“Aborto da natureza” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 31 Março 2015

 

2015 – 03 – 31 – “Aborto da natureza” – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“Aborto da natureza”

 

Há uma língua geral e expressões típicas, próprias de cada região. Trouxemos várias delas que em sua época e tempo estavam na língua do povo viamonense. Ainda não vivíamos a globalização de hábitos e costumes na proporção avassaladora de agora. E “globo” era somente uma das designações do planeta ou da bola terrestre. Hoje estar na Globo, fazer parte da Globo ou simplesmente aparecer na Globo significa “vida inteligente”. Para quem botocudo? É um “aborto da natureza”! Expressão das crianças aos políticos no palanque na Praça da Borracheira estava na voz das pessoas. De significado abrangente que transitava por algo extraordinário a uma aberração. Nós gaúchos somos criaturas de extremos. Somos sobreviventes de inverno e verão no mesmo dia. Torce-se pelo Grêmio ou para o Internacional.

 

Cr & Ag

 

As professoras do meu saudoso Grupo Escolar Setembrina corrigiam, explicavam, mas aceitavam nas redações – por favor, acreditem que aluno tinha que estudar, fazer redação, provas, passar de ano por mérito – que o estudante se manifestasse com a linguagem da sua vida. Depois sentavam com o aluno ou discutiam as redações no quadro negro. Guris como eu e o amigo Dálcio Dorneles recebíamos “boas” orientações e algumas admoestações. Um aborto era uma desgraça na vida de qualquer família e Viamão era território cristão. A perda de um filho ou de uma filha, a perda de uma vida humana abalaria a família intensamente e por toda a sua existência. Dor e sofrimento marcados por missas e visitas à sepultura, afinal “morrera um anjo” e como tal seria eternamente pranteado e reverenciado. Abortos propositais, intencionais, premeditados por qualquer método ou aquelas pessoas “aborteiras” carregariam a mácula da morte mais “criminosa”, mais cruel, uma morte inominada.

 

Cr & Ag

 

Hoje tudo é transitório, exceto a ideologia do poder a qualquer custo. Tudo é facilmente descartável, do carro à máquina, dos objetos, dos relacionamentos e das pessoas. Essa sensação de transitoriedade invade as almas das criaturas e jogam-nas num mundo de valores também descartáveis. Não e jamais generalizamos. Vivemos uma época de transição em que diferenciamos e nos apercebemos com mais facilidade do bom e do ruim. Daquilo que nos serve e daquilo que não presta. A globalização abriu essas fronteiras. “Estás no Google?” – se positivo, você existe. Luz e escuridão. Sombras e penumbras estão nesse caminho. O “fruto do conhecimento” na árvore ancestral do Éden do Adão e da Eva nos traz a responsabilidade da opção. Abre-se o universo do conhecimento e da busca necessária da evolução, do aperfeiçoamento, da iluminação da mente e do espírito.

 

Cr & Ag

 

Somos seres de ódio que caminhamos para o amor crístico. A “tartaruga no topo do poste” seria um aborto da natureza. Olhamos para nosso entorno de cidade, de Estado e de país e o que vemos? Viamonenses de antanho estariam abismados com tantos e tamanhos abortos da natureza. Absolutamente nada é casual no mundo ou sob o manto do firmamento, há causa e efeito e não basta desligar-se, fazer de conta que o problema é dos outros, e sempre apontar para alguém como causador ou culpado. Até a fé deve ser “raciocinada” ensinou-nos o grande mentor espiritual. Somos porque permitimos ou porque resultamos de nossos atos ou de nossas omissões. Que tenham uma Páscoa de amor e de reflexão com saúde e harmonia em suas vidas!

