Perfeccionismo & o Diabo e o Nariz do Filho! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Série: Moto! Paixão Eterna 22.

 

Perfeccionismo

&

o Diabo e o Nariz do Filho!

 

                        Existem criaturas tão meticulosas naquilo que fazem que nos causam preocupação. Um amigo de um amigo meu cultiva um bigode, isto é, um projeto de bigode já que ele pertence a um grupo de homens em que os cabelos escassos tentam encontrar os cabelos inexistentes. Disse que nunca seria cliente do fantástico Panca, o barbeiro, porque ele não tem bigode e logo não saberia cuidar do seu. Os fios são aparados com régua milimétrica e tem o mesmo número de cada lado.

 

Tenho um outro amigo motociclista que quando se dispõe a lavar a moto é como se acontecesse o juízo final. Tem que se apresentar o mais limpo e puro possível. E ele se dispõe freqüentemente porque ninguém lava como ele.

 

— E ainda esses lavadores são todos descuidados, jogam água dentro do escapamento e no carburador, passam pano sujo, sentam no banco e outras promiscuidades. – dizia. Imaginem alguém limpando uma moto de cotonetes, pois então estão vendo o homem. Se alguém achar uma molécula de poeira, ganha a escolher: uma cesta básica ou um Chevette ’76.

 

 

                        Mas contam os iniciados que na aurora dos tempos, isto é, no começo do mundo, o diabo também morava no paraíso. E ainda não havia as brigas com o Criador. O mundo era mais pacato e harmônico, pois a Eva ainda não era nem projeto. Continuando, o diabo, certo dia, estava na varanda de sua mansão infernal tomando um bom chimarrão com erva mate sem agrotóxico e conversando em alegre bate-papo com outros diabos.  A criançada, digo, os diabinhos estavam brincando: uns de triciclo, outros de faz-de-conta sendo políticos no Brasil, outros de pivetes, outros ainda como diabos-de-guarda de políticos, etc.

 

Então que o diabo velho-chefe observou o nariz de seu filho predileto. E não achou um nariz condizente com a importância e a origem do diabinho. Determinou a um cupincha que levasse o nariz e o filho para o hospital e o internasse. Mesmo com a crise infernal do hospital com emergência lotada, SUS, macas nos corredores e falta de dotação orçamentária, convênios caloteiros, o prestígio e autoridade do chefe prevaleceram e o menino foi internado numa suíte presidencial. Convocou um anestesista demoníaco e como não confiasse nos cirurgiões-diabos-plásticos infernais, resolveu ele mesmo operar.

 

Planejou no computador todos os traços que julgava perfeitos para o dileto rebento. E se bancou a operar. Foi a primeira cirurgia plástica da história. A segunda foi o esquema da costela do Adão que foi transformada em mulher e que ainda tem gente até hoje tentando repetir o feito… E o diabo continuava operando. Era bisturi para tudo que era lado. Até transfusão de sangue. Volta e meia ele parava e observava a sua obra e ainda insatisfeito com o resultado, reiniciava tudo de novo. A platéia observava sem expressar qualquer desaprovação, ao contrário, eram palmas e foguetes. Apesar de todos, até os cegos, verem que o resultado era cada vez pior, a luta, digo, a cirurgia continuava. E quanto mais mexia, pior ficava. E assim foi… Pior?

 

E que isso tenha serventia para todos nós.

 

 

                        E assim temos companheiros motociclistas que fazem verdadeiras cirurgias plásticas em suas motos. Alguns são verdadeiros artistas. Mas como o conceito de beleza é algo muito pessoal, o resultado das suas operações pode causar risos e constrangimentos. Tem irmão de custon que pilota verdadeira árvore de Natal. Outros, geralmente jaspion ou speed, pintam suas rodas com as cores mais infernais. O pessoal das 250 às 500cc monta rabetas, aerofólios e “pinturas especiais”.

 

 

                          A Emoção é uma ditadora implacável em nossas vidas, deixando sua irmã Razão, geralmente, na poeira da estrada. (T.J.)                  

Moto - Paixão Eterna - 22 - 2017 - Egito

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Dormindo nas Palhas! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 17 abril 2018.

 

Dormindo nas Palhas!

