Vida Real – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 21 Julho 2015

 

Vida re2015 – 07 – 21 Julho – Vida real – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Vida Real

 

A

credito estar superando Leônidas e seus trezentos heroicos combatentes contra o Xerxes da falta de leitura e iluminação. Passei dos trezentos também heroicos leitores desse cronista. As crônicas sobre Coragem & Beleza repercutiram mais que… Mensagens por Whattsapp, e-mail e nas “diretas já” a Cledi e eu fomos cobrados por não divulgar outras beldades incontestáveis da querida e pichada Viamão, Setembrina dos Farrapos. Não há espaço pessoal! A minha coluna tem fronteiras e a memória puxa mais rápidos uns que outros do disco cada vez mais rígido como as juntas. Agradeço os elogios e a interação. E como diz meu neto Lucas: – Vamos pro pau vovô! – “e a luta continua companheiro”.

 

Cr & Ag

 

Terezinha Allem Ribeiro está no panteão da beleza viamonense. Soube de uma fotografia da amiga Terezinha de biquíni que foi guardada a dez chaves pelo inesquecível amigo Flávio. O sangue familiar trazido do Oriente Médio oxigenou-se na ancestral Viamão e moldou beleza com grandiosidade de afeto e carinho aos amigos e ao todos que com eles conviveram. Seus filhos Fabiane e Flavinho contém o mesmo DNA e irmã do caro amigo e patriarca da Odontologia viamonense – Dr. Emílio Allem.

 

Cr & Ag

 

Noite de 04 Julho estivemos em São Leopoldo levando nosso abraço e nosso amor ao casal Maria e Antonio Veiga em suas Bodas de Ouro. Nos longínquos e saudosos idos de 1989 nos conhecemos através do motociclismo e logo fizemos uma bela viagem de motocicleta com mais três casais – incluindo Nádia e Luizinho Zavarize – através do Uruguai e Argentina com especial desfrute em Buenos Aires. O singular amigo Antonio é filho de viamonenses como o sobrenome identifica. Sua amada mãe, também Maria, foi miss viamonense de beleza. A amizade e o amor ao motociclismo aproximou-nos aos estudos da espiritualidade e tive a honra de ser seu aluno – continuo sendo – em diversos momentos e cursos. Professor  e Mestre de Psicologia na PUC, na Unisinos e na Universidade de Caxias do Sul entre outras e também como palestrante renomado no Brasil e no exterior. O amigo Veiga criou e aperfeiçoa constantemente em sua escola para médicos e psicólogos o Método Veiga de TRT que se resume em “amar e ser amado” ( * ). Casal exemplar e raro numa sociedade de “amores” virtuais e deletáveis como transitórios.

 

 O convite para o evento trazia a mensagem de que se os amigos quisessem presenteá-los com algo que fosse com alimentos ou cesta de alimentos. Jamais havia visto um aniversário com esse tipo, esse modelo de sugestão. Mas é a continuação de sua vida em que a entrada para suas palestras também são “alimentos”. E numa noite de temperatura polar, o amor do casal aos seus mais próximos amigos e destes para o casal num ciclo que se retroalimenta e nutre trouxe uma Kombi de amor que foi distribuído para famintos desconhecidos por anônimos que os amam. Magnífico! Formidável!

 

É uma grata honra para nós, a Cledi, eu e minha família, privar da casa e do convívio do Veiga e da Maria e de seus filhos. É assim que ao divulgar e relatar experiências tão belas e especiais como essa que espero ser modelo, indutor de ações em que todos nós nos momentos mais especiais de nossas vidas jamais deixemos de pensar e agir para semear o amor absolutamente desinteressado e não somente em artefatos de beleza e valor material. O valor do espírito nutrido pelo amor crístico mantém sua energia vital para toda a eternidade, como eterno é nosso espírito.

* Assista-o em: https://www.youtube.com/watch?v=KRhjJo1qtVM

Presente

 

Coragem & Beleza 2 / II – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 14 Julho 2015

 

2015 – 07 – 14 Julho – Coragem & Beleza 2 / II– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Coragem & beleza 2 / II

 

A

 prima Marília, sobrinha do primo Haroldo Franco, foi miss brotinho. Diz-me a Cledi. Outra colega de Ginásio Bento Gonçalves (famoso Bentinho), a bela Niura, traduzia a beleza morena em traços bem marcados adornados por negra cabeleira. O amigo Antoninho Ávila, viamonense de coração e por opção, conhecedor profundo das festas magníficas na Presidência da República às beldades castelhanas, pode comprovar esse humilde colunista, mas um admirador e respeitador do belo. Como minha irmã Shirley, também rainha de beleza, magnífica esposa, mãe e artista plástica. Muitos queriam minha amizade de olho nas primas bonitas: Sylvia, Áurea, Marina, Sônia, Carmem Lúcia, Marilene, Marilin, Maíra e… E a irmã Cátia! Rainhas, misses e coroadas!

