Vantagens ou Benefícios Sociais! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 15 Novembro 2016.

 

2016 – 11 – 15 Novembro – Vantagens ou Benefícios Sociais – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Vantagens ou Benefícios Sociais!

A eleição de Trump tem um viés pouco observado pelos comentaristas, principalmente por segmentos identificados com o populismo ou como fizeram no Brasil – aquilo que é teu é nosso, um bem social, e aquilo que é nosso é somente nosso apesar das fontes criminosas tão bem iluminadas na Operação Lava-Jato. Pergunte a uma pessoa se ela é contra que “carentes ou pobres”, “minorias ou prejudicados históricos”, e tantos outros grupos recebam vantagens ou algum tipo de benefício social. Estatísticas mostram que as pessoas são favoráveis a que os outros (como a si mesmos) recebam vantagens. No entanto, a pergunta que nunca ou raramente fazem: – você ainda quer ou tem condições de tirar da sua mesa, do seu trabalho, da sua família, do seu lazer, enfim de sua vida e dos seus familiares mais do que já entrega voluntariamente ou mais daquilo que os governos que lhe sugam? Assim o entendimento e a aceitação poderão mudar. Veja como uma simples pergunta de outro ângulo gerará um silêncio e um esforço mental para aceitar ou não.

Crônicas & Agudas

O interior do país americano sinalizou com a classe média das grandes cidades que há um limite para que os políticos continuem tirando cada vez mais de quem trabalha e dar para quem não trabalha ou quer emprego com pouco trabalho ou para quem entra na tua casa sem autorização e necessita ser amplamente assistido. Há espertezas e vigarices em muitas vantagens. O brasileiro não obsidiado pelo populismo começa a se dar conta disso. De cada três pessoas que andam de ônibus em Porto Alegre, uma viaja gratuitamente e as outras duas pagam a mais para aquela ter essa vantagem. Qualquer empregado poderia estar recebendo o dobro de seus patrões para trabalharem, mas o governo suga tudo isso que desaparece nos péssimos serviços públicos e na roubalheira. Numa triagem inicial quase 50 mil pessoas recebem o Bolsa Família indevidamente no Rio Grande do Sul, informa a imprensa. E no Brasil?

Cr & Ag

Tirar dos ricos para dar aos pobres” – é outra canalhice que ainda prospera depois da queda do muro de Berlim. Veja a prosperidade e o crescimento dos antigos satélites dominados pelos exércitos soviéticos, que a cada ano os países melhoram suas economias e a autoestima. O PT que simbolizou e nos fez acreditar nas suas virtudes morais e éticas com as luzes socialistas ou comunistas está enredado na teia que urdiu na maior organização criminosa e política que conhecemos. Vemos vereadores criando leis locais que isentam esses ou aqueles, geralmente gestadas para benefício de algumas criaturas e as demais vão no tsunami da vantagem. Legal poderá ser, mas é moral? Creio que a maioria não passa por aquela simples interrogação inicial, jamais feita à luz da razão. Somente o imposto de renda nos vampiriza com quase 30% dos proventos de nosso trabalho. Muitos não legalizam seus segundos, terceiros ou outras tantas atividades para escaparem de fúria sanguinária do leão. Além disso quantos impostos e taxas, etc, somos tungados no dia a dia? Pense nisso quando restringir a escola, os remédios, o plano de saúde e até a comida na sua casa.

Cr & Ag

Assim também as corporações faliram os Estados. Direitos adquiridos e vantagens sociais para todos os supostos merecimentos encontram um político safado, ignorante, aproveitador ou descompromissado com o futuro de todos e logo terá um Judiciário, também abarrotado de privilégios (como o Legislativo), para dar guarida. E aí está o sonho de consumo profissional de tantos – um emprego público que seja uma boquinha rica com o mínimo de trabalho e acumular direitos e esquerdos. Conhece alguém que se encaixa nesse formato? Jamais generalizamos. E quem se ofender ou se sentir magoado é porque certamente colocou o chapéu e tocou na ferida. Os conscientes estão saturados, cansados, esgotados dessa espoliação viral e continuada. Os safados sempre acham que devemos compulsoriamente pagar e contribuir com mais e sempre mais. Sinta e observe como as mesmas criaturas exigem que você não possa exercer o direito de defesa contra os assassinos, estupradores e aos piores criminosos e continue uma presa fácil da criminalidade de um Estado quase ausente para te proteger e os direitos humanos são mais dos bandidos do que do cidadão honesto e trabalhador e que ainda sustenta várias dessas deformidades sociais.