O Diabo tem todas essas qualidades (ou defeitos) não é somente por ser Diabo, mas é também porque ele é muito velho. Está aqui desde antes do começo do mundo”, é outra dessas pérolas da sabedoria popular. Muitos de nós desconhece, não sabe ou nem imagina o que significa o título acima – Dormindo nas Palhas. Alguns pela idade avançada, seres longevos, outros pela exploração continuada das páginas dos livros perscrutando mundos sonhados e imaginados, ainda aquele que nos bancos escolares se apaixonaram pela história e vararam o conhecimento humano conhecem-na. Está a palha em suas mais variadas origens e apresentações acompanhando o homem na sua caminhada no planeta. No vestuário, como os chapéus de palha. Na proteção e embalagens de alimentos – a velha rapadura de melaço. No ritual do fumante ao sorver seu palheiro ou cigarro de palha. E nas moradias do homem e de seus animais – móveis e revestimentos dos pisos.

Crônicas & Agudas

Certos mosteiros ofereciam salas coletivas para o sono, descanso e alguma sopa para os viajantes e alguns abandonados. Raramente o piso não era somente de terra, que recebia uma camada de palha seca para o singelo conforto das criaturas. Camas? Luxo dos abonados e dos nobres de berço ou de espada. Ao amanhecer a palha era recolhida e amontoada próxima ao permanente fogão aceso ou em algum estrado de madeira. As casas eram de chão, de terra nua. Inclusive as paredes – pau-a-pique ou de tapumes. Nas vilas as pedras custavam muito caro, assim como os tijolos de barro com estrume e palha, etc. As pessoas dormiam amontoadas nas suas humildes casas, inclusive com os animais. A necessidade do calor aproximava os corpos. E a palha ali sempre esteve. Inclusive nas masmorras, muitas abaixo do nível do solo, paredes de rochas, ausência de luz natural e muita humidade. A ausência da palha e a sua substituição trazia um maior e mais penoso pesadelo ao encarcerado que devia sobreviver com seus dejetos e a água com o frio e logo as doenças.

Cr & Ag

O homem, em contínuo aperfeiçoamento, aprisionou a palha em sacos que deram origem aos colchões. Aos dominantes, os colchões eram das mais macias plumas. Os estrados se transformaram em camas e berços com a técnica dos artesãos para o maior encantamento. Dormir num colchão de palha seca era tudo de bom. O gaúcho trouxe o pelego que aquecia e protegia seus glúteos sobre o espinhaço do cavalo para a sua cama de todo lugar. Para dormir, relaxar e amar! Um couro bovino curtido poderia ser usado por baixo do colchão para protege-lo da humidade. Era comum aqui em Viamão City ou na área rural que nos dias de bom sol, os colchões fossem colocados ao sol e vento para secarem da urina escapada, como de outros fluidos corporais. Os índios americanos aproveitavam os formigueiros para ali colocarem suas roupas e usos de cama, assim as formigas “limpavam” das pulgas, piolhos, muquiranas, etc.

Cr & Ag

Dormir nas palhas” também significa bobear, passar do ponto, perder a jogada. O juiz Moro determinou que o Lula condenado tenha as melhores condições de encarceramento que os 99,99% dos apenados do Brasil em condescendência ao seu cargo de ex-Presidente do Brasil. Essa benevolência hoje parece legal pelo perfil da humanidade atual, no entanto, quantos milhares de brasileiros definham em leitos de pedra, cadeiras de rodas, filas intermináveis sob as intempéries ou sepultos em cova rasa em algum cemitério de periferia pela omissão e deliberada cegueira (se fosse somente isso) pela roubalheira mafiosa, articulada e executada a sua volta? Ou aos bilhões de dinheiro “doados” para seus “governos amigos” que também fazem falta da mesa à cama dos brasileiros? Certamente ele não dormiu nas palhas e nem dormirá!

2018 – 04 – 17 abril – Dormir nas palhas – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P25 - Coringa

A Odontologia já foi assim! Série – 12

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Irmãos! Gente como a Gente. Série – 4 ⚃

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Irmãos! Gente como a Gente. Série – 3 ⚂

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A Tarrafa! Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião de Viamão. 10 abril 2018.

 

A Tarrafa!