Cr & Ag

 

Viamão conheceu uma jovem que seria gêmea idêntica ou clone da Kim Basinger que estrelou várias películas em Hollywood. Lembram-se da Luci Zavarize, irmã do caro amigo Luizinho Zavarize, uma lenda viva do motociclismo? Outra lenda, agora motociclística, que em São Paulo alguns motoqueiros foram “tirar sarro” do nome Viamão na placa da moto do Luizinho. Alguns fugiram antes da pauleira, outros aguardaram reforço para serem surrados em grupo e os demais foram ocupar as macas do Samu. Mexeram com o homem errado da cidade certa.

Cr & Ag

 

O número de moças e mulheres viamonenses com exuberante beleza é para acanhar outras cidades. Outra prova de coragem – passar a meia-noite no Cemitério da Rua Dois de Novembro. Além de enfrentar as assombrações e outros seres macabros havia o risco de enfrentar o seu Ernesto Coveiro. Desafio também era ir aos bailes do clube Paladino em Gravataí e se declarar viamonense. Era peleia certa e da boa, como do tempo dos Cafunchos que juntava mosca varejeira e urubus. Dizem que quando um cafuncho saía de casa palitando os dentes com a adaga e tapeando o chapéu na testa era acompanhado por uma esquadrilha de urubus esperando carniça. Uma lenda rural de antanho conta uma briga dos Goulart com outra família poderosa de Mostardas. Depois de um dia de peleia e com a vitória dos Goulart viamonenses contaram-se os mortos e estropiados ou com as bombachas pesadas de estrume. O Terêncio anotou mais mortes – 5 cavalos, 10 ovelhas e 3 vacas. – Ovelhas e vacas? – carneadas para a churrasqueada de comemoração de mais uma sumanta de pau nos estrangeiros.

Cr & Ag

 

O Arigó do Centro me dizia: – Edinho Cabeleira, que gente mais feia anda pelas calçadas nesses tempos de Petrolão. Feia e sem educação! Tromba com a gente. Atropela velho e criança. Se para no meio da rua defronte o Itaú trancando o trânsito. Olha, Edinho, o número de vagabundos, muitos de moletom escondendo a cara e assaltando ou de campana nas bocas do comércio! Que saudade do Capitão Osório! Naquele tempo vagabundo não criava limo aqui. Nem no tempo do delegado Alcyone ou do delegado Carivali.  Que saudades! Agora coragem é dessa turma que consumiu a grana na falsa restauração da nossa Igreja. Não restauraram nada, pois onde estão as pinturas originais e outros detalhes? Reforma mal feita pode ser. Olha Edinho as fotografias antigas da Igreja.

 

Afora a beleza visual, a riqueza de sentimentos era algo notável. Beleza e coragem sempre se mesclaram em vários quilates de singular reconhecimento. Colaborem com o cronista recordando de beldades e dos valentes barbaridade!

A chama

Coragem & Beleza Parte 1/II – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 07 Julho 2015

 

2015 – 07 – 07 Julho – Coragem & Beleza 1 / II– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Coragem & beleza – Parte 1 / II

 

A coragem e o destemor das pessoas dos Campos do Viamão eram famosos. Nos idos da década de 1760 as regiões abaixo de Laguna, onde passava a linha do Tratado de Tordesilhas, eram disputadas a ferro e fogo por espanhóis e portugueses. Uma tentativa de estabelecer a posse dessas terras foi a construção do presídio e depois fortim de Jesus, Maria e José na desembocadura da Lagoa dos Patos onde hoje está a cidade de Rio Grande. Isso era um meio caminho entre Sacramento e Laguna. Ali o Império colocou um governador. Tropas castelhanas sob o comando do general Pedro Ceballos de Buenos Aires, logo Vice-Rei do Rio da Prata, invadiram Rio Grande e depois São José do Norte. O governador abandonou seus homens e colonizadores e como cão com a cola entre as pernas buscou refúgio e proteção nos Campos do Viamão e ali se estabeleceu a nova Capital da pretendida capitania ou província. Eis assim, novamente, este cronista e médico que firmou há décadas o título de Viamão, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos demonstra que “Todos” representa o nascimento do embrião patriótico que reuniu sob uma mesma bandeira e um mesmo sentimento de brasilidade as pessoas de vasta região. Há historiadores, inclusive viamonenses, que se recusam a enxergar e entender a história real. Que sintamos orgulho de nossas origens reais e jamais a miopia ou o sintomático complexo de inferioridade.