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Rescaldo do Inverno! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 09 Novembro 2016

 

2016 – 11 – 09 Novembro – Rescaldo do Inverno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Rescaldo do Inverno!

Outono caem as folhas e sobem as roupas para os andares mais altos dos roupeiros. A indumentária de verão vai para escaninhos longe de nossas vistas. E baixam as roupas mais pesadas e os cobertores para o Inverno. Há que respeitar ao soberbo vento Minuano e ao clima de sobreviventes que ainda tentamos nos acostumar. Eis que o inverso acontece nas franjas da Primavera, que como toda prima é bela e luminosa. Perfumada e convidativa para um passear descompromissado com o clima e um bater de asas libertadoras das casas com cheiro de umidade e mofo. Vem o encantamento com aquela camisa que nem lembrava mais, com a calça azul que ganhei de Natal e com a camisa de grife que poupei e poupei para os dias especiais. Quem não passa ou vive assim? Como as aves, nós mamíferos e outros reptilianos trocamos penas e escamas.

Crônicas & Agudas!

Nada é tão belo e livre que não apareça um sérgio moro da realidade e aponte o dedo indicador de onde pisamos na bola. E condenar a engaiolarmos muitos de nossos prazeres no hotel de Curitiba da boca fechada e das ousadias alimentares, senão orgias gastronômicas. Uma amiga propagandista farmacêutica contou-me que estava experimentando com respiração contida, barriga chupada, pensando em tirar algumas costelas como a famosa artista ou preparar-se para a melindrosa e dramática cirurgia de redução de boca, quando seu hábil esposo apareceu: – Meu bem, as roupas encolheram. Esses tecidos sintéticos não são de confiança, também eles quebraram a Petrobras! Que alento. Esse é um modelito de marido que muitas mulheres pediram ao Criador. A autoestima (dela) sofreu um sacalão positivo, um ‘up’ no ‘love is all’.

Cr & Ag

Pois a esposa estava colocando várias calças sobre a cama para escolher uma para determinado evento. Passei o dia fugindo da briga de provar as calças como o diabo fugindo da cruz e o Lula do Moro – ele novamente! Acendeu-se uma luz vermelha, pois a amarela havia acendido muito tempo antes e em pleno inverno. E apagou ou queimou pela exaustão. Eu passava pelo quarto e as calças me olhavam com ar inquisidor, pensei em recorrer ao Supremo para algum embargo infringente (ou que droga signifique isso) me safar dessa. Não iria funcionar. Anoiteceu. E lá na cama, como a guarda do Palácio de Buckingham, as calças continuavam impávidas. Hora de dormir. Ou trocava de cama ou partia para o tudo ou nada. Seria no jargão do pau de dar em doido uma trocação total. E nos atracamos, sabendo do resultado final. Nada incerto como a pauleira de Hillary Clinton e Donald Trump. Havia passado quase em jejum absoluto durante o dia. Meditei para queimar as gorduras das travessuras. Estava meio desidratado, evitei de tomar meus 2 litros de água de coco. E por falar nisso peço que não espalhem, tomei dois purgantes. Não entrou coco, mas saiu muito…

Cr & Ag

Ainda esperava que algum paciente solicitasse uma consulta de emergência depois do futebol das 22 horas. Nada! Nem um ‘help’ no WhatsApp. Queimei um balde de adrenalina. Minhas suprarrenais quase desapareceram. Babava cortisol. Estresse do cão da Dilma e da mulher do Cunha. Parti para o abraço com a resignação de condenado da Lava-Jato. Devolvi o que pude. Com dor e cólicas. Experimentei a primeira, a segunda, a terceira e uma pausa para secar o suor gélido. Estava 3 a zero para as calças. Fui para a quarta e quinta – quase deu empate. Me sentia o Colorado descendo para a Segundona assassinado pelo Roth e asseclas. A calça azul, presente de Natal, me tirou lágrimas gordurosas. Usei uma ú-ni-ca vez. Eis que dei um vamos parar por aqui, essa é a última do mohicanos. Quando o botão da cintura casou com a fenda do outro lado, foi como a primeira vez (ou seria a última?), soltei um aliviado ou vitorioso Ahaaa! Taí, essa é a única que não encolheu! Não se fazem mais roupas como antigamente. E antes que algum afobadinho e espertinho acuse: – Não tenho pneus! Somente alguma estepe para os momentos de necessidade e ousadia. – Beleza Edinho! Escutei meu anjo de guarda dando força.

