O Causo do Trator! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opiniõ de Viamão – 08 agosto 2017.

 

O Causo do Trator!

 

Série Humor é um Bom Remédio.

 

A história que vamos relatar pode parecer fantástica para alguns, mas quem conhece as fantásticas habilidades de seu personagem principal, até o impossível se tornará provável.

 

C

açador de perdiz e de marrecão, mecânico, motorista profissional, “engenheiro” amador, são algumas de suas qualificações. Da Vinci e MacGiver seriam seus alunos. Afora essas qualidades técnicas, é pessoa amabilíssima e de bom coração. E viamonense da gema.

 

Conta-se que nos longínquos anos 50, executava uma grande aração de terras aos fundos da Fazenda dos Abreu, junto à Lagoa dos Patos. Começara na madrugada e somente pararia à noite. O inverno fora rigoroso e o preparo da terra para o arroz atrasara. “Trabalhador ferrenho e feroz”, segundo o próprio – opinião contrária de outros. Quando se apercebeu, a lua penteava faceira os mais altos galhos dos eucaliptos.  Os tambores de gasolina dentro do trole secaram.  Restava apenas o combustível do tanque do trator. Ainda rodaria algumas boas léguas até a sede da fazenda onde pernoitaria. Retornou. Algum quero-quero reclamava à passagem do trator que insolente perturbava seu descanso e as corujas olhavam de soslaio num apupo sinistro.

 

As marrecas piadeiras e caneleiras davam rasantes nas lagoas inchadas pelas chuvas do inverno rigoroso e chorão. Uma tarrã ofendida marcava seu território riscando a grama com o esporão agudo de sua asa. Pensamentos vagueavam: a família longe, o novo dia de trabalho, os pés em bolhas dolorosas contra os pedais. Súbito, o previsível, o trator soluçou, soluçou, engasgou e apagou o motor. Bateu arranque. Nada. Foi verificar o tanque de combustível. Vazio. Sentou-se. Acendeu o palheiro. Longas tragadas que enevoaram a noite clara. Perguntou para a lua: – “E agora?”

 

Ao longe, o bruxulear de uma luz que escapava pela janela entreaberta. Era o rancho de um peão da fazenda. Chegou-se, bem recebido, constatou que não tinham nenhum combustível. Somente a querosene nos lampiões. “Pernoite amigo, que amanhã cedito tu resolve.” Disse-lhe o peão. Seus compromissos o atucanavam. Então pediu “um tarro de leite emprestado”. O peão estranhou, mas cedeu. Colocaram o tambor na carroça e o levaram até o trator adormecido no ermo da várzea. Descarregou o leite. Despediu-se do homem. Baixou sua fiel companheira: a caixa de ferramentas. E começou a alterar a mecânica do trator. Suas hábeis mãos satisfaziam-se com a luz prateada da lua atenta. Logo derramou o leite no tanque. Subiu e bateu arranque. O tratorzão tossiu, arrotou uma meia dúzia de vezes. E não pegou. Desligou a chave para não matar a bateria e voltou ao conserto. Já sabia o que faltava. Pronto. Guardou as ferramentas. Dedo polegar no botão, o arranque dispara e o bruto estremece e pega. “Meio engasgado, pigarreando.” Disse. Não virava redondo, pois precisaria de outras peças e ferramentas especiais que, no momento, não dispunha.

 

“E o bicho velho veio tossindo, rasgando a noite da várzea.”  – gostava de recordar.

 

Muitos quilômetros adiante, desconfia de um ruído esquisito: “FFIIIZZZ, FFFIIIIZZZZ…” Olha para os lados pensando em assombração em noite de lua cheia. Nada! Súbito, ao virar-se nota um risco amarelo-esbranquiçado no trilho da fera. Refletindo à lua. Custa a acreditar no que vê. Deixa o motor ligado. Desce. A curva do cano de descarga, furada, deixava vazar algo. Aquilo. Passa no dedo, cheira e leva à boca.

 

“Manteiga! Manteiga!” – Soltou um grito de espanto. Meio misturada com graxa e combustível, mas Manteiga.

“E me vim’bora!”  – contava. “No outro dia, o pessoal testemunhou o sucedido”.

 

2017 – 08 – 08 Agosto – O Causo do Trator – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O Zoo e as Feras! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 01 Agosto 2017.

 

2017 – 08 – 01 Agosto – O Zoo e as Feras – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Zoo e as Feras!