Cr & Ag

 

O primo Danilo crava que não há viamonense frouxo ou bunda mole. Há uns com mais e outros com menos coragem. Sendo o primo Sílvio Negrinho é uma referência em valentia. Na minha juventude viamonense – longínqua por sinal – havia verdadeiras provas de fogo e até de água para testar. E lendas urbanas ou realidades transbordam nas lembranças. Atravessar o Lago da Tarumã a nado era uma dessas provas. A criatura circulava com o peito estufado na praça ou era servido como rei no Café Comercial e, claro, jamais pagaria a passagem nos ônibus do seu Hormindo Jaeger para Porto Alegre. Mas isso ceifou muitas vidas que se afogaram no fundo lamacento, dando origem às lendas e superstições macabras.

Cr & Ag

 

Vai outra prova alucinante: saltar do último andar do trampolim do Cantegril quando era Cantegril Clube. Como Tarzan saltando do décimo andar e de ponta-cabeça. Conta-se que certa criatura arrepiou de dar “um ponta” na última hora e caiu de pernas abertas. Os testículos foram parar no pescoço com o impacto e “nunca mais serviu pra emprenha guria nenhuma”– diziam com tristeza. Coisa horrível e dolorosa. “Em terra de homem valente há mulheres bonitas!” – ensina T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse do alto de sua bravura e sapiência. O Cantegril era um desses redutos das mulheres mais belas e que embalaram sonhos edílicos. A prima Iara, num biquíni com as cores da bandeira americana, venceria qualquer concurso de beleza internacional, se aspirasse competir e a piscina acolhia a baba dos rapazes tropeçando. A prima Marília fez sessão fotográfica no parquinho e entre os bosques famosos. O laureado fotógrafo extasiou-se com sua beleza e feminilidade e teve que tratar a visão, pois ficou com os olhos esbugalhados. A mãe da prima Iara, a prima Leda foi uma das mulheres mais belas dessa cidade.

Cr & Ag

 

Outra prova de valentia – e pouco apreço à vida – era tomar cerveja sentado no picadeiro gradeado do circo internacional do Capitão Robatini. Nei Fraga, já famoso por tantas façanhas e peripécias, foi protagonista desse feito fenomenal. Nessa noite, teve gente caindo das arquibancadas tipo poleiro de tão apinhada que estava. E na esteira das mulheres bonitas e para não citar somente a minha enorme e mui bela família, estava a Rosinha Vilanova, irmã do Caio, que além de rainha declamava “A Lagoa” de forma soberba e fazendo verter lágrimas na plateia. Miriam “Mima”, depois esposa do amigo e brilhante cirurgião-dentista doutor Emílio Allem, faria Giselle Bündchen parecer uma “coloninha bonitinha”. Perguntem para quem conheceu essa outra rainha de beleza.

Nota do Cronista: acompanhem a próxima coluna no Jornal Opinião ou no site.

images

Santo de casa FAZ milagres – Perico, El Bailarin – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 16, 23 e 3- Junho 2015

 

2015 – 06 – 16 Junho – Santo de casa FAZ milagres – Perico, El Bailarin – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Santo de casa FAZ milagres

Perico, El Bailarin 1/III

 

Há que pregue “que a voz do povo é a voz de Deus” e nessa mesma trilha da suposta sabedoria popular está que “o santo de casa não faz milagres”. Não temos feito milagres na acepção mística do termo, mas esse médico e escritor têm desbravado territórios obscuros da história viamonense e trazido à tona seus personagens desconhecidos, seus fatos e lendas.

 

Reproduzimos texto do escritor, jornalista e historiador emérito Walter Spalding.

 

Pedro José Vieira – Perico, El Bailarin – por Walter Spalding

 

   Livro Construtores do Rio Grande – Livraria Editora Sulina, 1969.

Difícil é dizer algo de mais ou menos definitivo sobre o alegre e distorcido gaúcho Pedro José Vieira, apelidado, no Uruguai, de Perico, El Bailarin, pois poucas são as notas e referências sobre ele e sua atuação social. Sabe-se que Perico, El Bailarin, ou seja, o brasileiro natural de Viamão, Pedro José Vieira, desempenhou importante e arrojado papel no Uruguai, quando ainda Província Cisplatina, ao lado de Venâncio Benavides. "EI último dia de febrero (de 1811), Pedro Vieira e Venâncio Benavides, incitados por el comandante militar de la región, D. Ramón Fernández, daban el grito de libertad a orillas del arroyuelo de Ascencio (Dep. de Sorriano) y se levantaban en anuas, contra los españoles. Tal fué el llamado "Grito de Ascencio" (H.D. – Ensayo de história Pátria" – Montevidéo, 1929 – 61 ed. – págs. 289/290).