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Tolerância: 15 Minutos! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão – 01 Novembro 2016

 

Tolerância: 15 Minutos! EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Tolerância: 15 Minutos!

Acredita-se que o atraso, o não cumprimentos dos horários e o desprezo aos que cumprem essas normas civilizadas de tempo e espaço sejam instituições brasileiras ou o pior do latino. Entranhadas em alguma hélice fraturada do DNA. Infectando e ensombrecendo os traços da civilização mais evoluída em que o tempo não se marca como ‘na próxima luz cheia’, ‘ao entardecer’ ou ‘quando os bugios descem das árvores para defecarem’, por exemplo. Pessoalmente também entendo como desamor e falta de respeito ao outro. O amigo e singular professor Antônio Veiga em seu quase meio século de cátedra e iluminando as sombras das vidas e das almas de tantos grava e repete: Disciplina – Amor – Humildade. Nessa ordem. Nessa cadência. Todos os demais predicados qualificativos e simbolizados como evolutivos nas criaturas serão secundárias a esses três elementos próprios da Divindade. Como alguém realmente te ama se a sua disciplina esbarra na sua falta de respeito ao combinado e sem uma causa real e importante e repetidamente? E sua conduta espelha-se por ser assim ‘descompromissado’ com os outros?

Crônicas & Agudas

Por vários anos, nós e outro casal de motociclistas, combinávamos local de encontro e horário de partida. “4 horas da matina no posto da Rodoviária”. Inicialmente dizíamos: “15 minutos de tolerância”. Jamais precisamos ficar esperando pelo outro e sempre saímos no horário combinado. Cerca de 40 anos de bloco cirúrgico – cirurgia agendada. Meia hora antes o Eduardo e eu ali já estávamos prontos para incisar a pele. Incontáveis vezes os atrasos se sucederam de trinta minutos a 4 horas. Detonava com a nossa agenda e com a vida dos outros pacientes. Motivos: porque o anestesista estava dando cobertura por alguma ‘urgência’, cobrindo falta de colega, sala cirúrgica sem condições de cirurgia e outros eteceteras. Como suspender a cirurgia e prejudicar quem está ali como todos os preparos? Falta de disciplina e respeito e até incompetência para algo previamente agendado com muita antecedência.

Cr & Ag

Outro dia num desses eventos da indústria farmacêutica em que trazem um palestrante e a seguir tem um jantar de confraternização, um colega que já estava sentado quando cheguei, agendado para às 20 horas, reclamou do representante farmacêutico por 1h e 15 minutos de atraso. Há quem vá pelo tema da palestra. Outros por ‘dar uma força’ ao profissional que te visita pois seu emprego está sempre na alça de mira das chefias. Outros vão pela ‘boca livre’. Lamentavelmente essa safada ‘especialidade’ médica está prosperando – “boca livre”, muitos com mestrado em “cara de pau” e doutorado em ‘soberba’. Chegam naquele horário que calculam estar sendo servido o jantar. Vão para comer! E não são cubanos. São de todos os sexos e aspectos. Ainda tem aqueles que ficam todo o tempo lendo ‘coisas importantes e digitando’ ao telefone e aguardando ‘a bóia’. Vergonhoso. Piora quando todos os que foram pelos motivos corretos e cumpriram o horário agendado devem aguardar essas biscas. Lamentável!

Cr & Ag

Num casamento a noiva atrasou mais de 3 horas. E todos nós plantados na Igreja. Quase criamos raízes. Os casamentos da sequência se lascaram. Motivos importantes: ‘coisa de noiva’ e ‘é a única vez que casei’. O casamento não durou muito. Certamente o noivo, que também esperou pela criatura, cansou de esperar outras vezes e largou-a para o ‘campo de baixo’. Um convidado para jantar atrasou-se apenas 26 horas. Outro faz seus anfitriões esperarem até às 16 horas para almoçar. E pessoas assim tantas vezes são ornadas por títulos acadêmicos, laureis universitários, viagens por todo o planeta e reluzentes contas bancárias, mas… Interessante é que são pontuais quando se sentem ‘inferiores ou dependem’ daqueles que irão avaliá-los ou lhes fornecer algo que necessitam. Amar é respeitar. O indisciplinado é um ególatra, o mundo gira em torno das necessidades e da ‘liberdade’ dele. Humildade para reconhecer, corrigir-se e respeitar aos outros evoluindo?

