas. Anotava-se e discutia-se com os monitores e logo em sala de aula com os mestres. Saudades da sabedoria do professor Dr. Darcy Abuchaim, de uma família de brilhantes médicos e psiquiatras de reconhecimento internacional.

 

Cr & Ag

 

Íamos às casas, locais de trabalhos mais diversos, do nascimento ao velório. Pense em alguém, num estado de vida e de morte, qualquer profissão da mais antiga a mais moderna ou transitória. Ou desempregado. Sedimentávamos camadas de respeito, aceitação, ruptura de paradigmas e busca de entendimento. Na base estaria “escutar”. Tantos profissionais enchem os pacientes com a sua fala e quase nada sobra ao paciente para dizer, falar, ser um paciente que espera ser ao menos ouvido, importante pra alguém. Na euforia de “novos médicos” aprendíamos a fechar a matraca. Ouvir mais e respeitar mais. Certos valores mudam numa sociedade de transitoriedade, muitas vezes abjeta. O Filósofo do Apocalipse gravou que “política é a arte de falar mais e de fazer menos”. Somente os obsidiados pela ideologia ou pela idolatria ainda se encantam com o falar muito, propagandear sempre, mentir com convicção e iludir na insistente manutenção do poder. No Brasil de todos nós sem corrupção e ladroagem “que ainda não tem nada provado” precisamos que homens públicos fechem suas matracas, escutem mais o povo e não seus seguidores cabresteados e de plantão e façam o que lhes compete.

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“Aborto da natureza” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 31 Março 2015

 

2015 – 03 – 31 – “Aborto da natureza” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“Aborto da natureza”

 

Há uma língua geral e expressões típicas, próprias de cada região. Trouxemos várias delas que em sua época e tempo estavam na língua do povo viamonense. Ainda não vivíamos a globalização de hábitos e costumes na proporção avassaladora de agora. E “globo” era somente uma das designações do planeta ou da bola terrestre. Hoje estar na Globo, fazer parte da Globo ou simplesmente aparecer na Globo significa “vida inteligente”. Para quem botocudo? É um “aborto da natureza”! Expressão das crianças aos políticos no palanque na Praça da Borracheira estava na voz das pessoas. De significado abrangente que transitava por algo extraordinário a uma aberração. Nós gaúchos somos criaturas de extremos. Somos sobreviventes de inverno e verão no mesmo dia. Torce-se pelo Grêmio ou para o Internacional.

 

Cr & Ag

 

As professoras do meu saudoso Grupo Escolar Setembrina corrigiam, explicavam, mas aceitavam nas redações – por favor, acreditem que aluno tinha que estudar, fazer redação, provas, passar de ano por mérito – que o estudante se manifestasse com a linguagem da sua vida. Depois sentavam com o aluno ou discutiam as redações no quadro negro. Guris como eu e o amigo Dálcio Dorneles recebíamos “boas” orientações e algumas admoestações. Um aborto era uma desgraça na vida de qualquer família e Viamão era território cristão. A perda de um filho ou de uma filha, a perda de uma vida humana abalaria a família intensamente e por toda a sua existência. Dor e sofrimento marcados por missas e visitas à sepultura, afinal “morrera um anjo” e como tal seria eternamente pranteado e reverenciado. Abortos propositais, intencionais, premeditados por qualquer método ou aquelas pessoas “aborteiras” carregariam a mácula da morte mais “criminosa”, mais cruel, uma morte inominada.

 

Cr & Ag

 

Hoje tudo é transitório, exceto a ideologia do poder a qualquer custo. Tudo é facilmente descartável, do carro à máquina, dos objetos, dos relacionamentos e das pessoas. Essa sensação de transitoriedade invade as almas das criaturas e jogam-nas num mundo de valores também descartáveis. Não e jamais generalizamos. Vivemos uma época de transição em que diferenciamos e nos apercebemos com mais facilidade do bom e do ruim. Daquilo que nos serve e daquilo que não presta. A globalização abriu essas fronteiras. “Estás no Google?” – se positivo, você existe. Luz e escuridão. Sombras e penumbras estão nesse caminho. O “fruto do conhecimento” na árvore ancestral do Éden do Adão e da Eva nos traz a responsabilidade da opção. Abre-se o universo do conhecimento e da busca necessária da evolução, do aperfeiçoamento, da iluminação da mente e do espírito.