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is que na última quarta-feira, Dia dos Avós, levamos, durante à tarde, o neto Lucas para visitar o Zoológico de Sapucaia do Sul. Tarde primaveril, com magnífico sol que aquecia os corpos e estimulava as almas já se acostumando com a ausência do rigoroso inverno gaúcho. Os estacionamentos do Zoo e suas ruas estavam repletas de crianças de todas as idades, nenhuma com a cabeça branca como um risonho avô. Sabemos que o parque e a instituição que o mantém estão num período de transição com a iminência de ser privatizado, pois o Estado do Rio Grande do Sul, que ainda tem rio, poluído é verdade, mas deixou de ser grande faz bom tempo, não consegue saldar adequadamente a folha de pagamentos do funcionalismo. Isso traz desconfortos e desassistência para muitos e o Governo se vê numa sinuca ou com a mão e todo o corpo numa cumbuca de titânio e a famosa “escolha de Sofia” virou atividade diária. Ou põe dinheiro que não tem na saúde caótica de postos e hospitais ou investe nas feras e nos animais.

Crônicas & Agudas

Observa-se a nítida degradação dos equipamentos e das instalações. Sinto que a quantidade de animais diminuiu em relação às outras visitas no passado. Mas a turma estava feliz assim mesmo e o alarido das crianças põe sangue novo numa ordem anárquica que virou a vida, o cotidiano dos sobreviventes gaúchos e brasileiros. É pipoca e sorvete para tudo que é lado. Os pais estão tranquilos com os filhos de colo, mas com o coração aos saltos tentando controlar o ímpeto das crias correndo de uma jaula à outra. No grande cercado da elefanta havia uma jovem com uma paciência maior que a criatura de trombas e bunda virada para a plateia efervescente. Ela se detinha a responder perguntas das crianças e dos pais e cuidadores com graça e bom humor. Incrível! E é funcionária pública ainda! Como muitos de nós fomos e acreditávamos na nossa dignidade profissional e no trabalho. Trabalho! E fornecia, várias e repetidas vezes, os dados pessoais da senhora trombuda e ainda pincelava sobre outros dos animais do Zoo. Magnífico!

Cr & Ag

As distâncias devem ser percorridas com denodo pelos avós no rastro do neto. A paradinha para o fôlego e para a água deve ser rápida como pistoleiro do velho e saudoso oeste. Há momentos em que a avó assume o manche e pilota a aeronave e aí se curte o grande lago e o bailado dos cisnes de variadas espécies. A placa orienta que o belo chafariz na verdade é um aerogerador que “torna a água oxigenada”. Todos os netos sabem disso! E sabem que se “um zumbi cair no lago ele não morre afogado, apesar de não precisar nadar”. Vale até uma soneca à sombra e com o lago e os cisnes por testemunhas. O urro distante parecia que algo muito grande e feroz se aproximava. Perambulamos pelas jaulas dos macacos e suas arteirices. Um trator com reboque iniciava a colocação de caixas de alimentos próximas às jaulas para que os tratadores as dessem aos animais. E logo estávamos frente a frente com ursos, calmos e sonolentos. E logo a jaula com a dupla de tigres em frenética atividade em saltos e caminhando por troncos de madeira.

Cr & Ag

A origem dos rugidos – um leão, muito do cabeludo, urrava para a torcida e para a fêmea dorminhoca. Dizia que comeria qualquer um daqueles com óculos e tudo. Bichão cabeludo e marrento. Mostrava unhas sem pintura ou base – cara macho mesmo! Fedia! Gaúcho macho barbaridade. Tudo com a jaula nos protegendo, mas se um funcionário surtado ou dos direitos humanos soltasse o leão… Se um psicólogo ou psiquiatra atestasse seu bom comportamento e ausência de risco para a sociedade… Instalações desumanas? Excesso de lotação? Sei lá que canetaço daria, mas solta a fera, o leão iria se fartar nas criaturas indefesas. E tive o estalo que a caneta de muito juiz, delegado ou autoridade está fazendo isso o tempo todo conosco. Nos desarmaram, nos impedem da defesa e liberam as feras sanguinárias. E as jaulas que deviam nos proteger? Estão nos nossos muros, portas e janelas e as feras soltas, rondando e atacando!

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Cair na gandaia! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 18 Julho 2017.

 

2017 – 07 – 18 Julho – Cair na Gandaia – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Cair na Gandaia!