“As lembranças que eu trago comigo” – Edson Olimpio Oliveira Crônicas & Agudas – 24 Março 2015

 

2015 – 03 – 24 Março – Lembranças que trago comigo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“As lembranças que eu trago comigo”

 

Pescando essa frase de uma música da minha juventude encaixo outra frase: “esqueci de esquecer”. A máxima do pensamento positivo é não olhar para trás. Esquecer-se do espelho retrovisor da vida nos afasta de experiências boas ou ruins que de alguma forma nos ensinaram e nos moldaram a ferro e fogo ao que somos ou ao que restamos agora. No agora da vida de você e na minha. De qualquer ou de todos nós. Dizem-nos que nos estertores finais da existência, naquele momento em que as dores do corpo se afastam, naquele momento em que começamos a vislumbrar através da cortina que separa os mundos visíveis e invisíveis, é ali naquele momento em que a vida passa por nós aos nossos olhos da alma numa sequência que se esgota com o derradeiro suspiro. Aproveitemos então para ver e rever nossas existências em outros momentos além daquele onde não há retorno ou desvios, nem correções de rota.

 

Cr & Ag

 

Voltaremos como entramos nessa existência – despidos de tudo e numa lufada do hálito divino. Estaremos absolutamente despidos das pompas e da grandiosidade de títulos de nobreza ou da realeza universitária. Nada trouxemos e nada levaremos além das vivências de nosso espírito e dos entendimentos a que viemos buscar e devem estar no alforje eterno revestido de ódio ou de amor. Essa é a única certeza que carregamos ao adentrar nessa existência. Todo o poder que tantos buscam e acumulam e que se espalha na riqueza espoliada, na ferocidade das armas e na couraça das ideologias que ousam e insistem em impor a todos se esvanecem e na carcaça final talvez reste o silicone ou os materiais cirúrgicos de beleza questionável e finalidade abusiva.

 

Cr & Ag

 

Na minha infância viamonense acompanhava minha avó Adiles aos cuidados com as sepulturas dos familiares aqui no Cemitério Velho. Minha mãe, católica fervorosa, orava rosários para minha irmã Dilu, nascida no dia do aniversário de meu pai, e teve curtíssima existência. Eu perambulava olhando os mausoléus dos abonados e as sepulturas dos humildes na terra nua com pequena cruz e um número. Havia um local que sempre tinham velas acesas – o Buraco dos Ossos. A sepultura democrática e comunitária. Ali iam as ossadas dos abandonados pelos vivos e desprovidos até de uma prece pessoal. Quantas vezes, após vencer o temor das fantasias lúgubres, o guri sentava e orava e pensava naqueles que em vida amaram e foram amados. Sofreram e fizeram sofrer. Todos com a sua importância, com suas individualidades, suas vidas trazidas pelo sopro divino. Quanto do respeito aos mortos e à senhora morte mudou a vida do guri que se tornaria médico?

 

Cr & Ag

 

“Médico também adoece?” – dizem alguns até com sentimentos de regozijo que as enfermidades não respeitem nenhuma fronteira humana. Há quem precise da enfermidade minar seu corpo para que o poder do ego abaixe as orelhas e se humanize. Sempre acreditei que ser médico significa respeitar e tratar os pais dos outros como gostariam que tratassem os seus, os filhos dos outros como os seus, a esposa dos outros como a sua. E é quando o contrário acontece que mais se deve valorizar aos bons que tentam e peregrinam no rumo de evoluir em amor ao seu paciente. Há muito desamor no endeusamento pessoal dos diplomas e do saber corrompido e decaído ante seu poder e necessidade de mais ouro. Desconhecem que em algum lugar há um buraco dos ossos aguardando seu corpo e um pântano espiritual para sugar sua alma. E talvez tenha que repartir um Pai Nosso e uma Ave Maria com outros atolados como ele. O nosso país é a nossa casa maior da nação brasileira e o lodaçal e a idolatria acumulam riquezas materiais e poder desenfreado como a serem eternos nessa vida. Muitos receberão louros post-mortem em nome de obras públicas ou fundações, nada disso aliviará a putrefação no buraco dos ossos.