 

Cr & Ag

 

Somos seres de ódio que caminhamos para o amor crístico. A “tartaruga no topo do poste” seria um aborto da natureza. Olhamos para nosso entorno de cidade, de Estado e de país e o que vemos? Viamonenses de antanho estariam abismados com tantos e tamanhos abortos da natureza. Absolutamente nada é casual no mundo ou sob o manto do firmamento, há causa e efeito e não basta desligar-se, fazer de conta que o problema é dos outros, e sempre apontar para alguém como causador ou culpado. Até a fé deve ser “raciocinada” ensinou-nos o grande mentor espiritual. Somos porque permitimos ou porque resultamos de nossos atos ou de nossas omissões. Que tenham uma Páscoa de amor e de reflexão com saúde e harmonia em suas vidas!

“As lembranças que eu trago comigo” – Edson Olimpio Oliveira Crônicas & Agudas – 24 Março 2015

 

2015 – 03 – 24 Março – Lembranças que trago comigo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“As lembranças que eu trago comigo”

 

Pescando essa frase de uma música da minha juventude encaixo outra frase: “esqueci de esquecer”. A máxima do pensamento positivo é não olhar para trás. Esquecer-se do espelho retrovisor da vida nos afasta de experiências boas ou ruins que de alguma forma nos ensinaram e nos moldaram a ferro e fogo ao que somos ou ao que restamos agora. No agora da vida de você e na minha. De qualquer ou de todos nós. Dizem-nos que nos estertores finais da existência, naquele momento em que as dores do corpo se afastam, naquele momento em que começamos a vislumbrar através da cortina que separa os mundos visíveis e invisíveis, é ali naquele momento em que a vida passa por nós aos nossos olhos da alma numa sequência que se esgota com o derradeiro suspiro. Aproveitemos então para ver e rever nossas existências em outros momentos além daquele onde não há retorno ou desvios, nem correções de rota.

 

Cr & Ag

 

Voltaremos como entramos nessa existência – despidos de tudo e numa lufada do hálito divino. Estaremos absolutamente despidos das pompas e da grandiosidade de títulos de nobreza ou da realeza universitária. Nada trouxemos e nada levaremos além das vivências de nosso espírito e dos entendimentos a que viemos buscar e devem estar no alforje eterno revestido de ódio ou de amor. Essa é a única certeza que carregamos ao adentrar nessa existência. Todo o poder que tantos buscam e acumulam e que se espalha na riqueza espoliada, na ferocidade das armas e na couraça das ideologias que ousam e insistem em impor a todos se esvanecem e na carcaça final talvez reste o silicone ou os materiais cirúrgicos de beleza questionável e finalidade abusiva.

 

Cr & Ag

 

Na minha infância viamonense acompanhava minha avó Adiles aos cuidados com as sepulturas dos familiares aqui no Cemitério Velho. Minha mãe, católica fervorosa, orava rosários para minha irmã Dilu, nascida no dia do aniversário de meu pai, e teve curtíssima existência. Eu perambulava olhando os mausoléus dos abonados e as sepulturas dos humildes na terra nua com pequena cruz e um número. Havia um local que sempre tinham velas acesas – o Buraco dos Ossos. A sepultura democrática e comunitária. Ali iam as ossadas dos abandonados pelos vivos e desprovidos até de uma prece pessoal. Quantas vezes, após vencer o temor das fantasias lúgubres, o guri sentava e orava e pensava naqueles que em vida amaram e foram amados. Sofreram e fizeram sofrer. Todos com a sua importância, com suas individualidades, suas vidas trazidas pelo sopro divino. Quanto do respeito aos mortos e à senhora morte mudou a vida do guri que se tornaria médico?