Cada um no seu tempo e ao seu tempo, mas alguém vai à gandaia ultimamente? Para quem não sabe ou até esqueceu, pela cabeça atribulada pela sobrevivência nesses tempos oscos, gandaia é estar no ócio (não confundir com cio!), na vadiagem, sem preocupações ou na farra. A origem do termo estaria ligada a uma redinha que se usava para segurar e alinhar os cabelos tanto para dormir quanto para ficar de boa em casa. Aqui em Viamão City, a primeira capital de todos os gaúchos, a turma da gandaia se reunia no Bar do Manoel, por exemplo, hoje estacionam os glúteos nas cadeiras da lancheria do Guará, tudo barbado. A criatura acostumada à gandaia era um “gandaieiro”. Tempos distantes que alguns se reuniam para gazear a aula do Setembrina e deixavam os caniços escondidos para irem pescar no Lago da Tarumã ou dar uns mergulhos no arroio Fiuza. Nada de semelhante com a turma “mocozada” fazendo uma fumaça, nuvem passageira ou puxando um fumo. Outros já saiam de casa com os calções escondidos e as meias para um futebol na praça da Igreja ou no campo do Tamoio.

Crônicas & Agudas

Hoje está impossível ser um guri que curtia essas atividades e até como pequenas e simplórias distrações. Andar pela rua é alto risco para muitos, outros virou profissão. Cruel profissão! Os pais preferem seus filhotes blindados nas casas ou nas vans que levam e trazem das escolas e a internet se tornou a realidade alternativa, muitas vezes necessária. Hordas de vagabundos à espreita de suas vítimas circulam abertamente pelas calçadas e praças. De zumbis a crocodilos com camiseta do Barcelona, bermudão, tênis e capuz com um currículo que faria inveja ao Caryl Chessmann ou ao Bandido da Luz Vermelha. Rios e arroios foram estuprados pelo lixo humano e os peixes sobreviventes são mutantes impregnados por metais pesados e tóxicos no caminho de imitarem uma baía de Minamata.

Cr & Ag

Jogo de taco e fazer carniça com pião eram atividades de muito risco, pois vá o pião furar o pé de alguém ou o taco escapar da mão e quebrar a vidraça da vizinha. Agora dia 20 de julho do ano da luz de 1969, um cara deu-se ao luxo de fazer uma gandaia de quase três horas no solo lunar. Lembram? Nome do artista – Neil Armstrong! Já deixáramos a adolescência, quem sabia que isso existia, ou se era guri ou se era homem, e ainda se brincava com a ideia do cara pular na Lua. No jornal do cinema havia quem jurasse ter visto marcianos escondidos ou entrincheirados nas crateras. Havia que jurasse ser tudo mentira e propaganda dos ianques – ainda juram. A turma da Cidreira treinava as pegadas na areia imitando Armstrong, mas com uma gandaia mais produtiva “escorando uma gatinha na casinha do salva-vidas”. Geralmente papo furado e bom gargarejo.

Cr & Ag

Talvez a habilidade de “recordar é viver novamente” como gente e façam certos anos serem alcunhados de melhor idade. Besteira! Estando vivo e com saúde é sempre a melhor idade, com ou sem gandaia. E que a gandaia seja sempre um prêmio ou um troféu merecido e aspirado, seja pescando na praia da Solidão seja visitando os monumentos de Hiroshima e Nagasaki com os fatídicos aniversários em 6 e 9 de agosto. Só para atazanar o velho Alzheimer, Litle Man explodiu em Hiroshima e a Fat Man em Nagasaki. E a gente recordava essas coisas na escola que não era lúdica para jamais esquecermos da desgraça radioativa e como o mundo virou um lugar que se devia dar maior valor à vida e até à gandaia. E nem o Superman ou o Capitão América poderiam nos salvar, menos ainda o Flash Gordon, Zorro, Roy Rogers ou Durango Kid. E se gandaiava trocando e lendo gibis, colecionando e escondendo de quem tinha irmão menor. E não vamos recordar da turma do “catecismo”, livretos de bolso com desenhos eróticos ou pornográficos em enredos iguais sem deixar de ser alucinante. Tinha uma turma pálida e de olheira que até criava pelos nas mãos que de longe se identificava como viciada em “catecismo”. E aí, gandaia não é tão ruim assim?

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Premiação Literária–Capa Jornal Opinião 11 Julho 2017.