Fim dos tempos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 17 Março 2015

 

2015 – 03 – 17 Março – Fim dos tempos – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Fim dos tempos

 

Místicos e espiritualistas convergem quando o tema é “fim dos tempos”. As igrejas de todas as cores e afinidades enchem-se de pessoas buscando apoio na fé e ansiando por iluminação divina ou dos espíritos superiores. Templos religiosos e templos de consumo e ostentação da socialização da riqueza mais acessível convivem sem digladiar-se. Shopping centers são esses templos do ter mais e do lazer. Falsos profetas homiziam-se em muralhas de legendas ou partidos políticos e aquilo que seriam agremiações partidárias tornam-se seitas. Seitas radicais com milícias prontas para agredir e destruir.

 

Cr & Ag

 

Hordas de mortos-vivos arrastam-se pelas cidades e invadem as áreas rurais. Não haverá prisões suficientes para todos os criminosos de qualquer colarinho. A “elite” julgada e condenada após intermináveis manobras e “embargos infringentes” (?) que para o reles e simples mortal é “sacanagem de político rico” ocupa habitações especiais ou é beneficiada com indultos ou decisões presidenciais. “Deus é quem sabe” e “Deus é brasileiro” soma-se ao devaneio da incompetência em melhor escolher ou escolher os piores. Temem-se mudanças e assim nunca será encontrada uma “arca” salvadora nem um Noé.

 

Cr & Ag

 

Imputam-se culpas “sempre dos outros”, mesmo que as tais culpas atribuam-se aos ancestrais que alimentaram a poeira dos tempos e dos séculos com suas ossadas. Radicalizar é norma e religião. Essas chagas tornam-se visíveis em todo o planeta e enganados são aqueles que olham e acreditam que o “problema é dos outros; ou deles”. Transferência de culpa ou de responsabilidade, sempre há alguém para responsabilizar, acusar e culpar pela incompetência ou pela desídia. Rouba-se pela política e mata-se pela religião.

 

Cr & Ag

 

No entanto, é crescente e compreensível que mais pessoas têm o entendimento e as redes sociais tornam-se templos sem donos que expõe a ferida purulenta da negligência, da incompetência ou da imperícia do governo e dos detentores do poder. A consciência de escolher o “menos ruim” ou a escolha por exclusão romperá a barreira do medo de melhores em capacidade e decência – que não é somente uma mera palavra e sim um dos estados do espírito – tornarem-se visíveis, expostos a enfrentarem as legiões das sombras e do “quanto pior melhor” para eles. Alguém duvida que o verme prolifera  e se fortalece no lixo e na podridão e que os corruptos estão na penumbra das leis e da imprensa livre?

 

Cr & Ag

 

Não sei dos resultados, mas orei para que as manifestações do dia 15 de março sejam uma luz contra as sombras que dominam e infestam esse país que seria uma democracia de todos e não uma ditadura de alguns. Assim como uma Petrobrás que já foi orgulho nacional foi infectada pelos tentáculos da política de eternizar-se no poder e roubar com o escudo da funesta governabilidade.

A Presidenta e a defesa do traficante – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Março 2015

2015 – 03 – 10 Março – A Presidenta e a defesa do traficante – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A Presidenta e a defesa do traficante

 

É

 uma criatura tão peculiar e inigualável que devemos nos associar ao seu desejo singular de ser chamada de presidenta. E um dos marcantes episódios de sua gloriosa administração dos 39 ministérios e incontáveis secretarias foi retirar da Indonésia o embaixador brasileiro em represália contra a ofensa nacional por executarem um traficante brasileiro. O fato de ser um traficante há mais de 20 anos, julgado e condenado é mero detalhe. Essa despudorada e brutal ofensa ao Brasil deveria ser respondida nos moldes do amigo ditador da Coreia do Norte: – O Brasil declara guerra à Indonésia e vamos invadir as Malvinas deles”. “Eles vão ver o que é bom pra tosse quando a vaca tossir” – imagino no seu discurso em cadeia nacional. E olha que os partidos da sua base entendem de cadeia nacional. Da Indonésia não.