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Maldição Noturna! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 25 Outubro 2016.

 

2016 – 10 – 25 outubro – Maldição noturna – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

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Maldição Noturna!

Roube o sono de alguém e estará lhe roubando a paz e a sanidade física e mental. Na década de 90 do século passado (faz teeempo!), escrevi ou transcrevi numa crônica a opinião de cientistas que constatavam haver pessoas demais no planeta. Diziam que a população ideal e de equilíbrio seriam até 2,5 bilhões de criaturas humanas. Estamos caminhando céleres para os 9 bilhões e muitas deixaram de ser humanas ‘for a long time’. As pessoas se acotovelam em casas geminadas, próximas demais em condomínios horizontais e vespeiros verticais cada vez mais altos – novas torres de Babel. A alvenaria das paredes é substituída por gesso e materiais mais leves, mas com mau isolamento acústico. Assim se vive numa grande oca comunitária. Isso vai além do gosto musical do ‘708’, passando pela funkeira do ‘904’ e ao maestro do ‘1001’ da torre leste. A ‘tribalização’ do sexo, por vezes, explícito casual ou (des)proposital, caminha pelo comentário no elevador: – Pô meu, detonou a mina do ‘13’! Legal mano! É a rapaziada ligada. A vizinha cutuca a outra: – Tem uma aí que somente arruma a casa de noite… faz de conta! É dura a competição na colmeia em que sobram zangões e abundam (no amplo sentido) rainhas. Indiada e tigrada!

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Há uma turma maldita que tem a sina macabra de arrastar móveis à noite. Na minha infância viamonense descobri que os fantasmas e seus assessores arrastavam correntes nos locais assombrados – agora rumo ao ‘hotel’ de Curitiba, rsrs. Para a maioria dos mortais a noite foi feita para dormir e sonhar. E repor as energias. E crescerem as crianças. E para o sexo! Mas algumas criaturas usam suas noites para uma orgia de arrastar cadeiras, mesas, camas e sei lá que mais elas encontram, mas qualquer coisa que irrite e tire o sono alheio. É como se uma mudança geral ou uma faxina após o massacre da serra elétrica se fizesse necessário. Mas à noite? E vá alguém achar desagradável, ruim ou dar uma letra pessoal ou no livro do condomínio. É como se alguém sugerisse um átomo de poeira corrupta na mão do Lula para algum PTista, a briga ‘’ formada e as armas ensarilhadas.

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Contaram-me que certa ‘vizinha dotada e fogosa, tipo gatinha de traficante’ após longas e extenuantes caminhadas pelo piso de porcelanato do seu apartamento, cessava o toc-toc-toc do salto de 15 cm e começava a festa. Que festa! E o sono da vizinhança virava sinfonia com letra de Nélson Rodrigues e narração de Galvão Bueno. Poderia virar seriado na Globo ou até no NetFlix. Interessante que a ‘redecoração’ noturna persiste em hotéis. E não é pela camareira. Hóspedes continuam a dança das cadeiras e o assombroso arrastar de coisas horas a fio. Um amigo terapeuta disse-me: – Faz parte de uma síndrome que evoluindo passa por eleger corruptos e criminosos e defendê-los, depois rasgar dinheiro e comer coisas incomestíveis e por fim tomar choque e ficar em quarto acolchoado e sem mobília.

Cr & Ag

Certo condomínio disponibiliza feltro para os pés de mesas, cadeiras e móveis de arrasto. E pantufas para as iradas de salto alto. Na maldição das noites insones que nenhum rivotril, zolpidem, benzimento resolvem solucionou-se com um despacho de encruzilhada. Sim, sim! Pensou em religião? Não foi aí. O marido da alucinada foi transferido para Encruzilhada do Sul, cidade do pampa gaúcho. E quando despacharam a criatura e os móveis malditos, o condomínio deu festa com cerveja e picanha rolando. Alegrias de uns e desgraças de outros. O pessoal deu as mãos em louvor à São Jorge e que o dragão fique por lá. E vamos ficando por aqui antes que o cronista desate o nó da maldição pet em vida tribal. Sim, quando o pet é dos outros e só os dos outros fazem barulho, xixi e cocô e tudo fede como a latrina do inferno.