2017 - 07 - 11 - Jornal Opinião - Capa Premiação

2017 - 07 - 11 - Jornal Opinião - Premiação

Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 11 julho 2017.

 

2017 – 07 – 11 Julho – Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Direitos adquiridos vs Privilégios adquiridos!

E

ra uma vez um reino imenso, com todas as riquezas naturais que permitiriam ao seu povo uma boa vida com trabalho e realizações. Os reis se sucediam, assim como os nobres escolhidos a dedo entre o povo e, a cada nova leva de governantes, sucediam-se benesses que encantavam alguns. O governo ainda tinha um zoológico privado para o deleite dos líderes e governantes. Ali crocodilos eram priorizados, que após várias gerações de bons tratos e muitas facilidades, cresciam e se encorpavam, maiores e mais poderosos. O rei com mandato democrático, escolhido pelos súditos, principalmente os mais fiéis e devotados, alimentava o crocodilo com o néctar dos deuses e as melhores iguarias que um réptil possa desejar, como, por exemplo, algum humano que não servisse mais para pagar as taxas e impostos do reino, velhos improdutivos e crianças que se amontoavam nas filas de hospitais lotados ou que ousavam inventar algumas novas enfermidades.

Eis que o crocodilo criou uma prole igualmente faminta que se não separada ou que a oferta de alimento fosse menor que a sua voracidade se devoravam entre si depois de se culparem uns aos outros. Eis que a burocracia que mantinha os governantes e os crocodilos alimentados já ousava refugar algumas vantagens em prol de cada mais maiores salários e menores horas de trabalho e uma série quase infinita de penduricalhos. Os humanos imitando os répteis. Eis que certo dia nebuloso e com a economia em frangalhos o rei e a corte estavam prensados entre os famintos crocodilos e a burocracia insaciável e já faltava povo para ser esfolado e comido vivo. Até mortos eram usados e abusados. Resultado, a culpa era de uma nação estrangeira, da globalização e de um povo chamado de capitalista. E continuaram alimentando o crocodilo gigante e sua prole humana e reptiliana.

Crônicas & Agudas.

A média salarial do INSS é cerca de R$1.600,00. A média dos funcionários do Executivo é de quase R$9.000,00 e nos poderes Legislativo e Judiciário sempre acima de 20, 30 ou 40 mil reais. O déficit anual no INSS é até 1/3 do déficit dos funcionários públicos. Logo quem quebra o Estado brasileiro não é o miserável do INSS. O que seria um direito adquirido com a máscara de “conquista do trabalhador”, como se outros não trabalhassem até igual ou mais? Insistem que são “conquistas” do trabalhador, mesmo com a opressão das demais pessoas. Um direito do trabalhador, não deveria ser universal a todos os trabalhadores? Sim, qualquer direito deve ser universal. O direito do voto deveria continuar excluindo as mulheres e os negros? A mulheres devem continuar com os salários menores que os homens nas mesmas funções? Os homossexuais devem continuar excomungados por religiões e por outras pessoas? As crianças comerão as sobras dos adultos, devem trabalhar e banharem-se nos restos da água usada pelos adultos como em tempos de antanho? A vida deve ser um direito ou um privilégio?

Cr & Ag

Certamente, você que não é obsidiado por nenhuma força alienígena ou ideológica, acredita em direitos iguais para todos os seres humanos. Assim como deveres iguais para todos. No entanto, todos sabem que alguns são “mais iguais que os outros” e que suas corporações ganharam “direitos” que os demais não possuem e jamais devem sonhar. O direito que não é universal é um privilégio. Privilégio! Privilégio é aquilo que alguém tem e os outros não. Essas criaturas possuem privilégios adquiridos e vestidos com o manto da legalidade e julgados legais por outros privilegiados como eles. E como o crocodilo e sua prole e os humanos que neles se inspiram jamais querem ver diminuídas ou retirados seus privilégios, mesmo que tenham que devorar todo o povo contribuinte. Ou alguém acredita que o réptil irá querer todos com os mesmos “direitos”, digo, privilégios que ele! Se discorda dessa acepção de direito e privilégio, experimente tê-los e usá-los no seu lar, na sua vida e impor na vida dos outros. Quantos já fazem isso!

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A Criança como Escudo Humano! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 04 Julho 2017.

 

2017 – 07 – 04 Julho – A Criança como Escudo Humano – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A Criança como Escudo Humano!