 

Cr & Ag

 

A Indonésia tem essas leis estranhas e absurdas e de execução cruel – pô meu, fala sério, fuzilar o mano! Deveriam mandar o cara para Bali surfar até… morrer de cansaço ou de velho com as narinas entupidas de “talco”. Retirar o embaixador brasileiro e cortar relações com a Indonésia é pouco pela crueldade da lei. Ou só porque ele é brasileiro e votou nela e nele? – Nele quem? – pergunta o distraído. Nele, o cara, o intocável, aquele que nada viu e nada sabe, isento total. Sacou! “O cara não matou ninguém” – claro que não, pois a “droga é coisa do capitalismo e tudo é culpa dos americanos”, sussurrava um assessor do Planalto com pós- graduação na Bolívia de Evo Morales. O Brasil é um país de amor (e sexo – o governo mentiroso nos ferra todos os dias), aqui não há crueldade, todos têm direito à embargos infringentes e advogados do quilate de um Marcio Tomás Bastos e infindáveis recursos e vistas de processo. Todos tem amplo direito à defesa e ao ataque (e meio de campo), como na fila do SUS, na falta de vagas nos hospitais, nos curandeiros cubanos, nas balas perdidas, nos arrastões, nos impostos que bebem teu sangue e violentam tua alma, na inflação, na corrupção…

 

Cr & Ag

 

Faltou sua casa civil ter declarado luto oficial por três dias e bandeira a meio pau no Brasil e nas embaixadas. A crueldade da lei na Indonésia fez a presidenta relegar ao último plano a chacina no jornal francês Charlie Hebdo e no mercado judeu. Também ali a culpa é dos americanos e do capitalismo excludente que não copia a graça na administração socialista da Petrobrás e a inclusão (dos deles) na posse do Brasil. Nem destruíram os vinhos prediletos do ex-presidente, como Romanée Conti. As chacinas francesas que reuniram em repúdio líderes mundiais de todas as nacionalidades, credos, cores e ideologias não sensibilizaram a nossa presidenta, talvez porque ali não estava a honra do Brasil envolvida. Nenhum traficante brasileiro estava envolvido. E nenhum socialista da Petrobrás ou do mensalão. “Vejam a culpa da globalização” tão combatida pelo socialista tupiniquim embarcado na sua camionete Range Rover.

 

Cr & Ag

 

Somos um povo solidário e amoroso, deveríamos durante o Jornal Nacional, em cadeia nacional e na Papuda, na prisão domiciliar ou no indulto de Natal fazer um minuto de silêncio e de oração ao “Pai Lula que está no Brasil, santificado e etecéteras e tal”. Seria o mínimo. E quando as cinzas do “garoto” chegassem ao aeroporto brasileiro da empreiteira e mensaleiros unidos, saíssem em carreata no caminhão do corpo de bombeiros, discursos inflamados e infeccionados da base parlamentar, com vários trios elétricos e escolas de samba. Certamente alguma escola de samba trará esse tema enredo – “menino brasileiro assassinado na Indonésia” alimentado com poposudas verbas públicas. Renderia um filme: “Filho do Brasil fuzilado na Indonésia”. Mais de 60 mil brasileiros mortos anualmente no trânsito e outro tanto na violência urbana fariam posição de sentido nas covas coroadas pela impunidade da justiça nacional. Já estou procurando um canivete que ganhei da avó Adiles para afiar e me preparar para invadir a Indonésia. Quero ser pracinha dessa nova força expedicionária brasileira a ser convocada pela amorosa, sincera, afetuosa e defensora ferrenha da honra nacional e mãezona presidenta. Seria como um PAC contra a Indonésia!