O Prof. Flávio A. Garcia, historiador uruguaio, em sua obra "Una Historia de los Orientales" (Tomo II – pág. 278) repete o feito sem muito entusiasmo. Aliás, nota-se em grande parte dos historiadores uruguaios a pouca importância dada ao "Grito de Ascencio", para mais salientar a atuação de Artigas, a partir de 1811: "El alma del pueblo uruguayo es la "Orientalidad", es decir la fuerza, el genio colectivo, superior a la misma voluntad de los próceres…” (… ) la aparición de la personalidad colectiva de nuestro pueblo, comienza con el levantamiento de 1811" (José Salgado – "El Federalismo de Artigas – Génesis de Ia Orientalidad" – Montevidéo 1945 – pág. 4 e sgts.). Entretanto, Eduardo Gauna Vélez, em seu "Afio Argentino" (Buenos Aires, s/d. pág. 31) declara: "El cabo de milicias Venancio Benavides y el capataz de estância Pedro José Vieira dan, al frente de cien hombres, el grito de libertad en Mercedes (?), Banda Oriental, iniciando el movimiento revolucionário en ese país".

Pedro José Vieira era natural de Viamão, onde nasceu no último quartel do século XVIII. Mocinho ainda, saíra de casa perambulando, ora como peão, ora como ajudante de tropeiro, ora como capataz de estância, entre Arroio Grande, Piratini, Jaguarão, radicando-se afinal, após a conquista das Missões (1801), no Uruguai que percorreu em todos os sentidos, até a Argentina. Ativo, inteligente, bom conversador e irrequieto, bom "sapateador" nas festas galponeiras, Pedro José Vieira logo se distinguiu por seu espírito lhano, liberal e atitudes másculas de bondade e justiça. Aurélio Porto assim o descreveu: – "um autêntico herói internacional, que jornadeava com Artigas, que deu o grito de Asêncio, que erguera, com Bolívar a San Martin, a bandeira da unidade sul-americana…(Processo dos Farrapos, vol. XXXIII. pág. 498), que a Revolução Farroupilha atraiu como atraíra a todo o espírito liberal, a ela -, e incorporando de corpo e alma, com o posto de coronel, que já trazia das lutas ao lado de Artigas, Bolívar e San Martin.

Acompanhem-nos na saga desse viamonense que se tornou um herói reconhecido por estrangeiros e um quase nada por seus patrícios.

 

 

2015 – 06 – 23 Junho – Pedro José Vieira – Perico, El Bailarin – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Pedro José Vieira – Perico, El Bailarin 2/III

Um viamonense esquecido por sua terra natal

 

Continuamos com o texto do historiador Walter Spalding sobre esse desconhecido herói viamonense que gravou seu nome a ferro e fogo na história brasileira e nas independências dos países castelhanos e irmãos.

                                Pertenceu às hostes farroupilhas dirigidas pelo General Domingos Crescêncio de Carvalho e de seu irmão, ao que tudo indica, Coronel Félix Vieira que também andou lutando pelo Uruguai. Félix Vieira, diz Alfredo Varela (História da Grande Revolução – Porto Alegre, 1933 – Vol. 5.’ – págs. 309/310) " não foi um homem mas sim um leão do Atlas que, de serrania mauritana, fora dar, ameaçativo, nas campinas da Pampa continentista" "Um dos oficiais mais empreendedores da força de Crescêncio e de valor demarcado..". Devia, entretanto, ser pouco mais moço que Perico, El Bailarin.

Fernando Luís Osório (filho) em belo estudo – "Um Gaúcho Brasileiro – Promotor do Prólogo da Independência do Uruguai”… (RIHGRGS – III,//, lV trim. de 1930 – págs. 557 e sgts.), declarou: "Pedro Vieira, filho de Viamão e domiciliado no vale do Rio Negro (…) irradiou o espírito rio-grandense na América, a cujo patrimônio comum pertence." – E continua, mais adiante: "Na terra do pericón e das vidalitas tinha o nosso herói romanesco o apelido de "Perico, el Bailarin" porque, personagem modesto de nossa linha fronteiriça, filho da terra do amor e da hospitalidade, que era o antigo Rio Grande das tiranas e das chimarritas, tomava parte nos bailes "criollos", ao som da guitarra tradicional e romântica, com a sua força de presença, a fascinação da sua irradiante figura, popularizando-se "por su destreza en bailar sobre zancos, lo que le atrajo el mote de "Perico, el Bailarin" (História Política y MWtar de Ias Republicas del Plata – de Antonio Diaz, – cit. por Fernando Osório (Filho), ob. cit.).