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ão me causa nenhuma estranheza pessoas cultas, até com diploma universitário, usem mais a emoção do que a razão e o bom senso em seus julgamentos ou colocações. É da vida, mas há um novo tempo para realinhar ideias e não se permitir cair no engodo repetido. Principalmente depois da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no final do século XIX, as crianças seriam vistas como seres humanos a proteger e não seres descartáveis ou usados em condições cruéis de trabalho ou de vida. Estamos no século XXI, as legislações protegem as crianças em todos os horizontes, no entanto, as crianças são vítimas de abuso sexual, por exemplo, na maioria absoluta das vezes, dentro dos seus lares e por pessoas que as deveriam proteger e amar. Assombra-nos o infanticídio cometidos pelos “povos da floresta”. Sofremos com crianças sendo capturadas e doutrinadas à força pela guerrilha assassina na África e no Oriente Médio. A dor explode com as crianças bombas. Na crônica anterior, “O policial também é um filho de Deus!”, expomos diversos questionamentos sem respostas, como pela presença física de crianças na desocupação de prédio invadido em Porto Alegre, capital gaúcha.

Crônicas & Agudas

Qualquer animal na natureza esconde seus filhotes na mais protegida toca quando vai à caça ou quando o combate é iminente. É normal e esperado proteger os filhotes. O Homo sapiens (“homem sábio”) sempre procede assim? Açulados por sindicatos, sabe-se de professores incitarem alunos (filhos dos outros!) para o campo minado das reclamações e do enfrentamento desejado. Sabe-se a estratégia de luta de movimentos, como da interminável reforma agrária, usarem crianças e mulheres em suas manifestações com foices e facões. Assaltantes de banco usam rotineiramente tapumes humanos (filhos e familiares dos outros) para se protegerem durante assaltos com feroz violência. Entretanto, desconhecemos as violentas torcidas organizadas se enfrentarem e seus membros levarem seus filhos para o combate. Jamais vimos um policial civil levar seu filho para executar um mandato judicial. Tampouco algum policial militar levar filhos e esposa para um enfrentamento qualquer. E você levaria seu filho? Onde estão as diferenças?

Cr & Ag

A imensa maioria das pessoas inteligentes e não comprometidas com invasores sentem dor pelas “crianças na noite fria de inverno, num horário inadequado”. Qualquer pessoa normal sentirá dor com crianças em risco. Lembrem – até os animais, ditos irracionais, protegem seus filhotes. Se você pai ou mãe, avô ou avó, enfim responsável por uma criança que terá o local onde vive em risco, fará o que? Certamente respondeu – proteger as crianças, afastá-las da luta! Não foi isso que aconteceu. Mais de dois anos de negociações judiciais sem acordos com os invasores. Desocupação previamente anunciada e determinada pela Justiça depois de recursos. Se eu ou você estamos naquele prédio e sabemos, pois ninguém desconhecia a ordem judicial de desocupação, e queremos lutar por “nossos direitos” (mesmo contra a lei), faremos o que? Primeiro é afastar e proteger crianças da área de conflito e de combate premeditado. Se você escolhe deixar seus filhos na linha de batalha a responsabilidade é sua ou é do Estado, ou sociedade? A orquestração, a estratégia de combate, exige vítimas inocentes, até mártires, crianças de preferência? Usa-se a emoção das pessoas e da opinião pública, já manipulada por jornalistas da mesma cor ideológica, para demonizar a polícia e satanizar o governo. E aumentar o “sentimento de culpa da sociedade” pelos necessitados do momento. Mais manipulação! Ainda – mentores maquiavélicos, ao usarem crianças na luta, estarão fabricando futuros guerreiros de ódio forjado contra as instituições democráticas, lembre exemplos.

Afora isso, os mesmos responsáveis mantinham essas crianças, se todas forem dali e não carreadas de outros lugares, em quais condições de vida? Pense! Jamais se deixe iludir por mitos criados, mantidos e vendidos. Como os que nos levaram a um país com a maior crise econômica e moral da sua história e talvez entre os povos ditos civilizados, entre essas hordas que defendem criminosos e seus interesses contra os cidadãos que trabalham e contribuem dentro das leis, arcando com o custo da corrupção institucional e metastática.

O Policial também é um Filho de Deus! – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 27 Junho 2017.

 

2017 – 06 – 27 Junho – O Policial também é um Filho de Deus – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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O Policial também é um Filho de Deus!