Liberdade e Segurança – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 03 Março 2015

 

2015 – 03 – 03 Março – Liberdade e Segurança – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas

 

Liberdade e Segurança

 

A

jude o cronista em algumas de suas angústias e incertezas. Posso sair do banco contando o dinheiro da minha aposentadoria? Posso deixar as janelas abertas do meu quarto e da minha casa nessas noites de calor terrível? Vou passear no Zoológico e posso dar uma comidinha na boca do leão depois de pular a grade da jaula? Posso estacionar e deixar a chave do carro na ignição enquanto compro no comércio? Posso assistir ao Grenal no meio da torcida organizada do Grêmio com a bandeira do Internacional e fardado com a camiseta colorada? Se o querido amigo e colega psiquiatra Guilhermano escutasse ou lesse essas intenções do cronista, ficaria, no mínimo, preocupado com minha sanidade física e mental. Mas eu bradaria aos quatro ventos – E a minha liberdade? Onde fica a minha liberdade individual? Onde fica o respeito que devem pelo ser humano e cidadão ex-eleitor da Dilma e do Lula?

 

Cr & Ag

 

Várias ocasiões escuto e observo pela TV os casos de mulheres molestadas nos ônibus e nos metrôs. Ou até nos lugares mais variados como shopping centers. A imensa maioria queixa-se do machismo da sociedade. “Os homens não respeitam!” – acusam. Eventualmente algum repórter alude ao “detalhe” da roupa que usam. Isso somente aumenta a indignação. “Eu tenho direito de me vestir como quiser” – explodem. Antes que algum lerdo mental acuse o cronista de defender ou atenuar a culpa do bolinador, assediador, meliante, insistimos na tecla de que a criatura avalie o local onde está e os riscos de sua conduta naquele local. Se eu andasse de moto a 150 km/h sem capacete e bailando entre os carros, isso seria conduta de risco? Correto?

 

Cr & Ag

 

Se você vai a uma festa, sua indumentária será conforme o evento. Se você trabalha numa metalúrgica, proteja-se dos riscos do seu trabalho. Alguém duvida de que vivemos numa sociedade predatória (veja a roubalheira da Petrobrás) e sem segurança real e não a imaginada pelo governo socialista que desarmou o cidadão honesto? A nossa conduta será proporcional ao risco que estaremos expostos. Se a pessoa expõe seu corpo aludindo sua liberdade e exige que o meio ambiente viva e comporte-se pelas suas regras estará sempre exposta, sujeita ao predador mais próximo. Há diversos estudos que mostram que a criatura adota conduta de risco por vontade consciente ou inconsciente. Nada disso absolve ou exime de responsabilidade ou culpa o leão que arrancou o braço do homem ou devorou a criança, mas as feras humanas podem ser mais ardilosas e sua estratégia de posse e destruição bem mais elaborada.

 

Cr & Ag

 

A culpa do sujeito dirigindo bêbado é da autoridade ausente, omissa ou ineficiente. Mas também do bêbado que assume ao volante todos os riscos de seus atos. Nós família temos a obrigação de orientar e até exigir de nossos filhos e netos que aprendam a cuidar-se e evitar situações que possam ser agredidos, injuriados ou até o pior. Mas a pessoa adulta também tem a obrigação principal de saber o mundo em que vive, entender os riscos do local onde transita, trabalha ou se diverte e se mesmo assim não adotar conduta de autopreservação, parte da responsabilidade do que lhe acontecer é sua. Muito sua.

 

Velocidade abusiva.

 

O excesso de velocidade na avenida principal para acesso ao centro de Viamão é escancarado, anormal e criminosa. Veículos pesados como ônibus e caminhões – assustador. Deus é viamonense, senão teríamos mortes diárias ou semanais… A esperança de autoridades atuantes é quase nula. Vejam o som abusivo dos veículos e das lojas! Ou a pichação! E a velocidade, Deus ainda salva!

Flamingos apaixonados

O Amor entre flamingos desenha um coração!