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Coisas de Homem! Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – 18 outubro 2016

 

2016 – 10 – 18 Outubro – Coisas de Homem – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Coisas de Homem!

Cada faixa etária e cada legião de homens tem características próprias e nem todas tangíveis aos neófitos ou distanciados da realidade masculina. O homem é uma criatura que não gosta de perder ou de sofrer qualquer dor – corporal ou no bolso. Deus Pai sabendo dessa bronca que ele moldou do barro primordial, anestesiou o cara e sacou a sua costela para dali aperfeiçoar a criação – deu essa criatura de andar envolvente, de vontade dominadora e com habilidades cativantes. “Pois então estoriemo as cosas”, como diz o gaúcho viamonense. E o homem precisa do seu tempo, coisa que a mulher custa e geralmente não aceita ou compreende. Precisa de um tempo com o pingo (cavalo). Outro tempo com o cusco (cão). Mais outro com a companheirada – de carpeta (carteado), de bocha, de cancha reta (corridas de cavalo), de cerveja, de futebol e uma trilha de outras necessidades fundamentais ao seu equilíbrio humano-mental-espiritual e sexual, principalmente. Há ainda para ‘uma minoria xucra’ a necessidade de campear na zona. Entenda zona como aqueles locais lúdicos onde sexo-mulher se confundem na penumbra. Dizem – não afirmo porque não conheço de fato consumado – ser local altamente educativo e “necessário”. “Nada contra quem prefira uma prancha de surf ou uma erva que não é de chimarrão”, diz o Arigó da Estalagem, um baita filósofo de final de churrasqueada.

Crônicas & Agudas

Como a última palavra é sempre do homem – exemplo – “Sim Senhora” – essa criatura impávida e máscula enquanto o pinto ainda canta, esforça-se. Um amigo disse-me que depois de longos e tortuosos cinquenta anos de casório, recebeu sua “carta de alforria”. Carta de alforria? Que estranho! Pensava que isso era coisa dos tempos da Izabel, aquela Princesa do Brasil. Mas não! Explicou-me que depois de dezenas de anos de penosas negociações que fariam inveja aos árabes e judeus, conseguiu alguns horários de liberdade condicional para “sair com os amigos, tomar cerveja no boteco, talvez um final de semana numa pescaria somente com homens machos atestados com firma reconhecida, ou jantar com os colegas depois do futebol do seu time”. Outro amigo suspirou – “sou feliz e não sabia! ”. Entreolhamo-nos e larguei a faca que palitava os dentes.

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Estou em conflito com a minha barriga”, dizia-me outro companheiro de jornada tropeando corações nos mananciais da existência. Poético? Virtual como amizade do Facebook. “A balança está vencendo a batalha”, soluçou, quase em prantos. Eis que um sábio amigo lhe perguntou: – Enxerga o pinto quando urina? Mesmo espantado respondeu positivamente. Do alto da sua magnífica sabedoria, jogou o naco de picanha para algum lugar perdido dentro da tripa e: – Isso não é barriga! Barriga é quando o cara urina e não enxerga o amigo rebelde. Isso aí abaixo do coração e acima do playground é calo. Calo! A marca registrada de uma vida legal, de embates geralmente vitoriosos e estórias pra contar. Os colegas acudiram numa solidariedade machista na desgraça anunciada. “Isso é propaganda feminina para dizer que somente ela te aceita”, disse outro. “E barriga é pra macho, todo bagual tem barriga. Nunca viste um bagual de tanquinho? ”, saltou outro afiado e com a faca prateada esgaravatando as unhas. Até outro colega de apelido Fiapo disparou em sequência como metralhadora giratória: – Eu queria uma barriga como a de vocês – todo mundo se olha desconfiado. Eu como e bebo pra ter uma barriguinha ou um calo no abdômen. Faço de quase tudo, menos deitar de bruços, pra criar essa marca registrada da nossa turma. ” Foi emocionante. Quase de chorar, mas como “homem não chora, diz um verso e vai embora” ficamos mais ou menos assim – rindo enviezado.