 

Cr & Ag

 

“Médico também adoece?” – dizem alguns até com sentimentos de regozijo que as enfermidades não respeitem nenhuma fronteira humana. Há quem precise da enfermidade minar seu corpo para que o poder do ego abaixe as orelhas e se humanize. Sempre acreditei que ser médico significa respeitar e tratar os pais dos outros como gostariam que tratassem os seus, os filhos dos outros como os seus, a esposa dos outros como a sua. E é quando o contrário acontece que mais se deve valorizar aos bons que tentam e peregrinam no rumo de evoluir em amor ao seu paciente. Há muito desamor no endeusamento pessoal dos diplomas e do saber corrompido e decaído ante seu poder e necessidade de mais ouro. Desconhecem que em algum lugar há um buraco dos ossos aguardando seu corpo e um pântano espiritual para sugar sua alma. E talvez tenha que repartir um Pai Nosso e uma Ave Maria com outros atolados como ele. O nosso país é a nossa casa maior da nação brasileira e o lodaçal e a idolatria acumulam riquezas materiais e poder desenfreado como a serem eternos nessa vida. Muitos receberão louros post-mortem em nome de obras públicas ou fundações, nada disso aliviará a putrefação no buraco dos ossos.

Fim dos tempos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 17 Março 2015

 

2015 – 03 – 17 Março – Fim dos tempos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Fim dos tempos

 

Místicos e espiritualistas convergem quando o tema é “fim dos tempos”. As igrejas de todas as cores e afinidades enchem-se de pessoas buscando apoio na fé e ansiando por iluminação divina ou dos espíritos superiores. Templos religiosos e templos de consumo e ostentação da socialização da riqueza mais acessível convivem sem digladiar-se. Shopping centers são esses templos do ter mais e do lazer. Falsos profetas homiziam-se em muralhas de legendas ou partidos políticos e aquilo que seriam agremiações partidárias tornam-se seitas. Seitas radicais com milícias prontas para agredir e destruir.

 

Cr & Ag

 

Hordas de mortos-vivos arrastam-se pelas cidades e invadem as áreas rurais. Não haverá prisões suficientes para todos os criminosos de qualquer colarinho. A “elite” julgada e condenada após intermináveis manobras e “embargos infringentes” (?) que para o reles e simples mortal é “sacanagem de político rico” ocupa habitações especiais ou é beneficiada com indultos ou decisões presidenciais. “Deus é quem sabe” e “Deus é brasileiro” soma-se ao devaneio da incompetência em melhor escolher ou escolher os piores. Temem-se mudanças e assim nunca será encontrada uma “arca” salvadora nem um Noé.

 

Cr & Ag

 

Imputam-se culpas “sempre dos outros”, mesmo que as tais culpas atribuam-se aos ancestrais que alimentaram a poeira dos tempos e dos séculos com suas ossadas. Radicalizar é norma e religião. Essas chagas tornam-se visíveis em todo o planeta e enganados são aqueles que olham e acreditam que o “problema é dos outros; ou deles”. Transferência de culpa ou de responsabilidade, sempre há alguém para responsabilizar, acusar e culpar pela incompetência ou pela desídia. Rouba-se pela política e mata-se pela religião.

 

Cr & Ag

 

No entanto, é crescente e compreensível que mais pessoas têm o entendimento e as redes sociais tornam-se templos sem donos que expõe a ferida purulenta da negligência, da incompetência ou da imperícia do governo e dos detentores do poder. A consciência de escolher o “menos ruim” ou a escolha por exclusão romperá a barreira do medo de melhores em capacidade e decência – que não é somente uma mera palavra e sim um dos estados do espírito – tornarem-se visíveis, expostos a enfrentarem as legiões das sombras e do “quanto pior melhor” para eles. Alguém duvida que o verme prolifera  e se fortalece no lixo e na podridão e que os corruptos estão na penumbra das leis e da imprensa livre?

 

Cr & Ag

 

Não sei dos resultados, mas orei para que as manifestações do dia 15 de março sejam uma luz contra as sombras que dominam e infestam esse país que seria uma democracia de todos e não uma ditadura de alguns. Assim como uma Petrobrás que já foi orgulho nacional foi infectada pelos tentáculos da política de eternizar-se no poder e roubar com o escudo da funesta governabilidade.

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