Olho de sogra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 24 Fevereiro 2015

 

2015 – 02 – 24 Fevereiro – Olho de Sogra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Olho de Sogra

 

D

izia T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse: – Nada é o que parece. E se parece, não é! – assim é o título. Numa época turbulenta de carnaval com sobreviventes na avenida e do governo brasileiro, vamos adoçar a coluna, que também é vertebral, do Opinião. Outra amiga me dizia: – Comparar o olho da minha sogra com o doce é algo desalmado… para o doce. Já açucarei a vida de vocês com ambrosia feita pela avó ou pela dona Alaíde, lá de Mostardas. Enalteci o sagu da sogra Palmira, sem igual e mesmo a gente adorando e repetindo trocentas vezes, ela murmura: – O ponto poderia ser melhor. Se melhorar, seremos assaltados pelo Palácio do Planalto e taxados para parar de comer. Uma das felicidades de ser médico é ser presenteado pelos pacientes amigos e amigas. Pensem coisas boas! Maravilhosas! Já recebi. E não é bazófia ou papo de político. Realidade. Aí está minha secretária Clarice como testemunha ocular e degustativa. Quantas vezes ela também ganha coisas maravilhosas. Presentes com amor, com perfume da gratidão ou do reconhecimento, são graças divinas.

 

Cr & Ag

 

Há uma conhecida doceira viamonense, dona Rosaura, que faz doces com mãos iluminadas. O peso da idade não permite que trabalhe mais profissionalmente. Certos clientes antigos intimam-lhe inicialmente pela estratégia de que “ninguém faz igual à senhora” até chegar ao “se a senhora não fizer essa encomenda eu corto os pulsos ou me atiro da torre da igreja”. Sério! “Muito sério” como diz meu neto Lucas. Houve uma comoção e saiu gemendo da cama para fazer os doces ambicionados. Como sou um privilegiado, a dona Rosaura volta e meia me traz caixas de doces primorosamente adornados. Imagino algo assim que o califa de Bagdá comia. Ou o guru Lula na Granja do Torto ou nos eventos do Pré-Sal.

 

Cr & Ag

 

Vocês iriam desmaiar desidratados de tanto babar se contasse todas as obras de arte que ela faz. Como sou um cara antigo. Bem antigo. Do tempo em que se caminhava à noite pelo centro de Viamão e se conversava nas calçadas da praça com a tranquilidade dos justos. Sou do tempo em que se pintavam as casas para esperar o Natal e a pintura durava todo o ano seguinte. Hoje será destruída na mesma noite por um pichador maldito e impune. Sou do tempo em que as maiores drogas que existiam podiam ser trocadas a cada quatro anos e bolsa da família era uma coisa que as mulheres usavam para adornar sua beleza, passando por gerações e não uma safadeza eleitoral. Sou antigo. Tão antigo nós éramos cidadãos brasileiros e hoje somos meros sobreviventes. Voltando ao caso antes que “a vaca (da presidenta) tussa”.

 

Cr & Ag

 

Quando guri eu ia na “venda do seu Lelé”, antigo armazém ali nas pestanas da velha Borracheira e comprava cocos de verdade. Cabeludos. Com cuidado se fazia um buraco no olho ou no umbigo do coco para beber sua água. Quebrava-se com o machado. Seria olho ou fiel do machado? E raspava-se, ralava-se o coco com as mãos. Perdia várias lascas de dedos nessa tarefa. Tudo valia a pena, nada que um mercurocromo não cicatrizasse. As passas eram gigantes, pretas e doces, abria para retirar as sementes deixando-as em forma de concha ou canoa. Minha mãe Dora gostava que ajudasse. Incentivava. O coco cozinhando no fogão a lenha exalava um perfume que varava fronteiras e vizinhanças. Quando esfriava o necessário era moldado com as mãos umedecidas e colocado no leito das passas. Eu adorava esperar para raspar a panela entre as pernas e sentado na escada. Deus do céu, a cada olho de sogra da dona Rosaura esse universo refloresce em minha alma. E abria as panelinhas de papel para o acabamento e boa apresentação. E a alegria de chamar a gurizada para comermos juntos ou levar numa caixinha como presente para alguém. Somos e fomos felizes. E sabemos!

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Um tempo lembrado – Panca! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Fevereiro 2015

2015 – 02 – 10 Fevereiro – Um tempo lembrado – Panca – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Um tempo lembrado – Panca!