Reconheço que a natureza masculina é mais simples e se contenta com coisas singelas. Daí que a sabedoria freudiana do Arigó alerta: – O cara se contenta com uma cerveja gelada, a mulher com um ritual e um anel de diamante. O homem depois de dez anos com um amigo próximo desconfia que ele tem um “começo de barriga”, já a mulher em menos de dez minutos tem toda a ficha clínica de outra mulher dos sapatos a textura e cor dos cabelos, nos mínimos e incompreensíveis detalhes para os homens, mas fundamentais para elas.

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Sabores da Estrada. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 11 Outubro 2016.

 

2016 – 10 – 11 Outubro – Sabores da Estrada – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Sabores da Estrada!

As estradas são como veias e artérias que oxigenam e fluem a vida de um imenso organismo chamado de humanidade, composta por “nós e por eles”, habitantes, povoadores e depredadores da nossa casa, o planeta Terra. Ali, como nos vasos sanguíneos, estão seres que trabalham e cumprem funções de manter o corpo nutrido e equilibrado, mas também seres agressivos, inimigos e maléficos para nossa integridade, como vírus e bactérias nocivas. Nas estradas estamos em carros, caminhões, motocicletas, coisas de tração animal e uma ‘fauna’ de veículos que nos encantam e assustam. Com eles disputamos espaços. Mas com eles convivemos e desfrutamos de bons e de maus momentos, com as regras das leis e com as normas da sobrevivência harmônica. Em Sabores da Estrada, pode expandir a imaginação e resgatar lembranças dos sabores de qualquer viagem, das mais singelas às mais sofisticadas.

Crônicas & Agudas

Lugar (restaurante) de muito caminhão parado, a comida é boa, farta e econômica! ”, diz a sabedoria do estradeiro. Geralmente é uma verdade saborosa. Nessa sofrida profissão de caminhoneiro, dinheiro curto, trabalho exigente, longe da família e outros entretantos a criatura busca um lugar tranquilo para ‘forrar o estômago’ de uma ‘comida que não faça mal’. ‘Óleo bom no bruto (caminhão) e boia boa no bucho’, diz a filosofia de para-choques. Encosto a Morgana e “aí companheiro, legal, beleza, como tá lá na frente”, “pega leve que os homi tão tirando um presunto da faixa preta daí uns 15 km”. “E que tal o rango? ” “A costelinha de porco tá especial e chama uma polentinha no cordão”, acrescenta. Sentamos e veio a costelinha de porco, carnuda e dourada. Perfumada. De comer de mão. E ajoelhado – agradecendo a São Cristóvão ou a algum mestre de Luz que nos protege. A vontade é de esquecer o mundo com aquele sabor da costelinha entre mordidas na polenta cortada com cordão. Suspira-se, pois conversar seria perder um tempo precioso que teria que recuperar na estrada.

Cr & Ag

Rodando na avenida beira mar de Rincão, uma pequena praia do belo litoral catarinense, enquanto uns “azoados fritavam pneus e dando zerinhos” observamos uma turma de carros e motos parados no meio do nada. Ali com um guarda-sol fechado pela inclemência do vento Nordeste estava um humilde carrinho com uma vendedora. Absolutamente nada mais a sua volta além daquelas pessoas e veículos, céu, vento, areia e mar. Uma senhora muito, mas muito idosa preparando e vendendo pamonhas. Pa-mo-nhas! Pamonhas doces e salgadas. Estacionei e observei seu ritual de preparo e venda. Do pano envolvendo os cabelos, do avental branquíssimo, alvo como as asas do Divino ao carrinho brilhando pelo Bombril. As pessoas desdobrando as folhas do próprio milho e comendo com imenso prazer. Alguns nos carros com as portas abertas. Outros caminhando como em círculos – de prazer. Três jovens sentados no meio fio e eis que um terminou e deixou-se cair de costas na areia. Partimos ao ataque, ou melhor, ao abençoamento. Aquele sorriso em sua face encantava as rugas do peso de muitos anos e do sol e do vento litorâneo como se Deus nos mostrasse, nos ensinasse, para que admirássemos e respeitássemos cada vez mais as pessoas e as coisas simples que a vida nos oferece e tantas vezes passamos ao largo. Lembramos sempre daquelas pamonhas e principalmente esse filme da senhora idosa em seu templo com tanta dignidade e prazer em seu ofício.

Relembre! Conte para seu filhos e netos suas magníficas experiências. Talvez amigos e amigas que queiram saber as alegrias da sua alma e que não fiquem pranteando somente as suas mágoas pessoais ou “arrotando” com nauseante soberba algo pessoalíssimo e distante dos mortais, como nós.