Pedro José Vieira, era, como já dissemos, um tipo alegre, conversador, folgazão, enérgico, justiceiro e sempre disposto a tomar iniciativas, o que fez o historiador uruguaio Santiago Bolso (citado por Fernando Luís Osório (filho) – ob. cit.), dizer: – "Viera con su genial travesura -.e adelantó hasta el pueblo con algunes gauchos e intimo el comandante Fernández (… "" (Manual da Historia de Ia Republica Oriental del Uruguay), e proclamou a independência uruguaia, apossando-se de Mercedes e Sorriano e entregando depois, sua obra a Artigas. Corre entre nossos tradicionalistas que Pedro José Vieira teria criado ou levado do Rio Grande do Sul para o Uruguai a hoje "dança nacional uruguaia – "EI Perleón" – e que por isso recebera o apelido de "Perico, el Bailarin".

Ao que pese a esses tradicionalistas, podemos afirmar que o apelido não lhe proveio, na íntegra, por ser dançador, sapateador e "periconero", mas sim pelo conjunto de seu caráter alegre e conversador, trocista e amigo de bailados.

Os primeiros predicados deram-lhe o cognome de "Perico" que significava, na antiga linguagem de nossas fronteiras e que ainda consta de alguns de nossos dicionários – caturrita, papagaio conversador – e o último, sapateador e periconero, – o de "bailarin". Assim, seu apelido galponeiro – Perico, el Bailarin, – se traduziria por "caturrita" (barulhento ao falar), ou "papagaio (verde e vermelho) dançador". Vieira, aliás, muito se orgulhava desse cognome.

O "pericón", com versos improvisados na hora, ou especialmente preparados antes, hoje bailado nacional uruguaio, não é de origem lusa e nem foi criação de Pedro José Vieira, se bem possa ter ele introduzido partes novas, como a dos lenços azuis e brancos, e, mesmo, partes de outras danças populares. Disso, entretanto, não existe constância alguma ao que sabemos, mas apenas suposições.

El Pericón tem seu fundamento nos "Cielitos", "del cual conserva intacto el valseado, el requiebro arrorcso y Ia donosura gaucha", declara o especialista em danças platinas D. Lázaro Flury (Danzas Folklóricas Argentinas – Coleción Ceibo, Buenos Aires, 1947 – pág. 27).

2015 – 06 – 30 Junho – Perico, El Bailarin – um herói viamonense – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Perico, El Bailarin – Um herói viamonense 3/III

Apresentamos o texto final do historiador Walter Spalding.

E continua Flury – "Pero el criollo necesitó algo mád, y mezcló en el Pericón figuras de otros bailes que lo hacen algo asi como un "pot pouri" de danzas vernáculas. EI nombre "pericón" viene del apelativo "pericón" con que se designaba al que dirigia el baile, o sea el actual bastonero". Por sua vez o "Cielito" provém, em parte, da "Jota" espanhola, popular em Aragon, Valencia e outros pontos de Espanha, que, no geral, "parecen mas bien el de un fandango castellano" (Eduardo Lopez Chavarri – "Música Popular Espaflola" Barcelona, 1927 – pág. 112 e outras). Os instrumentos para a "jota" são guitarras de diversos tipos: "guitarrón" (quitarra más pequeila que ya se usa muy poco), tiples (guitarra todavia más pequena)", além da guitarra comum (ob. cit.).

O "Celito", esclarece Martiniano Leguizamón (EI Primer Poeta Criollo del Rio de La Plata – Paraná, Rep. Arg. – 1944), origina-se de "cielo": – "La danza, la música y la palabra aunadas en las reuniones populares, desde los tiempos más remotos, tienem entre nosotros el nombre sinpatico de "eielo". De onde "Cielito" (pág. 8).

Ricardo Escuder, entretanto, em seu estudo "EI Pericón – Baile Nacional del Uruguay" (Montevidéo, 1936 – pág. 7), escreveu: – "Aunque el origen rudimentário del Pericón és imposible de fijar con exactitud cronologica, puede afirmarse retundamente, que és rioplatense genuino. Algunos lo ubican en Ia Argentina y otros en el Uruguay". Quanto à data do aparecimento do "pericón", Ricardo Eseuder não acredita en sua antiguidade, contrariando até documentos, e diz que o poeta Carlos Roxol fantasiou ao aludir "a sua ejecución junto a los fogones de los campamento de Artigas". E declara que "El Pericón" somente começara a ser citado depois de 1870! Refere-se, naturalmente, a referências de estrangeiros, viajantes… E o que ficou nos relatos da batalha de Chacabuco, em 1817, como a seguir diremos, será fantasia?