 

C

risto fez de homens das águas seus discípulos mais chegados e principais propagadores   da sua fé. Homens das águas ou homens ligados à água, ao mar. Pescadores. Pescadores de almas! O mar me induz a pensar, matutar, refletir e buscar consciências do presente e cavoucar nas areias do tempo em busca de mariscos ou das iscas que trazem recordações e novas leituras da vida e dos tempos. No alvorecer da profissão de médico ou do ainda estudante de Medicina que após tantos anos longe da terrinha retornava para beber da água do Fiúza, a barbearia do Panca era um desses locais tão singelos quanto sagrados na sua essência. Sem as frescuras pernósticas do politicamente correto, a barbearia era um local em que o ritual do corte de cabelo, da barba escanhoada à navalha congraçava pessoas de todos os naipes e sem ou louros das origens. Resumindo – um berço da democracia. E democracia participativa, onde nenhuma opinião era inútil e qualquer ensinamento, por mais humorado que fosse, trazia a luz da amizade.

 

Cr & Ag

 

Meu tio Álvaro Oliveira era um desses amigos que “batia ponto” diariamente na barbearia do Panca, aqui próxima da caixa d´água. O Panca sempre tinha uma pegadinha comigo: – O doutor sabe qual o melhor remédio para tosse? – esperava eu dizer que não, para que me ensinasse. – Óleo de rícino, doutor! – com um sorriso maroto. – O cara toma óleo de rícino e depois eu duvido ele tossir! É do Panca outro achado: – Qual a profissão que mais tem um Viamão? – esperava um tempo de suspense e aplicava: – É corretor! Olha a turma que anda aqui no centro, no Zeca, na rodoviária com uma pastinha debaixo do braço e dizendo que negocia sítio, chácara, casa, carro, mas que na verdade é um monte de vagal. Muitos casados com professoras que lhes pagam as contas no final do mês e sempre se queixam que o governo paga pouco. Esse corretores tem pro cigarro, pro cafezinho, pra cerveja e ainda correm umas chinas.

 

Cr & Ag

 

O Panca era natural de Mostardas. Na minha infância eu entendia Mostardas como um lugar naquele caminho do Marco Polo para às Índias. Longe barbaridade. Lugar onde os cavalos tirados de lá sempre pastavam com a cabeça virada para sua terra, dizia a tradição. O namoro com a Loi aconteceu na casa do meu tio Zé Uia e da tia Tereza. Zé Uia é outro barbeiro histórico e de incontáveis histórias – era o homem que tinha um “peru treinado” a dançar as músicas no picadeiro do circo. Meu tio Zé Uia transferia a barbearia para a Cidreira na temporada de verão e praia e alugava um bangalô do Hotel Atlântico anexo da estação rodoviária. Ali um grande amor nasceu e o mostardeiro tornou-se um viamonense de coração.

 

Cr & Ag

 

Viamão transferia-se para Cidreira principalmente durante o verão. Seu Cici do Jornal Correio Rural ia para Nazaré e a maioria dos viamonenses no bairro da Viola. Alguns para Pinhal como os Zavarize e a família do seu Calisto Allem. Outros para a Cerquinha, atual Magistério, como seu Hélio Cabeça, pai do ilustre Bebeto Cabeça de longa e permanente vida política nessa terra setembrina. E logo acompanhado dos Scarppetti, como do querido Deco da Farmácia. Quem não conhece seu passado, não executa corretamente seu presente e projeta mal seu futuro. Os conhecimentos farmacológicos do caro Panca salvaram vidas, como do brigadiano que até já tinha comprado corda para se enforcar, pois acometido de persistente “brochura” (disfunção erétil) tinha perdido o gosto, a esperança e a ilusão da vida. Com chás do cipó chamado Nó de Cachorro, fornecido sigilosamente pelos homens das pedreiras de Itapuã, trouxe-lhe “alegria e felicidade e sexo poderoso”, segundo contava a boca larga.

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