[“Há dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu…]

S

entia-me deslumbrado e um tanto apaixonado ao vislumbrar uma cadência mágica do pescador arremessar a sua tarrafa que se abre como um véu de noiva (outra designação popular da tarrafa) ao vento e cai sem estrépito na água indo num mergulho suave juntar seus braços vertebrados pelo chumbo com a prisão dos peixes e de outros seres aquáticos. Tanto do homem solitário e silencioso numa margem quanto de vários que se alternam num bailado som a luz do luar ou ao cintilar da espuma cravejada pelo sol. Há Oliveiras caçadores e/ou pescadores. Todos Colorados! Seu Aldo era um desses modelos de Oliveira que mesclava a disciplina do velho Olympio com a doçura da vó Celina. Pescava em rios, lagoas e no mar. Cada época com seus peixes e seus instrumentos – caniços, carretilhas, redes das mais variadas, arrastões, espinheis, fisgas e… tudo que a imaginação cativasse. Nunca foi um tarrafeador de sua predileção. Eu já enveredei por esse meandro e jogava uma tarrafa nota seis. Na minha rua havia o Seu Jorge, o Jorge do Armazém, que jogava uma tarrafa sem igual. Tarrafa grande, de profissional e dos bons, nota 10. Abria a rede num círculo perfeito – ensinou-me no gramado – ou ao comprido num rio, num valo ou em alguma água povoada de tocos de árvores.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Nas barras, como em Imbé, Torres e Laguna, sentava-me em alguma pedra ou simplesmente me deixava encantar com essa arte que enobrece o seu ofício e eleva o pescador ao doutorado como tarrafador ou tarrafeador. Admirável. O que a tarrafa recolhe no seu amplexo? Desde as algas e restos locais aos mais variados seres das águas – siri, mariscos, peixes com e sem escamas, invertebrados. “Caiu na rede é peixe” – diz uma expressão popular. O bom pescador escolhe a malha adequada da rede para livrar os filhotes e sempre retorna à água aqueles seres que não servirão de alimento. A pescaria jamais deve ser para ostentação ou regozijo pueril. No entanto, a pescaria traz surpresas enroladas e emaranhadas e assim foi quando os pescadores retiraram das águas a Nossa Senhora Aparecida. Os exemplos se somam e iluminam nossa fé e nossas crenças de que o Pai Celestial pode tocar aquele véu ou aquele entrelaçado de fios em rede.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Tarrafear ou tarrafar! Metáforas e analogias! Um amigo dono de farmácia me ensinava: – “A tarrafa está sempre me pegando. Eles até sabem que eu sei. Só trocar de empregados não tem resolvido. Descobri que a tarrafa pode pegar, mas não pode acabar com a pescaria. Se me quebrarem é ruim pra todo mundo”. Um amigo, namorador de dar inveja ao Don Juan, colocava um Correio do Povo (jornal que nos áureos tempos era de mega tamanho) na axila esquerda e saia para tarrafear a noite nas sombras do litoral de Cidreira. Certo manhã, meio desconsolado, assim como quem recebe uma intimação de pensão alimentícia, se lamuriava: – “Tarrafeei toda a noite uma morena tomada de belas curvas, com os peitos batendo continência pro general e terminei com uma amiga dela, meia petiça e quase anoa nos cômoros atrás do Beira Mar (hotel)”.

Crônicas & Agudas! – Cr & Ag

Assim todos somos pescadores. Ele, o Cristo, foi um “pescador de homens”. A polícia pesca o tempo todo. Lança anzóis, arma redes. Estende espinhéis e arremessa tarrafas. Numa dessas tarrafeadas da polícia veio um doleiro enredado e outras criaturas perigosas. E as tarrafas continuaram a serem jogadas e veio finalmente uma lula. Na natureza a lula é um ser das profundezas, emerge das sombras, é um predador terrível. Eu já acredite, escrevi, elogiei e admirei Lula-homem e torci pela sua cura do câncer e da enfermidade moral que se exteriorizava virulentamente. Infelizmente perdi. Nós perdemos. As pessoas, ao morrer, podem doar seus órgãos para a saúde de outros. As criaturas nobres doam dignidade e exemplos de Luz e Amor para a humanidade e atos que mudam a história e nos elevam no patamar civilizatório. Lula-homem enredado na tarrafa da lei e da honra nos deixará a dor de sermos traídos e traídos constantemente sem a dignidade de reconhecer seus erros e pedir o perdão envergonhado. É triste demais!

2018 – 04 – 10 abril – A Tarrafa – EDS Olimpio – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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P24 - Poderoso Chefão

2018 – Abril–Luiz Alberto Fernandes Soares – Médico, Historiador, Militar, Presidente da Sobrames/RS, Ex-Presidente da Sobrames Nacional.

 

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Capas e contracapas de livros do brilhante e incansável Dr. Luiz Alberto Fernandes Soares (LAF Soares), médico, escritor, Coronel do Exército do Brasil, Presidente (Eterno) da Sobrames (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores) do R. G. do Sul e um batalhador exemplar pela literatura e pelo resgate e amplo reconhecimento de Médicos e de Médicas.

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