É possível que não tivesse ainda o nome e a popularidade que depois o consagrou, definitivamente. Mas que foi, sempre, "baile del pericón", não há dúvida.

O Pericón não é apenas popular na República Oriental do Uruguai, mas também na Argentina de onde foi para o Chile, levado, em 1817, conforme nos conta a história, por D. José de San Martin, cujos soldados ali o dançaram três dias após a batalha de Chacabuco (12-2-1817) em regozijo da vitória. E lá esteve com San Martin, nosso coprovinciano Coronel Pedro José Vieira que, por certo, foi o dirigente da festa e da dança, que bailava como ninguém, sendo dele, ao que supõem alguns poucos, a introdução, ali improvisada, da coreografia com "panuelos azueles y blancos, las cores nacionales argentinas", e que hoje faz parte integrante do Pericón.

Esta parte final do bailado fez com que, num transporte patriótico, cantassem, a seguir, o Hino Argentino, agitando os lenços ali, em pleno território chileno, sob os aplausos de San Martin e seu Estado Maior e autoridades outras .

Vemos, portanto, que nosso herói farroupilha, o viamonense Pedro José Vieira, recebeu o apodo de "Perico, el Bailarin" não apenas por ser grande bailarino, inclusive do Pericón, mas também por ser autêntico "perico" – isto é: periquito barulhento e alegre, conversador e "travesso" como um papagaio amestrado, sem maldade na paz, mas terrível na guerra.

 

                Estas três últimas colunas publicadas no Jornal Opinião deve ser guardadas como patrimônio dessa terra e usadas para o resgate desse homem simples e alegre, mas um guerreiro destemido que participou da independências de países irmãos, combateu com os mais famosos generais e quase desconhecido na sua terra natal.

1Igreja Nossa Senhora da Conceição.Nº36546

Fotografia histórica

Comidas inesquecíveis – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 09 Junho 2015

 

2015 – 06 – 09 Junho – Comidas inesquecíveis – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Comidas Inesquecíveis

 

V

amos falar de flores e de comidas, estiando, aliviando a bolsa escrotal do leitor acossado por governos desgovernados, inflação feroz e vagabundagem crescente. Hoje excluímos as comidas da família e de amigos, como daquela criatura política do PT que deu dezenas de medalhas públicas para os familiares. Nem sempre nos melhores restaurantes ou nos momentos mais cálidos quando o bruxulear das velas acompanha a música ambiente, a comida é realmente magnífica. A companhia poderá ser! Quantas vezes nos mais singelos, nos mais simples e até humildes encontram-se artes culinárias de enriquecer a nossa passagem nessa vida e nos iluminar e acelerar o coração. E salivarmos recordando de imagens, odores e sabores. Por indicação de amigos motociclistas, encostamos a Morgana, nossa deusa e moto, e retiramos os capacetes. Uma construção semicircular de costaneiras e a maioria das janelas de báscula. Costaneiras são as sobras das faces de eucaliptos ou pinus retiradas pela serra. A maresia da Lagoa dos Patos, o imenso mar de dentro, lambia sua parede leste deixando a espuma em suas farpas. Simples. Muito simples! Um pequeno restaurante na costa verde.

 

Cr & Ag

 

Escolhemos a mesa ao lado da lagoa e sentíamos como se a água tentasse tocar nossos pés e a música das marolas afastava ruídos interiores. Garrafas pet parcialmente cheias de água pendiam dos caibros roliços. É uma “técnica” antimoscas que acusam de poderosa. “Se tu mosca aparecer por aqui e incomodar os clientes eu te afogo!” – faltou esse letreiro ou foi retirado por algum surfista ecológico ou ecocrica. Com a brisa da lagoa… jamais moscas. Um garçom em roupa civil com um indefectível pano no braço achegou-se. Passou o pano na mesa e depositou pratos de colorex e talheres. Educado. Sabíamos que podíamos escolher entre peixe e… peixes. Explico: um prato de peixe ou pratos diversos de peixes e congêneres.