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XXVI Congresso Nacional da Sobrames – Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – São Paulo – Crônica de 04 Outubro 2016, Jornal Opinião de Viamão.

 

2016 – 10 – 04 Outubro – XXVI Congresso Nacional da Sobrames – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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XXVI Congresso Nacional da Sobrames

Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

De 22 a 24 de setembro passado aconteceu em São Paulo, no Transamérica International Prime Hotel a maior festa literária da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames. Também se comemorava o cinquentenário do primeiro congresso nacional realizado em 1966 na cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro e magnificamente historiado e documentado em livro, distribuído aos nobres colegas, pelo Dr. Luiz Alberto Fernandes Soares, gaúcho e três vezes presidente nacional. A abertura foi pelo atual presidente Dr. Luiz Barreto (PE) que lembrou o Dr. Eurico Branco Ribeiro, emérito fundador e outros colegas que trouxeram a Sobrames a esse formidável patamar literário. Uma representação da congênere de Moçambique – UMEAM, Associação de Médicos Escritores e Artistas de Moçambique acrescentou uma nova e cintilante estrela no firmamento da Congresso.

Crônicas & Agudas

Representei como médico escritor da Regional do Rio Grande do Sul, presidida pelo Dr.  LAF Soares. “São entidades como o Rotary, o Lions e a Sobrames, …, que nos oferecem as oportunidades de formarmos amizades sólidas e respeitáveis…”, destacou o Dr. Barreto. Médicos de norte a sul, do Pará ao Rio Grande do Sul, do leste ao oeste, aproximando Pernambuco e Sergipe dos distantes estados amazônicos estampavam nos rostos, no cintilar dos olhos, nos calorosos apertos de mãos e nos abraços amigos aquilo que se repetiria durante cada evento do Congresso – uma sinfonia de talentos e cordialidade, como da Dra. Mércia Chade (SP) que esteve conosco em vários momentos.

Cr & Ag

Minha esposa Cledi e eu apresentamos para todos os confrades congressistas a mensagem amiga que os gaúchos sempre trazem aos seus irmãos de todo o Brasil e a honra de participar com grandes expoentes da Medicina brasileira e são médicos-escritores. Fomos magnificamente recebidos pela Presidente do Congresso, Dra. Josyanne Franco, pelo Presidente nacional, Dr. Barreto, pelo Presidente da Regional de São Paulo, Dr. Carlos Galvão – sorveu um chimarrão gaudério conosco, por diversos ex-presidentes regionais e nacionais, como Dr. José Maria Chaves (CE), Dr. Hélio Begliomini (SP), Dr. Sérgio Pitaki (PR), Dr. Lúcio Dias (SE) e Dr. Marcos Salum (SP). O Dr. Pitaki, como presidente nacional, confluiu em outra característica pessoal conosco – seu amor ao motociclismo, tendo visitado a maioria das regionais da Sobrames, por vários estados do Brasil, no dorso de uma motocicleta e realizou um de meus sonhos, viajou do Brasil ao Alasca de moto. E o Brasil conheceu Viamão, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos por dois de seus filhos.

Cr & Ag

Fui Secretário, com a presidência do Dr. Manoel Soares (PA), da 5ª. Sessão literária com a apresentação de vinte obras literárias pelos colegas congressistas. Apresentei em outras sessões literárias duas obras minhas, agora inseridas nos Anais desse luminoso Congresso. A vida nos traz felicidades que se repetem. Repartindo a mesa com o Dr. Hélio Begliomini e sua esposa Dra. Aida no belo jantar inaugural traçávamos paralelos e confluências quando a Dra. Aida informou-nos ser natural de Nova Veneza em Santa Catarina. Acendeu-se outra luz formidável, pois foi conhecendo Nova Veneza de motocicleta que tivemos algumas das melhores recepções e alegrias do motociclismo. As emoções continuariam e até transbordariam nas lágrimas vertidas de nossos corações ao apresentarmos nossos textos para tão magnífica plateia. Somente temos belas e refulgentes memórias e sentimentos do evento e de nossos confrades e seus familiares. A prosa e a poesia nos colocam lado a lado, mas o amor que transportamos da Medicina, da nossa vida de médicos e médicas, das essências familiares e das vibrações de nossas almas são a sintonia que encanta e dignifica com admiração e respeito.

 

 

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