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ausa estranheza a afirmação do título? Ou você é da espécie que acredita e prega que o policial, civil ou militar, seja um filho ou um enviado do Diabo para atormentar as pessoas? Hoje, dia 23 de junho, pela manhã, o rádio informa da morte de um policial civil de 39 anos de idade com um balaço na cabeça durante uma operação de rotina com ordem judicial na casa de traficantes de drogas aqui em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre. Esse homem, no fiel cumprimento de seu dever de proteger a sociedade, morreu nos braços da sua esposa, que também é policial civil e estava na mesma operação. Os policiais teriam sido recebidos à bala por cinco traficantes enquanto apresentavam o mandato judicial para a mulher que abriu a porta. Outro cidadão, mais um policial em defesa da sociedade honesta, onde segmentos não merecem viver livremente nessa sociedade, morre brutalmente. Durante essa manhã, não escutei nada além da crua notícia jornalística. Se fosse o contrário? Estaríamos crivados de “direitos humanos”, socialistas, movimentos sociais, parlamentares identificados e amantes de criminosos exigindo a imolação em praça pública do policial que “matou” o criminoso e “contra a violência policial”. Há pichações que pregam “policial bom é policial morto”. É a degradação absoluta da lei, da moral e da ética.

Crônicas & Agudas

É alarmante, em comparação com outras polícias no planeta, a matança de policiais no Brasil. Há jornalistas de visão tubular ou mente estreita, deformados pela lavagem cerebral durante a universidade ou adeptos da ideologia que visa destruir a família? São peças cruciais nessa rotina fatal? Jamais generalizo e basta escutar, ver e sentir que você verá a diferença entre o joio e o trigo. Ainda ferve na mídia o episódio da desocupação dos invasores no prédio público no Centro de Porto Alegre. Observam “violência policial”, “horário impróprio”, “crianças no local”, “noite fria”, “deputado do PT é detido” e outros eteceteras. Ninguém desdenha da necessidade de moradia digna para todo o cidadão e das crianças no local.  E o respeito às leis? Observe outras facetas não abordadas adequadamente: dois anos de negociações com os invasores sem que nenhuma alternativa a Justiça encontrasse para que saíssem espontaneamente do prédio; qual o currículo das criaturas invasoras, seu passado ou sua ficha policial? Certamente não eram somente seres angelicais que ali se acantonaram. Essas crianças eram filhos reais dos invasores ou trazidos de outros locais – fato conhecido em outros “movimentos sociais”? Se eram familiares, em que condições viviam? Ambiente promíscuo? Drogados, traficantes, ladrões? Com a anunciada judicialmente desocupação por que eram ali mantidas se já planejavam o enfrentamento físico? Outras perguntas estão penduradas no gancho sombrio da eterna partidarização e da ideologia, ansiando respostas reais e moralmente éticas.

Cr & Ag

Alguém é tão inocente que jamais viu ou soube do uso de crianças ou mulheres como escudos humanos? E não se precisa viajar ao Estado Islâmico – Isis, veja os assaltos à banco no Estado. A responsabilidade principal de expor menores às condições adversas ou insalubres é de quem prioritariamente? Dos pais e responsáveis ou de nós? Qualquer desocupação, retirada de invasores refratária a acordos é sempre pacífica ou há violência calculada, premeditada e talvez estimulada? Pense. Raciocine. Responda para si, pelo menos. Os invasores sempre usarão todos os meios materiais ou psicológicos e reagirão sempre. Qual a colaboração efetiva do humanista deputado (único no local?) durante os dois anos de negociação, buscou soluções reais e novas moradias, qual a sua atividade real durante o tempo de invasão e não somente na desocupação? Escudado no crachá de deputado pode obstruir e tentar impedir uma ordem judicial previamente conhecida e sabida? Ou a separação e respeito entre os poderes republicanos somente vale para os outros? Tantas dúvidas mais! E as respostas?

Novamente satanizaram a polícia. Demonizaram a Brigada Militar. Esse jogo é sempre executado com a conivência da ignorância ou com a participação ativa dos interesses malignos das facções que mergulharem o Brasil na pior crise da sua história? Talvez alguns preferissem os métodos de Fidel Castro, a “ponderação” do venezuelano Maduro ou a “complacência do imperador” da Coreia do Norte? Acredite – o policial é e sempre foi um filho de Deus como você e eu!

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