 

Cr & Ag

 

Saímos de casa mirando no rodízio de peixes. E começou a festa! Bolinhos de peixe com limão e cremes e molhos da casa. Iscas fritas… e peixe a dar com um pau e de comer com a boca toda. Zero espinhas nos filés. Postas de traíra reveladas pelas espinhas em forquilha, mas de tamanho do parque dos dinossauros. Ensopados com S. Cubas ao nosso lado com água e sumo de limão para lavarmos os dedos. Um arroz branco soltinho – contrariando os “unidos venceremos” da maioria – e com o tempero verde adornando a pintura. Camarões de academia de musculação. Salada civilizada. Gradação de pimenta e outros temperos sem jamais tirar o prazer do peixe. Suspiros de satisfação. À falta das harpas celestiais, a lagoa ali ao nosso lado, quase que ao passar o braço pela janela a nossa mão pudesse tocá-la. Uma orgia culinária bordada com doces caseiros e café certamente tirado no saco e no bule. – E o preço? – de normal para baixo. Jamais aquele custo de entregar o carro e a mulher ficar dois meses lavando louça para pagar a conta hemorrágica. Depois de toda essa maravilha, uma soneca num gramado com a mais bela das lagoas por cenário e duas damas ao lado. Já contei uma comida inesquecível. Conte a sua! Ou pelo menos, reviva momentos de rara felicidade que esses vigaristas e safados que devoram o Brasil ainda não podem nos tirar.

Imagem7

Terceirização – Emprego e Trabalho – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 02 Junho 2015

 

2015 – 06 – 02 Junho – Terceirização – Emprego & Trabalho – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Terceirização – Emprego & Trabalho

 

Estranhamente muitos dos mais ferrenhos opositores da nova lei da terceirização, vivem, convivem, estimulam e sonegam que a terceirização na saúde do brasileiro atingiu o seu maior e mais nefasto grau. A maciça maioria dos hospitais, santas casas e clínicas diversas, como de hemodiálise, são terceirizadas pelos governos. “Contratos de dupla via” replicam com a remela ideológica tisnando a visão. Como “dupla via” quando um dos lados paga o que quer, quando quer e exige fidelidade leonina? Historicamente governos “credenciam” (metaforicamente contratam) os médicos para atender INPS, INAMPS e outras siglas diferentes de letras, mas de igual conteúdo. E novamente leonino. Veja “Mais Médicos” do governo que renega um plano de carreira e concurso público em prol da politicagem, da libertinagem do voto e do carreamento de divisas e do sangue do brasileiro para os cofres castristas e cubanos com a “terceirização estrangeira”? Em quantos Estados e cidades os governos forçam a criação de “cooperativas médicas” para se eximir das responsabilidades legais numa identificação de qualquer bandeira?

 

Cr & Ag

 

Há instituições nesse modelo safado de gestão de saúde em que os profissionais têm muitas obrigações e zero direitos. O modelo escravagista na saúde do Brasil é visível, jamais risível. Veja a sua volta! Veja o modelo de assistência ao funcionalismo público estadual nos institutos de previdência, há médicos, clínicas e hospitais “credenciados” para a imensa maioria dos atendimentos. Novamente os profissionais sem mínimos direitos do trabalhador. E sempre vige o modelo em que o “contratante” paga o que quiser, se quiser e quando quiser sem respeito aos profissionais ou aos inúmeros TACs. Desconheço um líder trabalhista ou sindical não médico sequer envergonhado com essa situação. Ao contrário, muitos exigem atendimento padrão “Fifa” enquanto os profissionais que os atendem não têm nenhum direito trabalhista. Discutem “fim” e “meio” numa vergonhosa desfaçatez. Um país jamais evoluirá sendo justo e bom para alguns e ter lideranças com a filosofia de “eu livro meu pescoço e os outros que se virem”. Quantos que se safam, mas persistem safados?

 

Cr & Ag

 

Não generalizo, mas lugar para homizidiar safado e vagabundo é sindicato. E sua vertente ideológica é de ganhar com o trabalho dos outros, principalmente promovendo discórdia. Poucos querem empregos com trabalho. Querem empregos com vantagens, direitos adquiridos e obrigações de toda ordem da galinha que dizem botar ovos de ouro. Considera-se um débil mental o empregado, pois é incapaz de promover sua própria poupança (daí criaram o fundo de garantia para o empregador fazer a poupança dos outros) e inventaram o ano com mais de doze meses e uma infinidade de artifícios chamados simbolicamente de direitos trabalhistas (alguém já viu ou ouviu “obrigações trabalhistas”?) para obter mais ganho. Na mesma corrente está a semana com menos dias e os dias com menos horas. Quem já fez cinco dias de plantão médico por semana por anos e sem nenhum direito trabalhista, mas com dever “juramentado” de trabalhar e jamais reclamar entende um pouco disso.

 

Cr & Ag

 

  O Brasil precisará de gerações para se aperfeiçoar e expurgar o fascismo impregnado no emprego sem trabalho. Ou com muito pouco trabalho. Mas com muitos direitos. Qualquer empregador poderia ter muitos trabalhadores mais caso não sangrasse absurdamente dobrando sua folha de encargos pela vampirização desses governos mentirosos e perdulários. Ou “incapazes” de constatar a roubalheira a sua volta. Quem não sabe que ao entregar a direção de uma estatal para sindicatos e partidos políticos o resultado é a degradação do patrimônio público e maus serviços? A sabedoria popular ensina que quanto mais lixo, mais sujeiras e mais vermes.

Imagem16

Bucha na garganta – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Maio 2015

 

2015 – 05 – 19 Maio – Bucha na garganta – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Bucha na garganta

 

A maioria de nós já teve esse sintoma. Vários perambulam pelos consultórios médicos buscando uma cura, outros sofrem em intermináveis exames e engolem cobras vivas pela tecnologia que perscruta o interior do corpo na busca de uma causa da bucha. Alguns recebem o diagnóstico de doença psicossomática, numa enfermidade mista entre coisas do corpo e da mente. Soluções? Há sintomas que somem espontaneamente. Outros buscam auxílio espiritual ou de curadores diversos. Vários carregam esse fardo doloroso na estrada da existência. Há a bucha na garganta coletiva. Quando uma família açoitada pelo comportamento ou enfermidade de um ou mais de seus membros sente esse nó na goela que em muitas ocasiões deriva para o pranto, para o choro que transborda da alma sofrida e do corpo magoado.

 

Cr & Ag

 

Uma nação, um povo pode sentir esse sintoma quando a enfermidade torna-se visível ou se alastra. Justificar-se pelos erros alheios além de covardia explícita é o pior referendum de que vai continuar repetindo os mesmos ou piores erros. O socialismo/comunismo é uma ideologia em que a pessoa existe para servir ao estado ou ao todo idealizado pelos seus executores. É quando o mundo se torna cinzento, das cores dos prédios e roupas ao coração das pessoas. Não há felicidade e realização pessoal disponível para as pessoas comuns e ninguém pode aspirar mais do que o estado permite. Planta-se a desconfiança e o amor entre as pessoas sempre menor que a devoção ao estado e seus líderes. Executa-se o domínio e a posse de outros povos para jamais secar a fonte de extrair o sangue alheio em benefício falso de todos. Não há país comunista livre, onde o povo tenha liberdade, que as armas não imperem e mantenham suas fronteiras fechadas ao amplo ir e vir de seu povo. Não há coiotes para entrar em Cuba ou na Coreia do Norte. Aspira-se viver no Canadá, na Austrália, na comunidade europeia, mas nos regimes comunistas…

 

Cr & Ag

 

Ninguém, do mais cético ao mais séptico, consegue imaginar a absoluta isenção de Lula e Dilma no cataclismo da corrupção e da roubalheira que tanto nos envergonha e nos dá uma bucha na garganta de rasgarem nossas esperanças e nossas crenças numa legenda que tanto pregou ética e moralidade e que se travestiu no monstro voraz do poder pelo poder. Não há nenhuma generalização, pois se houvesse seria o absurdo. Ainda há trigo no meio do joio. A idolatria que vinga na ideologia é a remela ou a cegueira que impede de ver erros e corrigir-se. Até os gregos e romanos viam os defeitos nos seus deuses e semideuses. A esquerda radical, principalmente, prefere apontar outros ou culpar aos outros pelas desgraças. Antes era o FMI, o neoliberalismo e outros demonizados. A idolatria impede que qualquer outra pessoa lidere realmente. Em mais de três décadas de PT, todos que estavam subindo ao altar da glória tombaram, mas estão no panteão dos supostos injustiçados. Injustiçados pelo próprio partido em prol da estratégia de poder e da preservação do ídolo. Qualquer partido esgota-se assim.

 

Cr & Ag

 

Há que ter muita coragem, destemor e amor no coração para enfrentar seus erros e olhar no olho de seus piores fantasmas. Assim pode ser no casamento entre duas pessoas, numa empresa, num partido, numa ideologia e numa nação. A criatura tende a buscar sua zona de conforto e marcar seu domínio num impulso humano, mas também do animal que nos habita. O capitalismo tão odiado pelos obsidiados não é uma ideologia de governo, mas uma modalidade econômica que se irradia permitindo a evolução da individualidade em prol do todo. E países como a China comunista adotaram-no para arrancar da miséria mais de trezentos milhões de pessoas. E como Lula manteve para crescer a classe média e poder oferecer bolsas e cotas sustentadas pela vontade de viver melhor, aspirar e realizar os sonhos dos trabalhadores reais do Brasil. E não pelos encarapitados nas direções de estatais e nos sindicatos onde o trabalho de milhares sustenta a riqueza e o ódio de poucos. Nada que se ampara e sustenta-se no semear o ódio e a discórdia entre pessoas e empurrá-las para alguma arena dividindo-os entre nós e eles será benéfico.

Imagem19

Entradas Mais Antigas Anteriores

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.